4 EMPIRI (OG DRØFTING)
4.6 Konflikt mellom trafikantgrupper
As práticas sociais emergentes dessa nova distribuição dos canais de expressão aumenta a voz de atores sociais dos mais diversos setores. A participação cidadã na produção e distribui- ção de conteúdo é defendida e atacada com a mesma veemência. Questionamentos como se é legítima a produção de notícias por setores não profissionais, que desconhecem as técnicas do jorna- lismo e que não priorizam a apuração dos fatos nem verificam a confiabilidade das fontes, estão à ordem do dia. A realidade mos- tra que independentemente de posicionamentos ao respeito da nova realidade, essas formas de expressão desafiam os conceitos mais arraigados dos modelos imperantes de comunicação.
Atualmente as novas tecnologias estão disponíveis para jornalistas e não jornalistas. Neste último grupo estão aque- les que pretendem fazer o papel dos jornalistas ao assumir a responsabilidade de divulgar notícias nos seus espaços de expressão. Eles representam o grupo de atores sociais que leva para si um papel que segundo muitos deveria continuar restrito aos profissionais. Essa prática social, cada vez mais frequente, tem defensores e detratores. Quem defende essa via cidadã de expressão baseia seus argumentos na liberdade de expressão e na necessidade de trazer outras vozes alternativas às mídias tradicionais. Os que se manifestam contra essas práticas argumentam que o cidadão comum não tem o conhecimento necessário para manter os princípios éticos e técnicos dos jornalistas na produção das informações.
Como tem sido sinalizado, a expansão da Internet como consequência do avanço das TICs, possibilitou o surgimento de ferramentas e plataformas diversas que “desvelaram” novas vozes com pretensões de participar ativamente na construção do diálogo social. Muitas nomenclaturas remetem a esses novos atores sociais: Jornalismo Cidadão, Mídia Ninja, Jornalismo de Fonte
Aberta (Open Source), Jornalismo Participativo ou Colaborativo. Todos
esses nomes representam práticas de produzir conteúdos em plataformas de comunicação que fogem às práticas tradicio- nais da mídia. A nova realidade de coexistência no uso das ferramentas de expressão por jornalistas e não jornalistas gera questionamentos profundos entre as partes envolvidas:
Dentre eles, questões de ordem conceitual e terminológica; legitimidade dos conteúdos disponibilizados como notícia, no sentido estrito do termo; “morte” ou sobrevivência “heroica” do jornalismo; riscos do crescente anonimato e das questões éticas daí advindas, referentes à autoria; discussões para definir quem pauta quem: a mídia convencional determina a agenda dos meios alternativos ou, ao contrário, eles intervêm no jornalismo de referência? (TARGINO; CARVALHO; GOMES, 2007, p. 51).
Neste trabalho, o conceito de Jornalismo Cidadão é enten- dido no sentido da atividade de produzir informação utilizando as ferramentas virtuais sem ter a formação de jornalista, porém,
Jornalismo Cidadão também tem sido aplicado por alguns autores
para definir o jornalismo (profissional) como prática de serviço à sociedade. Abreu(200.) defende a prática do jornalismo com um fim social, que tem um dever com a comunidade. Porém a abordagem conceitual que nos interessa é a prática de funções jornalísticas sem ter a formação para isso.
A Mídia Ninja, sigla que significa Narrativas Independentes,
Jornalismo e Ação, surge em 2011 no Brasil com a proposta de
transmitir em vídeo, sem editar, através de câmeras de celulares e outras tecnologias disponíveis, detalhes de manifestações segundo o olhar de participantes das mobilizações que se apre- sentam como uma alternativa midiática às chamadas mídias tradicionais. O seu líder, o jornalista Bruno Torturra, apresenta no seu blog este tipo de iniciativa como uma “estrutura des- centralizada e livre de comunicação e jornalismo”1. A Mídia Ninja teve seu grande momento de destaque em junho de 201.
ao fazer a cobertura das mobilizações sociais acontecidas em muitas cidades pelo Brasil todo. A proposta reúne jornalistas e amadores que defendem oferecer outros olhares dos fatos a partir da participação nos movimentos2. Ao respeito, o professor
e jornalista Fábio Malini (201.) escreve:
A grande reconversão jornalística tem sido feita por repórteres profissionais e amadores que entram nas manifestações e, de dentro dela, relatam. No Brasil, essa metamorfose é notável
1 Disponível em http://cascadebesouro.com/sobre/, acesso em 20 de maio de 2014.
2 A Mídia Ninja tem enfrentado muitas críticas pela sua vinculação ao grupo Fora do Eixo, proposta de aparente apoio cultural a artistas independentes que vem sofrendo denuncias de ex-membros que acusam o movimento de ter métodos similares a uma seta religiosa. Também a Mídia Ninja é questionada pela sua prática jornalística questionável e parcial.
com os “ninjas” e a força de seus dispositivos multimídia, que ecoam narrativas sobre as brutalidades dos confrontos com setores policiais. Não é uma narrativa onde o narrador quer se esconder por trás de um nome e não revelar sua presença em cena, como faz o jornalismo tradicional. É um relato de presença e franqueza (MALINI, 201.)..
Devemos nesse ponto distinguir o Webjornalismo,
Cyberjornalismo ou Jornalismo Digital do Jornalismo Participativo, Colaborativo, Cidadão ou de Fonte Aberta. Os dois primeiros conceitos
se referem à prática jornalística efetuada por profissionais no ambiente virtual, com as ferramentas e plataformas disponíveis na rede. Ali temos o caso dos jornalistas com páginas na Internet, com blogs ou até produzindo e distribuindo informação através de suas redes sociais. Nesta categoria também se encontram as mídias tradicionais que possuem plataformas online para a divulgação dos seus conteúdos. Essas práticas são novas maneiras de se fazer jornalismo, novos canais de expressão para a classe jornalística que trazem consigo práticas discur- sivas que devem ser adaptadas a formatos com características muito diferentes dos tradicionais.
O chamado Jornalismo Participativo envolve a participação do cidadão comum na produção e distribuição de notícias. Essa prática social está baseada na produção de conteúdos mediante um sistema colaborativo onde qualquer pessoa pode participar do processo de produção de informações. Existem sites e plataformas especialmente desenhadas para este tipo de prática, para receber conteúdos de pessoas comuns (aqueles que não têm a formação de jornalista). Dependendo da plataforma, a colaboração dos cidadãos nos processos de compartilhar conteúdos tem mais ou menos filtro dos grupos responsáveis. Jornalismo Participativo envolve pessoas fora do circuito profissional, porém Webjornalismo representa um novo cenário para os comunicadores profissionais.
. Disponível em http://www.labic.net/sem-categoria/imprensa-nas -redes-sociais-autoridade-sem-centralidade/. Acesso em: 17 maio 2014 às 15:40.
O Webjornalismo surgiu como apenas uma extensão do jornalismo impresso, uma mera “transposição” do conteúdo das mídias tradicionais para a Internet. Com o passar do tempo compreendeu-se que se tratava de uma nova forma de fazer comunicação. O discurso virtual tem características próprias que o fazem utilizar códigos diferentes e estabelecer vínculos nitidamente diferenciados com os leitores. A produção discursiva ancorada aos meios eletrônicos no condicionamento da globa- lização adquire formas marcadamente diferentes das práticas discursivas presas ao formato impresso, radial ou televisivo. Pardo (2012), citando Kress (2010), afirma que o
discurso agora é uma conjunção de modos semióticos onde se fusionam coerentemente imagem, escrita, cor entre outros possíveis modos semióticos com os quais conta o homem de hoje para expressar significados (p. 52, tradução nossa).