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5.2 Virksomhetsbegrensninger for

5.2.5 Departementets vurdering

Considerando transmídia como uma dinâmica de comunicação e não uma técnica narrativa (Alzamora, Tárcia, Andrade E Barros, 2018), estamos de acordo que tal dinâmica possui camadas insti- tucionais, políticas, sociais e culturais. Sendo assim, a medida que

BETA: A mediação de robôs conversacionais (chatbots) usados em experiências de jornalismo transmídia e em contextos políticos

370 371 “a dinâmica transmídia envolve toda e qualquer ambiência midiá-

tica, online ou offline”, segundo as autoras, “a dinâmica transmí- dia não se restringe às narrativas multiplataformas delineadas por indústrias de mídia, pois abarca também configurações midiáticas alternativas e circunstanciais”, como é o caso de Beta.

Nesse sentido, uma abordagem sobre o robô que opera no Facebook requer uma aproximação aos conceitos de Ativismo Transmídia e Mobilização transmídia. Lina Srivastava (2016) foi responsável por cunhar o primeiro termo, ativismo transmídia em 2009. Segundo ela, a expressão foi usada para descrever um processo de co-criação.

A co-criação coordenada da expressão narrativa e cultural por vá- rios grupos que distribuem essa narrativa de várias formas através de múltiplas plataformas, cujo resultado é construir um ecossistema de conteúdo e redes que se envolvem em redes sociais centradas na comunidade (Srivastava, 2016)

Já mobilização transmídia foi um termo usado por Sasha Cos- tanza-Chock (2011, 2014), em referência à “articulação entre pla- taformas de mídia online e offline para a produção de conteúdo com o intuito de incentivar a formação de processos de mobiliza- ção social” (Alzamora, Tárcia, Andrade e Barros, 2018). Como as atividades de Beta estão mais centradas online, o termo ativimo transmídia parece mais adequado à dinâmica de comunicação mediada pelo robô.

Para Lina Srivastava, ativismo e mobilização são duas formas diferentes de provocar mudanças sociais. Seus propósitos se re- lacionam com comunidade, participação e colaboração. Segundo ela, intervenções feitas de cima para baixo (top-down), como é o caso da imprensa ou dos meios de comunicação de massa, por exemplo, são simplistas e à medida que o ecossistema midiático evolui se mostram insustentáveis. Isso porque, como salienta a autora, são narrativas que “não emergem de perspectivas basea- das em contextos locais”.

O fato de o usuário poder “viajar entre múltiplos pontos de en- trada e de imersão” permite a criação de múltiplas e complexas

Geane Alzamora | Carolina Braga

narrativas. Para Srivastava (2016), transmídia tem demonstrado potencial ao criar engajamento de partes interessadas em uma mudança sistêmica da sociedade. Em seu discurso, Beta deseja promover uma mudança social.

Sendo assim, no caso de Beta, trata-se não apenas de uma co- munidade interessada em efetivar mudança social, mas uma co- munidade que conta com o apoio de uma máquina, de um robô para potencializar o envolvimento dos interessados. Para Sri- vastava (2016), ao coletivizar a propriedade de uma determina- da narrativa, a dinâmica transmídia tem potencial de criar uma “rede de agentes de mudança que usam a narrativa como uma ferramenta para trabalhar em direção a objetivos, atividades e resultados compartilhados”.

Para a autora, à medida que a narrativa se afasta de caracte- rísticas paternalistas, é capaz de sacudir as estruturas de poder existentes. A autora entende que a história e a mídia são ferra- mentas poderosas para influenciar o modo como as pessoas en- tendem questões (conhecimento), vivenciam os problemas (en- gajamento), enxergam a si mesmos e aos outros em relação às questões (percepção) e o que fazem para mudança (ação). Sendo assim, ao identificarmos em Beta um compromisso de mobiliza- ção em comunidade, acreditamos que trata-se de uma maneira coletivizar a missão. Assim, como salienta Lina, “eles constroem uma vantagem de apoio compartilhado para seus objetivos, ati- vidades e resultados”.

Bots

Os robôs (bots) são programas de computador que realizam tarefas autônomas. A partir de algoritmos, eles são programa- dos para executar variadas funções e tem ganhado cada vez mais popularidade. De acordo com pesquisa realizada pela Incapsula, em 2016, 51.8% do tráfico da internet no mundo foi operado por bots53. Como os robôs são, portanto, uma realidade na web, e eles

53 - Disponível em: https://www.incapsula.com/blog/bot-traffic-report-2016.

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podem operar de diversas maneiras. O estudo da Incapsula divi- de os bots em bons e maus.

Os spammers, que se dedicam a espalhar mensagens eletrôni- cas não solicitadas, por exemplo, são bots do mal. Já os crawlers, usados para otimizar informações para buscadores como o Goo- gle, e os chatbots, que são conversas operadas por robôs, criados para facilitar atendimentos, responder e se relacionar com usuá- rios são tipos de bots do bem.

Como se trata de um tema novo, a utilização de bots pelo jorna- lismo ainda é um assunto controverso. Em abril de 2017, o tema foi discutido em uma das mesas do Simpósio Internacional de Jornalismo Online (ISOJ). Participaram representantes de veí- culos como Quartz, The New York Times, The Washington Post e Condé Nast Austin. Eles coincidiram em dizer que o uso de bots seria uma boa forma de “conseguir uma melhor interação com o público.”54

Se falamos de interação com o público, o uso de uma mídia que expande os ambientes tradicionais do jornalismo, estaríamos então nos referindo a um modo de jornalismo transmídia? Ou, por não se tratar de uma plataforma jornalística, atividades de chatbots como Beta estariam mais relacionados a transmídia ati- vismo do que jornalismo?

Beta

“Meu nome é Bethânia mas podem me chamar de Beta ;). Sou uma robô feminista que foi programada para atualizar esse sis- tema feito por homens e para homens.” É assim que o chatbot se define no site oficial criado para a apresentação do projeto. Beta foi programada pelo laboratório de ativismo do Rio de Janeiro chamado Nossas. Entrou em operação no Facebook Messenger

html. Acesso 02/11/2018

54 - Disponível em https://knightcenter.utexas.edu/pt-br/blog/00-18287-iso- j-2017-bots-e-inteligencia-artificial-chegam-para-ajudar-veiculos-conversar- -com-aud. Acesso: 02/11/2018

Geane Alzamora | Carolina Braga

em 28 de agosto de 2017 com a missão de ajudar a viralizar cau- sas feministas nas redes. Entre julho e novembro de 2018 o nú- mero de seguidores da página subiu de 28 mil para 49 mil.

Conforme o coletivo Nossas descreve no site oficial do projeto, Beta monitora em tempo real temas relacionados aos direitos das mulheres no Brasil. Assim que uma pauta relacionada a um dos tópicos que fazem parte do radar do robô entra em votação ou discussão em qualquer esfera de poder, a comunidade é aciona- da para se mobilizar e participar. Tal mobilização se dá mais por e-mail do que pela rede social do Facebook.

As Propostas de Emenda Constitucional (PEC) números 29 e 181 (PEC29), que tratam, respectivamente, do direito ao abor- to e à licença maternidade, assim como o Estatuto do Nascituro foram algumas das primeiras pautas monitoradas por Beta. No segundo semestre de 2018, temas como Escola sem partido, re- presentação feminina no Congresso, checagem de fatos, eleições brasileiras também foram abordados.

Figuras 1 e 2 Post inaugural das atividades de Beta no Facebook e site

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374 375 Fonte: Página de FaAcebook de Beta, www.beta.org.br

Beta opera no Facebook. O site oficial cumpre papel institucio- nal apesar de já indicar no endereço web, referências jornalísti- cas relacionadas às principais pautas monitoradas. Sobre a PEC 29 recomenda leitura de reportagem publicada pelo portal Cata- rinas, que se define como “jornalismo com perspectiva de gêne- ro”55 e sobre o Estatuto do Nascituro recomenda post publicado em 2012 pelo blog Blogueiras Feministas56.

Figuras 3 e 4: Reportagens recomendadas por Beta sobre PEC 29 e Estatuto do Nascituro

55 - Disponível em: http://catarinas.info/pec-292015-avanca-e-ameaca-direi- to-pilula-do-dia-seguinte-e-ao-aborto-legal/ Acesso 04/11/2018

56 - Disponível em: https://blogueirasfeministas.com/2012/06/21/estatuto- -do-nascituro-como-garantir-uma-mulher-incubadora/ Acesso 04/11/2018

Geane Alzamora | Carolina Braga

Fonte: https://catarinas.info/pec-292015-avanca-e-ameaca- direito-pilula-do-dia-seguinte-e-ao-aborto-legal/, https:// blogueirasfeministas.com/2012/06/21/estatuto-do-nascituro-

como-garantir-uma-mulher-incubadora/#more-10075 Na rede social, Beta possui dois padrões de atividade. No feed, publica constantemente conteúdo relacionado às pautas que de- fende no congresso por meio de imagens e compartilhamento de links de outras páginas. Já no inbox, mantém conversação ativa com os usuários que desejam se relacionar com o robô. As pautas monitoradas, necessariamente, são os temas das conversas.