Os grupos de discussão foram utilizados nas sessões de formação presenciais que decorreram nas duas escolas do grupo experimental. De uma forma informal e
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dialogada foram sendo expostas as ideias e analisadas diferentes perspectivas sobre as temáticas abordadas.
Na primeira sessão utilizámos a metodologia CogniScope (Christakis & Bausch, 2006) para o levantamento das necessidades colectivas de formação e ao longo do ano várias técnicasde supervisão pedagógica para estimular a formação recíproca.
2.6.1. Objectivos
Os grupos de discussão permitiram-nos envolver os grupos disciplinares alvo da nossa investigação, de forma a podermos colocar em debate: as preocupações dos professores, as respostas aos questionários, as respostas às entrevistas e as suas práticas. Efectivamente, procurámos por aí as causas e as razões para as suas acções não só individuais como colectivas. Morgan (1988, 1997) refere ainda que a riqueza dos grupos de discussão se baseia na interacção entre os membros do grupo alicerçada em tópicos fornecidos pelo investigador, na diversidade de opiniões dos professores, quer enquanto pessoas, quer enquanto profissionais, a qual permitirá estabelecer uma partilha e a comparação entre as diferentes ideias. Escusado será dizer que a adesão integral dos grupos disciplinares seria a condição ideal para a realização desta metodologia de trabalho.
Constituíram objectivos dos grupos de discussão:
- eleger as temáticas a abordar nas sessões (levantamento colectivo de necessidades); - aprofundar os temas eleitos por cada um dos grupos disciplinares;
- procurar soluções através da partilha de experiências e do trabalho conjunto;
- fazer uma análise sobre as concepções de todos os intervenientes sobre alguns aspectos do processo de inventário de necessidades de formação dos docentes;
- esboçar planos de acção para os grupos disciplinares de Educação Física com a definição de estratégias de acção comuns;
- estimular a construção de materiais pedagógicos e/ou instrumentos de apoio à preparação, condução ou avaliação do processo ensino-aprendizagem.
165 2.6.2. Condições de realização
A realização dos grupos de discussão envolveu um trabalho exaustivo na marcação das sessões de trabalho devido à falta de disponibilidade e de pontualidade dos professores. A equipa de investigadores apesar de se encontrar com disponibilidade total para a realização do trabalho viu-se muito limitada pelos compromissos profissionais e pessoais dos grupos de trabalho.
A participação dos professores foi registada ao longo das sessões presenciais e nas tarefas solicitadas de trabalho autónomo através dos contributos individuais para o diagnóstico e resolução das necessidades colectivas de formação identificadas. Este processo baseou-se quer na auto-reflexão e auto-avaliação, quer na reflexão conjunta e no ensino entre-pares.
A legitimação consistiu em:
- informar previamente sobre os objectivos dos grupos de discussão;
- valorizar a pertinência da participação dos entrevistados: sublinhar a importância da sua colaboração e participação no acesso a dados que de outra forma seriam desconhecidos, referir o estatuto do entrevistado como informante chave da nossa investigação;
- criar condições para um clima descontraído e de autenticidade: garantir a confidencialidade, disponibilizar toda a informação solicitada pelos participantes, pedir autorização para efectuar o registo (mp3/filmagem);
- definir as regras de um grupo de discussão: informar da necessidade de respeito pela vez no diálogo, a inexistência de conversas paralelas, gerir democraticamente o tempo de cada participante.
Na primeira sessão procurámos que o grupo elegesse as prioridades de formação com a finalidade de definir o enfoque da formação.
A questão colocada inicialmente foi: Quais as minhas necessidades de formação ao nível da intervenção pedagógica?
Cada professor começou por eleger três necessidades de formação que redigiu numa folha A4 para ser apresentada ao grupo. Seguidamente, as necessidades de formação foram apresentadas e explicitadas e votadas de forma a serem agrupadas por semelhança. As necessidades de formação menos votadas foram excluídas e de seguida
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procedeu-se à votação das cinco mais importantes/prioritárias. O passo seguinte foi a classificação/designação dos grupos. Por fim, procedeu-se à votação das três necessidades de formação consideradas como a raiz do problema de forma a estabelecer uma relação de causa-efeito e organizou-se a árvore de prioridades.
A planificação dos grupos de discussão é a primeira etapa a desenvolver e, por se tratarem de entrevistas de grupo, requer uma planificação cuidada e pormenorizada (Kirk & Miller, 1986) desde os aspectos técnicos (e.g.: a gravação em áudio ou a filmagem das sessões, a disposição dos participantes na sala de reuniões e dos equipamentos áudio-visuais necessários: computador, vídeo-projector e colunas); aos aspectos relacionais (e.g.: gerar empatia e confiança na relação investigador- entrevistados de forma a criar um clima favorável à interacção no grupo, de respeito e abertura); passando pelos aspectos relacionados com as temáticas em análise, tais como, todos os materiais necessários para as sessões de formação (DVDs das aulas gravadas, tarefas a realizar nas sessões, tarefas de trabalho autónomo, documentos de apoio, bibliografia específica). Para todas as sessões presenciais foram elaboradas pequenas sínteses, sumários que serviram de “guião” do trabalho a desenvolver.
A observação é a fase seguinte dos grupos de discussão (Kirk & Miller, 1986). As sessões tiveram a duração média de noventa minutos. Foram realizadas em duas escolas, em datas não muito distantes, de forma a garantir alguma paridade na implementação do programa de formação. A moderação das sessões exigiu alguns cuidados, em particular no controlo das discussões para evitar desvios relativamente aos objectivos das sessões.
A fraca adesão num dos grupos de professores limitou a participação, apenas com três elementos assíduos, tendo-se, por isso, tornado um grupo de discussão menos profícuo e com menor capacidade para tomadas de decisão ou construção de materiais. O outro grupo, apesar de constituído por apenas cinco elementos funcionou melhor, por estar todo envolvido.
Na condução do focus groups foi garantida a aplicação de quatro critérios gerais utilizados para estimar a eficiência de uma entrevista de focus groups: o alcance, a especificidade, a profundidade e o contexto pessoal. Alcance porque as discussões não devem cobrir apenas os tópicos lançados pelo investigador mas podem trazer outros aspectos importantes que o investigador não tinha antecipado. Especificidade para
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orientar as discussões do grupo para o que é de facto importante e não permitir aos participantes direccionarem as suas respostas para generalidades ou banalidades.
Profundidade para assegurar o envolvimento de todos os participantes na discussão. O
contexto pessoal é enfatizado pela necessidade dos participantes terem de apresentar, explicar ou defender perspectivas pessoais a outros colegas que pensam de maneira diferente.
2.6.3. Tratamento dos dados
Ao longo das sessões de formação presenciais recorremos a textos de apoio e ao visionamento de pequenos filmes relativos às práticas profissionais para estimular o debate.
O tratamento dos grupos de discussão de ambas as escolas foi feito através de uma análise de conteúdo comparativa entre as diferentes sessões realizadas em cada escola. A análise de conteúdo desenrolou-se de forma similar à descrita nas condições de realização das entrevistas: as sessões foram gravadas em áudio mp3 e posteriormente transcritas para texto. Tal como para as entrevistas realizadas na fase de pré-teste, o teor das sessões de formação foi submetido a análise de conteúdo. O software utilizado foi igualmente o MaxQda 2010.