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4.4 Kampflyanskaffelsen – status

A cada mês mais de 33 mil espanhóis completam 65 anos de idade. Nos últimos tempos esse número tem sido de 390 mil ao ano (IMSERSO, 2006). Começamos esse capítulo com esse número correndo o risco de sermos sensacionalistas, mas, de fato, querendo dar relevo especial a um dado tão importante. Talvez esse número não pareça tão surpreendente se o compararmos com o volume da população brasileira. Contudo, a Espanha conta atualmente com quase 45 milhões de habitantes, o que equivale a, no máximo, um quarto da população do Brasil, portanto não há como comparar esses dois países em números absolutos. Deste modo, o que queremos enfatizar é que a sociedade espanhola, assim como a brasileira, vive cada vez mais e até mais altas idades.

De acordo com o pesquisador González García (2005), a Espanha vive uma “revolução silenciosa” que tende a inverter completamente a pirâmide populacional. E, na realidade, essa inversão já está em marcha acelerada. Atualmente, são mais de sete milhões de pessoas com 65 anos ou mais de idade no país, o que equivale a 16,6% da população. As previsões do INE – Instituto Nacional de Estadística, para 2050, é que essa porcentagem suba para mais de 34% e a Espanha passe a contar com mais de 14 milhões de pessoas idosas.

No ano de 2000, a Espanha ocupava a terceira posição no ranking mundial que classifica a proporção de pessoas idosas nos diversos países. É muito provável que ela continue ocupando essa posição por mais alguns anos:

Tabela 8 – Quantidade e percentual de população de 65 anos e mais e de 80 anos e mais nos países com maior proporção de idos, 2000 e projeção para 205033

População de 65 anos ou mais de idade

População de 80 anos ou mais de idade 2000 2050 2000 2050 Número (milhões) % Número (milhões) % Número (milhões) % Número (milhões) % Itália 10.525 18,2 18.090 35,5 Reino Unido 2.390 4,1 5.885 8,8 Japão 21.962 17,2 40.269 35,9 Itália 2.309 4,0 7.756 15,2 Espanha 6.797 16,7 14.504 34,1 França 2.341 3,9 6.863 10,9 Alemanha 13.483 16,4 22.376 28,4 Japão 4.812 3,8 17.159 15,3 França 9.669 16,3 17.114 27,1 Alemanha 2.859 3,5 9.585 12,2 Reino Unido 9.306 15,9 15.558 23,2 Espanha 1.413 3,5 5.213 12,3 Ucrânia 6.863 14,0 7.689 29,1 EUA 9.138 3,2 28.725 7,3 Rússia 18.081 12,3 25.747 23,0 Ucrânia 1.107 2,3 2.075 7,9 EUA 35.078 12,3 81.547 20,6 Rússia 2.935 2,0 6.588 5,9 China 87.228 6,8 329.103 23,9 Brasil 1.624 0,9 13.989 5,5 Vietnã 4.251 5,4 21.712 18,6 China 11.373 0,9 100.551 7,2 Brasil 9.547 5,4 48.693 19,2 México 859 0,8 8.002 5,8 Indonésia 10.236 4,9 46.670 17,4 Vietnã 671 0,9 5.082 4,4 Índia 50.054 4,9 236.513 14,8 Índia 6.761 0,7 52.915 3,3 México 4.759 4,8 29.371 21,1 Egito 330 0,5 3.077 2,4

Fonte: World Population Prospects, The 2004 Revision. Elaboração própria

Podemos ver, na tabela acima, que somente o Japão, país do mundo com maior proporção de idosos, e a Itália estão na frente da Espanha. Como base na marcha acelerada desse envelhecimento demográfico, várias pesquisas, como colocamos na introdução dessa tese, já apontaram que no ano de 2050 a população espanhola seria a mais envelhecida do mundo, contudo por causa da dinâmica dos indicadores demográficos de outros países, essa posição foi revista. Como está posto na tabela acima, acredita-se que nessa data a Espanha estará ocupando a quinta ou quarta posição no supracitado ranking. Contudo, é preciso considerar que o ritmo dos indicadores demográficos – mais especificamente taxa de fecundidade, de mortalidade e de migrações – pode causar ainda mais alterações nessas projeções.

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É necessário observar que nesse ranking, apesar de estarem listados países em desenvolvimento, como o Brasil e o México, não dá para saber com mais precisão a posição deles porque o recorte etário utilizado para se considerar uma pessoa idosa foi de 65 anos ou mais de idade. Por isso, ao analisar essa tabela, sem considerar essa questão, poderíamos nos equivocar e acreditar que o Brasil, por exemplo, ocupa uma posição abaixo do que realmente está no ranking dos países com maior envelhecimento. Para efeitos de comparação, que não foi o nosso interesse nesse momento, seria necessária uma tabela que levasse em conta as diferenças nos recortes etários, para se considerar uma pessoa idosa, dos países desenvolvidos e em desenvolvimento. A proposta desse ranking é, portanto, mais para situar a posição da Espanha entre os países desenvolvidos.

No entanto, podemos afirmar com tranqüilidade que o continente Europeu é que o tem maior proporção de pessoas idosas no mundo e, provavelmente, continuará liderando esse ranking por muitos anos. Como evidência, na supracitada tabela os países europeus ocupam quase todas as primeiras posições. Segundo dados do Imserso – Instituto de

Mayores y Servicios Sociales (2006), no ano de 2050, 27,6% da população Européia será

idosa; na América do Norte esse número será de 21,1%; na Oceania, 19,3%; na América Latina e Caribe, 18,4%; na Ásia, 17,5%; e a África seguirá, como já discutimos no capítulo II, como o continente mais jovem do mundo com uma proporção de 6,7% de pessoas idosas. A importância de apresentarmos essas projeções, apesar do seu óbvio caráter instável, reside no fato de que elas apontam para uma informação importante: de maneira geral, o mundo continuará no processo de envelhecimento demográfico, o que inclui os nossos países de análise.

Aproveitando ainda as informações da Tabela 8 é preciso acrescentar que um dos grupos etários que mais cresce no planeta é o da faixa de 80 anos de idade. Entre os anos de 1991 e 2005 esse grupo cresceu 66% na Espanha, enquanto toda a população desse país, nesse mesmo período, teve um crescimento de 13% (IMSERSO, 2006). Até no ano 2050, o número de octogenários espanhóis crescerá aproximadamente 36%. Nessa data, conforme dados do Imserso (2006), as pessoas com 80 anos ou mais de idade representarão 26% do total da população idosa no país e 12,8% da população espanhola.

Como colocamos antes, esse amadurecimento da população espanhola começou com atraso em relação ao continente Europeu, ainda que siga a passos largos. Essa revolução silenciosa teve início nas primeiras décadas do século passado e acelerou a marcha a partir da segunda metade deste século, como poderemos comprovar a partir das análises das pirâmides abaixo:

Figura 7 – Distribuição da população por idade e sexo, Espanha, 1900

Fonte: Pérez Díaz, 2008 (sítio web pessoal:http://www.ced.uab.es/jperez/pags/vejez.htm)

Como podemos observar na pirâmide acima, o primeiro ano do século XX na Espanha é marcado por uma distribuição etária na qual há um grande predomínio de crianças e jovens. Há também uma alta mortalidade infantil e adulta, já que a base é larga, porém a pirâmide vai se estreitando muito rapidamente. Se prestarmos bem atenção nessa imagem perceberemos que entre as faixas de 30 e 35 anos há uma diminuição considerável no número de pessoas, que, sem dúvida, revela que boa parte dos adultos morriam antes de se tornarem maduros. Ou seja, a expectativa de vida média dessa época era de, provavelmente, 35 anos de idade.

Ao final do século XVIII a esperança de vida ao nascer não superava aos 30 anos em muitas regiões espanholas, ainda nos anos sessenta do século XX girava em torno dos 50 e hoje já se superam os 75 anos. As cifras são contundentes: segundo algumas estimativas na Espanha o número de idosos aumentou aproximadamente sete vezes nos últimos cem anos (Trad. livre) (GONZÁLEZ GARCÍA, 2005, p. 12).

Ou seja, as grandes mudanças na sobrevivência da população espanhola começaram a acontecer no século passado. Para perceber esses câmbios que ocorreram ao longo desse século, comparemos agora as pirâmides de 1950 e 1970:

Figura 8 - Distribuição da população por idade e sexo, Espanha, 1950

Fonte: Pérez Díaz, 2008 (sítio web pessoal:http://www.ced.uab.es/jperez/pags/vejez.htm)

Figura 9 - Distribuição da população por idade e sexo, Espanha, 1970

Fonte: Pérez Díaz, 2008 (sítio web pessoal:http://www.ced.uab.es/jperez/pags/vejez.htm)

A pirâmide etária de 1950 já confirma a argumentação de García González (2005), na medida em que, há um significativo alargamento no meio, o qual configura um aumento da esperança de vida. Apesar de que, também podemos notar que ainda permanecem nesse período altas taxas de fecundidade já que a base da pirâmide continua muito larga. Contudo, já é perceptível que a imagem da pirâmide está sofrendo alterações. Como evidência, na figura de 1970, podemos perceber a tendência ao equilíbrio dos diversos grupos etários. A imagem da pirâmide está mais bem-definida, ainda que a base continue

mais larga. É possível perceber também que a expectativa de vida aumentou ainda mais em relação ao ano de 1950 e, principalmente, ao ano de 1900. No prazo de 70 anos, fica claro que a pirâmide etária espanhola vai perdendo a sua forma e se tornando cilíndrica.

Contudo, esses câmbios ainda não nos revelam nem a inversão demográfica, citada por García González (2005), nem o amadurecimento das massas, defendido por Pérez Díaz (2003a). Eles, na verdade, nos trazem a evidência de uma tendência ao equilíbrio no número dos grupos etários. Na verdade, é precisamente nos anos seguintes que podemos comprovar o argumento desses autores:

Figura 10 - Distribuição da população por idade e sexo, Espanha, 1991

Fonte: Pérez Díaz, 2008 (sítio web pessoal:http://www.ced.uab.es/jperez/pags/vejez.htm)

A imagem acima nos revela um quadro muito distinto do que vimos até agora. Esta é primeira pirâmide que apresentamos na qual as crianças não são o maior grupo etário. Na realidade, fica claro nessa imagem o quanto a taxa de fecundidade caiu. Além disso, percebemos um ápice muito mais largo, revelando um aumento do número de pessoas com mais de 55 anos de idade, o que implica dizer que o aumento da expectativa de vida já é sensível e evidente.

Figura 11 - Distribuição da população por idade e sexo, Espanha, 2000

Fonte: Pérez Díaz, 2008 (sítio web pessoal:http://www.ced.uab.es/jperez/pags/vejez.htm)

Nas duas figuras acima – pirâmides etárias de 1991 e 2000 – podemos perceber com mais precisão esse processo de amadurecimento das massas. Isso porque percebemos o quanto a taxa de fecundidade caiu e a expectativa de vida aumentou. Nessa última pirâmide que apresentamos, fica ainda mais clara a tendência a taxas de fecundidades mais baixas e ao aumento na esperança de vida. A base mais estreita e o ápice mais largo revelam um equilíbrio que Pérez Díaz (2003a) chama de eficiência demográfica, ou seja, já não é mais necessário um número tão alto de nascimentos para compensar as baixas de uma mortalidade avassaladora.

No ano de 2002, a expectativa de vida na Espanha era de 76,4 anos para os homens e 83 para as mulheres. A partir do ano de 2001, conforme dados do Imserso (2006), é que, de fato percebemos a tendência à inversão demográfica, que deve continuar aumentando nos próximos anos: o número de idosos espanhóis passou a ser maior do que o número de crianças, entre zero e quatorze anos de idade.

Figura 12 - Distribuição da população por idade e sexo, Espanha, 2005

Fonte: Pérez Díaz, 2008 (sítio web pessoal:http://www.ced.uab.es/jperez/pags/vejez.htm)

A imagem da pirâmide de 2005 deixa evidente essa inversão demográfica que temos discutido, ou seja, essa tendência que boa parte dos países do mundo segue: de ter mais adultos e idosos do que crianças34. A base dessa pirâmide é bem menos larga do que das outras apresentadas até aqui. O meio dessa figura é a parte mais larga, ou seja, há um número maior pessoas adultas do que de outros grupos etários. E, sobretudo, o ápice é o mais largo de todas as nossas pirâmides, o qual confirma a tendência para o aumento da esperança de vida e queda nas taxas de mortalidade. “A maioria dos espanhóis recém- nascidos celebrará seu aniversário de 65 anos. No princípio do século XX somente 26% chegavam a velhice; nas condições de mortalidade atuais, de 100 nascidos 86 alcançarão a velhice” (Trad. Livre) (ABELLÁN, 2002b, p. 27). A característica da mortalidade atual da Espanha não deixa dúvidas em relação à eficiência demográfica: oito a cada dez espanhóis mortos são idosos.

Atualmente, metade da população espanhola tem 36 anos de idade e o número de jovens vem perdendo, ao longo do tempo, peso significativo. Como prova, no ano de 2050, mais da metade da população espanhola terá mais de 50 anos de idade (ABELLÁN,

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Essa é a tendência que o Brasil também segue. Contudo, a eficiência demográfica que a Espanha conseguiu nós ainda não alcançamos. Portanto, acreditamos que a pirâmide etária espanhola de 2005 torna mais claro o conceito, que viemos discutindo nos capítulos anteriores, sobre a maturidade das massas (PÉREZ DÍAZ, 2003a). Ou seja, essa democratização da vida que dá direito às pessoas viverem até idades mais altas e equilibra e reparte o trabalho de ter filhos, já que não se necessita tantos nascidos para equilibrar o número de óbitos e que mais mulheres podem ter filhos, visto que há mais delas vivas até idades fecundas.

2002a). Colocamos, a seguir, uma tabela que apresenta o aumento da expectativa de vida e faz projeções para os próximos anos.

Tabela 9 - Esperança de vida ao nascer, Espanha, 1900-2030

Total Homens Mulheres

1900 34,8 33,9 35,7 1950 61,2 59,8 64,3 1970 72,4 69,6 75,1 2002 79,7 76,4 83,0 2010 81,6 78,3 84,8 2020 82,9 79,8 86,0 2030 83,9 80,9 86,9 Fonte: INE, 2006

Podemos perceber na tabela acima que no período de 100 anos a expectativa vida ao nascer espanhola aumentou quase 45 anos. E, como dissemos no início, essa marcha ainda continua. Como podemos observar na tabela abaixo, a expectativa de vida tende a aumentar cada vez mais:

A pirâmide atual espanhola pode parecer um caso extremo de rápido envelhecimento pela redução da natalidade, mas deve-se recordar que o nosso é um país igualmente extremo em tudo ao que se refere ao processo modernizador que se acaba de explicar. Ainda em 1900 era o que tinha a menor esperança de vida em toda a Europa, menos de 34 anos, um século depois estava entre os de maior sobrevivência da escala mundial (Trad. livre) (PÉREZ DÍAZ, 2004, p. 8).

Outro indicador que confirma a tendência a essa inversão demográfica é a contínua queda na taxa de fecundidade. Segundo Pérez Díaz (2003a) essa taxa na Espanha era, na segunda metade do século XIX, superior a cinco filhos por mulher. É importante recordar que a ineficiência demográfica era tão acentuada que a esperança de vida, nesse mesmo período, não superava os 30 anos de idade. Atualmente, a taxa de fecundidade espanhola é de, aproximadamente, 1,2 filhos por mulher, enquanto a média européia é de 1,4.

Depois de desenharmos esse quadro que apresentou brevemente a dinâmica do amadurecimento das massas na Espanha, chegou o momento de traçar o perfil da terceira idade espanhola.