Kapittel 2: Definisjonar og teoretisk bakgrunn
2.8 Forklarande metaforar
2.8.1 Metaforens funksjon og formål i klassisk retorikk
Etapa 1
Os dados provenientes do sistema TBWeb geraram uma planilha no Sistema Excell, a partir da qual foi feita a tabulação e análise dos dados.
Para a análise dos dados empregou-se o pacote Estatístico R, que utilizou para a análise das variáveis o Teste de Wilconxon- Mann-Whitney, o Teste exato de Fisher e Teste Qui-quadrado de Pearson.
Para todos os testes aplicados, os resultados foram considerados significativos quando o valor de p foi menor que 0,05.
Etapa 2
Em relação à segunda Etapa do estudo, utilizou-se como referencial teórico-metodológico, para a análise dos depoimentos, a Hermenêutica-Dialética, que se constitui, conforme estabelece Minayo (2002, 2014), como um “caminho do pensamento”, que
associa a reflexão à práxis. A Hermenêutica consiste na explicação e interpretação de um pensamento, e permite a compreensão simbólica do objeto de investigação. Ela parte das condições cotidianas da vida e ajuda a esclarecer as estruturas que a determinam. Busca entender porquê o sujeito pesquisado valoriza normas, e atribui ações ou responsabilidades aos atores sociais. (Minayo, 2002).
A Dialética coloca o pesquisador na perspectiva do trabalho crítico, focalizado para a ação que transforma. Captura o sujeito e o objeto na história, na totalidade das relações sociais da produção e reprodução social, que são dinâmicas. Assim, as pessoas não se restringem à posição de objeto de estudo, mas são identificadas como sujeitos de relações (Minayo, 2002).
A Hermenêutica-Dialética busca a compreensão sobre como os eventos ocorrem a partir dos modos subjetivos de viver. Ela possibilita o entendimento da realidade que é manifesta na enunciação, que pode apresentar-se como um texto, um depoimento, dentre outras formas (Minayo 2002).
A articulação entre a Hermenêutica e a Dialética possibilita: a compreensão da consciência e das atitudes dos indivíduos e dos grupos em relação ao contexto social; a compreensão das transformações históricas do sujeito na dialética indivíduo-território- sociedade; a compreensão das ações e dos significados que os sujeitos atribuem aos fatos e ao próprio comportamento; a compreensão de que a liberdade e a necessidade se condicionam no processo histórico (Minayo 2002).
Enfatizando-se, uma vez mais, que a saúde-doença é um processo social, o objeto do presente estudo está fundamentado nas bases da Teoria da Determinação Social da Saúde-Doença. A saúde-doença, como processo humano e existencial é compartilhada por todos os segmentos sociais. Mas, a vida e o
trabalho, o locus social, qualificam de forma específica a maneira pela qual os grupos sociais pensam, agem e sentem a saúde- doença (Bertolozzi, 2005).
Para todos os grupos sociais, resguardando-se suas particularidades de inserção social, assim como as peculiaridades biológicas e genotípicas, a saúde-doença se constitui como complexa interação entre processos físicos, afetivos, sociais, políticos, econômicos e territoriais, dentre outros, que estruturam a condição humana. Isto determina a forma como os grupos sociais experimentam e atribuem significados à saúde-doença, os quais refletem valores, atitudes, crenças e comportamentos (Bertolozzi, 2005).
A Determinação Social da Saúde-Doença coloca a saúde e a doença como momentos de um mesmo processo, determinado pela forma como se organizam as sociedades em termos da produção e reprodução social. Os indivíduos integram o processo social e sofrem as múltiplas intermediações que emanam das relações sociais constituídas nos processos de produção e reprodução social. Isto configura uma série de outros processos que incidirão no ser humano, de forma tal a configurar potencialidades e desgastes, que se manifestam na saúde-doença (Breilh, 1995).
É indubitável que a vida encontra-se em constante transformação, e é um processo essencialmente coletivo. A realidade é conformada por processos que se interrelacionam e que tem uma hierarquia, podendo ser denominados como gerais, particulares e singulares. Os processos gerais, que incorporam os demais, incluem a estrutura da sociedade: o modo de produção e a superestrutura jurídico-político-ideológica; os processos particulares incluem a especificidade da forma como vivem os grupos sociais, em decorrência do espaço social ocupado e, também, incluem os perfis epidemiológicos, específicos segundo os grupos sociais; e os
processos singulares incluem as potencialidades de enfrentamento e de desgaste, sintetizados na vivência específica da saúde-doença pelos indivíduos (Breilh, 1995).
Dessa forma, a saúde e a doença são polos em contradição de um mesmo processo, que se constitui como uma parte da totalidade maior que é a vida (Breilh, 1995).
A opção pela pesquisa qualitativa, para elucidar os significados atribuídos pelos pacientes, determinou que a apreensão do material empírico fosse realizada a partir de entrevistas com eles. A escolha do discurso está pautada na premissa de que a linguagem expressa a consciência, conforme anteriormente apontado (Marx, Engel, 1984 apud Bertolozzi, 2005).
As representações sociais estão “coladas ao real”, segundo ensina Marx, portanto, o estudo constitui-se em um dado da realidade, e informa a base material e simbólica do segmento social analisado. A palavra representa o pensamento. Assim, a fala revela condições estruturais, sistemas de valores, normas e símbolos e pode transmitir as representações das pessoas, em condições históricas, socioeconômicas e culturais específicas (Boerdieu, 1972 apud Bertolozzi, 2005).
Segundo Lane (1985), a linguagem é o ponto de partida para se compreender as representações, pois é através dela que as representações são construídas e comunicadas.
Segundo Minayo (2014), baseada no filósofo francês Michel Pêcheux, que fundou a Escola Francesa de Análise do Discurso, o quadro epistemológico que possibilita trabalhar a linguagem, articula três regiões do conhecimento: o Materialismo Histórico (como teoria das formações sociais e suas transformações, além da ideologia), a Linguística (como teoria dos mecanismos sintáticos e dos processos de enunciação) e a Teoria do Discurso (como teoria da
determinação histórica dos processos semânticos). Essas regiões são perpassadas por uma Teoria da Subjetividade, que explica a formação dos significados que os indivíduos atribuem aos fatos e aos processos.
O procedimento para a sistematização e análise das entrevistas, desta segunda Etapa do estudo, teve como base, a fundamentação teórica anteriormente explicitada, fundamentando-se nos ensinamentos de Fiorin (1989, 1990). Assim, utilizou-se uma técnica da análise de discurso para compreender como se dá o processo saúde-doença no grupo estudado de bolivianos. Esta técnica está baseada na Teoria de Greimás e constitui a Teoria do Percurso Gerativo de Sentido (Fiorin, 1989; Fiorin, Savioli, 1991), tendo sido adequada por Bertolozzi (1998).
Fiorin (1990) afirma que a visão de mundo que o indivíduo apresenta está vinculada à linguagem. Assim, o discurso expressa a vida real, o pensamento, as atitudes e ações. Para o autor, a ideologia que integra a realidade é expressa pela linguagem, e corresponde ao conjunto de ideias e representações, que servem para justificar e explicar a ordem social, as condições de vida e as relações interpessoais.
Ainda segundo Fiorin (1990), o discurso tem uma estrutura, que é composta por um conjunto de figuras e de temas que materializam uma dada visão de mundo. Assim, a análise do texto proveniente do discurso, requer a identificação de figuras que formam uma trama, e seu encadeamento é chamado de percurso figurativo. O sentido desse conjunto de figuras é concretizado por um tema. Portanto, ao identificar o percurso narrativo, identifica-se o tema do discurso e depreendem-se as frases temáticas (Fiorin, 1989; Fiorin, Savioli, 1991; Car, Bertolozzi, 1999).
Diante do exposto, a análise do material empírico do presente estudo foi realizada buscando-se as figuras (elementos concretos) e os temas (elementos abstratos), presentes nos depoimentos. Segundo Fiorin e Savioli (1991), as figuras são:
palavras ou expressões que correspondem a algo existente no mundo natural: substantivos concretos, verbos que indicam atividades físicas, adjetivos que expressam qualidades físicas [...]. Os temas são palavras ou expressões que não correspondem a algo existente no mundo natural, mas a elementos que organizam, categorizam, ordenam a realidade percebida pelos sentidos.
O tema dá sentido às figuras e expressa os significados das ações contidas no discurso.
Portanto, utilizou-se esta técnica proposta por Fiorin (1989, 1990) e, tendo como base a Hermenêutica-Dialética, buscou-se conhecer e interpretar as concepções dos entrevistados sobre o processo de adoecimento por tuberculose.
As várias leituras de cada depoimento permitiram apreender os temas e as figuras subjacentes ao discurso. Os depoimentos dos entrevistados foram decodificados e sintetizados em frases temáticas (Apêndice F).
Cada sujeito da pesquisa recebeu uma letra maiúscula do alfabeto, seguida de um número de ordem, que se refere à frase temática correspondente, de forma a possibilitar a sua visualização no conjunto de frases. Na descrição dos resultados e discussão, segue-se o padrão: os números são separados por vírgula, quando as frases temáticas pertencem ao mesmo sujeito, e as letras, por ponto e vírgula. Exemplo: A1,12; H8 - frases temáticas 1 e 12 do entrevistado denominado como A e a frase temática 8 do entrevistado H. Ressalta-se, ainda, que para duas entrevistas, foram utilizados símbolos (& e §), e não letras do alfabeto, pois são depoimentos complementares ao estudo.
Ressalta-se que os excertos de depoimentos que ilustravam frases temáticas e se encontravam na língua espanhola foram mantidos como tal, não se procedendo à tradução, e são apresentadas em formato itálico. Também é necessário esclarecer que não foram utilizadas todas as frases temáticas, mas aquelas que mais se relacionavam ao objeto do estudo.