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Karakterbeskrivelser og fremstilling av de tiltalte

4.3 Hvordan utmålte Høyesterett straff?

4.3.1 Karakterbeskrivelser og fremstilling av de tiltalte

Ao buscar entender o caso de Amanda Todd por meio dos comentários deixados em seu vídeo de desabafo, além de observar as avaliações positivas que demonstram a reação de usuários que se compadecem com a dor da garota e procuram conscientizar outros usuários em relação aos males provocados pelo Cyberbullying, muitos comentários com teor negativo se ressaltam no meio deles. Esses comentários carregam um misto de discursos de violência e agressão direcionado a Amanda, que mesmo depois de tanto tempo de sua morte, ainda sofre ataques de demonstração de intolerância, incompreensão e validação do Cyberbullying. Muitos desses comentários buscam culpar Amanda tanto pela Ciberperseguição, quanto pela Pornografia de Vingança, pela agressão física sofrida. Comentários que exemplificam tal violência podem ser vistos logo a seguir, na figura 29:

Figura 29 - Comentários Negativos do Caso de Amanda Todd

Sendo assim, muitos desses comentários buscam culpar Amanda pela perseguição online que ela sofreu ou ainda minimizar a dor relatada, tentando demonstrar que a garota só foi exposta e suas imagens caíram na Internet, pois ao confiar em seu amigo online, mostrou os seios no chat de vídeo. Esses comentários deixam claro que muitos usuários ainda não compreendem a dimensão do dano psicológico causado pela exposição de imagens íntimas. Nessa ideia, denominações como “puta”, “vagabunda”, “vadia”, “prostituta”, “desmiolada”, “burra”, “trouxa”, “lixo”, “otária”, entre outros termos mais ou menos ofensivos são registrados nos comentários do vídeo, seguidos de relatos altamente depreciativos dirigidos a Amanda. Alguns desses comentários contendo termos de baixo calão demonstram intolerância, sexismo e violência e objetivam tanto ofender quanto responsabilizar Amanda e outras vítimas que sofrem ou sofreram de Ciberperseguição, Pornografia de Vingança e Cyberbullying apontando- as como responsáveis e culpadas pela agressão que lhes é investida.

Vale salientar que não há uma predominância de comentários masculinos ou femininos nesse caso, demonstrando que tanto homens quanto mulheres podem culpar a vítima de acordo com suas ações. Esses comentários tentam ressaltar que o ato de se mostrar nua foi o fator determinante para o desfecho do caso, e não o fato dessas imagens terem sido vazadas pelas mãos dos agressores, aliviando a culpa destes. A figura 30, que se segue, demonstra tais comentários ofensivos, que visam ofender e culpabilizar vítimas de Cyberbullying:

Fonte: Autoria Própria (2017).

Seguindo ainda nessa perspectiva, além dos inúmeros comentários ofensivos e depreciativos englobando o caso, menosprezando o sofrimento de Amanda e culpando-a pelo crime sofrido, há um grande destaque para comentários envolvendo o suicídio e a depressão. Contrariando a ideia de que essas patologias têm feito muitas vítimas, sobretudo nas fases da adolescência, muitos desses comentários direcionados à Amanda apontam o suicídio e a depressão como fraqueza de caráter e modismo da geração atual, desconsiderando totalmente os abalos que o Cyberbullying pode causar na vida e na saúde de quem sofre de tal agressão. Para muitos usuários que comentaram o vídeo, o suicídio de Amanda está ligado diretamente à exposição das fotos íntimas na Internet e não devido aos impactos causados na saúde mental advindos das ameaças de um violentador, chegando a deixar a ideia de que o suicídio foi, de fato, a atitude correta para a garota.

Sendo assim, como explicitado por Amanda em seu vídeo, seu estado mental estava totalmente abalado, já que durante os períodos nos quais a violência lhe era empregada, ela sofria de crises de ansiedade, pânico e raiva. Porém, ao observar os comentários negativos, nota-se que o estado mental de Amanda é desconsiderado, levando a entender que para muitos usuários o Cyberbullying ainda é uma prática sem consequências. A figura 31, que se mostra a seguir, exemplifica tais comentários, deixando claro o menosprezo para com a saúde mental das vítimas de Cyberbullying.

Fonte: Autoria Própria (2017).

Dentre esses comentários envolvendo as tentativas de suicídio de Amanda, assim como seu ato suicida, além dessa abordagem ligando-o a fraqueza de caráter, há ainda muitos

comentários demonstrando intolerância religiosa acerca do caso. Sabe-se que por muito tempo o suicídio foi mostrado pelas igrejas cristãs como um pecado sem perdão, acarretando em uma punição eterna, portanto uma atitude totalmente condenável. Muitas igrejas acabaram por rever tal punição, ligando o suicídio a um problema de saúde mental, porém muitos fiéis ainda carregam essa ideia de que tirar a própria vida é uma atitude deplorável, e tal ato desconsidera quaisquer crimes contra a vítima. Essa visão negativa sobre os suicidas que são vítimas de Cyberbullying tendem a minimizar a culpa dos agressores e desconsiderar o sofrimento mental das vítimas, passando a ideia de que a vítima foi punida merecidamente. Esse tipo de comentário pode ser visualizado na figura 32, logo abaixo:

Fonte: Autoria Própria (2017).

Sendo assim, além dos comentários abordados, muitas outras ideias negativas são encontradas na página do vídeo. Comentários contendo apelo moral, buscando culpar os pais pela negligência com a filha ao permitir o uso de ferramentas informáticas, outros comparando a depressão com a falta de uma figura masculina. Todavia, todos esses comentários salientando que Amanda é a principal culpada dos atos cometidos contra si própria, passando a ideia de que muitos usuários ainda observam o Cyberbullying como punição e não como causa de problemas na vida da vítima. O que retorna de positivo nesses comentários contendo intolerância, é a presença de respostas de outros usuários repreendendo atos violentos, evidenciando o caráter reativo contra amostras de Cyberbullying e discursos de ódio.