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7.4 Oppfølging av IA-avtala
4.3.1 A importância da prática para a exponenciação de todo um Talento.
Como verificamos ao longo da nossa revisão bibliográfica, a existência ou não de um talento inato é uma questão de grande controvérsia. No entanto, apesar da complexidade deste tema, a verdade é que estas duvidas não parecem ter atingido os nossos entrevistados:
“Eu penso que o grande talento, o grande craque, já nasce com ele, o “dom” que todos nós temos já nasce connosco, agora é fundamental que haja uma actualização permanente desse talento através de um trabalho diário, porque se não treinarmos o talento só não chega…”
António Sousa (Anexo II) “ (…) há aqueles miúdos que desde que nascem têm aquele jeito enorme.. que são muito bons tecnicamente…mas também há outros que vão evoluindo, pessoalmente joguei com alguns jogadores que eram limitados tecnicamente e tacticamente mas que tiveram uma grande evolução e forem sem duvida grandes jogadores.”
Secretário (Anexo III) “ (…) os miúdos quando nascem já tem determinadas singularidades..e gostos mais numas áreas do que noutras, mas o que é certo é que não conheço ninguém que tenha chegado ao alto desempenho em qualquer modalidade sem ter gasto milhares de horas a práticar até chegar a esse nível…”
Miguel Lopes (Anexo IV) “ (…) estes aspectos distintivos que são os genes não fazem nenhum campeão, a exigência para ser campeão é muito trabalho, determinação, vontade de trabalhar e ultrapassar as adversidades, muita motivação intrínseca…”
Amândio Graça (Anexo V)
“ (…) uma coisa é potencialidade outra é capacidade.. portanto é preciso um processo, e um processo depende de múltiplas coisas…”
“ (…) eu acho que o talento está muito associado às condições de envolvimento que são proporcionadas ao jovem para poder exprimi-las, e um pouco também associada aos aspectos inatos.”
Rui Pacheco (Anexo VII)
“È alguém que nasce com qualidades, mas não é só ter qualidades, tens que saber trabalhar e melhorar os aspectos menos bons que tiveres.”
Ruben Micael (Anexo VIII)
Como podemos verificar nos excertos anteriores, apesar de todos considerarem que o Talento é alguém que já nasce com “determinadas
singularidades”, como referiu Miguel Lopes, a verdade é que também todos
consideram que a existência desta singularidade não basta, dependendo assim a sua manifestação de todo o trabalho desenvolvido pela criança.
António Sousa defende claramente que o grande talento já nasce, contudo, é necessário uma actualização desse talento através de um trabalho diário, porque se não houver treino o talento só não chega. Ruben Micael partilha da opinião expressa por António Sousa afirmando que “se eu for bom
jogador e não treinar nunca vou evoluir...tenho que procurar sempre treinar mais, querer sempre mais, querer sempre melhorar para poder vir a ser melhor” (Anexo VIII).
António Sousa considera, ainda, que a capacidade psicológica de cada talento é fundamental uma vez que entende ser necessário “força de vontade,
temos que ter força para superar momentos menos bons que nos ocorrem...e havia muito craques que eram fenomenais mas que não estavam bem preparados em termos psicológicos e que por isso se perderam… por isso acho que só ter qualidades não chega” (Anexo II)
Para Secretário há jogadores que já “nascem”, que têm um jeito enorme, contudo, como posteriormente afirma, também há jogadores que apesar de até serem limitados tecnicamente têm uma grande evolução. No entanto, mesmo para aqueles jogadores que “nascem”, considera que a prática é fundamental tal como se verifica nas suas palavras: “um jogador pode ser um talento, pode
ser muito bom mas se não treinar nunca vai ser um grande jogador, e às vezes é isso que acontece, temos muitos exemplos, jogadores que nas camadas
jovens são fantásticos, decidem jogos...mas como pensam que são os maiores não treinam, não se esforçam e depois perdem-se” (Anexo III). Esta ideia é
bem expressa nas palavras de Ruben Micael quando este testemunha que quando jogava na rua tinha amigos que jogavam melhor que ele, no entanto, como não treinavam e não tentavam melhorar, depois perderam-se.
Amândio Graça, apesar de considerar que o talento é alguém que tem aspectos distintivos, que são os genes, refere que estes não fazem nenhum campeão. Neste sentindo conclui “que a exigência para ser campeão é muito
trabalho, determinação, vontade de trabalhar e ultrapassar as adversidades, muita motivação intrínseca, muito gosto pelo jogar, portanto todas as dificuldades que se encontram pelo caminho o sujeito tem que ter força para as ultrapassar” (Anexo V). O nosso entrevistado refere, ainda, que “estudos provaram que o que distingue os pianistas e os violinistas de mais alto nível são as horas de trabalho que eles passam diariamente nessa actividade, mas apesar disso ser uma evidencia, não me parece que isso seja suficiente para distinguir… mas isso distingue-os, ou seja, quem chega ao alto rendimento trabalhou muito mais do que aqueles que não chegaram…” (Anexo V). Pelas
palavras evidenciadas, percebemos que apesar de não considerar que a quantidade de prática seja por si só suficiente para o alcançar resultados de alto nível, a verdade é que entende que “quem chega ao alto rendimento
trabalhou muito mais do que aqueles que não chegaram” (Anexo V). Conclui-se
assim que atribui bastante importância à quantidade de pratica assim como aos aspectos distintivos de cada um.
Para evidenciar precisamente esta importância da prática em todo o processo, Miguel Lopes até testemunha que “actualmente já troquei a
designação de «ter talento» por «desenvolver talento», são coisas absolutamente diferentes, porque ter talento é algo que já está definido como uma coisa que é dada, e outra coisa diferente é desenvolver talento…os miúdos quando nascem já tem determinadas singularidades e gostos mais numas áreas do que noutras, mas o que é certo é que não conheço ninguém que tenha chegado ao alto desempenho em qualquer modalidade sem ter gasto milhares de horas a praticar até chegar a esse nível, e nós frequentemos
assistimos a miúdos que aos 8 anos não eram os melhores e que passados 6 ou 7 anos distinguem-se claramente e completamente relativamente aos outros…” (Anexo IV). No entanto, para além de considerar a prática
imprescindível para o alcançar de desempenhos excelentes, não exclui os genes de todo o processo uma vez que, como refere, há miúdos que quando chegam à Dragon Force já demonstram alguma singularidade, alguma predisposição para jogar que outros não têm. Miguel Lopes partilha da opinião de António Sousa e de Amândio Graça quando estes salientam a importância do psicológico, da vontade de trabalhar e de superar todas as adversidades que possam surgir em todo o processo de desenvolvimento. Como refere “há
miúdos que se lhes darmos uma actividade qualquer para realizar e se não conseguem não desistem até conseguirem fazer, e efectivamente há outros que não, que desistem facilmente…nós temos aqui um caso de um miúdo que quer ser sempre o melhor, por mais insucesso que ele tenha ele não pára, não desiste, está sempre a repetir, a repetir e a repetir até conseguir fazer, e apesar de ele actualmente não ser dos melhores, nós temos muita esperança nele precisamente por essa característica que ele tem” (Anexo IV).
Rui Pacheco encontra-se na mesma linha de pensamento que todas as opiniões expressas anteriormente, referindo que, para si, um Talento é alguém que tem alguns aspectos inatos. Contudo, como complementa, o Talento tem fundamentalmente que estar associado ao contexto e ao treino. Ou seja, no seu entendimento um Talento pode “nascer” mas necessita, igualmente, de toda uma prática e de um contexto que permita a potencialização desse mesmo talento. Assim, e como refere, “se eu for um grande talento e nascer
num país nórdico que de facto não tem grandes capacidades para eu poder treinar, se calhar eu vou passar despercebido, mas se eu for um individuo que tenha já algum talento do ponto de vista inato, e que nasça num pais como o Brasil, a Argentina, que têm condições climatéricas boas durante todo o ano, e se tiver um processo de treino, um enquadramento que me permita desenvolver, concerteza que eu vou ter uma capacidade de evolução muito grande” (Anexo VII). Deste modo, para o entrevistado, um jogador talentoso é
estimulada, “porque ela pode lá estar latente mas depois se não houver
condições ela vai ficar sempre guardada” (Anexo VII).
Por outro lado, Rui Pacheco, no sentido de evidenciar que é igualmente possível um jogador chegar ao TOP sem ter nascido com esse talento inato para jogar Futebol, mas conseguindo fundamentalmente como resultado da experiência prática, apresenta um exemplo claro ocorrido durante o período em que foi treinador dos escalões de formação do F.C. Porto, “eu conheci o Jorge
Costa quando veio a primeira vez para o Futebol Clube do Porto e ele era um jogador com algumas limitações, agora o que aconteceu foi que as condições de treino e de envolvimento e a sua vontade própria fizeram com que ele não fosse aquilo a que chamamos um talento do ponto de vista criativo, mas que para a posição dele fosse realmente um talento, porque jogou ao mais alto nível, em Portugal, em Inglaterra e na Selecção Nacional, e tudo isto porque teve um processo de treino e de envolvimento que permitiu que isto acontecesse” (Anexo VII).
Estas afirmações vem de encontro ao salientado por Ruben Micael quando este testemunha que tinha colegas seus que não eram grandes jogadores em miúdos mas, como treinaram sempre muito, conseguiram melhorar. É precisamente por este facto, que Vítor Frade faz a distinção entre os talentos de trabalho e os talentos que “até entram pelo olho dentro” (Anexo
VI). Segundo o nosso entrevistado, estes talentos de trabalho seriam aqueles
miúdos que não tinham tanto jeito e que ninguém dava nada por eles mas, como jogavam e treinavam tanto conseguiam acabar por se desenvolver. Portanto, como o próprio afirma, é “preciso um processo” (Anexo VI).
Face ao apresentado, verificamos que todos os nossos entrevistados entendem que um jogador pode nascer com algumas singularidades que lhes permitam distinguir-se dos restantes jogadores, contudo, todos entendem igualmente que é fundamental a prática para que se de a exponenciação dessa singularidade.
As opiniões parecem vir assim de encontro à ideia defendida por Garganta (2004) apresentada durante a revisão da literatura, de que para se ser jogador de TOP não é suficiente nascer com talento, pelo que se torna
imprescindível treinar. Deste modo, “antes de se submeter a um processo de treino, pode existir um talento, mas o jogador só existe depois disso”.