5. ANALYSE OG DRØFTING
5.3 Karriereveilednig som refleksjon og dialog
Em primeira instância, cabe-nos apontar a escassez relativa dos estudos empíricos, neste aspeto, no contexto académico chinês, não se registando grande diferença entre a comunicação intercultural e o estudo de CI. A investigação de Peng (2005), que visa mostrar o panorama geral, envolveu 1.109 artigos, de 564 revistas científicas da China e no período de 1994-2003. Esta grande base de dados permitiu ao autor chegar à conclusão de que estaria basicamente em branco total a fundamentação teórica na base de estudos empíricos. A mesma conclusão também se evidencia pelo estudo de Hu. W. Z (2005), que analisou 2.285 publicações de autores chineses na comunicação intercultural, no período de 1999-2002. Os resultados alcançados foram semelhantes aos de Peng (2005), em que se verificou menos de 1% de estudos empíricos. Ainda no
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mesmo sentido, Pan (2008) continuou numa investigação que cobria mais de uma dezena de revistas científicas em LE da China, confirmando que a situação persiste e que a teorização original de CI, no contexto chinês, não se foi realizando na metodologia empírica.
Mesmo considerando um domínio mais alargado, nomeadamente no cenário internacional, o aumento de interesse de CI não levou a uma melhoria no tratamento da questão metodológica nos estudos empíricos. As revisões de Spitzberg (1989) e de Griffith et al. (2016) apontam que, para a maioria dos estudos de avaliação, existe uma insuficiência de validade instrumental. Assim, na mesmo lógica de pensamento, propomos as preocupações de Van de Vijver & Leung (2009):
We are now in the stage where we are unable to decide which theories are well supported by empirical data, which frameworks should be modified, and which ones should be abandoned altogether. It is also important for research studies to indicate which interventions are most effective in developing intercultural competence as well as which assessment instruments and methodologies are most effective in measuring this complex construct. (p. 405)
Em matéria de pedagogia, heuristicamente, as CI têm vindo a ter mais destaque, porém, elas são mais associadas aos professores de língua, a par da formação de competências comunicativas dos aprendentes. Além disso, há poucos estudos que versem sobre a possível modelização destas competências no sistema educativo chinês, indo pouco além de reproduções dos modelos no contexto epistemológico ocidental. Menos ainda são aqueles que visam as estratégias em comunicação intercultural, tanto para nortear as nossas ações de ensino como para a sua aplicação nas práticas. De acordo com a investigação estatística conduzida por Hu & Fan (2011), na esfera internacional, a adaptação e formação intercultural são dos temas que receberam mais apoio no mundo académico, onde a discussão não só se vincula à volta de comunicação, mas sim a partir de prismas diversos como o educativo, o comercial, o militar e o religioso, entre outros. Nestes estudos, percebe-se que as questões concretas são dirigidas e tratadas, de forma objetiva, adotando as perspetivas multifacetadas, como
tal, ainda existe uma grande lacuna a colmatar pelos académicos chineses.
É de salientar que muitos autores e profissionais chineses têm atribuído novos fatores ao estudo das CI. Porém, todos partem do ponto de vista metodológico ocidental, quer isto dizer que será bem expetável e necessário que as investigações futuras, quando se tratar de ações de comunicação intercultural, venham a ser efetuadas de maneira não ocidental (Chen, 2009).
Numa pesquisa nas publicações de escrita académica em língua chinesa, filtradas pela palavra-chave de CCI e com a cobertura de 15 anos, Hu (2013) identificou o último período de quinze anos como o booming dos artigos estudando as CI, com o número total de 6.942. Ele também verificou que a discussão sobre o tema é articulada, na esmagadora maioria, com o mundo de ensino-aprendizagem de línguas estrangeiras, exemplificando com o facto de 80% desses 6.942 artigos terem sido produzidos nos campos linguístico ou literário, nem se esquecendo de lamentar que a discussão se limite apenas aos conteúdos mais gerais, o que deixa com que os conceitos das CI não sejam muitas vezes discutidos e aprofundados no mundo chinês.
Até ao momento, não se encontra no contexto chinês uma bibliografia com suficientes estudos empíricos sobre as dimensões das CI dos estudantes universitário chineses. Tampouco se criaram inventários que sejam aceites e reconhecidos em larga medida, já para não falar da sua influência internacional (Wu, Fan & Peng, 2013). A falta de um sistema com critérios e com recursos instrumentais específicos, leva a que as competências dos estudantes universitários na comunicação intercultural não cheguem a ser avaliadas, quantitativa e objetivamente, o que leva a que se constitua um fosso a ser colmatado se se considerar o panorama geral de sistema educacional no ensino superior (Shen & Gao, 2015). Pelo exposto, constata-se que não existe nenhum estudo, nem sobre as CCI nem sobre as CI dos aprendentes de PLE falantes da LMC. É por este motivo que se pretende conduzir uma investigação quantitativa, de forma a permitir uma avaliação das CI desse público e a colmatar a lacuna que existe nesta área.
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Notas conclusivas
Ainda que sintética, a revisão da literatura que fizemos neste capítulo colocou a principal tónica nos estudos empíricos na avaliação de CI, com enfoque particular no público chinês e no contexto da mobilidade, dois elementos que se aproximam da nossa investigação assim mantendo a maior comparabilidade entre os estudos congéneres. Considerados como as implicações pedagógicas possíveis deste estudo, foram também revistos alguns estudos sobre CI no ensino-aprendizagem de LE, que pelo exposto, revelaram mais uma linha futura de investigação.
Pelo resumo da lacuna da revisão da literatura, sugere-se e é pertinente considerar a não existência de nenhum estudo empírico sobre a CI, num público com o qual nós como docentes e investigadores, contatamos e comunicamos todos os dias, designadamente os estudantes universitários chineses como aprendentes de PLE. Como pudemos observar neste capítulo, ao abordar esses estudos congéneres, foi-nos possibilitado analisar as suas abordagens, as perguntas de investigação, os públicos e os contextos, assim com os instrumentos que foram aplicados e os resultados eventuais. Com base nisto, o presente capítulo ajudará a formar as nossas opções metodológicas, que serão bem justificadas e explicitadas no capítulo que se segue.