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inseminadas com sêmen diluído em dois diluidores à base de leite UHT desnatado – gema de ovo com duas concentrações de glicose e resfriado a 5ºC.

Na tabela 4.12 observa-se o agrupamento dos ciclos por categoria reprodutiva e sua relação com a taxa de gestação. Os grupos não diferiram entre si (p>0,05) quanto à taxa de gestação, ao primeiro ciclo, nem quanto à taxa de gestação/ciclo, após quatro ciclos. Observa-se, ainda, que as éguas da categoria “cio do potro” somente foram inseminadas no primeiro ciclo, já que mudaram de categoria e passaram a fazer parte do grupo de éguas paridas, no segundo ciclo após o parto.

95 Tabela 4.12.: Taxa de gestação por ciclo estral de fêmeas equinas inseminadas com sêmen diluído em dois diluidores à base de leite UHT desnatado – gema de ovo com duas concentrações de glicose e resfriado a 5°C, considerando-se o efeito da categoria reprodutiva.

Ciclo

Categoria reprodutiva Total

Potra (1) Égua Solteira (2) Égua Parida (3) Cio do Potro (4) № de

ciclos1 Taxa 2

gest. ciclos № de Taxa gest. ciclos № de Taxa gest. № de ciclos Taxa gest. № de ciclos Taxa gest. 1 19(11) 57,89 58(40) 68,97 21(9) 42,86 24(17) 70,83 122(77) 63,11 2 6(3) 50,00 16(8) 50,00 9(5) 55,56 - - 31(16) 51,61

3 2(1) 50,00 8(5) 62,50 3(1) 33,33 - - 13(7) 53,85

4 1(1) 100,00 3(3) 100,00 1(1) 100,00 - - 5(5) 100,00 Total 28(16) 57,14 85(56) 65,88 34(16) 47,06 24(17) 70,83 171(105) 61,40

1- Os números entre parênteses referem-se às éguas gestantes 2- Valores em %

O incremento da fertilidade, em um rebanho equino, pode ser verificado, ao longo de estações de monta consecutivas, pelo aumento da proporção de éguas com potro ao pé (lactantes) em relação à categoria de éguas solteiras (Silva, 1988). No presente trabalho, de um total de 122 fêmeas trabalhadas, observou-se a seguinte distribuição no que se refere às categorias reprodutivas: 15,57% de potras; 47,54% de éguas solteiras e 36,89% de éguas lactantes representando, as últimas, menos da metade das fêmeas utilizadas.

Quanto às variáveis de controle apresentadas na tabela 4.13, observa-se que os grupos diferiram (p<0,05) quanto à sua média de idade, sendo as éguas do “cio do potro” mais velhas do que as éguas paridas, que não diferiram, no entanto, do grupo de éguas solteiras. As potras, como esperado, apresentaram idade inferior às demais categorias. As variáveis de tempo coleta-abertura do contêiner, resfriamento-IA e coleta-IA, também apresentaram diferenças estatísticas (p<0,05), porém casuais e irrelevantes.

As variáveis de resultados, a saber: número de IA/ciclo positivo, número de IA/ciclo negativo, número de ciclos/gestação e taxa de gestação/ciclo não diferiram (p>0,05) entre os grupos. Entretanto, a variável eficiência de

prenhez diferiu (0<0,05) entre as categorias, quando observou-se menor eficiência de prenhez no grupo de éguas paridas. Isto se deve, provavelmente, ao fato de esta categoria possuir maior exigência nutricional devido à lactação. Há que se salientar que as éguas foram mantidas a pasto, durante todo o período experimental e com suplementação insuficiente, haja visto que, das 12 éguas paridas que não se tornaram gestantes até o final da estação reprodutiva, 10 ciclaram apenas uma vez (no “cio do potro”) durante todo o período experimental.

Segundo Heidler et al (2003), mecanismos regulatórios estimulam, significativamente, a atividade ovariana das éguas durante as duas primeiras semanas após o parto, e se tornam menos pronunciados no decorrer da lactação. Estes autores observaram um aumento contínuo da concentração de IGF-1 até o parto, que se manteve em concentrações altas na fase inicial da lactação. Em outras espécies, o IGF-1 estimula a esteroidogênese ovariana, o crescimento folicular e a formação de receptores de LH. Os autores, observaram, ainda, uma redução significativa da concentração de IGF-1 no transcorrer da lactação que, associada a uma diminuição da liberação de GH, pode resultar em redução da estimulação ovariana nas

96 éguas após o “cio do potro”. Tais

observações podem responder pela maior incidência de estros prolongados

e ovulação retardada observadas nesta fase em um considerável número de éguas.

Tabela 4.13: Variáveis de controle e de eficiência reprodutiva de fêmeas equinas inseminadas com sêmen diluído em dois diluidores à base de leite UHT desnatado – gema de ovo com duas concentrações de glicose e resfriado a 5°C, considerando-se o efeito da categoria reprodutiva.

Variável

Categoria reprodutiva

Total Potra (1) Solteira (2) Égua Égua Parida (3) Cio do Potro (4)

Número de ciclos 28 85 34 24 171

Idade das éguas

(anos) 3,16±0,08c 10,41±0,37ab 9,16±0,66b 11,81±0,86a 9,17±0,33 Volume de sêmen/dose inseminante (mL) 4,70±0,36 4,74±0,22 4,79±0,36 4,62±0,41 4,72±0,15 Volume de diluidor/dose inseminante (mL) 15,30±0,36 15,26±0,22 15,21±0,36 15,38±0,41 15,28±0,15 Concentração espermática à IA (x106 sptz/dose) 341,36±6,97 350,16±3,36 349,43±3,61 346,07±7,63 347,92±2,43 Motilidade espermática à IA (0- 100%) 76,13±1,52 77,58±0,77 77,67±0,87 77,40±1,77 77,32±0,55 Vigor espermático à IA (0-5) 4,04±0,11 4,09±0,06 4,23±0,11 4,09±0,12 4,11±0,04 Tempo coleta- diluição (min) 17,81±0,60 18,76±0,34 18,03±0,60 19,00±0,60 18,50±0,24 Tempo coleta- resfriamento (min) 25,38±0,82 25,59±0,45 24,36±0,88 26,29±0,80 25,43±0,33 Tempo coleta- abertura contêiner (horas) 14,37±0,14 ab 14,27±0,09b 14,77±0,13a 14,18±0,17b 14,37±0,06 Tempo resfriamento- IA(horas) 14,12±0,15ab 14,04±0,09b 14,52±0,14a 13,97±0,17b 14,13±0,06 Tempo coleta-IA (horas) 14,54±0,15ab 14,47±0,09b 14,92±0,13a 14,41±0,17b 14,56±0,06 Número de IA/ciclo 1,82±0,12 1,85±0,08 1,71±0,11 2,00±0,12 1,84±0,05 Número de IA/ciclo positivo 1,81±0,16 1,93±0,09 1,75±0,14 2,06±0,13 1,90±0,06 Número de IA/ciclo negativo 1,83±0,17 1,69±0,13 1,67±0,16 1,86±0,26 1,73±0,08 Número de ciclos/gestação 1,75 1,52 2,13 1,41 1,63 Taxa de gestação/ciclo (%) 57,14(16/28) 65,88(56/85) 47,06(16/34) 70,83(17/24) 61,40(105/171) Eficiência de prenhez (0-10) 5,14±0,89a 5,95±0,49a 4,12±0,79b 7,08±0,95a 5,61±0,36

a,b,c médias seguidas de letras diferentes na mesma linha diferem entre si (p<0,05)

Segundo Von Lepel (1975), as éguas solteiras, são consideradas fêmeas de menor fertilidade que as potras e éguas paridas. No presente experimento, porém, as éguas solteiras apresentaram taxa de gestação por ciclo de 65,88%,

não diferindo das demais categorias. Da mesma maneira, Ferreira (1993) obteve taxa de concepção de 93,7% para éguas solteiras inseminadas com sêmen asinino, não diferindo das demais categorias. Também Rossi (2008) não

97 observou diferenças entre as quatro

categorias reprodutivas avaliadas, quanto à fertilidade de éguas inseminadas com sêmen de jumentos diluído e resfriado, apesar do grande número de fêmeas utilizadas (141 éguas). Tal fato se deve, provavelmente, à presença de éguas, nesta categoria, com problemas reprodutivos transitórios ou, ainda, de fêmeas que tenham tido manejo reprodutivo inadequado na estação reprodutiva anterior sem, no entanto, apresentar patologias do sistema reprodutivo.

Apesar da boa fertilidade relatada para as potras, a utilização de fêmeas muito novas pode resultar em altas taxas de aborto. Desta maneira, Mitchell e Allen (1975), avaliaram o desempenho reprodutivo de 137 potras entre 12 e 14 meses, durante quatro estações de monta consecutivas, cobertas pela primeira vez. Os autores obtiveram taxa de concepção de 69,34% (95/137); no entanto, 44 (46,32%) sofreram aborto. Após realização de vários exames, concluiu-se que a causa da alta incidência de abortos foi, principalmente, relacionada à imaturidade das fêmeas.

Panzani et al. (2007) compararam a taxa de recuperação embrionária de potras de um ano (12 a 16 meses) ou dois anos (24 a 28 meses) e éguas maduras (de 3 a

12 anos). Os autores observaram diferenças entre as taxas de recuperação de embriões entre os três grupos avaliados, que foi de 47,7% (21/44) para o grupo de um ano, 75% (12/16) para as fêmeas de dois anos e 84,6% (22/26) para as éguas maduras. Observou-se, no presente experimento, idade média de 3,16±0,08 para as fêmeas enquadradas na categoria “potras”, idade esta superior à relatada para potras no experimento conduzido por Panzani et al. (2007).

4.2.3. Efeito do intervalo IA-ovulação