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A Renuka do Brasil pertence ao grupo Shree Renuka Sugars Limited. Trata-se de um grupo de origem indiana relativamente novo no cenário mundial, criado em 1998 pelo empresário Narendra Murkumbi e sua mãe, Vidya Murkumbi, após a aquisição de outro grupo, o Nizam Sugars (RENUKA SUGARS, 2011).

Apesar do curto espaço de tempo, a empresa é a maior produtora de açúcar na Índia, onde opera oito usinas de açúcar, com capacidade para moer 35 mil toneladas de cana por dia (mais de sete milhões de toneladas por ano), três destilarias e dois portos que operam cerca de 1,7 milhões de toneladas por ano (MAGOSSI; PORTO, 2010). No Brasil, o grupo iniciou suas atividades em 2009, com a aquisição integral da Empresa Vale do Ivaí, no Paraná e continuou no ano seguinte, com a aquisição parcial (59% atualmente) da Equipav, grupo de São Paulo.

A primeira empresa adquirida, a Destilaria Vale do Ivaí S.A., está localizada no município de São Pedro do Ivaí, e surgiu no auge do Programa Proálcool (1981), cuja produção à época limitava-se somente ao álcool hidratado. Entretando, com uma demanda crescente de álcool anidro no Brasil nos anos subsequentes, aliada a necessidade de diversificação na produção pela empresa, a Vale do Ivaí, passou a produzir aquele novo produto a partir de 1991. Continuando com a diversificação, em 1993 a empresa acrescentou o açúcar ao seu leque de produtos, com uma produção de 13.226 toneladas em sua primeira safra (RENUKA DO BRASIL, 2011).

No início do século XXI, interessada na competitividade de seus produtos no mercado internacional, a Vale do Ivaí - juntamente com sete unidades paranaenses – participou, em 2001, da criação da Pasa - Paraná Operações Portuárias S/A, no Porto de Paranaguámo, no qual atualmente detém 13,18 % do controle. Trata-se de um moderno terminal de embarque com capacidade para armazenamento de 54 mil toneladas de açúcar, que em 2003, foi responsável pela logística portuária de 90% do açúcar paranaense, quantidade esta que viabiliza totalmente o terminal. Além da Pasa, outra parceria com ênfase na logística de exportação foi o ingresso, em 2003, da empresa na Oceânica Terminal Portuário (8,3% do controle). Trata-se de uma empresa criada com a finalidade de otimizar a logística de exportação do etanol, sendo constituída por 13 unidades produtoras do estado do Paraná

(Ibid.).

Outro marco importante em se tratando de parcerias na empresa foi quando, em 2002, a Vale do Ivaí, junto com a Alltech, uma empresa norte-americana, construiu uma nova planta de processamento de levedura, fonte rica em proteína e utilizada na alimentação animal. A parceria com a Alltech consiste na exclusividade do fornecimento de creme de levedo, principal matéria prima. Além de processar a levedura da fermentação da sua própria indústria, a empresa processa também a levedura de várias usinas e destilarias do Paraná. De acordo com o BNDES (2008), a unidade produtiva tem capacidade para produzir cerca de 50 mil toneladas por ano, sendo que 80% da produção deve ser destinada ao mercado externo.

Em 2003 a Vale do Ivaí ingressou na CPA Trading S/A, onde atualmente detém 9,78% do capital. Trata-se de uma empresa formada por 15 unidades produtora, responsáveis pela comercialização de aproximadamente 60% do álcool paranaense.

A segunda empresa a ser adquirida, o Grupo Equipav, iniciou suas atividades em 1981, com a criação da Usina de mesmo nome no município de Promissão, SP. Em 2008, foi inaugurada a Biopav, em Brejo Alegre, SP. Em 2010, a empresa indiana Shree Renuka Sugar Ltd. adquiriu participação majoritária nas duas usinas, mantendo o nome da Usina Equipav, mas mudando o nome da usina Biopav para Revati; ficando a empresa conhecida como Renuka do Brasil (cerca de 59% pertence ao grupo Shree Renuka e o restante pertence às famílias que eram originalmente donas da Equipav: Toledo, Tarallo e Vetorazzo). Atualmente, a capacidade

instalada de moagem da Equipav se encontra em torno de 10,5 milhões de toneladas por ano (RENUKA DO BRASIL, 2011).

Entre os seus principais produtos estão: açúcar, etanol, bioeletricidade e levedura. A Renuka do Brasil tem uma estrutura amplamente verticalizada, controlando não apenas os processos industriais, mas também os agrícolas. O preparo de solo, o plantio, o cultivo, a colheita e o transporte são realizados em mais de 85.000 hectares de terras arrendados em parceria com mais de 570 proprietários. Além disso, a área agrícola é responsável pela coordenação da entrega de cana, e em muitos casos até pela colheita e transporte de mais de 350 fornecedores (Ibid.).

A tabela 19 apresenta algumas informações mais detalhadas do grupo, cujo organograma no Brasil se encontra na ilustração 30.

Tabela 19 – Lista das unidades do Grupo Shree Renuka do Brasil

Grupo Usina Capacidade

de Moagem Produção de Açúcar Produção de Etanol Co-geração de Energia Leveduras Vale do

Ivaí São Pedro do Ivaí ND ND ND ND ND

Vale do

Ivaí Cambuí ND ND ND ND ND

Renuka do

Brasil Equipav 6,5 milhões tons VHP: 3.350 tons/dia Cristal: 59.000 sacos/dia Hidratado: 1.600m3/dia; Anidro: até 750m3/dia. 560.000 MWh* 8.000 tons Mais de por safra Renuka do

Brasil Revati (ex-Biopav) 4 milhões tons (expansão para seis milhões)

VHP: 1.350

tons/dia 900m3/dia; Hidratado: podendo ser 100% convertido em anidro. 630.000 MWh15 (após expansão) 10.000 tons por safra

Fonte: RENUKA DO BRASIL (2011)

Visando garantir a confiabilidade e qualidade dos serviços, a etapa agrícola da empresa conta com mais de 903 veículos próprios, incluindo 62 colhedoras mecânicas, 50 tratores de grande porte e 120 caminhões para transporte de cana, cuja manutenção é praticamente toda efetuada pelas próprias oficinas mecânicas da empresa.

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De forma similar a outros grandes atores do setor, a empresa se preocupa com a questão de infraestrutura logística no país. Tanto que possui uma capacidade total de armazenagem de 130.000 tons de açúcar e 210.000 m3 de etanol nas suas duas usinas Equipav e Revati. A localização das usinas da Renuka do Brasil permite fácil acesso a rodovias asfaltadas de pista dupla, colocando-as quase equidistantes aos portos de Santos e de Paranaguá, para onde pode direcionar seus produtos também através de ferrovias a partir de transbordos próximos.

Ilustração 30 – Organograma da Shree Renuka do Brasil

Fonte: RENUKA DO BRASIL, 2011

No gráfico oito, evidencia-se que, entre os anos de 2008 e 2010, com a entrada em operação da usina Revati, a tonelagem de cana moída que se encontrava em 2007 em torno de cinco milhões, subiu para sete milhões nos anos seguintes, alcançando quase nove milhões em 2010.

Gráfico 8 - Tonelagem da cana moída

Fonte: RENUKA DO BRASIL, 2011

A produção de açúcar, especificamente a produção de VHP, destinada de forma majoritária ao mercado externo, teve início em 2006 na Usina Equipav e, a partir de 2008, também na Usina

Shree Renuka Sugars Limited Vale do Ivaí (100%) Renuka do Brasil (59%), restante Famílias Toledo, Tarallo e Vetorazzo

Revati. A produção total de açúcar, que na primeira metade da década de 2000 estava em um patamar de 100 a 200 mil toneladas, subiu para um patamar acima de 300 mil, alcançando picos de 450 mil e 500 mil toneladas ao final do período, conforme demonstrado no gráfico seguinte.

Gráfico 9 - Quantidade de açúcar

Fonte: RENUKA DO BRASIL, 2011

No caso da produção de etanol, inicialmente focado somente na Usina Equipav, percebe-se uma maior concentração do anidro ao longo do período. Entretanto, a partir de 2008, tal quadro é alterado com o início da produção de etanol na Usina Revati, conforme demonstrado no gráfico 10.

Gráfico 10 - Volume de etanol

Fonte: RENUKA DO BRASIL, 2011

Em se tratando de geração de energia, houve um aumento de forma expressiva a partir de 2003, conforme demonstra o gráfico 11.

Gráfico 11 -Produção de energia para venda e consumo

Fonte: RENUKA DO BRASIL, 2011

Os excedentes de energia gerados nas usinas da Renuka do Brasil são vendidos tanto para distribuidoras de energia, como para consumidores livres (que puderam optar por não comprar energia da concessionária local) e para comercializadoras.

A comercialização com distribuidoras de energia é feita através de leilões oficiais periódicos, regulados pelo governo, que geram contratos que podem durar desde poucos meses (Leilões de Ajuste) até 20 anos (leilões de Reserva, leilões de Fontes Alternativas, leilões de Energia Nova e leilões de Energia Existente). As negociações com consumidores livres e comercializadoras podem envolver apenas o mês corrente, ou podem também gerar contratos de longo prazo, com mais de 10 anos de duração.

Além da energia elétrica convencional, na Usina Equipav é produzida a energia elétrica incentivada, que possibilita ao comprador 50% de desconto nos custos de transmissão (TUSD). Esse desconto pode chegar a mais de R$ 25 por MWh (RENUKA DO BRASIL, 2011).

Encerrando o portfólio de produtos da Renuka do Brasil, o gráfico 12 apresenta o considerável aumento da produção de leveduras, especialmente após a parceria feita com a Alltech, em 2002.

Gráfico 12– Produção de levedura

Fonte: RENUKA DO BRASIL, 2011

A levedura, além de ser utilizada como excelente fonte de proteínas em rações para animais, também possui uma propriedade muito especial de fortalecimento do sistema imunológico, sendo por essa razão exportada para muitos países. A levedura seca é comercializada em diferentes faixas de concentração de proteínas e embalada em sacos de papel multifoliado de 25 kg ou contentores flexíveis de 800 kg (ibid.).