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A Associação Chapecoense de Futebol, de Chapecó, Estado de Santa Catarina, jogaria contra o Atlético Nacional de Medellin, Colômbia, pela final da Copa Sulamericana no dia 30 de novembro de 2016. No entanto, o avião com os jogadores, comissão técnica e mais 22 jornalistas caiu próximo a cidade colombiana na madrugada do dia 29. Havia 77 pessoas a bordo, 71 morreram (Globo Esporte, 2016).
As notícias começaram a ser publicadas ainda na madrugada de terça-feira (29), desde a informação da queda de um avião próximo do Medellin até a confirmação que se travava do time da Chapecoense.
No início da manhã do dia 29, o jornal digital Catraca Livre postou em sua página no Facebook quatro notícias antigas do portal que já tinham sido publicadas na rede social, mas que foram relacionadas a tragédia da Chapecoense na republicação. São as notícias:
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Figura 2: Republicação de um artigo publicado originalmente em 28/09/2016.#6COBCIBER
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Figura 4: Republicação de um artigo publicado originalmente em 20/09/2016.As quatro postagens foram mal recebidas pelo público, que além de fazer críticas nos comentários, começou a não seguir mais a página no Facebook. Segundo Vieira & Miranda (2016), o Catraca Livre perdeu em média, 12 mil seguidores por hora durante o dia do acidente.
“A estratégia repercutiu mal entre os leitores, que fizeram campanhas em seus perfis e nos espaços destinados aos comentários. ‘Tem curso de jornalismo pra vocês do Catraca Livre? Talvez com uma aula inaugural sobre empatia e bom senso…’, escreveu uma leitora. ‘Catraca Livre, para de postar coisas por hoje. Ou pela semana. Ou pra sempre, talvez!’, desabafou outro internauta” (Miranda & Vieira, 2016).
A repercussão negativa da cobertura fez com que o Catraca Livre fosse um dos assuntos mais comentados no Twitter brasileiro durante o dia 29, aparecendo nos
Trend Topics junto com a tragédia da Chapecoense.
Diante das críticas, o Catraca Livre fez algumas postagens na página do Facebook comentando o assunto. O primeiro editorial defendeu as publicações que geraram a polêmica. O segundo editorial saiu por volta das 14h. O veículo mudou seu posicionamento e passou a afirmar que errou na cobertura, mas continuou considerando o conteúdo divulgado como útil. O erro teria sido na falta de cuidados.
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Figura 5: Editorial do Catraca Livre em sua página no Facebook.O pedido de desculpas não foi aceito pelo público, que continuou a criticar a cobertura do site e também a demora para admitir o erro. O terceiro editorial foi assinado pelo fundador Gilberto Dimmestein. Com uma imagem com um fundo negro e com o título “Meu erro”, ele assumiu toda a culpa pelos fatos.
Figura 6: Editorial do Catraca Livre assinado pelo diretor da página
No total, o número de pessoas que curtem a página do Catraca Livre no Facebook caiu de 8,3 milhões antes das primeiras postagens para 7,9 milhões no final do dia (Miranda & Vieira, 2016).
Jornalismo de serviços
A atividade jornalística, em si, é um serviço prestado a sociedade. O termo jornalismo de serviços passou a ser utilizado como um género jornalístico para designar um jornalismo focado em repassar informações de utilidade pública diretas para que o
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cidadão possa tomar decisões, principalmente no consumo de bens e serviços (Vaz, 2009).Parrat (2008) define que o jornalismo de serviços possui a função de oferecer informações práticas para o dia-dia do seu público, com listas, guias e dados objetivos a serem consumidos. Marques de Melo (2007), citado por (Vaz, 2009) coloca o jornalismo de serviços como uma classificação do género utilitário. A partir de anotações de Marques de Melo (2007), Vaz classifica o jornalismo utilitário em quatro pontos:
“1 Indicador - Dados fundamentais para a tomada de decisões cotidianas (Cenários econômicos, meteorologia, necrologia, etc).
2 Cotação - Dados sobre a variação dos mercados: monetários, industriais, agrícolas, terciários.
3 Roteiro - Dados indispensáveis ao consumo de bens simbólicos.
4 Serviço - Informações destinadas a proteger os interesses dos usuários dos serviços públicos, bem como dos consumidores de produtos industriais ou de serviços privados”.
Beltrão (2006) explica que as redações de jornais costumam receber materiais de assessorias que podem ser classificadas como serviços de utilidade pública, porém, muitos dos materiais acabam sendo de conteúdo publicitário. Cabe ao jornalista fazer a separação para posterior publicação.
“Modificações nos horários das linhas de trens ou ônibus, avisos de fechamento extraordinário do comércio...são, sem dúvida, objetos de interesse para o jornal e para o público em muito maior grau do que a convocação de uma assembleia geral de uma sociedade cooperativa, a inauguração de um consultório médico...”(Beltrão, 2006: 118).
Clickbait
As redes sociais são cada vez mais importantes para os veículos de comunicação digital, sendo uma das principais origens de tráfegos para os portais de notícias. Segundo uma pesquisa da plataforma americana Parse.ly em 2015, a rede social Facebook ultrapassou o Google e tornou-se o principal gerador de tráfego para sites de conteúdo (Moraes, 2015). Já um estudo do Reuters Institute for the Study of
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Journalism da Universidade de Oxford, também de 2015, apontou que o Brasil é o país que mais consome notícias por redes sociais do mundo, com 70% de frequência (Gomes & Costa, 2016).A pesquisa da Oxford apontou ainda que para 48% dos brasileiros, o Facebook é a porta de entrada para um portal de notícias.Primo (2013) citado por (Gomes & Costa, 2016) destaca que os links para sites de jornais compartilhados nas redes sociais provam as empresas do ramo não perderam a força, inclusive já tomam ações para se adaptar e manter a audiência.
“A crise de tantos jornais impressos não significa que as empresas jornalísticas perderam força. O alto índice de links compartilhados no Twitter e Facebook para os jornais on-line dessas empresas revela uma outra situação. [...] O que se observa, pelo contrário, é o incremento progressivo das ações de recirculação de links para sites jornalísticos daquelas mesmas corporações jornalísticas”. (Primo, 2013: 16-23, citado Gomes & Costa, 2016: 62).
Se a maioria dos brasileiros leem as notícias a partir do Facebook que é a principal origem de tráfego dos sites, a participação dos portais de notícias dentro da rede social torna-se essencial para uma boa audiência. No entanto, os veículos dependem do algoritmo, ferramenta do Facebook que define o que estará em destaque na linha do tempo dos usuários, para obter um maior desempenho.
Gomes & Costa (2016) explicam que uma das estratégias criadas para os veículos de comunicação obterem audiência através das redes sociais são os clickbaits uma técnica que envolve diretamente o título da postagem a ser divulgada.
“A incessante busca por tráfego nas mídias sociais deu origem a uma nova estratégia editorial conhecida como caça-cliques que se tornou corriqueira nos últimos anos. É uma nova dinâmica no tratamento do texto online voltado para as mídias sociais que reflete a relação atual do jornalismo com as mídias digitais. O termo caça-cliques – clickbait, em inglês – foi adicionado ao Oxford English Dictionary (2014, tradução nossa) como ‘conteúdo online cuja principal finalidade é atrair a atenção e incentivar os visitantes a clicarem em um link para uma página da web em particular’,” (Gomes & Costa, 2016: 66-67).
A busca por técnicas que elevem a audiência tem origem também na pressão que as redações possuem por resultados. Christofoletti & Vieira (2015) observam que a preocupação com os números levam a uma “cultura de cliques”.
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“A sedução da visibilidade, a ostensividade dos números, o chamariz das métricas, conjugadas, acabam criando e alimentando um ambiente de preocupação e euforia nas redações. Tais tensões impactam na cultura e na prática do jornalismo online, contribuindo para a adoção de medidas desesperadas de atração da atenção do público, não devidamente ancoradas em valores jornalísticos ou sequer em estratégias comerciais. As pressões por resultados imediatos, as incertezas sobre como reagem os públicos nesse ecossistema tão complexo, e o abandono de parâmetros efetivamente informativos criam essa “cultura de cliques”, um espírito de manada que contagia todos os postos da cadeia produtiva jornalística” (Christofoletti & Vieira, 2015:79).Gomes e Gosta (2016) detetaram tipo padrões de quem utiliza a técnica clickbait para alavancar a audiência via redes sociais. São elas:
1) “Uso de pronomes catafóricos, ou seja, pronomes que fazem referência a um termo subsequente, indicando algo que será esclarecido no futuro”. 2) “Títulos redigidos utilizando verbos no modo imperativo compõem o segundo padrão de texto verificado na análise categorial”.
3) “Modo verbal interrogativo”, obrigando o leitor a clicar para saber a resposta.
4) “Construções textuais com sentido incompleto”. 5) “Reportagens em formato de lista numerada”.
Segundo Caminada (2015) as chamadas caça-cliques por estarem focadas apenas em atrair pessoas para o link, muitas vezes não entrega o conteúdo desejado pelo leitor. “Os casos mais comuns são frases recortadas e retiradas do seu contexto original, dando um sentido polêmico ao conteúdo. Ou, ainda, chamadas nas redes sociais em forma de perguntas, instigando os leitores ao acesso ao conteúdo no site”.
A audiência conquistada pela técnica do caça-clique já é questionada, principalmente quanto a credibilidade do veículo. Miranda & Vieira (2016) afirmam que o argumento de que as métricas de audiências são a base para a vende de anúncios já perdeu força no mercado publicitário. “O jornalismo se baseia numa métrica pouco efetiva e que lhe tira a credibilidade para agradar anunciantes que já entenderam que engajamento não significa necessariamente cliques”.