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Innledning

In document Den tredje statsmakt NOU (sider 88-91)

Den sentrale administrasjonen av domstolene

9.3 Utgangspunkter for kommisjonens vurderingervurderinger

9.5.1 Innledning

Esta sessão foi marcada por muitas ausências, em relação às quais especulámos algumas razões possíveis:

- O facto de a sessão se ter realizado imediatamente a seguir ao Carnaval e muitos dos elementos do Grupo terem ido de férias;

- Na sessão anterior ter sido acordado que a próxima sessão seria dentro de 15 dias e não ter sido apontada nenhuma data específica, o que tendo em conta os défices atencionais e de concentração, característicos deste tipo de população, teria sido mais eficaz marcar o dia concreto.

Relativamente ao Francisco Carmo tivemos conhecimento de que havia trocado os dias e o Manuel Cristo apareceu já no final da sessão.

O Francisco Venâncio não falou durante toda a sessão, sendo que o mais interveniente foi o José Figueira.

O Fernando Teixeira esteve mais descontraído durante esta sessão e por várias vezes acenava com a cabeça como sinal de concordar com o que o seu amigo dizia.

O José Figueira levou um dossier com textos, fotos e registos de imprensa, cartas e aerogramas da guerra do Ultramar, que tem elaborado ao longo destes anos.

algumas das passagens retratadas. Manifestou a intenção de um dia doar este seu trabalho à Liga dos Combatentes para que se soubesse a história verdadeira do que o seu Batalhão passou e fez: os relatos da tomada de Nambuangongo, a competição entre Batalhões, a responsabilidade que tinha em comandar homens (era furriel) e alguma irresponsabilidade e pouca preparação de alguns comandantes, rivalidades entre graduados, medos do que estava entre o capim e as matas cerradas, sobretudo medo do imprevisto, as privações relativamente à comida, ao dormir e aos reabastecimentos, etc.

Os temas abordados giraram em torno da dinâmica de grupo e do essencial que é o respeito pelo tempo em que os outros camaradas falam; os motivos possíveis para tantas ausências e as vivências pessoais de guerra, sobretudo pelo José Figueira. A sessão decorreu sem sobressaltos e no final o Francisco Venâncio levou os questionários para preencher em casa.

SUMARIZAÇÃO

Uma vez que a sessão deu início 15 minutos depois da hora, só terminou 15 minutos depois do meio-dia também.

O José Figueira sente uma necessidade de estabelecer regras e de evidenciar de alguma forma a posição militar que teve durante a guerra. Tenta reproduzir em situação de Grupo o comando e estabelecimento de paz que recorda promover com os seus soldados durante a guerra. Este sentimento é ainda mais potenciado pelo facto de ser amigo pessoal do Fernando Teixeira, o qual reage bastante impulsivamente e apresenta tendência para evitamento e fuga, sempre que discorda de algo que é dito.

O Francisco Venâncio mostrou-se sempre muito atento ao que era dito e o facto de se encontrar numa posição de adaptação fez com que não falasse durante toda a sessão.

No decorrer da sessão entendeu-se que seria criado um cartão para dar aos elementos do Grupo para que na última sessão possam apontar a data da próxima.

LIGA DOS COMBATENTES

CENTRO DE ESTUDOS E APOIO MÉDICO, PSICOLÓGICO E SOCIAL – LISBOA GRUPO PSICOTERAPÊUTICO 1

Sessão

Data 11.3.09

Hora 10:30h

Técnicos

Dra. Odete Nunes Dr. Tito Laneiro Dr. António Correia Dra. Martina Lopes Pacientes

José Figueira Fernando Teixeira

Ilídio Pinheiro Manuel Cristo Manuel Vaz Lourenço

Nuno Vivaldo Benjamin Fernandes

Samuel Craveiro Francisco Venâncio

DESENVOLVIMENTO DA SESSÃO

No início da sessão voltaram a ser salvaguardadas as regras chave do bom funcionamento do Grupo, salientado o facto de se encontrarem 3 novos elementos, nomeadamente: Benjamin Fernandes, Samuel Craveiro e Nuno Vivaldo.

Nesta sessão houve mais respeito pelo espaço do outro enquanto falavam. Em contraste com a sessão anterior, a postura dominante foi mais de aceitação e compreensão do que de provocação e crítica.

A sessão começou com o pedido do Ilídio Pinheiro para ler uma notícia da revista do Correio da Manhã relativamente a um relato de um combatente do Ultramar em relação ao que passou em Angola. Segundo o Ilídio Pinheiro este artigo não tem qualidade e “relata coisas que não são da guerra” (sic) como as bebidas alcoólicas, as mulheres ou momentos de alegria e boa disposição. Acredita que a verdade tem que ser reposta e que se deve falar com factos concretos e não com base em histórias do que se vai ouvindo.

. Fernando Teixeira - mais calmo, sereno e participou mesmo no final com um comentário positivo. Acenava com a cabeça em concordância com o que ia sendo dito.

. José Figueira - expôs-se bastante a nível particular e de vivências de guerra (por exemplo: quando permitiram no seu batalhão que rasgassem um corpo puxados por dois carros distintos em sentidos opostos - episódio que nunca tinha contado anteriormente) e trouxe á discussão temas pouco revelados até ao momento (por exemplo: a privação sexual a que se encontravam sujeitos; a procura de mulheres de guerra; relações homossexuais de ex-combatentes).

Já no final da sessão mostrou-se incomodado (corado e mais introvertido) possivelmente pela exposição pessoal a que se sujeitou, ou por ter colocado em debate temas praticamente “tabus” e apenas falados em espaços restritos e exclusivos a quem os viveu.

. Ilídio Pinheiro - trouxe uma revista em que leu uma notícia que considerou uma mentira e uma afronta a todos os ex-combatentes da guerra do Ultramar. Foi lendo em voz alta para todo o grupo, e um a um, todos demonstraram a mesma opinião do Ilídio. Concordaram que os relatos não se aproximavam do que realmente se passou, que o autor fazia referência a temas que nada dizem respeito a “histórias de guerra” (como por exemplo, a procura que existia a mulheres para ter relações sexuais) e todo um conjunto de comportamentos e sentimentos relatados que, segundo os presentes, não reflectiam o que passaram durante a guerra.

Mostrou-se sempre comunicativo e activo nos diálogos que se iam estabelecendo. Ficou bastante admirado pois já conhece o José Figueira há 50 anos e não conhecia esta história que contou na sessão.

. Manuel Cristo – Esteve bastante mais calado do que na primeira sessão. Sempre muito atento ao que se ia dizendo, mostrou-se admirado com alguns relatos das “atrocidades” cometidas pela tropa portuguesa e acrescentava, num tom de voz baixo :”Eu não fiz (não vi) nada disso” (sic.). Comentava o que se ia dizendo, mas desta vez já não com a postura monopolizadora que costuma apresentar.

. Manuel Vaz Lourenço – cada vez mais participativo. Fala e gesticula com mais frequência e já faz valer os seus pontos de vista, mesmo que contrários á opinião de algum dos camaradas presentes. Embora com uma postura sempre um tanto contida, já consegue manifestar alguns dos seus sentimentos e exteriorizar, mesmo com

espaço tem para o Manuel e o efeito de catarse que provoca. Como se estivesse num processo de remissão do sentimento de culpabilidade pelos actos realizados durante a guerra. Esteve muito participativo, explicou como funcionava a instrução dos comandos e a dureza a que eram sujeitos.

. Nuno Vivaldo – foi a primeira sessão a que assistiu. Esteve atento mas pouco participativo. No final reforçou a ideia de que tinha gostado de participar no grupo. . Benjamin Fernandes – foi a primeira sessão em que esteve presente mas manteve- se muito participativo e descontraído. Diz que era padeiro e estava sempre na cozinha e que por isso não passou fome. Acompanhava frequentemente os comandos e que só não recebeu o Crachá de Comando porque recusou. Considera que foi com esta tropa especial que aprendeu muito e sobretudo a não fugir perante o perigo. Diz que tirando as excepções das tropas especiais portuguesas, a preparação e treino eram deficientes. Não havia a fase de Integração. Chegavam e sem armamento, ou muitas das vezes desadequados ou obsoletos. As viaturas e outros equipamentos e recursos eram pouco adequados e “eram largados” na picada ou no mato.

Era uma pessoa bastante religiosa, evangélico praticante regular, e quando chegou ao Ultramar foi sujeito a uma “lavagem cerebral” (sic). Viu fotos de colonos brancos estuprados espalhadas pelo acampamento (pressão psicológica e social) diz que se transformou e nem se reconhecia a si próprio. Tinha vontade de se vingar, e considera que actos que cometeu são incompatíveis com o que a sua religião defende, e que como tal não pode continuar a sua busca espiritual. Manifestou sentimento de revolta e injustiça pela condição actual dos ex-combatentes; sentimentos de culpabilidade pelos actos cometidos durante a guerra e o arrependimento que ainda hoje sente por isso. Disse que ficou uma pessoa totalmente diferente desde que foi para a guerra e o que “gostava era de acção. Se não fosse para a acção que não queria ir, mas que para ir para o mato com os comandos estava sempre pronto” (sic.).

. Samuel Craveiro – foi a primeira sessão em que esteve presente. Sempre atento e participativo no que respeitava a equipamentos e acontecimentos de guerra. Não fez qualquer referência a sentimentos dessa altura ou presentes em relação às vivencias de guerra.

. Francisco Venâncio – Esteve mais participativo durante este sessão. Atento e compreensivo com o que ia sendo dito, especialmente quando se abordou a falta de preparação que as tropas portuguesas tinham quando foram para o Ultramar.

SUMARIZAÇÃO

A questão central levantou-se em torno da falta de formação que a tropa portuguesa em geral tinha quando foi para o Ultramar e todo o conjunto de incidentes que ocorreram e que podiam ter sido evitados por causa disso.

Que as pessoas têm formas diferentes de reagir perante diferentes situações e que, tal como vários episódios que foram relatados o demonstram, por vezes os traços de personalidade que nos caracterizam acabam por não ser os que manifestamos perante situações para as quais não estamos preparados. Por exemplo, um episódio descrito na sessão, em que um furriel conhecido como sendo bastante destemido e sempre pronto para a acção, não foi capaz de reagir quando esteve frente a frente com um turra que tinha uma arma apontada para ele durante uma emboscada.

Salientou-se ainda a importância do relato da veracidade dos acontecimentos e que a deturpação desses factos é quase como se pusesse em causa todo este sofrimento vivido. De salientar o respeito pelo tempo de fala de cada um dos intervenientes.As intervenções dos técnicos foram também mais respeitadas e ouvidas com atenção e aparente ressonância, resultando na necessidade de justificação perante o Grupo e de aceitação por parte do mesmo.

Participantes como o Manuel Cristo foram capazes de controlar a ansiedade e de esperar enquanto os outros falam, e o Manuel Lourenço foi capaz de exteriorizar sentimentos que tentava esquecer e esconder há anos.

Parece que o Grupo começa a sentir que contar o sofrimento não implica ser fraco, mesmo porque é comum a todos eles. Pelo contrário, mostra a capacidade de o reconhecer e aprender a lidar com ele. A evolução no decorrer das sessões tem mostrado a crescente confiança entre os combatentes e a diminuição, mesmo que controlada, das resistências a determinados temas e aspectos mais pessoais que implicam o lidar com sentimentos com que se tentou lidar durante mais de 30 anos.

De uma forma geral todos referiram que os militares graduados tinham pouca sensibilidade e preparação para lidar com os restantes homens (por exemplo: num caso com uma viatura acidentada, os graduados ficaram preocupados com a viatura e não com os homens que tinham morrido ou ficaram feridos).

Em termos técnicos, apenas uma situação a registar face a um técnico que sobrepôs a sua ideia á de outro de estava a entrevir. De salvaguardar que se deve esperar pelo final da intervenção do colega para depois, se necessário, acrescentar a sua ideia.

LIGA DOS COMBATENTES

CENTRO DE ESTUDOS E APOIO MÉDICO, PSICOLÓGICO E SOCIAL – LISBOA GRUPO PSICOTERAPÊUTICO 1

Sessão

Data 25.3.09

Hora 10:30h

Técnicos

Dra. Odete Nunes Dr. Tito Laneiro Dr. António Correia Dra. Martina Lopes Pacientes

José Figueira Fernando Teixeira

Ilídio Pinheiro Manuel Cristo Manuel Vaz Lourenço

Benjamin Fernandes Samuel Craveiro Francisco Venâncio

In document Den tredje statsmakt NOU (sider 88-91)