3. METODISK TILNÆRMING
3.4 Intervjuing
Antes da década 90, encontravam-se no terreno de CI poucos autores que desenvolvessem instrumentos próprios para o efeito, entre eles, são o BASIC (Behavioral Assessment Scale for Intercultural Communication Effectiveness) (Koester & Olebe, 1988; Ruben & Kealey, 1979) e o ISCI (Intercultural Sensitivity Inventory) (Bhawuk & Brislin, 1992). O instrumento BASIC foi construído para observadores a fim de avaliar as competências de comunicação intercultural de indivíduos, baseando- se nas suas ações, valorizando, tal como outros autores na altura, por exemplo, o respeito e a tolerância à ambiguidade. Em perspetiva oposta, o ISCI recolhe as respostas a partir de um instrumento self-report para o efeito de autoavaliação, em matéria de habilidades e comportamentos em situações internacionais. Naquela altura, mais dois instrumentos são repetitivamente citados, no domínio comercial, são o IDI (Intercultural Development Inventory) (Hammer & Bennett, 1998), que pretendia classificar os estados individuais e coletivos de CI, alicerçado no modelo evolucional de sensitividade intercultural (DMIS, abreviatura em inglês) (Bennett, 1993) e o CCAI (Cross-Cultural Adaptability Inventory) (Kelley & Meyers, 1995). Nos últimos anos, verifica-se o uso não-comercial e localmente adaptável de instrumentos, tais como o ISI (Intercultural Sensitivity Index) (Olson & Kroeger, 2001) e o AIC (Assessment of
Intercultural Competence) (Fantini, 2000; 2006) ou dito de outra forma, o YOGA Form
(“Your Objectives, Guidelines, and Assessment” Form). O AIC avalia mais de 90 itens sob as categorias de consciência, atitude, aptidão, conhecimento mais a proficiência
20 https://www.sietareu.org, acedido a 4 de julho, 2018.
SIETAR Europa é a associação maior da Europa entre os interculturalistas e faz parte da rede SIETAR do mundo. Além de fomentar as conferências e relações internacionais no campo de estudo, as publicações e os materiais de acesso livre também são as contribuições desta sociedade para incentivar o desenvolvimento da área.
linguística na L2. O ISS, proposto por Chen e Starosta (2000), que apareceu a par do estudo de Fantini (2000), contém 24 enunciados que se organizam em cinco áreas gerais – a gestão de interação, o respeito pela diferença cultural, a confiança na interação, o prazer e a atenção na interação.
A acrescer a isto, na contagem de Matsumoto & Hwang (2013), feita no âmbito dos artigos empíricos, publicados em inglês em revistas peer-reviewed, que permitem o controle de qualidade da literatura recolhida, os autores adicionam mais alguns instrumentos, como o CCSS (Cross-Cultural Sensitivity Scale), de Pruegger & Rogers (1993) para a avaliação de valorização e tolerância para com culturas diferentes; o CQ (Cultural Intelligence Scale), de Ang, Van Dyne e Koh (2006), apoiado no modelo teórico de Earley & Ang (2003) e caraterizado e orientado para testar a efetividade na diversidade cultural; o ICAPS (Intercultural Adjustment Potential Scale), de Matsumoto et al. (2001), como o meio potencial para a avaliação de capacidades psicológicas em ajustamento intercultural; o ICC (Intercultural Communication
Competence) composto por três dimensões, cognitiva, afetiva e praxeológica, de
Arasaratnam & Doerfel (2005) e o MPQ (Multicultural Personality Inventory), de Zee & Oudenhoven (2000) considerando principalmente as dimensões de personalidades, entre outros.
Importa fazer a ressalva de que muitos instrumentos focam a avaliação e testagem de apenas um ou de alguns componentes ou conceitos relacionados com a CI, dando os seus contributos para a dinâmica da área. Exemplos desses são o Intercultural
Behavioral Assessment Indices de Ruben (1976) que incide sobre os comportamentos
individuais, o General Self-Efficacy Scale, de Schwarzer (1993), que objetiva a confiança global como uma das competências interculturais, etc. Seja qual for o âmago de investigação, os instrumentos nesta abordagem tomam uma configuração estrutural de self-report, construída maioritariamente seguindo a metodologia de questionário e, indiretamente, refletem as evidências da CI dos avaliados. O Quadro II-4 pretende mostrar resumidamente a revisão nossa dos instrumentos da abordagem indireta de CI.
Porém, as vulnerabilidades potenciais já foram propostas por alguns dos autores que consideram que, normalmente são pouco confiáveis os dados que resultam da maioria dos instrumentos de evidências indiretas (Arasaratnam & Doerfel, 2005; Griffith et al., 2016; Hammer, Bennett & Wiseman, 2003; Ruben, 1989; Ruben & Kealey, 1979; Williams, 2005). A descoberta de Altshuler, Sussman & Kachur (2003), a título de exemplo, evidencia a discrepância entre a perceção de avaliados no que concerne à sua consciência e à sensibilidade intercultural com as suas capacidades reais. A revisão literária de Matsumoto & Hwang (2013) releva, no entanto, a carência da validação estrutural em grande número de instrumentos deste género. Os investigadores duvidam da capacidade de um indivíduo chegar a uma avaliação verdadeira de si próprio. Ao mesmo tempo, de acordo com Arasaratnam e Doerfel (2005), a questão desta abordagem de avaliação não reside no facto dos avaliados escolherem responder de forma imprecisa, mas sim na medida em que eles não são capazes de responder com precisão. Uma possível explicação que motiva esta imprecisão é evidenciada nos estudos anteriores, em que foi pedido aos participantes que têm poucas experiências que fizessem autorrelatos de comportamentos em situações interculturais hipotéticas, o que constitui um grande risco se o resultado for considerado essencial como o referencial de CI. Deardorff (2006), pela sua síntese dos instrumentos metodológicos, coloca a sua crítica nas limitações principais naturais de self-report. Byram (2003) também aponta os desafios que poderão ocorrer aquando da avaliação de consciência e de atitudes. A confiabilidade destes instrumentos, em relação à dimensão de consciência e de atitudes, é duvidosa, uma vez que, muito provavelmente, os entrevistados ou avaliados pretendem não revelar a verdade. Neste aspeto, a validade de avaliação de atitudes foi comumente discutida, pelo que acabamos de referir, percebemos que as atitudes não são capazes de ser medidas quantitativamente por testes, mas antes, por outras alternativas, que fazem uso de métodos qualitativos. Trata-se da argumentação que se aproxima da de Dervin (2010), afirmando que, simplesmente, porque alguém acredita que possui certas aptidões interculturais não significa
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necessariamente que utilize as mesmas. Assim, não nos surpreende porque é que Byram (1997) afirma que “it may ultimately be appropriate to assess only part of what we define as ICC” (p. 9). Kealey (1996), de outro ângulo, duvida a validade e efetividade verdadeira da existência de muitos instrumentos self-report, dizendo que:
It is not uncommon for an individual to be exceptionally well versed on the theories of cross-cultural effectiveness, possess the best of motives, and be sincerely concerned about enacting the role accordingly, yet still it be unable to demonstrate those understandings in their own behaviour. (p.97)
No entanto, apesar destes inconvenientes, teóricos e metodológicos, o questionário de formato self-report continua a ser o meio mais amplamente utilizado na avaliação indireta de CI, uma vez que quando comparado com outros, o inquérito por questionário apresenta vantagens, permitindo quantificar uma multiplicidade de dados e de proceder a numerosas análises de correlação, bem como satisfazer a exigência de representatividade do conjunto dos entrevistados (Quivy & Van Campenhoudt, 2005). A este respeito, Oxford e Burry-Stock (1995) defendem que, em comparação com as outras técnicas de avaliação, os autorrelatos com resposta em escala (self-report scales) são fáceis e rápidos de administrar e, por conseguinte, talvez sejam o modo mais eficiente de recolher dados, evitando constranger os respondentes e garantindo mais confidencialidade aos inquiridos.