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Komiteens tilråding

As duas Revoluções tiveram grandes influências nas evoluções históricas de ambos os países. Transformaram os países em muitos aspetos, especialmente nos mais óbvios, mas não resolveram os problemas fundamentais. A época estava cheia de disputas políticas e ideológicas e de intervenções internas e externas, com grandes mudanças de forma que não seria possível controlar nem prever o destino do país. Tem havido opiniões negativas para as Repúblicas e mesmo as Revoluções em ambos os países. Como as palavras afirmadas por um marinheiro, em 1911, “Qual República?

Nós não temos República... são os mesmos... só mudaram a bandeira...”101. O novo

regime dos dois países não realizou muitas expetativas populares.

Antes de mais nada, podemos notar uma coincidência nos tempos dos contextos das duas Revoluções. Os dois monarcas, o Rei D. Carlos e O Imperador Guangxu faleceram no mesmo ano, em 1908. Poucos anos depois, eclodiram as Revoluções. Isso explica a influência importante das figuras poderosas, como a Imperatriz Viúva Cixi e João Franco, para controlar a situação dos países, e indica que a falta dessas pessoas deu mais oportunidades para os revolucionários.

A palavra-chave dos contextos comuns dos dois países pode ser transformação. As mudanças apareceram não só no interior dos países mas também ao nível das relações com as grandes potências. O período desde a Regeneração em Portugal tinha alguma semelhança com o Movimento de Autofortalecimento na China. Começou a modernização nos dois países na segunda metade do século XIX. A economia era atrasada, quer em Portugal quer na China, comparada com as grandes potências. Apesar dos problemas comuns como o défice estatal, a inflação, o aumento da importação e os gastos excessivos, muitas dificuldades eram diferentes por causa das diferentes estruturas económicas. A desvalorização da moeda brasileira causou diretamente

101 Da citação de “Marinheiro revolucionário Manuel Joaquim, o França, entrevistado por Joaquim Madureira em 1911, por ocasião

do 1.o aniversário do 5 de outubro, in Na “fermosa Estrivaria”, Lisboa, 1912.”. Apud Medina, João, História de Portugal

muitos problemas financeiros em Portugal, enquanto a crise financeira da China veio fundamentalmente da falta do moderno sistema fiscal. Nos comércios, o atraso da indústria causou a falta do poder de concorrência, o que foi comum para os dois países. Mas, em Portugal, a falta da produtividade causou a estagnação da exportação e o aumento da importação; a situação na China era mais complexa porque o contrabando do ópio e o controlo estrangeiro nas tarifas alfandegárias resultaram em muitas perdas. Na estrutura social, em Portugal, aconteceu a ascensão da burguesia, mas na China, quase se pode dizer não, apesar do surgimento duma nova classe: capitalistas burocráticos. As crises económicas não conseguiam suportar mais os países e ainda provocavam os problemas políticos.

Diferente da China, o velho império decadente, Portugal já tinha implantado a Monarquia constitucional. Portugal possuía a Constituição, os partidos modernos, os governos de alternância partidária e o sistema parlamentarista. No entanto, tudo isso não preveniu a queda da Monarquia, o que revela que mesmo que se tivesse realizado o constitucionalismo monárquico na China, a situação não se melhoraria definitivamente e o republicanismo ainda tinha oportunidades. E mais, a realidade daquela época era marcada por conflitos étnicos na China e a família imperial foi das minorias étnicas. A oligarquia formada da Monarquia e a pouca participação social na política não conseguiam resolver e agravavam-se todos os problemas, portanto toda a culpa ia para a Monarquia e a modificação do regime político viria a ser o único desejo quando não havia mais espaço para reformar. Em Portugal, as cooperações escandalosas entre a família real e os governos provocaram amplamente os descontentamentos sociais. Na China, todas as tentativas oficiais de reforma antes da Revolução não tiveram êxito efetivo e perderam a confiança social na possibilidade dos progressos dos nobres. Um ponto comum muito importante foi o impedimento do acesso à política, que realmente abalava o regime. Em Portugal, o direito de voto foi privado da maioria da população, incluindo a pequena burguesia, que foi o corpo principal do país. Na China, a abolição do Exame Imperial foi um tipo de progresso (para libertar pensamentos), mas não criou

a tempo uma nova maneira de selecionar as pessoas qualificadas para a política, perdendo os apoios dos intelectuais tradicionais que dominavam a opinião pública e possuíam os interesses locais. O progresso, antes pelo contrário, realmente acelerou a queda da Monarquia.

Em ambos os países, os governos com o sinecurismo muito corrupto eram incapazes de defender os interesses nacionais. Havia vergonhas em ambos os países. O Ultimato britânico prejudicou a emoção dos portugueses e manifestou a sua insatisfação na divisão das colónias africanas. Na China, o Sistema de Tributo caiu e a China perdeu todos os Estados de vassalagem. Os tratados desiguais e a Partição da China ainda ameaçavam a sobrevivência da própria pátria dos chineses. Nos olhos chineses da altura, o colapso da velha ordem foi como o fim do mundo. O medo de perder a civilização, que tinha mantido a superioridade na Ásia desde o início da sua história, foi muito mais grave do que os problemas coloniais de Portugal.

Em Portugal, o Partido Republicano representava muitas forças e ideias das pessoas marginalizadas na política, e fazia cooperações com as sociedades secretas como a Carbonária e a Maçonaria. A situação foi semelhante na China. Os grupos revolucionários eram também um tipo de sociedade secreta, mas eram mais ou menos independentes. Apesar das cooperações e fusões, não existia uma sede como o Diretório que coordenava todos os grupos no país. Não acontecia como o Partido Republicano Português que ainda podia aceder ao poder pelas eleições, e os grupos revolucionários eram ilegais na China, pois só conseguiam realizar atividades secretamente ou fora do país. Portanto, tiveram lugar mais revoltas e assassínios. Ambas as Revoluções começaram com a amotinação dos soldados e não encontraram grandes resistências. Contudo, como se tinham unido tantas forças diferentes durante os movimentos republicanos, foi inevitável haver cisões depois das Revoluções em ambos os países, o que aumentou a instabilidade na política.

Na China, de facto, a tentativa inicial de derrubar uma dinastia foi igual às outras revoluções na história. O que se tornou especial para essa Revolução foi o republicanismo devido à entrada das ideias ocidentais. Diferente dos modos passados de revolução na história, que foram da substituição das dinastias, a Revolução Xinhai começou com as revoltas espontâneas em várias regiões, realizando nas províncias independentes da dinastia Qing antes de se reunificarem como nova República, cujo processo durou vários meses. A Revolução Republicana de Portugal aconteceu principalmente na capital do país, Lisboa, realizando a substituição do poder, cujo processo durou apenas alguns dias. Como não se resolveram muitos problemas deixados do período monárquico, as Revoluções apenas implantaram um regime imaturo sem monarcas, em que havia mais disputas partidárias, e mais gravemente, conflitos militares. Os interesses e os esforços dos dois países foram ignorados no Tratado de Versalhes, o que provocou o descontentamento e agravou a instabilidade política. Aconteceram as restaurações monárquicas também, ainda que momentâneas. Pode-se dizer que a situação ficava mais agitada depois das Revoluções. E finalmente,

para controlar a situação, os dois países encaminharam-se para a ditadura militar102.

Resumindo e concluindo, as situações naquele período eram muito complexas porque havia muitas transformações em ambos os países. Mas o facto comum foi que aconteceram as Revoluções que pareceriam a única maneira de resolver todos os problemas, mas a realidade não era tão simples. Como as palavras resumidas do testamento de Sun Yat-sen: “a revolução ainda não logrou êxito, os nossos camaradas

têm que continuar a esforçar-se.”103. Os portugueses e os chineses continuavam a

procurar melhores soluções para as suas vidas e as suas pátrias.

102 De facto, o regime da República da China é considerado como um tipo de ditadura militar durante o período total na China

continental, entre 1912 e 1949 (incluindo o período de Yuan Shikai, a Era dos Senhores da Guerra e o período do governo central em Nanquim), cf. http://en.wikipedia.org/wiki/Military_dictatorship#Asia-Pacific, consultado em 26 de maio de 2013.

103 革命尚未成功, 同志仍须努力 (gémìng shàngwèi chénggōng, tóngzhì réng xū nǔlì), é uma frase conhecida. De facto, são as

palavras resumidas do testamento político de Sun Yat-sen. Cf. http://baike.baidu.com/view/2356493.htm, consultado em 20 de maio de 2013.