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3   EMPIRI

3.3.1   Intervju  med  Nittedal  kommune

Como se trata de escala multifatorial, a proximidade dos escores obtidos e até dos desvios padrão indicam que há equilíbrio entre as dimensões da função carreira. Para verificar até onde vão as semelhanças foi feita a correlação entre os fatores, indicada na Tabela 18.

Tabela 18 – Correlação das dimensões de carreira da Mentoria Função de Carreira da Mentoria

Proteção Exposição desafiadoras Tarefas Patrocínio Coaching Proteção Correlação de Pearson 1 0,753** 0,736** 0,689** 0,774** Sig. (2 extremidades) - 0,000 0,000 0,000 0,000 n 401 401 401 398 401 Exposição Correlação de Pearson - 1 0,830** 0,815** 0,869** Sig. (2 extremidades) - - 0,000 0,000 0,000 n - 401 401 398 401 Tarefas desafiadoras Correlação de Pearson - - 1 0,795** 0,887** Sig. (2 extremidades) - - - 0,000 0,000 n - - 401 398 401 Patrocínio Correlação de Pearson - - - 1 0,795** Sig. (2 extremidades) - - - - 0,000 n - - - 398 398

**. A correlação é significativa no nível 0,01 (2 extremidades). Fonte: Dados da Pesquisa (2014)

As altas correlações encontradas indicam que, além do equilíbrio entre as dimensões, elas estão altamente entrelaçadas. É um sinal de que, de fato, convergem para a composição de uma função específica, no caso a de carreira.

A altíssima correlação entre coaching e tarefas desafiadoras (coeficiente de correlação de Pearson = 0,87) chama a atenção. Como a dimensão tarefas desafiadoras está ligada à atribuição de desafios e coaching à forma de fazer as tarefas na empresa, o andar conjunto das duas dimensões traz a possibilidade de que os desafios provenientes das tarefas sejam feitos de maneira compatível com a expectativa da empresa.

A menor das correlações estabeleceu-se entre a proteção e o patrocínio, ainda assim com um valor bastante significativo (coeficiente de correlação de Pearson = 0,69). Já que a proteção se apresenta como a conservação do mentorado de situações de risco até que haja percepção do mentor de que há competências para vivenciá-las, e patrocínio como a indicação do mentorado a promoções na carreira, a concomitância das duas dimensões permite inferir que a ligação se estabelece no cuidado do mentor para com o mentorado. Ou seja, a proteção que permite perceber a melhor hora de patrocinar para promoção.

4.5.2.7 Variáveis de controle

O confronto das dimensões encontradas com as variáveis de controle, através da correlação pelo rô de Spearman, indicou possibilidade de relação significativa entre as dimensões e as variáveis tempo de empresa, idade e cargo ocupado; conforme Quadro 6. Foi considerada correlação significativa no nível 0,01. As demais variáveis não mostraram relação significativa.

Quadro 6 – Variáveis de controle x dimensões de carreira

Variável de Controle / Dimensões Proteção Exposição desafiadoras Tarefas Patrocínio Coaching

Cargo ocupado Não Sim Não Não Sim

Idade Não Sim Sim Sim Sim

Tempo de empresa Sim Sim Sim Sim Sim

Fonte: Dados da Pesquisa (2014)

O tempo de empresa relacionou-se com todas as dimensões, de maneira inversa. Logo, pode- se afirmar que, para os dados analisados, a função de carreira é mais evidenciada pelos menos experientes, ou seja, há tendência de que quanto maior for o tempo de casa menor a percepção das dimensões na relação com o gestor. A maior relação apresentou-se com a dimensão patrocínio (ρ = −0,245), enquanto que a menor com proteção (ρ = − 0,131).

O Gráfico 11 evidencia tendência de menores médias para faixas de tempo maiores.

Gráfico 11 – Dimensões da função de carreira x Tempo de empresa

Também indica que a maior diferença ocorre na dimensão patrocínio, enquanto que a menor em tarefas desafiadoras. Isso pode indicar que há algum tipo de resistência nos gestores em indicar para promoção pessoas com mais tempo de empresa. Já as tarefas desafiadoras parecem estar mais linearizadas com os tempos, o que pode ser explicada, dentre uma infinidade de motivos, pela dinamicidade da atividade bancária, que exige o aprendizado constante.

Tarefas desafiadoras e proteção ainda chamam a atenção por destacar uma tendência presente na relação do tempo de empresa com todas as dimensões: aumento da recorrência medida pela escala nas pessoas com tempo de empresa muito alto (>33 anos). Estes indicadores podem evidenciar, dentre outras coisas, o processo natural de reaprendizado e readaptação quando se está há muito tempo na mesma empresa.

No caso da idade, já foi citado que é alta a relação com o tempo de empresa. Assim, boa parte da variável explica-se pelo já apresentado nos últimos parágrafos. No Gráfico 12, está a distribuição das médias das dimensões pelas faixas de idade.

A maior relação apresentou-se com a dimensão patrocínio (ρ=-0,238), enquanto que a menor com tarefas desafiadoras (ρ=-0,172).

No geral, a tendência foi a mesma do tempo de empresa, ou seja, quanto maior a idade menor a recorrência das dimensões expostas no gráfico. O fato de a exposição ser a dimensão onde mais se evidencia a tendência pode sugerir que os gestores realmente disseminem mais informações a respeito dos mais jovens. A menor curva deu-se nas tarefas desafiadoras, provavelmente pelo mesmo motivo apontado quatro parágrafos atrás. Apenas na dimensão patrocínio houve inflexão na faixa de alta idade (>=62), o que pode indicar que os gestores fomentam a promoção de tais empregados.

Quanto ao cargo ocupado, os detentores de cargo gerencial aparentam perceber com mais recorrência as dimensões de coaching e exposição. Dentre diversas explicações possíveis, pode ser que os gestores dos detentores de cargo gerencial tenham maior preocupação com a adequação dos seus subordinados ao formato da empresa para fazer as coisas, inclusive pela maior responsabilidade à qual este grupo tende a estar exposto. Já a exposição pode ser fruto da maior incidência da dimensão coaching, ou seja, a maior preocupação dos gestores com o bom desempenho dos subordinados com cargo gerencial pode fazer com que se percebam melhor suas competências, gerando mais exposição. O Gráfico 13 exprime os achados.

Gráfico 13 – Dimensões de carreira x Cargo ocupado

De maneira geral, as variáveis de controle indicaram que, na realidade do Banco X, as dimensões de carreira são mais recorrentes entre os gestores e seus colaboradores mais jovens e/ou menos experientes, com destaque maior para os ocupantes de cargo gerencial.

4.5.3 Função psicossocial

Os dados analisados através de escala também de 16 itens (α de Cronbach=0,948 / n=374) atribuem à função psicossocial da Mentoria quatro dimensões que seguem explicitadas na Tabela 19 com demonstração da estatística descritiva a partir dos dados encontrados na amostra:

Tabela 19 – Estatística descritiva das dimensões da função psicossocial (FMR-P) Função psicossocial da Mentoria

Amizade Aconselhamento Aceitação Modelagem

n Válido 401 401 401 401 Ausente 0 0 0 0 Média 2,2469 3,0580 3,0744 3,1066 Mediana 2,0000 3,0000 3,2500 3,2500 Desvio Padrão 1,08750 1,08752 1,06142 1,07573 Intervalo 4,00 4,00 4,00 4,00 Mínimo 1,00 1,00 1,00 1,00 Máximo 5,00 5,00 5,00 5,00

Fonte: Dados da Pesquisa (2014)

O questionário aplicado indicou que os respondentes percebem as dimensões psicossociais na relação com o superior hierárquico, em recorrência próxima à posição central da escala, exceto na dimensão amizade, que teve média e mediana menores. A dispersão encontrada foi relevante (média, mínimo e máximo dos coeficientes de variação de 0,3827; 0,3452 e 0,4840). Em todas as dimensões, o desvio foi superior a 1,0; e os escores das dimensões variaram do menor ao maior valor da escala (amplitude = 4). O Gráfico 14 apresenta as frequências de respondentes nas médias discretizadas.

Seguindo a lógica adotada na seção 4.5.2, as dimensões serão comentadas na ordem em que foram analisadas.

4.5.3.1 Amizade

A dimensão amizade teve a menor recorrência entre os inquiridos, com média inferior ao centro da escala. Também foi a dimensão com maior dispersão encontrada (coeficiente de variação de 0,4840). O histograma indica que apenas 11,2% das pessoas identificaram alta amizade enquanto 68,8% indicaram baixa amizade. Foi utilizado e o será, de agora em diante, sempre o mesmo corte da seção 4.5.2.1, ou seja, alta para média igual ou maior a 3,51 e baixa para média menor que 2,50. A alta dispersão indica respondentes espalhados na escala, mas o gráfico da variável (Gráfico 14) deixa claro quanto à dispersão a concentração de pessoas nas médias mais baixas, de modo que, à medida que a média sobe, vão reduzindo os respondentes na faixa. Logo, comparando a amizade com as demais dimensões psicossociais, é fácil perceber que é a mais frágil na amostra analisada.

Aqui cabe novamente evocar Cunha (2009, p. 33), que define a dimensão como “a função psicossocial caracterizada por uma interação social que resulta em mútuos entendimentos e trocas afetivas, agradáveis e informais sobre o trabalho e a vida. Mentor-mentorado sentem-se satisfeitos, já que existe uma melhoria das relações de trabalho”. Como a amizade é a função que remete ao prazer na relação de Mentoria, logo, os dados analisados indicam que há mais funções presentes na relação que prazer em partilhá-las.

4.5.3.2 Aconselhamento

Já esta dimensão teve média e mediana (3,06 e 3,00; respectivamente) bem próximas do centro da escala, indicando a sua recorrência na relação entre gestor e colaborador vinculado. A dispersão evidenciada pelo desvio 1,09 e o coeficiente de variação de 0,3556 demonstram melhor agrupamento em torno da média que na dimensão anterior. O histograma de porcentagem mostra que 34,4% das pessoas avaliaram o nível de recorrência da função de aconselhamento como baixo, contra 35,7% que fizeram a avaliação contrária. Os dados mostram equilíbrio, que, neste caso, significa existência de diversidade de situações quanto à relação com o superior.

Lembrando o que foi tratado no Capítulo 2, a dimensão aconselhamento consiste em dirimir as tensões e incertezas do mentorado através de conselhos. A dimensão trata de melhorar a sensação de capacidade do mentorado, já que reduz suas dúvidas.

Os resultados encontrados evidenciam a presença da dimensão em recorrência considerável, já que boa parte das pessoas afirmou que a dimensão está muito presente no dia a dia com o gestor.

4.5.3.3 Aceitação

Esta dimensão está voltada para a validação do mentorado. Diz respeito aos erros e acertos, com a atribuição de atividades cujo mentorado tenha capacidade de execução e que o mentor destacará quando houver sucessos. Quando não, entra em cena o suporte do mentor para outras tentativas, com as devidas correções (DOUGHERTY, TURBAN, HAGGARD, 2007; ERLICH, 2010; RAGINS; KRAM, 2007; SCANDURA; PELLEGRINI, 2007).

Como ocorre com a dimensão aconselhamento, a distribuição da amostra populacional posicionou-se próxima ao centro da escala, com média 3,07 e mediana 3,25. A dispersão foi a menor dentre as funções psicossociais, com desvio padrão de 1,06 e coeficiente de variação de 0,3452. A diferença dos indicadores de dispersão e da mediana indica que as pessoas se posicionaram mais congregadas junto à média. Isto também está evidenciado no histograma (Gráfico 14) que mostra 34,4% na faixa média da distribuição discretizada, com 32,2% e 33,2% nas faixas baixa e alta, respectivamente.

Os dados demonstram que, com recorrência média e tendência de alta, as pessoas percebem a aceitação do seu gestor.

4.5.3.4 Modelagem

A modelagem ou modelagem de papéis consiste no espelhamento do mentor pelo mentorado. É por aqui que há o compartilhamento de valores e condutas entre o gestor e o colaborador. Possivelmente, é a mais relevante das dimensões psicossociais, havendo até quem entenda que deva ser tratada como uma função específica (RAGINS; KRAM, 2007; SCANDURA; PELLEGRINI, 2007).

Os dados encontrados abalizaram esta dimensão como a mais percebida, com média 3,11 e media 3,25. O coeficiente de variação (0,3463) foi compatível com a dimensão aceitação

indicando, junto ao desvio padrão de 1,08, que há razoável concentração de respondentes no centro da média. Os dados do histograma plotado no Gráfico 14 apontam para 34,7% das pessoas atribuindo alta média de modelagem, enquanto 34,4% ficaram nas faixas inferiores. Tais indicadores remetem para a percepção de que a modelagem, na realidade do grupo estudado, está bem presente, com média dispersão entre as situações, mas presente de maneira consistente.

4.5.3.5 Relação entre as dimensões

Como se trata de escala multifatorial, a proximidade dos escores obtidos e até dos desvios padrão indicam que há equilíbrio também entre as dimensões analisadas na função psicossocial. De maneira semelhante ao tratamento dado às de carreira, as dimensões psicossociais foram submetidas à correlação, conforme Tabela 20.

Tabela 20 – Correlação das dimensões psicossociais da Mentoria Função psicossocial da Mentoria

Amizade Aconselhamento Aceitação Modelagem

Amizade Correlação de Pearson 1 0,585** 0,550** 0,447** Sig. (2 extremidades) - 0,000 0,000 0,000 n 401 401 401 401 Aconselhamento Correlação de Pearson - 1 0,862** 0,750** Sig. (2 extremidades) - - 0,000 0,000 n - 401 401 401 Aceitação Correlação de Pearson - - 1 0,698** Sig. (2 extremidades) - - - 0,000 n - - 401 401 Modelo Correlação de Pearson - - - 1 Sig. (2 extremidades) - - - - n - - - 401

**. A correlação é significativa no nível 0,01 (2 extremidades). Fonte: Dados da Pesquisa (2014)

Em primeiro lugar, cabe destacar que todas as dimensões se inter-relacionaram positivamente, indicando que, possivelmente, se trata de dimensões complementares que se interligam em torno de um construto, a função psicossocial da Mentoria.

Pois bem, observadas as correlações, salta aos olhos a existente entre aceitação e aconselhamento. Parece natural que a ligação se estabeleça. É possível que o processo de lida com os erros e acertos (aceitação) dê-se através do aconselhamento. Evidentemente que tal

conjectura precisa ser mais bem validada, mas parece claro que o suporte que é tratado na dimensão aceitação pode, dentre outras formas, ser dado através de conselhos.

A relação menos relevante dentre as dimensões (apesar de ser bastante relevante individualmente), deu-se entre a aceitação e a modelagem (ρ=0,698).

É possível inferir, evidentemente que sem a menor intenção de relação do tipo causa e efeito, que, para o grupo analisado, há íntima relação entre todas as dimensões da função psicossocial.

4.5.3.6 Variáveis de controle

O estudo das dimensões, frente às variáveis de controle, através da correlação pelo rô de Spearman, indicou, da mesma forma que nas funções de carreira, a relação significativa entre as quatro dimensões e as variáveis: cargo ocupado, tempo de empresa e idade conforme Quadro 7. Foi considerada correlação significativa no nível 0,01. As demais variáveis não mostraram relação significativa.

Quadro 7 – Variáveis de controle x dimensões psicossociais

Variável de Controle / Dimensões Amizade Aconselhamento Aceitação Modelagem

Cargo ocupado Sim Não Não Não

Idade Sim Sim Não Sim

Tempo de empresa Sim Sim Não Sim

Fonte: Dados da Pesquisa (2014)

A dimensão aceitação não mostrou relação com qualquer das variáveis de controle.

O cargo ocupado pelo colaborador (gerencial ou não gerencial) está relacionado à dimensão amizade. Segundo os dados evidenciados no Gráfico 15, em média, os detentores de cargo gerencial identificam mais recorrência de amizade com os seus gestores que os não gerentes.

O dado soma-se aos outros achados deste trabalho no que diz respeito à Mentoria, que indicaram que os gerentes tenderam a observar mais recorrências tanto das funções de carreira como psicossociais. Como os colaboradores com cargo gerencial identificam mais presença das funções de Mentoria do que os sem cargo gerencial, pode ser que as relações de Mentoria, por parte da média gerência para com o colaborador sem cargo, sejam mais frágeis que entre a alta gerência e a média.

A idade e o tempo de empresa estão com as médias plotadas por faixa temporal nos Gráfico 16 e 17. Como esperado, os gráficos são semelhantes, com tendências bem compatíveis.

Gráfico 16 – Dimensões da função psicossocial x Faixa de idade

Gráfico 17 – Dimensões da função psicossocial x Faixa de tempo de empresa

Como as faixas de corte não obedecem ao mesmo construto (idade x tempo de empresa), os gráficos não podem ser comparados senão quanto à tendência, pois utilizam a mesma lógica temporal. As tendências são bem parecidas, com a ocorrência das dimensões caindo com o tempo de empresa ou de idade.

Assim, as evidências trazidas pelos dados apontam para funções psicossociais mais recorrentes no público mais jovem e/ou com menos tempo de empresa. O achado é

considerado normal, pois o aprendizado, que é uma das bandeiras da Mentoria, necessita ser mais intenso no início da carreira.