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Kapittel 2: Definisjonar og teoretisk bakgrunn

2.6 Kritikk av den kognitive metaforteorien

2.6.3 Kritikk basert på grammatisk og korpusbasert metaforforsking

A associação entre os fluxos migratórios e as doenças transmissíveis tem sido, não raramente, difundida pelos meios de comunicação em massa. O presente estudo tem por finalidade compreender, mais especificamente o adoecimento por tuberculose, em um grupo de imigrantes, na cidade de São Paulo. Sendo assim é importante compreender quê aspectos estão envolvidos, ainda que de modo bastante geral, nos fluxos migratórios contemporâneos.

Palavras como minoria étnica, grupo minoritário, estrangeiro e migrante muitas vezes são usadas para se referir às populações não nativas (Ahonen, Benavides, Beach, 2007). Não há uma definição universalmente aceita deste termo, usualmente compreende todos

os casos em que a decisão de migrar, sair do país de origem, é tomada livremente pelo indivíduo, sem a intervenção de fatores externos (OIM, 2014).

Os migrantes podem ser ditos irregulares, ou

indocumentados, quando faltam autorizações oficiais para viajar, entrar ou residir em um país anfitrião; ou, mesmo aqueles que inicialmente foram admitidos legalmente no país de acolhimento, mas que ultrapassaram o período de residência permitido (MacPherson, Gushulak, Macdonald,2007).

Este presente estudo refere-se às pessoas não nativas do país como imigrantes ou migrantes5, e nos casos daqueles em situação irregular como os indocumentados6.

No mundo globalizado de hoje, com desigualdades principalmente nos países em desenvolvimento e subdesenvolvidos, além daqueles que apresentam conflitos étnicos e bélicos, um número crescente de pessoas deixam seu país de origem, em busca de melhores condições de vida. Há cerca de 214 milhões de migrantes no mundo ou pessoas que vivem em países diferentes daquele em que nasceram. Estima-se que uma em cada seis pessoas no mundo é migrante, dados que não incluem os que se deslocam no interior de um mesmo país. Se os migrantes compreendessem uma nação, constituiriam o terceiro país mais populoso do mundo, apenas atrás da China e da Índia (Perone et al., 2005; Zimmerman, Kiss, Hossain, 2011; Cogo, Badet, 2013).

5 Migração é o movimento de pessoas, grupos ou povos de um lugar para o outro, assim, migrante é

toda pessoa que se transfere de seu lugar habitual, de sua residência comum para outro lugar, região ou país. Normalmente é um termo usado para definir as migrações em geral, tanto de entrada quanto de saída de um país, região ou lugar. Não obstante existam termos específicos para entrada de migrantes – Imigração e para saída – Emigração. Fonte: Glossário, disponível em

http://www.migrante.org.br/migrante/index. php?option=com_content&view =article&id=229&Itemid=1227#m . Acesso em 21 out 2014.

6 Migrante indocumentado ou irregular é definido pela Convenção Internacional sobre a Proteção dos

Direitos de todos os Trabalhadores Migrantes e de seus Familiares, 1990, como aqueles que não foram autorizados a ingressar, permanecer e a exercer uma atividade remunerada no país receptor. Fonte: Glossário - Disponível em http://www.migrante.org.br/migrante/index.php?option

Se o crescimento do número de migrantes mantiver-se na mesma proporção atual, prevê-se que em 2050, o contingente de migrantes internacionais alcançará a cifra de 405 milhões (Cogo, Badet, 2013).

Os imigrantes são um grupo heterogêneo, composto por pessoas cujas origens, as razões para a migração e o estatuto jurídico e econômico variam e, portanto, isto deve ser levado em consideração na formulação de políticas específicas a estes grupos (Heldal et al., 2008).

Entre as razões para a migração pode-se ressaltar a conjuntura econômica, política, social, ou os de ordem individual, como, busca por melhores perspectivas de vida e condições de emprego e salário, assim como a oportunidade de ascender profissionalmente. Há, ainda, motivações políticas, além da presença de guerras e conflitos armados, que tem impelido a imigração, conforme apontado anteriormente (Moscovics, Corral, 2012; Texidó, Gurrieri, 2012). Mas, historicamente, o fator trabalho tem sido admitido como a razão predominante para a migração (Saladini, 2012; CUT et al., 2013).

Um dos signos principais da globalização do capitalismo é o desenvolvimento do capital em geral, transcendendo mercados e fronteiras. Em lugar da concentração da indústria, dos centros financeiros, e das organizações de comércio, verifica-se a redistribuição dessas e outras atividades por diferentes continentes, o que implica outras e novas formas de organização social e técnica do trabalho, de mobilização da força de trabalho, formando um trabalhador coletivo e desterritorializado. Tal estado de coisas também estimula a busca de força de trabalho barata pelo mundo, além de promover migrações em todas as direções (Ianni, 1996).

No entanto, parece haver uma lacuna que não dá conta de explicar os deslocamentos impulsionados pelo capitalismo, que por

um lado defende a liberdade de circulação, e por outro, impõe restrições às pessoas que almejam um melhor futuro em outros territórios (Silva, 2001).

A dinâmica da imigração produz e reproduz diversidades e desigualdades, envolve problemas culturais, religiosos, linguisticos e raciais, simultaneamente aos sociais, econômicos e políticos. Como resultado, emerge a xenofobia, o etnocentrismo, o racismo, entre outros processos (Ianni, 1996).

Além destes problemas, há inúmeras interconexões históricas entre a mobilidade da população e a saúde pública global e, desde a década de 1990, uma nova atenção às doenças infecciosas emergentes e reemergentes, tem promovido a discussão deste tema (MacPherson, Gushulak, Macdonald, 2007). Ho (2004) aponta o surgimento de uma nova classe de trabalhadores, os transnacionais, que estão vulneráveis a vários problemas de saúde e, entre eles, o adoecimento por tuberculose.

Como a globalização é um fenomeno ligado à mobilidade da população, os governos tem a responsabilidade de implementar políticas de migração segura e saudável para todos (MacPherson, Gushulak, Macdonald, 2007; Zimmerman, Kiss, Hossain, 2011). As políticas de saúde para a população imigrante devem reconhecer que há vulnerabilidades específicas neste grupo, que inclui riscos ocupacionais, exclusão social e discriminação.

Deve ainda reconhecer a importância do acesso aos serviços de saúde, fundamentando-se na perspectiva dos direitos humanos e da ética profissional (Zimmerman, Kiss, Hossain, 2011). Entretanto não tem havido desenvolvimento de abordagens políticas para enfrentar as implicações para a saúde, decorrente do aumento dos fluxos migratórios (Zimmerman, Kiss, Hossain, 2011).

Observa-se que, apesar da magnitude da corrente de movimentação humana, contemporânea, mesmo em países tradicionalmente reconhecidos como polo de atração de migrantes, sabe-se relativamente pouco sobre as relações entre migração e saúde desse grupo: seja em relação aos impactos adicionais que a imigração pode gerar sobre a saúde e os serviços sociais do país receptor, ou relacionada à saúde do migrante (MacPherson, Gushulak, Macdonald, 2007).

A migração e a mobilidade da população desempenham um desafio no campo da saúde pública. Os migrantes podem exibir características de saúde que resultam de riscos presentes em seu país de origem ou decorrentes do próprio processo de migração

(MacPherson, Gushulak, Macdonald, 2007). No entanto, tem-se

observado que as estratégias associadas às políticas de controle da migração, muitas vezes, têm implicações negativas ou punitivas sobre os mesmos (Zimmerman, Kiss, Hossain, 2011).

É muito provável que os migrantes encontrem contextos de vulnerabilidades no trabalho, com elevados níveis de precarização e más condições para a sua realização. Não é raro que os migrantes integrem o contingente relativo ao trabalho informal, o que determina que lesões ou enfermidades decorrentes sejam subnotificadas ou não visíveis. Mas, o fato dos riscos não serem descritos não significa a sua inexistência (Ahonen, Benavides, Beach, 2007).

As vulnerabilidades ocasionadas pelas condições de vida e de trabalho dos migrantes são agravadas, ainda, pela dificuldade de acesso aos cuidados de saúde e serviços sociais, em virtude de barreiras políticas, linguísticas e culturais. Todo esse emaranhado de questões exige estudos cuidadosos e direcionados a determinar como os modos de vida e trabalho influem sobre a saúde dos migrantes (Ahonen, Benavides, Beach, 2007).

Em países com muitos recursos, a assistência médica para os migrantes pode ser mais avançada do que nos locais de origem do indivíduo, no entanto mais pobre em comparação aos serviços disponíveis para a população do país de acolhimento, devido à políticas que permitem desigual tratamento aos migrantes

(Zimmerman, Kiss, Hossain, 2011).

Assim, não só as doenças infectocontagiosas devem ser foco de uma política de saúde para o migrante. Estudo realizado com imigrantes residentes por mais de seis meses, em Alicante (Espanha), identificou que os principais problemas de saúde manifestados por estes, tinha relação com as condições de vida e com o trabalho que realizavam. Observou, ainda, nos depoimentos dos sujeitos, sinais de estresse, sentimentos de saudade do país de origem, depressão e ansiedade, compatíveis com a “Síndrome do Imigrante”, ou “Síndrome de Ulisses”7 (Agudelo-Suárez, Gil-

González, Vives-Cases, 2008).

A resolução de emigrar geralmente envolve um alto nível de dificuldade em relação à tomada de decisão, acarreta consequências perenes e não é desprovida de riscos (Saladini, 2012). A imigração significa quebra de fortes vínculos familiares, grupais, culturais, sociais e econômicos, assim, não é raro que muitos manifestem desejo de retornar à terra natal, o que pode ser bastante difícil (Galetti, 1996).