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Taís Moreno Universidade do Porto [email protected] Nuno Moutinho Universidade do Porto [email protected] Resumo:

Desde dezembro de 2016 que o Facebook definiu um plano de ação de combate às Fake News que visa a penalização algorítmica e redução de alcance para fontes de conteúdo considerado nocivo para a comunidade. Essa política de fact-checking estendeu-se ao Brasil, onde a empresa formou parceria com a Agência Lupa, que passou a verificar diariamente o grau de veracidade de conteúdos publicados na plataforma. Porém, a capacidade de verificação dessas agências foi colocada em causa no Brasil, com o episódio em que a Lupa classificou como falsa a notícia que o Papa Francisco teria enviado um terço abençoado para o ex-presidente Lula, sendo que a notícia era, em parte, verdadeira. Este artigo tem como objetivo analisar as interações dos utilizadores no Facebook sobre este caso, através de dados extraídos da página da Agência na rede social.

Palavras-chave: Fake News; Fact-checking; Facebook; Brasil; Lupa.

Abstract:

Since December 2016, Facebook was working on a strategy against Fake News in its platform that englobes algorithmic penalization and reduction of reach for sources of content considered harmful to the community. This

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policy of fact-checking was extended to Brazil, where the company formed a partnership with Agência Lupa, which began to verify daily the degree of veracity of contents published in the platform. However, the verification capacity of these agencies was put into question in Brazil, with an episode in which Lupa classified as false the news that Pope Francisco would have sent a blessed rosary to former President Lula, and this was, in part, true. This article aims to analyze the interactions of Facebook users about this case, through data extracted from the Agency's social network page.

Keywords: Fake News; Fact-checking; Facebook; Brazil; Lupa.

Introdução

Boatos e suas variantes são um dos meios de comunicação em massa mais antigos e eficazes da humanidade. Transmitir e receber informação, antes da escrita, era por meio de ouvir e dizer. O surgimento da imprensa nunca parou a troca informal de notícias entre as pessoas, e a internet só facilita e contribui ainda mais a transmissão de boatos. A media informal de boatos é extremamente eficaz, pois baseia-se no testemunho. Se o transmissor tem certa credibilidade para o recetor, a história parece-lhe verídica.

A disseminação de fontes de “notícias falsas” em plataformas de media sociais, como o Facebook e o Twitter, está em um nível cada vez mais alarmante. A combinação das mudanças tecnológicas e sociais no ambiente de comunicação em conjunto com uma crescente desconfiança nos media tradicionais deixou a comunidade virtual refém de um grande dilúvio de informações, nem todas elas verdadeiras ou bem- intencionadas.

E como regular esse infocalipse? Para Lessig (2006), mesmo que a internet não siga as mesmas regulamentações do mundo real, ainda existe uma regulamentação inserida no mundo virtual, não necessariamente controlada pelo governo ou por alguma entidade. Esse controle acaba sendo gerado pelo próprio meio que existe no ciberespaço, regulado pelo código que o representa. De uma maneira geral, o autor mostra que a natureza e o comportamento do ciberespaço dependem da arquitetura em constante construção que o compõe. Existem “arquiteturas de sistemas” desenvolvidas para possibilitar um comportamento regrado e regulado, como por exemplo mecanismos de busca desenvolvidos pelo Google, Yahoo! e Microsoft, que

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podem apresentar resultados diferentes, de acordo com o país do utilizador, ou priorizar conteúdos, caso uma empresa pague por esta prioridade. Dessa mesma forma, o algoritmo do Facebook é um código, e é o que regula a informação que chega ao feed de notícias de cada um de seus utilizadores.

A campanha presidencial norte-americana tornou-se um grande exemplo de como uma epidemia de Fake News pode influenciar os resultados de uma eleição. Desde dezembro de 2016 que o Facebook, nos Estados Unidos, definiu um plano de ação de combate às Fake News, devido às acusações da plataforma ter sido utilizada por grupos mal-intencionados. Através do código, o Facebook começou a denunciar e punir tentativas de desinformação, adicionando às partilhas um alerta a indicar a forma como a veracidade de uma informação é questionada por equipas de verificação de factos do Instituto Poynter. Segundo o Facebook, este plano diminuiu em 80%, nos Estados Unidos, a distribuição orgânica de notícias consideradas falsas por agências de verificação.

Em maio de 2018, a empresa estendeu essa política de fact-checking ao Brasil, principalmente por se tratar de um ano eleitoral para o país. Para isso, foi firmada uma parceria com duas agências de Fact-Checking nacionais, entre elas a Agência Lupa, que integra a rede mundial independente da International Fact-Checking Network (IFCN). Alguns grupos consideram a estratégia uma espécie de censura 2.0, já que dá o poder de penalizar outras páginas e impedir que a informação chegue a mais pessoas. E é preciso lembrar que os fact-checkers não estão invulneráveis a erros, que podem custar sua reputação.

O Facebook contra as fake news

O plano de ações do Facebook para melhorar a qualidade do conteúdo recebido por seus utilizadores engloba quatro áreas chaves: Segurança, Privacidade, Eleições e Democracia, e, por último, o próprio News Feed. Primeiro, a entidade deixa bem claro os principais problemas que ela enfrenta. O primeiro deles são os atores, que podem vir na forma de perfis falsos. O segundo são os comportamentos abusivos ou que vão contra os valores da empresa. E o terceiro problema, que também será o foco deste trabalho, são as notícias falsas.

A empresa explica que as ações serão executadas no que eles chamam de surfaces (superfícies) dentro da plataforma. São elas: Monetization, Recomendation,

Discovery, Distribution e Host. Já as possíveis ações do Facebook serão a remoção

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