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8 Fremtidens responssenter - funksjoner og tjenesteforløp

8.5 Innpasning av responssenter i en akuttmedisinsk kjede

uma boa afastada, é uma outra relação, [...] S: Você poderia contar essa trajetória do R? N: Ái S., é meio grave, é o mundo do crime, eu acho que foi tão angustiante pra ele se abri comigo, eu não se na questão ética eu poderia abrir. S: Eu compreendo sua posição, somente gostaria de lembrá-la do sigilo contido na pesquisa, tanto sua fala como a do R. estão sob sigilo.

N. afirma que não pode dizer que R. está fora da vida do tráfico, mas que atualmente estabelece outra relação com a vida. No que concerne ao segredo do mundo do crime, N. escolhe guardar para si por uma questão ética. No entanto, a pesquisadora lembra que tanto sua fala como a de R. estão sob sigilo, mas isso não é suficiente nem para N. contar e nem para R. revelar o segredo, o que pode produzir figura de destino.

Nas palavras figura de destino podemos pensar que falar disso também afeta o sentimento de N. por R. e, sendo assim, é melhor não dizer, o estatuto do segredo pode proteger a todos, é uma vida de segredos. Segundo Rosa (2001, p.126): “ [...] o que não está dito, recoberto pelo já

dito, é o que permite movimentar a cadeia significante para produzir novos sentidos”. Assim está escrito na entrevista:

S: Ele tem namorada? N.: Tem, pelo menos tinha, (rs, rs). S: O que você percebe da relação dele com a namorada? N.: parece que é uma pessoa legal, uma pessoa

referência, que tá ali. S: Quanto tempo faz que o R. namora? [...] N: ele não traz muito,

sabe aquela namorada boa, mas o nosso atendimento não gira em torno das relações,

o meu atendimento sempre foi entorno dessa vivência, acho que por ele nunca ter falado pra ninguém nesse sentido, do arrependimento a gente conversava muito sobre isso é, o dia que eu falei de relação foi quando eu abordei cada irmão, um irmão é

mais briguento, outro irmão é mais sisudo, dá mais risada, conta piada, mas ele não se aprofunda, o que eu sinto por cada um, acho que nem com a namorada, ou eu não dei

muita trela pra essa namorada, rs,rs.

A profissional fala da namorada, reconhece que ela é uma pessoa significante na vida de R., mas diz que ele não traz, ele não fala sobre ela, e em outro momento coloca que não deu muita trela para namorada, demonstrando um sentimento de ciúmes. A namorada de R. pode representar o que faltava a ele, o engodo do encontro com objeto perdido, e, sendo assim, pode ter essa função de substituir a falta na vida do adolescente.

6.3.2 O bilhete premiado: a mensagem sobre o destino de R.

O adolescente R. inicia apresentando sua história familiar, fala sobre sua gestação, enfatizando a vida e a morte dos irmãos:

[...] fui criado pelos meus pais. [...] minha mãe quando descobriu que estava grávida de gêmeos. Eu e o meu irmão. Meu irmão faleceu assim que nasceu e só restou eu. Fui estudar no prezinho e logo em seguida fui para primeira série. O meu irmão R. tinha que assisti aula comigo por alguns dias pois não estava adaptado. A minha família por alguns meses passou muito apertado pois só o meu pai trabalhava e com o dinheiro dele ele foi paga um curso para o meu irmão e eu vendo tudo que estava acontecendo ao meu redor com a idade que tinha pensava que quando crescesse ia arrumar dinheiro só pensava em dinheiro. Até que fiz onze anos e comecei a fazer as coisas erradas. Comecei a traficar e

na saída da Escola os policiais me prenderam. Fui para a Fundação cumprir medida socioeducativa em São Paulo que cumpri por quarenta dias. Sai e fui morar com a minha avó em Minas fiquei lá por um mês e voltei a mora aqui em São José. Parei de estudar. Entrei de volta 15 anos para o crime e assim foi até que fui preso novamente. Fui preso novamente e fui para a Fundação socioeducativa de São José dos Campos por onde fiquei aguardando por 8 meses. Saí novamente voltei a estudá e parei de novo. Mais eu tive que errar para aprender se tivesse escultado meus pais não passava pelo que passei. Aí conheci uma linda mulher chamada C.C. L., que motivou a frequentar a escola e assim estar vivendo feliz sem precisar se esconder de ninguém meus pais felizes e minha mulher me apoiando.

O adolescente R. conta sobre a morte do irmão gêmeo, dizendo que agora só resta um, ele. A morte parece afetar R., no que concerne a sustentar-se vivo, colocando-se com frequência ora no lugar de gadegts, ora no lugar de “quase morto”.

Demonstra o apoio familiar do outro irmão substituindo os pais na adaptação escolar. Relata as dificuldades financeiras por que passaram e dizia que quando crescesse ia arrumar dinheiro. Só pensava em dinheiro, indicando uma fixação no dinheiro como se fosse a saída para a resolução dos problemas. Continua contando que aos onze anos começou fazer coisas erradas (começou a traficar) e aos quinze foi preso novamente. Relata sua errância e afirma que passou por isso por não escutar os pais. Conhece sua namorada, em quem reconhece o apoio que buscava para viver.

R. demonstra simpatia, meiguice e desconfiança. Fala pouco e pensa muito para falar, não respondendo com o que vem à cabeça. Entretanto, às vezes o conteúdo inconsciente escapa e não sabe o que fazer com isso, mas continua falando e aos poucos percebo que sustenta uma posição de denúncia quando se dispõe a falar.

Apresentou dificuldade em comparecer ao CREAS, como nas entrevistas da pesquisa, transferi para pesquisadora um pouco da confiança que está presente na sua relação com N., mostrou-se disponível, mas participou de apenas duas entrevistas, nos outros “encontros decididos”, não veio e uma das vezes alegou ter um outro compromisso depois do seu atendimento marcado com N. Destacamos o seguinte trecho da entrevista: