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Ao longo da pesquisa bibliográfica verificamos a importância de um início precoce no Futebol. Neste sentido, ao longo das entrevistas procuramos perceber até que ponto os nossos entrevistados consideram a idade com que alguém se inicia numa modalidade determinante para o alcançar de desempenhos excelentes.

“ (…) quanto mais cedo nos dedicarmos a uma modalidade mais resultados podemos obter”.

António Sousa (Anexo II)

“ (…) acho que os miúdos devem começar o mais cedo possível…”

Secretário (Anexo III)

“ (…) é claro que quanto mais cedo uma criança se começa a relacionar com a bola melhor.”

Miguel Lopes (Anexo IV)

“ (…) podemos dizer que a formação do Futebolista propriamente dita pode e deve começar muito cedo.”

Amândio Graça (Anexo V)

“Deve-se começar a fazer cedo, agora não se deve deixar de ser criança…” Vítor Frade (Anexo VI)

“ (…) tem que se começar cedo…”

Rui Pacheco (Anexo VII)

“È importante nós começarmos cedo…”

Ruben Micael (Anexo VIII)

Nas respostas às entrevistas ficou claro que todos os nossos entrevistados consideram fundamental que a prática do Futebol se dê o mais precocemente possível. Neste sentido, verificamos que todos eles se encontram em sintonia com a revisão bibliográfica.

António Sousa, salienta que para a idade adequada para se dar inícioao processo de formação é a partir dos 7 anos, acrescentando que antes só mesmo aquelas “brincadeirinhas” (Anexo II). Aliás estas “brincadeirinhas” parecem ser também referidas por Rui Pacheco quando este evidencia que as crianças “podem começar cedo, mas o que eles fazem são actividades ligadas

ao Futebol mas não é Futebol em si, porque a compreensão que eles têm do jogo nestas idades é muito baixa, e por isso é que nós na nossa escola os

miúdos com 3 e 4 anos também já jogam Futebol, mas não é Futebol, é uma aprendizagem motora com alguns aspectos ligados ao Futebol” (Anexo VII).

Secretário, considera que as crianças devem iniciar-se o mais cedo possível para aprenderem todos aqueles princípios de jogo, o que é jogar como equipa e ser solidário com o colega.

Por seu lado, Amândio Graça evidencia que primeiramente há que distinguir duas fases na formação, “podemos dizer que a formação do

Futebolista propriamente dita pode e deve começar muito cedo, por volta dos 7, 8 anos, mas aí é uma actividade que não é ainda do trabalho da técnica, deve ser muito jogo, muito contacto com a bola, descobrir toda essa variabilidade da prática, mas ainda não é o Futebol com todas aquelas preocupações tácticas, deve ser aprendizagens de jogo, da relação com a bola, da relação com os colegas e com o espaço, deve ser uma fase de que podemos até variar o tamanho das bolas e muito importante desenvolver o gosto pelo jogo, muito lúdico…nesta fase deve-se resumir a muito jogo e muito lúdico, e só por volta dos 12, 13, 14 anos é que o treino deve começar a ganhar alguma sistematização, a ideia de treino e de melhorar os factores relacionados técnicos e tácticos com o jogo, só nesta fase é que devem surgir certas preocupações, só é aqui que as crianças devem começar a apanhar os códigos fundamentais da estrutura do jogo” (Anexo V). Pelas palavras do nosso

entrevistado verificamos que entende que a formação deve ocorrer o mais precocemente possível, contudo, salienta igualmente que nas idades inferiores o fundamental deve ser o jogo e o lúdico, como forma de incutir o gosto pela modalidade.

Relativamente a Miguel Lopes, este considera que a formação deve ocorrer o mais cedo possível uma vez que “o Futebol tem algumas

singularidades que a maior parte dos outros desportos não tem, se calhar a mais importante das quais o facto do Futebol exigir um domínio do corpo grande e um domínio da bola ao nível dos membros inferiores que na maior parte dos desportos com bola não acontece… e dai que isso exija ainda mais uma estimulação desde muito novo, muito precocemente”, no entanto não

fundamentalmente tem a ver com a idade a partir do qual a criança começa a exprimir algum gosto para brincar com a bola, para jogar com os outros meninos” (Anexo IV). Também Vítor Frade não especifica qualquer idade para

a iniciação no Futebol, considerando que “é uma idade qualquer” (Anexo VI), e que o fundamental é as crianças não deixarem de ser crianças. Por último, Ruben Micael considera determinante o início precoce da formação, no entanto, como o próprio afirmou, o facto de se iniciar tarde não quer dizer que não se atinja desempenhos excelentes uma vez que “temos exemplo de

jogadores que começaram tarde e são grandes jogadores, o Liedson e o meu ex companheiro Néne, que começou com 16 anos...” (Anexo VIII).

Podemos assim concluir pelas palavras dos nossos entrevistados que o início precoce revela-se fundamental para o alcançar de mestria no Futebol. No entanto, e como salientou Ruben Micael, o facto de se iniciar mais tarde não implica que o jogador não consiga alcançar estes mesmos desempenhos. Contudo, a este respeito gostaríamos de acrescentar que, apesar destes dois jogadores se terem iniciado na prática da modalidade tardiamente, tal não significa que não se tenham iniciado precocemente na rua…

Ao longo da pesquisa bibliográfica, verificamos, que um dos temas que origina grande controvérsia é a necessidade, ou não, de uma estimulação multilateral nas idades mais novas. Deste modo, ao longo da entrevista tentamos perceber as ideias dos nossos entrevistados relativamente a esta problemática:

“Mais Futebol, muito mais Futebol, até porque é isso que os miúdos querem” António Sousa (Anexo II) “Eu acho que deve ser diversificada, porque há actividades que são importantes para o reportório motor, e nestas idades os miúdos têm uma energia inesgotável e podem concerteza práticar varias coisas, mas a partir de certa altura tem que se ser mais especifico naquele desporto que se gosta mais.”

Secretário (Anexo III) “(…) eu não conheço nenhum jogador que tenha jogado Futebol ao mais alto nível que tivesse uma vida sedentária enquanto era criança, todos eles se

caracterizam por ter tido ter tido uma infância na qual passavam muito tempo ao ar livre, muito tempo a brincar, muito tempo a jogar… agora naquilo que diz respeito à especificidade do Futebol é fundamental que a estimulação aconteça o mais precocemente possível, e a jogar

Miguel Lopes (Anexo IV) “Claro, essa é aquela base, um património muito grande, muito rico, diversificado de experiencias motoras que vai permitir que depois se possa fazer uma aprendizagem das habilidades especializadas.

Amândio Graça (Anexo V)

“(…)Essa diversidade motora, o Futebol bem jogado faz apelo a ela..”

Vítor Frade (Anexo VI)

“(…) não tenho duvidas que esse reportório motor de base tem uma influencia grande depois naquilo que os jogadores podem fazer em termos específicos…”

Rui Pacheco (Anexo VII)

“(…) é importante é que em determinados momentos se desenvolver aspectos coordenativos mas já associados ao Futebol”

Rui Pacheco (Anexo VII)

“(…) quando comecei a jogar não fazia nada disso, só jogava Futebol, nós passávamos o dia inteiro a jogar..”

Ruben Micael (Anexo VIII)

De uma forma geral, podemos afirmar que todos os entrevistados manifestaram-se a favor da prática de brincadeiras espontâneas na infância da criança, reconhecendo a importância deste tipo de brincadeiras para o desenvolvimento de todo o seu reportório motor.

No entanto, e tal como referimos na nossa revisão, os nossos entrevistados (à excepção de Secretário) referem que a necessidade deste tipo diversificado de actividades não implica necessariamente a saída da “esfera” do Futebol, uma vez que, como refere Vítor Frade, “a diversidade motora, o

Como referido, Secretário parece ser o único que considera ser fundamental este tipo de actividades, mesmo quando realizadas fora do contexto de Futebol: “Todas as práticas desportivas que não sejam só Futebol

são fundamentais para o desenvolvimento motor… por isso há treinos específicos para as capacidades motoras dos atletas, porque alguns apresentam grandes deficits neste aspecto…” (Anexo III). Secretário, conclui

ainda que nas idades mais novas “os miúdos têm uma energia inesgotável e

podem concerteza praticar varias coisas, mas a partir de certa altura tem que se ser mais específico naquele desporto que se gosta mais” (Anexo III). Apesar

desta sua opinião, Secretário afirma que durante toda a sua infância a estimulação a que esteve sujeito foi muito mais Futebol, nomeadamente o Futebol de Rua. Ou seja, apesar de considerar importante a diversidade de actividades, a verdade é que durante o seu processo de formação a sua estimulação foi caracterizada por muito mais Futebol, aspecto que lhe permitiu chegar a TOP.

Também António Sousa revela que, durante a sua infância, as suas brincadeiras eram sempre na rua e com uma bola, completando ainda que só estava bem com ela. Por isso mesmo, talvez reconhecendo a importância que este aspecto se revelou para a sua formação, considera que durante a infância as crianças devem “jogar muito Futebol…se as crianças gostam de jogar

Futebol, se querem é jogar Futebol…então…devem é jogar Futebol” (Anexo II).

Ruben Micael, por sua vez, não sabe se actividades diversidades são importantes ou não para o desenvolvimento do reportório motor do jogador, até porque, reportando-se ao seu exemplo, afirma que “quando comecei a jogar

não fazia nada disso, só jogava Futebol, nós passávamos o dia inteiro a jogar, até porque ao jogar podia estar a desenvolver isso sem saber” (Anexo VIII).

Pelas palavras de Rui Pacheco verificamos a importância que atribui a todas aquelas brincadeiras de crianças que permitiam que estas desenvolvessem todo um reportório motor que se revelava decisiva para a sua performance no jogo: “antigamente aqueles miúdos que andavam nas ruas a

correr, saltar e fugir também eram aqueles que quando chegavam ao jogo tinham melhor disponibilidade motora, ou seja, esses aspectos coordenativos

que muitos dos miúdos actualmente não têm e que há uns atrás surgiam nas ruas também são necessários de ser recreados nos clubes” (Anexo VII). Neste

sentido, o nosso entrevistado refere que na sua escola uma das suas preocupações prende-se precisamente com estes aspectos coordenativos, sendo que estes ocupam uma parte determinante na unidade de ensino. No entanto, Rui Pacheco complementa que mesmo dentro do Futebol é possível desenvolver capacidades coordenativas associadas ao jogo e não muito dissociadas, que não tenham nada a ver com a modalidade que eles vão fazer.

“O que eu julgo que é importante é que em determinados momentos se desenvolva aspectos coordenativos mas já associados ao Futebol, a utilização do equilíbrio, a utilização dos dois pés, são aspectos que podem ser feitos de uma forma geral mas que também podem ser feitos ligados ao Futebol, ao jogo, e se conseguirmos fazer isso estaremos a fazer um complemento entre as capacidades mais coordenativas mas dirigidas mais para uma modalidade” (Anexo VII).

Também Amândio Graça considera que um património muito diversificado de vivencias motoras vai permitir que posteriormente se possa fazer uma aprendizagem das habilidades especializadas. Neste sentido, entende que quanto menor é a idade da criança, mais essas vivencias devem ser de natureza não conformada, não fechada uma vez que isto se revela extremamente importante. No entanto, “o que se passava nesse Futebol de

Rua era que não se fazia um treino especializado em habilidades fechadas, era uma actividade em que o Futebol era dominante mas em que a plasticidade de movimentos era muito grande, o grau de oposição, as balizas, as bolas, os pisos, as condições atmosféricas…tudo isso introduzia uma grande plasticidade…os jogadores tem que saltar, correr, cair ao chão e levantar-se, têm que resistir ao empurrões…e portanto todas estas coisas da motricidade mais global aparecem, estão englobadas no próprio Futebol, na prática do jogo” (Anexo V). Ou seja, apesar de considerar importante todo um leque de

vivencias motoras durante a infância, considera igualmente que este enriquecimento motor pode ser proporcionado com a prática do Futebol uma vez que este permite uma plasticidade de movimentos muito grande.

Na mesma linha de pensamento encontra-se Frade, afirmando que a diversidade que as tradicionais brincadeiras de criança proporcionavam são fundamentais, contudo, como o próprio afirma, o “Futebol, as condições que se

punham nessa altura ao Futebol de Rua, ele por si próprio já era diversificado” (Anexo VI). Assim, segundo o nosso entrevistado, essa diversidade motora o

“Futebol bem jogado faz apelo a ela...portanto eu posso na aprendizagem dos

miúdos, na formação, contemplar isso, o Futebol pode ser jogado com mais bolas, de múltiplas maneiras, agora eu tenho que criar, promover esse lado da diversidade com base no Futebol, porque é pelo Futebol que os miúdos têm a paixão” (Anexo VI).

De acordo com as opiniões anteriores, Miguel Lopes defende que a estimulação do Futebol deve ocorrer o mais precocemente possível, e a jogar, sendo mesmo isso que promove na escola de Futebol Dragon Force. Contudo, “isto não quer dizer que o facto dos miúdos puderem ter outras actividades que

não se venha a constituir como favorável até porque repara, eu não conheço nenhum jogador que tenha jogado Futebol ao mais alto nível que tivesse uma vida sedentária enquanto era criança, todos eles se caracterizam por ter tido ter tido uma infância na qual passavam muito tempo ao ar livre, muito tempo a brincar, muito tempo a jogar” (Anexo IV). Ou seja, segundo o nosso

entrevistado, a estimulação deve ser a mais específica possível incidindo fundamentalmente sobre o jogo, o jogar e sobre a bola uma vez que “a relação

com a bola e a sensibilidade que é necessário ter contraria um pouco aquilo que é a própria evolução do ser humano, que ditou mais a mão como órgão com mais sensibilidade para com determinados objecto”, no entanto, conclui,

“se as crianças tiverem possibilidade também de ter outras actividades que lhe

dão outras capacidades, outra agilidade, é óptimo porque isto também acrescenta muitas vezes alguma coisa no jogo” (Anexo IV).

Face ao exposto, Secretário, António Sousa e Ruben Micael não parecem ter passado pelas três fases de desenvolvimento que preconiza Côtê (1999), uma vez que estes dedicaram-se desde logo ao Futebol em vez de primeiro (6-12 anos) experimentarem uma série de jogos desportivos, depois (13-15 anos) centrarem-se numa ou duas actividades específicas para,

finalmente (depois dos 16) se empenharem apenas numa, tal como a referida autora defende.

As nossas entrevistas permitem-nos também concluir que apenas Secretário defende o modelo apresentado na revisão da literatura por Bauersfeld (1991, cit. Marques & Oliveira, 2001), segundo o qual entre os 6 e os 12 anos as crianças devem realizar a prática de uma actividade desportiva regular e diversificada, seguida da especialização numa modalidade desportiva normalmente entre os 12 e os 15 anos. De facto, todos os nossos restantes entrevistados entendem que essa diversidade motora pode ser incluída no Futebol, pelo que a precocidade de estímulos relacionada com o Futebol se torna determinante.