O ensino-aprendizagem de história vem se transformando no final do século XX acompanhando as transformações econômicas, sociais e culturais. Assim discutir história hoje é pensar em fontes e formas de educar cidadãos para uma sociedade complexa e contraditória, marcada pela velocidade de produção e informação. As Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (nº 15/98) determinam a organização do currículo escolar a partir do desenvolvimento de competências. A estética da sensibilidade como um princípio articulado com a ética da identidade e com a política da igualdade. As mudanças que ocorreram na base material de produção, a partir da segunda metade do século XX, exigiram “uma nova compreensão das relações entre educação e trabalho, na perspectiva dos processos de
formação humana”. (KUENZER, 2000, p. 135). As mudanças tecnológicas exercem influência nas políticas educacionais, trazem novas exigências para a formação do trabalhador e determinam a necessidade de alterações no sistema educacional.
Os conteúdos para o ensino médio são compreendidos no PCNEM em três dimensões: conceitual, procedimental e atitudinal. A partir desta indicação, os conteúdos são organizados com vistas a desenvolver as competências e habilidades de comunicar e representar, investigar e compreender, além de contextualizar sócio e historicamente os conhecimentos. É importante a ressaltar que não existe consenso entre os educadores brasileiros no que diz respeito à organização de currículos a partir de competências e habilidades (MAGALHÃES, 2006).
De acordo com os PCNEM, o currículo fundamentado no desenvolvimento de competências confere ao ensino médio um caráter diferenciado na organização do conhecimento. Esta diferenciação assume, teoricamente, um caráter democrático, na medida em que a escola tem a possibilidade de articular as necessidades e cultura local com o conhecimento científico a ser construído, possibilitando uma uniformidade na educação em âmbito nacional, quanto às competências desenvolvidas no término do ensino médio.
A partir de problemáticas contemporâneas, que envolvem a constituição da cidadania, pode-se selecionar conteúdos significativos para a atual geração. Identificar e selecionar conteúdos significativos são tarefas fundamentais dos professores, [...] as discriminações étnicas e culturais, a pobreza e o analfabetismo. A organização dos conteúdos por temas requer cuidados específicos com a escolha dos métodos (PCNEM, 1999, p. 305).
A articulação entre as disciplinas possibilita o desenvolvimento de competências que instrumentalizam o jovem a refletir sobre si mesmo e a participar ativamente de maneira crítica no mundo social, cultural e do trabalho. O currículo, desenvolvido com base em competências, busca a superação das disciplinas compartimentadas e descontextualizadas da realidade vivida pelo aluno, para tanto, o professor deve participar da seleção dos conteúdos que compõem o currículo de História.
Competências e habilidades a serem desenvolvidas em História (PCNEM, 1999) Representação
e comunicação
- Criticar, analisar e interpretar fontes documentais de natureza diversa, reconhecendo o papel das diferentes linguagens, dos diferentes agentes sociais e dos diferentes contextos envolvidos em sua produção.
- Produzir textos analíticos e interpretativos sobre os processos históricos, a partir das categorias e procedimentos próprios do discurso historiográfico.
Investigação e compreensão
do tempo cronológico, reconhecendo-as como construções culturais e históricas. -Estabelecer relações entre continuidade/permanência e ruptura/transformação nos processos históricos.
- Construir a identidade pessoal e social na dimensão histórica, a partir do reconhecimento do papel do indivíduo nos processos históricos simultaneamente como sujeito e como produto dos mesmos.
- Atuar sobre os processos de construção da memória social, partindo da crítica dos diversos “lugares de memória” socialmente instituídos.
Contextualização sócio-cultural
- Situar as diversas produções da cultura – as linguagens, as artes, a filosofia, a religião, as ciências, as tecnologias e outras manifestações sociais – nos contextos históricos de sua constituição e significação.
- Situar os momentos históricos nos diversos ritmos da duração e nas relações de sucessão e/ou de simultaneidade.
- Comparar problemáticas atuais e de outros momentos históricos.
- Posicionar-se diante de fatos presentes a partir da interpretação de suas relações com o passado.
Quadro 01: Competências e habilidades a serem desenvolvidas em História (PCNEM, 1999)
O documento sugere que a abordagem do conteúdo para o ensino-aprendizagem de História seja realizada baseada em temas e indica a História social e cultural como maneira de rearticular a história política e econômica “possibilitando o surgimento de vozes de grupos sociais e de classes sociais antes silenciados” (PCNEM, 1999, p. 300). Apresenta, também, indicação metodológica, mas não oferece detalhes sobre a escolha temática. O complemento dos PCNEM, publicado em 2002, apresenta os conceitos estruturadores do ensino de História, de modo que as competências e os conceitos se articulam para orientar a seleção dos conteúdos programáticos. No quadro 01 apresento as competências e habilidades a serem desenvolvidas em História de acordo com os PCNEM (1999):
As Orientações Curriculares para o Ensino Médio- OCEM (2006, p.70) apontam que o objeto da História são todas as ações humanas na dimensão de tempo e espaço, a escolha dos temas ou assuntos depende necessariamente das posições metodológicas assumidas. O documento indica que a abordagem do conhecimento histórico deve considerar o desenvolvimento de conceitos estruturadores: História, processo histórico, tempo, sujeitos históricos, trabalho, poder, cultura, memória e cidadania. Os conceitos são considerados no documento, representações de um objeto ou fenômeno histórico por meio de suas características, são entendidos como categorias, “vetores à espera de concretizações, a serem elaboradas por meio de conhecimentos específicos, de acordo com os procedimentos próprios da disciplina de História” (OCEM, 2006, p.71).
De acordo com as OCEM, os conceitos estruturadores da História só podem ser entendidos na sua historicidade, portanto, não podem ser aplicados para toda e qualquer situação semelhante como modelo, mas sim, como indicadores de expectativas analíticas. Eles expressam o arcabouço da prática da tradição historiográfica, se constituem em pontos nucleares, a partir dos quais se definem as habilidades e as competências específicas a serem produzidas com o ensino de História (OCEM, 2006, p.80).