4.3 The right of access
4.3.1 Introduction
Para a análise desse princípio, foram examinadas as seguintes variáveis: atitudes pessoais do gestor da unidade, considerando a resposta e presteza do gestor acerca de suas atribuições, atitudes e posturas diante das comunidades locais; apoio e participação comunitária, definida pela existência de uma relação positiva entre a comunidade e o parque; características do conselho gestor, em que é analisada a sua formação, representatividade, legitimidade, transparência e funcionamento; mitigação de conflitos, que analisa se o envolvimento das comunidades locais na gestão da UC contribuiu para mitigar conflitos e diminuir a degradação dos recursos naturais; e processo de criação, que questiona se as comunidades e os atores locais foram consultados quando da realização dos estudos preliminares e definitivos visando a seleção e delimitação do parque.
Com relação à primeira variável, os conselheiros do parque da Serra do Conduru e do Morro do Chapéu atribuíram um valor 3,056 a este quesito. Consideram que o gestor, no geral, mantém uma postura educada e respeitosa com a comunidade local, com os visitantes e com as organizações parceiras. Já os conselheiros do parque das Sete Passagens atribuíram um valor 4,0 para a mesma variável, ponderando que o gestor está sempre atento e responde
56 De acordo com a nossa metodologia, este valor foi obtido por meio do somatório geral das alternativas assinaladas dentro de uma mesma variável, dividido pelo número de entrevistados. Cada variável tem cinco alternativas, pontuadas de 0 a 4,0. Tomando como exemplo o Parque do Conduru, essa primeira variável obteve uma pontuação total de 48 pontos. Como foram entrevistados 16 conselheiros, a média encontrada foi 3,0 pontos. Esse procedimento foi replicado para obter o valor de todas as outras variáveis.
satisfatoriamente às solicitações da comunidade local, dos visitantes e das organizações parceiras.
A segunda variável recebeu dos conselheiros do PESC a pontuação 3,0. Eles declararam que existem mecanismos formais que garantem a participação da comunidade, ocorrendo também a participação informal de líderes comunitários na gestão da unidade e um aporte de mediano a alto de benefícios para a mesma. Os membros do conselho gestor do PEMC valoraram esta variável com a pontuação 2,0, indicando uma cooperação medianamente cordial e de ajuda mútua entre a administração do parque e a comunidade. Contudo, ela não participa do planejamento nem da gestão da unidade, ainda que apóie a sua gestão, sendo que o aporte de benefícios para a comunidade é mediano. Já os conselheiros do PESP pontuaram esta variável com o valor 4,0, informando que existem mecanismos formais de participação comunitária (conselho gestor, associações, cooperativas) e que o apoio de comunidades vizinhas ao parque é inquestionável, havendo um elevado aporte de benefícios diretos para a comunidade.
A terceira variável recebeu a pontuação 3,0 dos conselheiros do PESC e do PEMC, indicando que os conselhos foram formados com base em uma relativa mobilização da comunidade, tendo uma boa representatividade e tomando decisões de forma democrática. As informações produzidas geralmente são divulgadas e o conselho tem funcionamento permanente. A pontuação 4,0 foi obtida em função das respostas dadas pelos membros do conselho do PESP, informando que o ele foi formado com base em uma forte mobilização da comunidade, que tem grande representatividade e que as suas decisões são tomadas de forma democrática. Indicam também que as informações produzidas são sempre divulgadas e o conselho tem funcionamento permanente.
Com relação à quarta variável, novamente houve uma sintonia entre as respostas fornecidas pelos conselheiros dos parques da Serra do Conduru e do Morro do Chapéu, indicando a pontuação 2,0 para este quesito. Esta alternativa informa que a participação das comunidades locais na gestão das UCs contribuiu para minimizar alguns conflitos. Porém, existem ainda algumas ameaças à integridade dos parques que não foram reduzidas ou eliminadas. Os membros do conselho gestor do PESP pontuaram esta variável com o valor 3,0, indicando que a participação das comunidades na gestão da UC contribuiu para minimizar conflitos. Existiam ameaças à integridade do parque que foram reduzidas ou eliminadas em parte em função da intervenção direta de atores locais.
A quinta variável deste princípio recebeu por parte dos conselheiros do PESC a pontuação 0,0, resultado que informa que as comunidades e os atores locais não participaram
do processo de criação do parque e que só foram informados sobre ele depois da publicação do decreto de criação. Os representantes do conselho gestor do PEMC pontuaram esta variável com o valor 2,0, indicando que os atores locais foram apenas consultados sobre a criação do parque, por meio de questionários, quando da realização dos estudos técnicos visando a seleção e delimitação da unidade. Contudo, foram realizadas consultas públicas. Já os membros do conselho gestor do PESP informaram que as comunidades locais participaram dos estudos técnicos visando a seleção e delimitação do parque, por meio da realização de oficinas, seminários e outras formas de encontros. Foram também realizadas consultas públicas. Em função disso pontuaram esta variável com o valor 4,0.
Assim, para este princípio o Parque Estadual da Serra do Conduru recebeu uma pontuação acumulada de 11,0 pontos, o Parque Estadual do Morro do Chapéu 12,0 pontos e o Parque Estadual das Sete Passagens 19,0 pontos. Conforme descrito em nossa metodologia, o número máximo de pontos que poderiam ser alcançados dentro de cada princípio seria 20 pontos. O Gráfico 1, abaixo, ilustra as pontuações obtidas.
11 12 19 0 5 10 15 20
PESC PEMC PESP
PESC PEMC PESP
Gráfico 1: Legitimidade e Participação de Múltiplos Atores – pontuação dos parques estaduais da Bahia