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2.1 Ledelse

2.1.5 Kjennetegn ved den institusjonelle lederen

Os dados codificados são fundamentais para a investigação, sendo, por vezes, a única fonte de dados disponível.

A utilização destas bases de dados na investigação tem diversas vantagens: primam pelo tamanho grande da amostra e por esta ser heterogénea, compilam longos períodos de observação com informação atualizada, e são facilmente disponibilizadas e não dispendiosas (Freitas et al., 2010)(Mazzali and Duca, 2015)(Silva-Costa et al., 2009). Por outro lado, apresentam também desvantagens, como por exemplo, a dificuldade na tomada de conclusões causais, a necessidade de estar atento a dados incorretos e o facto do propósito primordial dos dados ser o financiamento, o que pode influenciar a qualidade dos dados para investigação (Mazzali and Duca, 2015). Estas desvantagens obrigam a que o investigador tenha uma experiência relevante no uso das mesmas.

Quando se usam estas bases de dados para investigação não se devem descurar aspetos que levam a uma pobre qualidade dos dados, devendo estes ser considerados quando se interpretam os resultados da investigação. Para além disso, é necessário estar atento a mudanças nos sistemas de codificação, como

por exemplo esta mudança para ICD-10-CM/PCS, uma vez que afetará a base de dados.

A ligação entre os profissionais de saúde (responsáveis pelos registos clínicos), os codificadores (respon- sáveis pelos dados codificados) e os investigadores (utilizadores dos dados) é essencial para se conseguir definir um estudo e uma análise de dados apropriados durante a investigação.

3. Objetivos

No sentido de assegurar as características essenciais à investigação, tais como a qualidade metodológica e a replicabilidade, é essencial a construção da pergunta de investigação e a definição dos objetivos.

Formulação da P (I) (C) O:

P (População) – Médicos Codificadores, I (Intervenção), C (Comparação) e O (Outcome)

- Problemas, nomeadamente os decorrentes da transição para ICD-10-CM/PCS, que comprometem a atividade de codificação e, consequentemente, a qualidade dos dados codificados.

Não se tem a componente I e C, uma vez que não se vai fazer qualquer intervenção nem se tem um método comparador.

Em paralelo, definiu-se a questão de investigação e os objetivos do trabalho:

Questão de investigação: Quais os problemas, nomeadamente os decorrentes da transição para

ICD-10-CM/PCS, que comprometem a atividade de codificação e, consequentemente, a qualidade dos dados codificados, segundo a perspetiva dos médicos codificadores?

Quanto aos objetivos, o principal objetivo desta dissertação consiste na identificação de problemas, nomeadamente os decorrentes da transição para ICD-10-CM/PCS, que comprometem a atividade de codificação e, consequentemente, a qualidade dos dados codificados.

Para a concretização deste objetivo principal, surgem como objetivos específicos do estudo, a identificação de problemas:

• ao nível dos registos clínicos;

• associados ao processo de codificação, nomeadamente, associados ao processo de abstração, ao processo de registo dos dados codificados e ao sistema de classificação utilizado;

• relativos à formação e aos recursos disponíveis para aprendizagem dos médicos codificadores; e • referentes às finalidades dos dados e à sua reutilização, como por exemplo, na investigação.

4. Justificação

Com base nos conceitos introduzidos ao longo da revisão da literatura, revelou-se importante um estudo para identificação de problemas associados à atividade de codificação e à qualidade dos dados codificados, uma vez que são dados com impacto em muitas vertentes. Por sua vez, sendo a transição para ICD-10-CM/PCS recente e sendo conhecidos muitos problemas associados à mesma (Andrews, 2015)(Butz et al., 2016)(Johns et al., 2013)(Manchikanti et al., 2011)(Meyer, 2011)(Rahmathulla et al., 2014)(Stanfill et al., 2014)(Sanders et al., 2012)(Watzlaf et al., 2015), é simultaneamente importante a identificação de problemas que surgiram ou se acentuaram com a transição.

Estabeleceu-se que a identificação destes problemas seria de acordo com a perspetiva dos codificadores, que são quem desenvolve a atividade e se depara com as dificuldades. Os codificadores são uma importante fonte de informação no que respeita aos problemas associados à atividade de codificação e à qualidade dos dados codificados, bem como às soluções para os mesmos (Mckenzie et al., 2008)(Tang et al., 2017)(Lucyk et al., 2017).

Para além disso, de acordo com a pesquisa realizada, ainda não houve nenhum estudo com esta finali- dade desenvolvido em Portugal, ou seja, um estudo que questiona os médicos codificadores relativamente às dificuldades associadas à atividade de codificação. Os problemas identificados noutros estudos poderão não se adequar a Portugal, uma vez que a atividade de codificação se processa num ambiente diferente, em que quem codifica são médicos com treino específico, ao contrário de outros países, por exemplo os EUA, em que a codificação é realizada por pessoal especializado.

Identificar os fatores que influenciam a atividade de codificação clínica e a qualidade dos dados co- dificados pode ser um grande passo para melhorar a qualidade dos mesmos e o cumprimento das suas finalidades.

5. Materiais e Métodos

Os focus groups são uma técnica de investigação dirigida à recolha de dados qualitativos através da interação de um grupo de pessoas com algum interesse em comum, sobre um tópico apresentado pelo investigador (Morgan, 1996)(Krueger and Casey, 2015).

Esta técnica permite uma maior recolha de dados e de forma mais rápida quando comparada com outras técnicas de recolha de dados qualitativas, como por exemplo, as entrevistas individuais (Stewart and Shamdasani, 2015). Por outro lado, face às entrevistas individuais, os focus groups apresentam também algumas desvantagens, como a produção de uma menor quantidade de dados por pessoa, a impossibilidade de saber se a interação em grupo reflete o comportamento individual e a dificuldade de reunir os grupos (Oliveira and Freitas, 1998).

Apesar das desvantagens, é sabido que a utilização da metodologia dos focus groups para recolha de dados tem vindo a aumentar em diversas áreas, nomeadamente para investigação na área da saúde (Cres- swell et al., 2012)(Morrison et al., 2014)(Watzlaf and Hornung Garvin, 2007)(Watzlaf et al., 2015)(Silva et al., 2014)(Morgan, 1996). Morgan também referiu que a tendência é os focus groups serem utilizados em combinação com outras metodologias (Morgan, 1996).

Silva et al definiram cinco fases para a metodologia dos focus groups: planeamento, preparação,

moderação, análise dos dados e divulgação dos resultados (Silva et al., 2014), que foram seguidas para que a metodologia fosse o mais rigorosa possível.