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Kilder, metode og kildekritiske bemerkninger

Como fora visto nas seções anteriores, Manuel Castells utiliza-se do termo Sociedade em Rede para caracterizar uma estrutura social baseada nas redes conectadas por tecnologias digitais. Na ideia do autor, essas estruturas se entrelaçam em nós, permeando fatores econômicos, políticos e sociais que caminham junto a vida e as relações dos usuários. Esses conceitos de Castells conversam com as ideias de Lévy a respeito da interação desses mesmos fatores. Desta forma, Castells salienta que “a tecnologia é a sociedade, e a sociedade não pode ser entendida ou representada sem suas ferramentas tecnológicas” (1999, p.43).

Como dito, Castells divide a cultura da Internet em quatro significativos grupos, sendo eles autônomos, mas interligados entre si. Já Lévy reconhece três aspectos fundamentais no estudo da cultura da Internet, ou da Cibercultura na qual define como “o conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes, de modos de pensamento e de valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento do ciberespaço” (1999, p. 17). Dessa forma, os aspectos apontados pelo autor estão fundamentados na Interatividade, nos Movimentos Sociais e da Inteligência Coletiva que advém por meio da cibercultura.

Dessa forma, entendendo que não se pode separar a entidade humana dos aparatos tecnológicos que a rodeiam e enfatizando que as tecnologias se mostram como produtos e não como produtores, entende-se que as tecnologias são construções e não manipulações de seus criadores. Dito isto, essa falsa noção de dominação do homem pela tecnologia advém, dentre vários motivos, principalmente do aparecimento repentino de uma nova técnica que acaba tomando lugar e transformando rapidamente vários fatores da vida do ser humano. Exemplos dessa ideia estão presentes em toda história humana, seja com o advento do fogo ou a invenção da impressa, assim como a concepção das redes de comunicação por telégrafos, telefones até as recentes ondas invisíveis do Wifi. Desta maneira, por inúmeras vezes a televisão foi acusada de dominar o homem e escravizá-lo e hoje essa se confina ao lugar de um eletrodoméstico, sendo que em muitos lares os aparelhos televisores passaram a ser coadjuvantes perante o uso dos computadores, tablets, notebooks, smartphones, entre outros.

Dito isto, Lévy apresenta um dos principais aspectos para o desenvolvimento da cultura virtual, a Interatividade. Pelas palavras do autor, “o termo “interatividade” em geral ressalta a participação ativa do beneficiário de uma transação de informação” (Lévy, 1999, p. 79), salientando que um receptor de informação não é dotado de um caráter passivo mesmo que

frente a mídias que não permitem um debate. Dessa forma, Lévy diz que “a possibilidade de reapropriação e de recombinação material da mensagem por seu receptor é um parâmetro fundamental para avaliar o grau de interatividade do produto”. Posto isso, entende-se que existem tecnologias com maior ou menor grau de interatividade e que compreender essas medidas se torna fundamental para analisar as manifestações dos usuários nas redes sociais virtuais, sobretudo quando se trata de questões relacionadas com a política, cultura, estética, econômica, social, educativa e epistemológica (LÉVY, 1999, p. 82).

Utilizando então esse princípio da Interatividade, Lévy aponta para algumas manifestações online dessa cultura da Internet. O próprio Movimento Social advindo dessa cultura virtual é permeado pelas relações humanas, que embora técnico, sua emergência:

É fruto de um verdadeiro movimento social, com seu grupo líder (a juventude metropolitana escolarizada), suas palavras de ordem (interconexão, criação de comunidades virtuais, inteligência coletiva) e suas aspirações coerentes. (LÉVY, 1999, p. 123).

Nessa perspectiva, os movimentos sociais possibilitaram o surgimento das comunidades virtuais apoiadas na interconexão. Essas comunidades são formadas por interesses próximos na qual há linhas de pensamentos e conhecimentos em comum, de forma a serem desenvolvidos projetos paralelos em cooperação entre os pares e toda essa troca e conexão independem de localização geográfica ou filiação a instituições. Por exemplo, hoje, ao adentrar plataformas de desenvolvimento cooperativo encontram-se muitos projetos em desenvolvimento que são mutuamente idealizados, projetados, codificados, testados e difundidos por pessoas de diversos países que se comunicam através dos códigos de programação que, por sua vez, são padronizados. Dessa maneira, quando Lévy fala sobre essas organizações, fica clara a dimensão dessas comunidades na cibercultura, sendo:

A cibercultura é a expressão da aspiração de construção de um laço social, que não seria fundado nem sobre links territoriais, nem sobre relações institucionais, nem sobre as relações de poder, mas sobre a reunião em torno dos centros de interesses comuns, sobre o jogo, sobre o compartilhamento do saber, sobre a aprendizagem cooperativa, sobre os processos abertos da colaboração. O apetite para as comunidades virtuais encontra um ideal de relação humana desterritorializada, transversal, livre. As comunidades virtuais são os motores, os atores, a vida diversa e surpreendentemente do universal por contato. (LÉVY, 1999, p. 130).

Nesse ponto então, as comunidades virtuais se desenvolvem a partir da interatividade proposta pelos meios tecnológicos e da Internet. Nesse ponto, se torna importante

comentar sobre a Inteligência Coletiva. Embora essa inteligência coletiva seja uma das principais formas de desenvolvimento da própria cibercultura, o ciberespaço não determina o aparecimento e o desenvolvimento da inteligência coletiva em si, apenas dá uma base para as práticas coletivas. Sendo assim, entende-se que há também um lado negativo nesse processo, já que essa manifestação online desencadeia casos de dependência do meio, sobrecarga cognitiva, exploração e bombardeamento de bobagens coletivas, tendo em vista que muitas vezes esse potencial da inteligência coletiva é levado a desenvolver conteúdo sem quaisquer aplicações ou informação. Dessa forma, os processos de desenvolvimento dessa inteligência coletiva estão em:

Acelerar cada vez mais o ritmo da alteração tecno-social, o que torna ainda mais necessária a participação ativa na cibercultura, se não quisermos ficar para trás, e tende a excluir de maneira mais radical aquele que não entram no ciclo positivo da alteração, de sua compreensão, e apropriação. (Lévy, 1999, p. 30).

Essa inteligência coletiva favorece o fortalecimento da cibercultura e a expansão do ciberespaço, mas se torna nociva a quem não compreende ou não alcançam uma dominação e participação ativa. Esse sistema exclui usuários que não conseguem aprender com rapidez ou que se apegam ao que está sendo ensinado como a única forma de realizar uma tarefa. Essa ideia se torna um empecilho na utilização de recursos que estão em constante mudança, como novas ferramentas implementadas diariamente em redes sociais. Exclui ainda todos aqueles que não acham sentido na utilização, não observando a importância de considerar uma nova tecnologia, somente focando em como as antigas ainda atendem suas necessidades.

Partindo disso, para entender então essa visão cultural das redes, conclui-se que a interconexão generalizada, a formação das comunidades virtuais e a ambiguidade inteligência coletiva são características presentes na cibercultura. Essas características dão base ao desenvolvimento desse território virtual, já que não existiria uma comunidade online, sobretudo a formação das redes sociais virtuais, sem a interconexão dos usuários e dispositivos, assim não seria possível uma inteligência coletiva sem esses outros dois itens. Sendo assim, Lévy (1999, p. 133) conclui que:

A interconexão para a interatividade é supostamente boa, quaisquer que sejam os terminais, os indivíduos, os lugares e momentos que ele coloca em contato. As comunidades virtuais parecem ser um excelente meio (entre centenas de outros) para socializar, quer suas finalidades sejam lúdicas, econômicas ou intelectuais, que seus centros de interesse sejam sérios, frívolos ou escandalosos. A inteligência coletiva, enfim, seria o modo de realização da humanidade que a rede digital universal felizmente favorece, sem que saibamos a priori em direção a quais resultados tendem as organizações que colocam em sinergia seus recursos intelectuais.