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5. ANALYSIS

6.2 C ONCLUDING R EMARKS

As bibliotecas digitais têm sua origem na década de 90, juntamente com a expansão comercial do uso da Internet. Com a facilidade no armazenamento e publicações digitais, houve a necessidade de que as bibliotecas, antes tradicionalmente em ambientes físicos, estabelecessem uma nova estrutura de serviços de informação. Dessa forma, a partir de então, o ponto central de preocupação dessas instituições deixou de ser somente o acervo físico e seu armazenamento, que cedeu espaço para as questões também relacionadas ao acesso às informações (ZAFALON, 2008).

Notou-se uma evolução nos serviços oferecidos pelas bibliotecas digitais, que passaram pelo acesso a apontadores, a obras digitalizadas, a catálogos e a informações institucionais (SILVA; MÁRDERO; CLAUDIO, 1997). Contudo, pode-se observar que o momento é de transição e adaptação, pois os serviços de informação oferecidos pelas bibliotecas digitais ainda não estão aplicando todo o conhecimento já acumulado sobre a organização para documentos em acervos físicos. Em ambiente digital há diferentes perspectivas para o gerenciamento do recurso informacional disponibilizado que podem ser melhor exploradas, utilizando produtos de representações documentárias já amplamente conhecidas, de forma que se antecipe às necessidades de diferentes comunidades de usuários.

Destaca-se que, até há pouco tempo, era tema de debate entre os pesquisadores o conceito de biblioteca digital, e, ainda hoje, percebe-se alguma polêmica entre os autores. Porém, na contemporaneidade, parece haver mais pontos semelhantes do que divergentes entre eles, apesar de denominações diversificadas tais como biblioteca virtual, biblioteca digital, biblioteca eletrônica e biblioteca sem paredes, termos que muitas vezes são empregados como sinônimos. Em um artigo publicado em 2002, Ohira e Prado levantaram a evolução dos conceitos de biblioteca digital e biblioteca virtual contidos em artigos entre os anos de 1995 e 2000. Nesse estudo, foram analisados 33 artigos de periódicos nacionais especializados em Biblioteconomia e Ciência da Informação. Como o intuito da presente pesquisa não é adentrar na polêmica de uso dos diferentes termos para biblioteca digital, serão fornecidos alguns conceitos elencados por Ohira e Prado (2002, on- line), com o objetivo de situar o leitor no tema de biblioteca digital:

Biblioteca digital difere das demais, porque a informação que ela contém existe apenas na forma digital, podendo residir em meios diferentes de armazenagem, como as memórias eletrônicas (discos magnéticos e óticos). Desta forma, a biblioteca digital não contém livros na forma convencional, e a informação pode ser acessada, em locais específicos e remotamente, por meio de computadores (MARCHIORI, 1997, on-line).

a biblioteca digital é também conhecida como biblioteca eletrônica (termo preferido pelos britânicos), biblioteca virtual (quando utiliza os recursos da

realidade virtual), biblioteca sem paredes e biblioteca conectada a uma rede (CUNHA, 1999, p.258).

[a biblioteca digital] não contempla materiais convencionais impressos como livros, já que estes seriam convertidos/digitalizados para o formato digital (MACEDO; MODESTO, 1999, p.64).

a biblioteca digital seria aquela que teria, além de seu catálogo, os textos dos documentos de seu acervo armazenados de forma digital, permitindo sua leitura na tela do monitor ou sua importação (download) para o disco rígido do computador [...] (LEMOS, 1998, p.358 citado por PEREIRA; RUTINA, 1999, p.14).

a biblioteca digital tem como característica uma coleção de documentos eminentemente digitais, independendo se forem criados na forma digital ou digitalizados a partir de documentos impressos, e permite, por meio do uso de redes de computadores, compartilhar a informação instantânea e facilmente (MOREIRA, 1998, p.31 citado por MACHADO et al., 1999, p.218).

bibliotecas digitais são simplesmente um conjunto de mecanismos eletrônicos que facilitam a localização da demanda informacional, interligando recursos e usuários (CUNHA, 2000, p.78).

Como se pode observar, a despeito de alguma polêmica sobre o tema, o ponto recorrente nas características descritas sobre “biblioteca digital” é que ela possui recursos informacionais na forma digital para acesso remoto. Portanto, nesta dissertação, uma biblioteca digital é considerada assim.

A título de maiores esclarecimentos, sabe-se que toda biblioteca, seja tradicional56 ou digital, tem como funções primordiais: selecionar, armazenar, disponibilizar, preservar e dar acesso a documentos em qualquer tipo de mídia e suporte. Sendo assim, há, nos acervos de uma biblioteca, ou no banco de dados de uma biblioteca digital (BD), um patrimônio cultural e intelectual que devem ser representados, organizados e difundidos de forma que, efetivamente, possam ser aplicados pela sociedade.

Para atender a esse propósito, os estudos sobre o tema de bibliotecas digitais são feitos sob diferentes aspectos, que podem ser assim sintetizados:

a) arquiteturas, sistemas, ferramentas, e tecnologias b) conteúdos e coleções digitais; c) metadados; d) interoperabilidade; e) normas e padrões; f) organização do conhecimento; g) usuários e usabilidade; h) aspecto legal, organizacional, econômico e social (SAYÃO, 2007, p.18).

Em vista dessa amplitude, atualmente, muitos são os autores que se interessam pelo tema de bibliotecas digitais no Brasil. Contudo, em qualquer que seja o aspecto investigado, as pesquisas sempre têm em comum a característica de abordar a questão do acesso, com preocupação focada em uma recuperação de informação mais relevante e eficaz para o usuário. Nesse sentido, a partir do início do século XXI, nota-se um aumento nos projetos de implantação de bibliotecas digitais de teses e dissertações (BDTD), tanto nacionais quanto estrangeiras, conforme afirma Rosetto (2008):

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Considera-se biblioteca tradicional aquela na qual a maior parte de seus itens do acervo é composto por documentos impressos, ainda que muitas delas, hoje em dia, estejam cada vez mais possibilitando acesso digital ao acervo.

Nesses primeiros anos do século XXI, muitos projetos para a construção de bibliotecas digitais foram implementados, criando variados tipos de estruturas e acumulando experiências. As melhores práticas vêm se transformando em metodologias que podem subsidiar o desenvolvimento de implementações similares, como alguns exemplos de projetos de caráter internacional, regional e nacional (ROSETTO, 2008, p.109)

No artigo citado, a autora discorre sobre as diferentes iniciativas, de implementação de bibliotecas digitais, dentre as quais foram salientadas algumas iniciativas brasileiras: o Portal Prossiga, o projeto da Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), do Instituto Brasileiro em Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), a Biblioteca Digital Portal da CAPES e a Biblioteca de Teses e Dissertações da Universidade de São Paulo. São iniciativas que visam dar acesso aos textos das pesquisas e aprimorar a recuperação das informações, uma vez que o meio digital facilita indicar outros pontos de acesso além daqueles já utilizados em bibliotecas tradicionais (ex. título, autor, cabeçalho de assunto).

Nessa perspectiva, alguns estudos têm se preocupado com a criação de modelos de bibliotecas digitais que visam o aprimoramento da recuperação da informação contida nos documentos, a partir de elementos semânticos, como é o caso do protótipo apresentado na tese defendida por Lima (2004a), que propõe uma busca a partir da navegação em contexto. Nessa pesquisa, a autora propõe uma forma de recuperação de informação em contexto, com a construção de um modelo hipertextual, para a organização de documentos acadêmicos do tipo teses e dissertações e, ainda, a sua implantação tecnológica. Com relação ao arquétipo, trata-se de um instrumento gerado a partir de uma modelagem conceitual, capaz de auxiliar o usuário em suas buscas, tendo em vista que o conhecimento está estruturado conceitualmente. É preciso ressaltar que essa estrutura é feita através da categorização dos conceitos, a qual possibilita organizar, semanticamente, o conteúdo dos documentos, contribuindo para que o usuário perceba, através da navegação nos mapas conceituais57, as relações existentes entre os conceitos (LIMA, 2004a). Essa navegação é feita, atualmente, de modo individual, através dos mapas conceituais dos documentos.

Diante das ressalvas descritas, percebe-se que o referido protótipo não se trata, apenas, de uma biblioteca digital. Pode-se entender que ele está próximo daquilo que se espera de uma biblioteca digital semântica. É importante, porém, esclarecer que há diferenças conceituais entre biblioteca digital (BD) e biblioteca digital semântica (BDS). Segundo Kruk, Decker e Zieborak (2005), a BDS possui as seguintes características: a) permite compartilhar diversificados padrões de metadados, com comentários/anotações de usuários; b) estabelece interoperabilidade com quaisquer tipos de sistemas de informações,

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Os mapas conceituais assemelham-se a diagramas, nos quais são indicadas relações entre conceitos, em uma estrutura que perpassa os conceitos mais abrangentes até abarcar os conceitos mais específicos.

incluindo os que possuem metadados de diferentes origens; c) propicia o desenvolvimento de interfaces mais amigáveis, baseando as buscas e a navegação em elementos semânticos.

Além disso, também existe o conceito de biblioteca híbrida, o qual, de modo inovador, parece englobar os conceitos de biblioteca tradicional, biblioteca digital e biblioteca digital semântica, como se observa abaixo:

no desenvolvimento e aplicação de uma biblioteca híbrida, [...] [é preciso estabelecer] metodologias para que seja desenvolvido um conjunto de padrões para identificar, armazenar e disponibilizar e [sic] gerenciar as informações em diversas mídias que compõe [sic] seu acervo num ambiente digital, possibilitando a busca e a recuperação deste tipo de material, resultando na interoperabilidade entre interfaces abertas e protocolos de comunicação de dados, onde os usuários poderão realizar suas consultas de forma unificada em uma única interface e possibilitando a disponibilização dos textos para download (FIGUEIREDO et al., 2004, on-

line).

Nota-se, então, que a biblioteca híbrida procura integrar todos os serviços das bibliotecas tradicionais e das digitais, ampliando seu alcance, ao oferecer seus serviços e acervo no formato digital e, organizados semanticamente. Por essa visão, verifica-se que o conceito de biblioteca híbrida ultrapassa, em larga escala, o conceito de automação de bibliotecas tradicionais, na medida em que o primeiro permite acesso ao catálogo do acervo e a alguns serviços ou ao seu acervo digitalizado. De forma ainda mais reluzente, na biblioteca híbrida, há o interesse em manter a interoperabilidade entre os diferentes sistemas, o que expande, consideravelmente, as possibilidades de compartilhamento de informações.

Em face do que foi exposto acima, nesta dissertação entende-se que a construção de bibliotecas digitais de teses e dissertações (BDTD) deve levar em consideração a busca documental a partir de elementos semânticos, constituindo, para tanto, seu eixo conceitual. Nesse contexto, a “web semântica”58 abre novas perspectivas para a criação de bibliotecas digitais semânticas, nas quais se pode melhorar o sistema de informação, principalmente nas atividades de busca e navegação. Assim sendo, o desenvolvimento e uso de instrumentos semânticos poderão resultar em uma recuperação de informações mais relevante ao usuário.

Como reflexo dos estudos realizados até o momento, esta pesquisa aponta para a ideia de que uma taxonomia facetada para navegação, usada como interface de busca, pode ser mecanismo facilitador para a recuperação de informações relevantes aos usuários. Em vista disso, o princípio de navegação utilizado é correspondente à navegação em hipertexto, o que será desenvolvido a seguir.

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A “web semântica” pretende fornecer meios para que se possa estruturar o conhecimento, dando significado (semântica) aos conteúdos disponibilizados em ambiente digital, de forma que esse conhecimento seja processado (entendido) pela máquina.