Numa primeira fase, procedeu-se à transcrição integral das gravações dos focus groups. A transcrição foi feita manualmente usando o Microsoft Word.
Os autores dos registos foram anonimizados, bem como os hospitais e os indivíduos a que estes se referiram durante o seu discurso.
As transcrições dos focus groups são um momento chave para a análise dos resultados. Após terminar as transcrições integrais, fez-se uma comparação entre estas e as gravações, de forma a obter transcrições o mais exatas possíveis. Depois de atestar todas as transcrições, os registos áudio foram destruídos.
Como mencionado acima, foram aplicados 2 guiões diferentes. Contudo, para a análise e apresentação dos resultados não se considerou relevante esta divisão, uma vez que ambos os guiões foram aplicados ao mesmo grupo, e a ICD-10-CM/PCS já estava muito presente na rotina dos codificadores sendo também discutida nas sessões em que se aplicou o Guião I. Para além disso, apesar de se seguirem guiões previ- amente definidos, foram surgindo outros assuntos ao longo das sessões, que foram também material de análise.
Através de uma análise de conteúdo categorial temática, a informação foi agrupada por temas, ca- tegorias, e subcategorias relacionados com os objetivos do estudo. O agrupamento foi, posteriormente, validado pela restante equipa de investigação, tentado que a análise dos dados fosse rigorosa e sistemática.
5.4.1
Análise de conteúdo categorial temática
Para se fazer a análise, para além do contacto estabelecido com pessoas experientes na área da análise de conteúdo, recorreu-se também ao livro “Análise de Conteúdo” de Laurence Bardin (Bardin, 2011).
A análise de conteúdo é definida pelo autor como “um conjunto de instrumentos metodológicos cada vez mais subtis em constante aperfeiçoamento, que se aplicam a “discursos (...) extremamente diversificados” (Bardin, 2011). Um dos objetivos desta análise não é apenas fazer uma análise “à letra”, mas também inferir variáveis, assumindo a partir da informação registada outros “significados” para a mesma; “é uma busca de outras realidades através das mensagens” (Bardin, 2011).
Para a análise de conteúdo pode optar-se por uma análise temática, que é o caso, em que se divide o texto em alguns temas principais e subtemas mais específicos.
A análise deve ser organizada em torno de 3 fases: pré-análise; exploração do material e tratamento dos resultados; e inferência e interpretação (Bardin, 2011).
A 1ª fase (pré-análise) consiste na escolha dos documentos a serem submetidos a análise e na formu- lação dos objetivos (Bardin, 2011). Neste caso, as transcrições integrais dos focus groups foram o objeto de análise. Os objetivos da análise relacionam-se com os objetivos anteriormente traçados para o estudo. Antes de iniciar a análise, realizou-se uma leitura de todas as transcrições, tentando ficar o mais familiarizado possível com toda a informação. Após a leitura integral das transcrições, começou por se usar diferentes cores (códigos) para identificar informações sobre diferentes assuntos. Contudo, face à dimensão das transcrições, a codificação por cores começou a ser inviável e passou a distribuir-se a informação, de acordo com o assunto, em diferentes ficheiros Word.
Consoante a distribuição da informação foram-se definindo os temas, as categorias e as subcategorias. Estava-se perante a fase de exploração do material, em que o sistema de categorias foi sendo traçado de uma forma progressiva.
Para a criação das categorias não se seguiram regras rígidas; estas foram definidas de forma a refletir todo o conteúdo discutido durante os focus groups e a cumprir os objetivos do estudo, aproveitando a flexibilidade da análise temática. Contudo, teve-se em conta que as categorias devem ser (Bardin, 2011):
• homogéneas - não se deve misturar informação sobre diferentes temas;
• exclusivas - o mesmo elemento de conteúdo não pode ser classificado em 2 categorias diferentes; • exaustivas - deve-se esgotar a totalidade do texto;
• objetivas/fidedignas - tendo por base o mesmo material e a mesma grelha categorial, investigadores diferentes devem chegar ao mesmo resultado. Para o cumprimento desta caraterística é importante que a definição das categorias esteja bem estabelecida;
• adequadas/pertinentes - adaptadas ao conteúdo e ao objetivo da categoria. Deve refletir as intenções da investigação permitindo assim responder aos objetivos traçados; e
• produtivas - permitem chegar a dados exatos, permitindo inferir e traçar hipóteses novas.
Após ser indexada toda a informação nas diferentes categorias, procedeu-se à revisão das categorias através da leitura da informação que constava em cada uma delas. Em algumas situações procedeu-se à junção de categorias que estavam previamente separadas, por uma questão da quantidade de informação. Em outras situações, separou-se a informação de uma categoria, criando novas categorias, de forma a manter a homogeneidade das mesmas. Este processo terminou quando se considerou que o mapa de categorias era o desejado, conseguindo definir o assunto de cada uma das categorias (ver notas de rodapé no anexo V).
Posteriormente, definiu-se a designação das categorias, com títulos concisos, claros e representativos da informação que albergam.
Na última fase foram traçados os resultados, incluindo procedimentos qualitativos e quantitativos. A nível qualitativo, analisando a presença ou ausência de determinados tópicos e, com menor relevância, a nível quantitativo sistematizando a frequência de determinado tópico. Para cada categoria foram
tomadas conclusões, de acordo com as opiniões dadas, e apresentaram-se algumas declarações que as fundamentam e sustentam. Esta fase está sujeita à subjetividade do investigador; a apresentação de citações para sustentar as conclusões é importante, pois vai fornecer evidências para a credibilidade da análise realizada (Morgan, 2010).
Toda a análise foi, posteriormente, validada pela restante equipa de investigação.