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Para a organização interna das associações de classe e sindicatos dispomos de mais informações, uma vez que a imprensa se preocupava em noticiar com alguma frequência o teor das suas reuniões, bem como noticiava as eleições para os seus órgãos administrativos.

Os órgãos administrativos das associações de classe e dos sindicatos eram, regra geral, compostos por uma assembleia geral, uma direção e um conselho fiscal, eleitos anualmente, sendo a assembleia geral o órgão mais importante, pois «o próprio destas organizações é precisamente o facto de as assembleias gerais funcionarem como um efetivo fórum de discussão e órgão de decisão coletiva, senão de todos os seus membros, pelo menos de um número

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significativo de entre eles e, certamente, de todos os seus militantes»8. A direção ou comissão

administrativa tinha a função de dirigir e administrar a associação de classe e sindicato, enquanto o conselho fiscal tratava dos respetivos assuntos financeiros.

Mas não eram apenas estes os órgãos existentes nestas organizações, podendo haver órgãos com funções mais especializadas. É o caso da comissão de melhoramentos, que tinha por objetivo «estudar as condições económicas da indústria e formular as propostas reivindicativas e, ainda, por vezes, negociá-las com os patrões»9. Na organização operária bracarense, eram

normalmente compostas quando alguma classe estava em greve, tendo a função de negociar as reivindicações com o patronato, mas a comissão de melhoramentos também podia ser eleita aquando da eleição dos restantes órgãos administrativos das associações de classe e dos sindicatos, como é o caso da AC dos Operários Alfaiates que, em 1921, elegeu uma comissão de melhoramentos composta por 5 membros10.

Um outro órgão com funções especiais era a comissão ou conselho profissional, que tinha a função de estudar a indústria e as condições de trabalho, podendo elaborar inquéritos ou estatísticas, com o objetivo de «estar preparado para assumir a gestão da produção na perspetiva de uma revolução social a curto prazo»11.

Não há dados que nos revelem se as associações de classe e sindicatos de Braga realizaram inquéritos ou estatísticas, mas sabemos que alguns elegeram comissões profissionais. Foi o caso da AC dos Operários Marceneiros e Artes Correlativas, que elegeu para o ano de 1913 uma comissão profissional de 3 membros12, assim como para o ano de 1916, em que esta

associação elegeu outra comissão profissional, igualmente composta por 3 membros13. A AC dos

Empregados de Hotéis, Cafés e Restaurantes teve um conselho profissional por três vezes: a primeira, em 1913, composto por 3 membros14, a segunda, em 1916, com um número igual de

elementos15, e a última, em 1917, também com 3 membros16.

8 Freire, Anarquistas e operários…, 148. Itálico no original. Para uma descrição pormenorizada da organização interna das associações de classe

e sindicatos, veja-se Carvalho, Os sindicatos operários…, 128-136.

9 Freire, Anarquistas e operários…, 153.

10 Cf. s/a, «Alfaiates de Braga», A Batalha, 30 de janeiro, 1921: 2. 11 Freire, Anarquistas e operários…, 153.

12 Cf. s/a, «Associação de Classe dos Operários Marceneiros e Artes Correlativas», Notícias do Norte, 22 de dezembro, 1912: 3. 13 Cf. s/a, «Eleições», Comércio do Minho, 10 de fevereiro, 1916: 2.

14 Cf. s/a, «Assembleias gerais», Ecos do Minho, 29 de dezembro, 1912: 3. 15 Cf. s/a, «Eleição», Comércio do Minho, 15 de fevereiro, 1916: 2. 16 Cf. «Eleição», Ecos do Minho, 30 de dezembro, 1916: 2.

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Conforme as necessidades sentidas, as associações de classe e sindicatos poderiam eleger outras comissões com funções especializadas que tratassem dos assuntos relativos à «propaganda, solidariedade, resistência nas lutas sociais, iniciativas escolares ou culturais, assistência jurídica a militantes ou operários presos por questões sociais, angariação de fundos, etc.»17. Estas comissões dissolviam-se assim que terminava a sua função ou por resolução da

assembleia geral ou, ainda, da direção.

Temos exemplos, para Braga, deste tipo de comissões temporárias. Já vimos, quando tratámos da legislação do descanso semanal e do horário de trabalho, que algumas associações de classe e sindicatos elegiam comissões de vigilância para fiscalizar e fazer cumprir as leis. Um outro exemplo refere-se à angariação de fundos: em julho de 1915, a Liga das Artes Gráficas constituiu «uma comissão de tipógrafos encarregada de promover uma quermesse em benefício do cofre da mesma associação»18.

Outro exemplo da formação de uma comissão especializada está relacionado com a reorganização de uma associação de classe ou sindicato inativo – o que, devido às dificuldades sentidas pelos operários bracarenses na sua organização, era um facto recorrente. Por exemplo, em dezembro de 1910, os operários fabricantes de calçado nomearam uma comissão de sete membros para reorganizar a sua associação19. Em maio de 1911, os alfaiates sentiram a mesma

necessidade20, em fevereiro de 1922, foram os operários marceneiros21, em março do mesmo ano,

os oficiais de barbeiro22, e em setembro de 1925, os empregados dos Serviços Municipalizados23.

Uma comissão especializada também poderia ser formada para angariar sócios para a respetiva associação de classe ou sindicato, como foi o caso da comissão da AC dos Operários Pedreiros que, em setembro de 1913, estava «realizando conferências para freguesias rurais no intuito de angariar adesões para aquela coletividade»24. O mesmo fez a AC dos Empregados de

Hotéis, Cafés e Restaurantes que, em março de 1917, nomeou uma comissão «para instar com os colegas ainda não sócios a filiar-se no referido grémio»25.

17 Carvalho, Os sindicatos operários…, 135.

18 s/a, «Liga das Artes Gráficas», Ecos do Minho, 29 de julho, 1915: 3.

19 Cf. s/a, «Associação de Classe dos Fabricantes de Calçado», O Radical, 2 de dezembro, 1910: 3. 20 Cf. s/a, «Associação de Classe dos Alfaiates Bracarenses», Correio do Norte, 16 de maio, 1911: 2. 21 Cf. s/a, «Braga: 24 de fevereiro», A Batalha, 26 de fevereiro, 1922: 3.

22 Cf. s/a, «Associações», Diário do Minho, 21 de março, 1922: 2.

23 Cf. s/a, «Associação de classe Luz e Tração de Braga», Diário do Minho, 1 de outubro, 1925: 2. 24 s/a, «Manobras sociais», Ecos do Minho, 4 de setembro, 1913: 3.

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As associações de classe e sindicatos bracarenses também faziam ações de propaganda, de assistência e de educação, mas nem sempre elegiam comissões para levar a cabo tais empreendimentos, ou porque não fosse necessário ou porque era a própria direção da associação que tratava do assunto.

4.1.2 Criação de novas associações de classe e formação dos sindicatos únicos