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Kapasitetsbehov intensiv og tung overvåking 2030

6 Aktivitet og kapasitet/kapasitetsbehov somatikk 2012 og 2030

6.10 Kapasitetsbehov intensiv og tung overvåking 2030

Neste eixo de análise, discutem-se as representações de gênero nas imagens contidas nos LDs analisados e as implicações destas na sexualidade dos sujeitos.

Antes de adentrar na discussão propriamente dita, é necessário apresentar o que se entende por sexualidade. Conforme Louro (2000), o termo sexualidade refere-se a uma descrição geral para uma série de crenças, de comportamentos, de relações socialmente construídas e historicamente modeladas e que têm uma influência em todos os aspectos da vida. Não é um dado natural, envolve fantasias, representações, linguagens que o social e o cultural conferem à forma de viver do corpo.

Sexualidade, nesta perspectiva, não se restringe ao corpo, implica, portanto, fantasias, valores, linguagens, rituais, comportamentos, representações mobilizados ou postos em ação para expressar desejos e prazeres.

Embora a sexualidade seja um assunto que desperte dúvidas e curiosidades n@s alun@s, o tratamento dado a esta temática, no que se refere às imagens, de maneira geral, têm como foco a dimensão interna do corpo/organismo. Assim, verifica-se que os corpos femininos e masculinos são apresentados em relação aos aspectos sexuais (anátomo-fisiológicos) priorizando-se o enfoque biológico, conforme pode-se observar nas Imagens 165 e 166.

IMAGEM 165 IMAGEM 166

Fonte: Canto (2009, p. 199, 7° ano). Fonte: Canto (2009, p.200, 7° ano).

A este respeito, Figueiró (1998) afirma que, enquanto sexo é uma expressão biológica que define um conjunto de características anatômicas e fisiológicas que diferenciam homens e mulheres e está relacionado diretamente com o ato sexual, a sexualidade é vivenciada por todo o corpo e não apenas por meio da genitália.

De acordo com essa visão, a sexualidade inclui:

[...] o sexo, a afetividade, o carinho, o amor ou o sentimento mútuo de bem querer, os gestos, a comunicação, o toque e a intimidade. Inclui também, os valores e as normas morais que cada cultura elabora sobre o comportamento sexual (FIGUEIRÓ, 1998, p.2). Vale destacar que poucas mudanças que se manifestam na puberdade também são situadas, prioritariamente no âmbito físico. Desconsidera-se a influência dos fatores psicológicos, históricos e culturais em relação a essas mudanças, bem como forma como os sujeitos se apropriam desses fatores.

Apenas aspectos relacionados às mudanças físicas dos meninos na puberdade são retratados nas imagens, por exemplo, espinhas e barba (Imagens 167 e 168). No que se referem às emoções, nesta fase, os manuais não apresentam imagens que permitam percebê-las.

IMAGEM 167 IMAGEM 168

Fonte: Canto (2009, p.193, 7° ano). Fonte: Canto (2009, p.212, 8° ano).

As representações que envolvem a sexualidade estão atreladas ao ato sexual entre um homem e uma mulher, ou seja, a sexualidade é representada pelas práticas heterossexuais de sexo genital, conforme parece sugerir a Imagem 169.

IMAGEM 169

Fonte: Canto (2009, p.157, 8° ano).

Neste contexto, a sexualidade estabelece uma estreita ligação em relação à constituição da família e à reprodução. De acordo com essa visão, evoca-se o casamento como um acontecimento adequado para o pleno exercício da sexualidade, sustentada pela heteronormatividade (Imagem 170). A família é representada como um modelo ideal de comportamento sexual.

IMAGEM 170

Fonte: Canto (2009, p. 251, 9° ano).

Ao se atrelar a vivência da sexualidade à reprodução, nega-se o prazer sexual como uma necessidade do corpo sexuado. Diante deste quadro, as práticas sexuais não reprodutivas são desconsideradas ou são cercadas de receios e medos ou até mesmo camufladas. Como forma de controle, dissocia-se a sexualidade do prazer, do desejo e a desloca para os perigos e para as doenças sexualmente transmissíveis.

Estas representações parecem estar ligadas a tabus e interdições de origem religiosa que vêm o corpo como fonte de pecado, estigmatizando as práticas sexuais que visam o prazer. Nesta perspectiva, a sexualidade passa a ser um aspecto disciplinador de corpos masculinos e femininos, ditando comportamentos e condutas sexuais a serem seguidas o que, especificamente nos corpos femininos, pode provocar a rejeição do seu próprio corpo e do prazer físico. Dentro deste contexto o corpo da mulher é instrumento de prazer para o homem, porque o prazer feminino deve ser reprimido.

Estas representações refletem as concepções de gênero e sexualidade que circulam na sociedade ocidental, confirmando que a escola não apenas as reproduz, mas que ela própria as produz. Dentro da lógica de uma sexualidade reprodutiva, associa-se a prática sexual à reprodução e não como uma necessidade de um corpo sexuado.

A associação da mulher à figura de mãe e à reprodução contribui para a naturalização do papel dela neste processo e na preservação da espécie. A amamentação, o cuidado com a prole também contribuem para a naturalização desta ideia, respaldando o conceito de família da sociedade ocidental.

Na gravidez (Imagem 171), o corpo feminino é instrumento de produção, a mãe é responsável pelos bebês, não apenas porque os coloca no mundo, mas porque constitui o gênero socialmente responsável pelo cuidado e pela educação d@s filh@s. Basicamente, foi sobre o contexto procriativo que o corpo sexual da mulher pode ter aprovação.

IMAGEM 171

Fonte: Canto (2009, p.255, 9° ano).

A gravidez e o parto normal aparecem nas imagens dos LDs (Imagens 172 e 173).

IMAGEM 172

Fonte: Canto (2009, p.203, 7° ano).

IMAGEM 173

Fonte: Canto (2009, p.204, 7° ano).

Ao se limitar a sexualidade somente a reprodução, promove-se também a sua naturalização e cria-se a falsa concepção de que o envolvimento sexual e afetivo só pode existir entre pessoas de sexo opostos, determinando um modelo de sexualidade a ser seguido: a heteronormatividade.

Mesmo admitindo que exista muitas formas de viver os gêneros e a sexualidade, os LDs, ao nortearem suas representações optam por um padrão de masculinidade e de feminilidade, elegendo a heterossexualidade como a única forma sadia e normal de sexualidade. Aquel@s que se afastam desse padrão tornam-se @s diferentes, @s desviantes.

Confirma-se desta forma a visão de Diniz (2009), segundo a qual, a sexualidade está centrada na reprodução sexuada e na heteronormatividade que por sua vez é sustentada pelo discurso da biologia humana, de modo a naturalizar os corpos.

Posto desta forma, a diversidade sexual bem como a homossexualidade são negadas. Não se encontram nos LDs analisados imagens que apontam para um possível relacionamento homoafetivo, o que é dissonante com as orientações sugeridas pelos PCNs e com as discussões desta temática em diversos segmentos da sociedade (movimentos sociais, mídia, entre outros).

Para Britzman (1996), representações como estas podem contribuir para que @s alun@s se apropriem de uma compreensão equivocada quanto aos relacionamentos homoafetivos, bem como quanto à aceitação da sexualidade como vivência de prazer, dissociada da intencionalidade de se ter filh@s. Tais representações, por outro lado, podem ainda negar a existência destas questões no universo social e simbólico d@s alun@s.

A sexualidade não é, portanto, abordada nos LDs analisados como uma construção social na qual os corpos se encontram inseridos. Focalizam-na unicamente pelo viés biológico, vinculando-a aos sistemas reprodutores masculinos e femininos. Este tratamento equivocado dos LDs dado à sexualidade contraria o entendimento de Louro (1997), uma vez que ela defende que as concepções de gênero e sexualidade devem ser abordadas de forma articulada às influências histórica, social e cultural nas quais são construídas.