As avaliações psicológicas realizadas no CAMPS Lisboa têm sobretudo duas finalidades, por um lado a integração das avaliações em processos de Modelo 2 para efeitos de qualificação como Deficiente das Forças Armadas (DFA) ou para a realização de relatórios qu visam a obtenção de reforma antecipada ou por invalidez (a mais frequente).
A variedade de Testes Psicológicos disponíveis no CAMPS – Lisboa é bastante diversificada, sendo as mais utilizadas as que se encontram indicadas pelo Ministério da Defesa Nacional: - PCL – M - SCL -90 – R - MMPII - MPR - Rorchach - TAT - BDI - WAIS - EMW - TP - STAI -MCMI-II - IES
Para além destas provas serão também descritas as provas psicológicas que constituem a bateria de testes aplicadas nos Projectos de Investigação levados a cabo pelo CEPI: Escala de Valores Nunes, O – Versão Reduzida; E.T.C. – Versão Reduzida e S.E.R.T.H.U.A.L – Versão Reduzida.
Descrição das Provas Psicológicas
O TAT (Thematic Apperception Test), partilha a fama e as críticas fervorosas com o teste Rorschach (Lilienfield et al, 2001) foi desenvolvido por Henry Morray e pela sua aluna Christiana Morgan, com o principal objectivo de aceder a reacções a estímulos interpessoais ambíguos (Lilienfield et tal., 2000) através da criação de uma história com base nas imagens apresentadas ao sujeito que, a posteriori, são analisadas por tema e reportório de imagens (Anderson, Song, )
O Thematic Apperception Test é formado por 31 cartões, quase todos com imagens de natureza social, incluindo um totalmente em branco, ao sujeito é pedido que crie uma história com base nas imagens apresentadas, tendo em conta aspectos como, o que levou à situação apresentada, qual é a situação, o que vai acontecer no futuro, quais são os sentimentos e o que estão a pensar as personagens apresentadas na imagem, Morray adiantou ainda que o avaliado se identifica com a personagem principal e é através dele que desenvolve a história (Lilienfield et tal., 2000)
O instrumento projectivo rapidamente se multiplicou em variações mais específicas, como é o caso do Children’s Apperception Test, (Lilienfield et al, 2001) Robert’s Apperception Test for Children, direccionados para crianças, o Adolescent Apperception Cards e o Senior Apperception Test (Lilienfield et tal., 2000). Apesar das suas múltiplas aplicabilidades, por exemplo no campo do Markting (Boddy, 2005), direccionados para diferentes faixas etárias, dos vários tipos de baterias de interpretação desenvolvidos, o TAT, apresenta muitos deficits a nível da validade. Por um lado, porque a maioria dos clínicos não segue uma linha interpretativa comum, sustentado muitas vezes as suas interpretações com a sua intuição clínica, e, por outro lado, o individuo também pode contribuir para dificultar a validade da aplicação, ora através do efeito “Walter Mitty”, fantasiando sobre determinada característica que não possui ou através do efeito inibitório, reprimindo determinada característica (Lilienfield et tal., 2000)
Uma das correlações feitas com o TAT, tendo em vista o aumento de validade, foi o crescente uso da análise de conteúdos, ou seja, o exame detalhado a textos,
discursos, poemas, peças de teatro, procurando temas associados com construtos psicológicos (Anderson, Song, )
Em contraste com o Rorschach e o TAT, o DAT (Draw-a-Person Test), assume uma posição mais prática, pedindo ao avaliado que desenhe uma pessoa, uma casa ou uma árvore (Lilienfield et tal., 2000) que posteriormente, serão interpretados pelo
da personalidade e sinais específicos do esquisso do avaliado, pode, por exemplo relacionar olhos grandes com paranóia ou traços da face não desenhados com a depressão (Lilienfield et al, 2001)
Este último aspecto que recai sobre aspectos da interpretação do DAT, é alvo de grande polémica, na medida em que esta ligação entre características do desenho e traços da personalidade não é consistente e por vezes pode levar a interpretações erróneas apenas pela falta de capacidades artísticas (Lilienfield et al, 2001)
Há registo de uma variedade de outras técnicas projectivas a juntar ao Rorschach, ao TAT e ao DAT, como a análise do tipo de letra, que interpreta sinais na escrita do indivíduo para aceder a características da sua personalidade, o Teste da Cor de Lücher, onde indivíduos ordenam blocos de cor por onde de preferência, revelando traços da sua personalidade ou o Estudo de Rosenzweig, onde o sujeito decide o que responder com base na imagem que está a ver, onde a uma personagem faz um comentário provocador à outra. Apesar de estas e muitas mais técnicas, grosso modo, medirem o que realmente se propõem a medir, raramente adicionam mais informação sobre o paciente (Lilienfield et al, 2001)
No que toca à minha experiência pessoal, foi durante o estágio que tive um contacto mais próximo com este tipo de testes projectivos. Tem sido uma experiência bastante gratificante, pois pude aprender a reconhecer uma maior fidelidade no que respeita aos resultados obtidos e na forma estruturada como podem ser cotados. São testes que permitem aceder a material psíquico que de outra forma seria bastante mais difícil.
Rocharch (RCH)
Herman Rorschach criou esta prova em 1920, não podendo ser encarada como uma técnica de estudo da imaginação, mas sim como uma hipótese de estabelecer um diagnóstico psicológico da personalidade, quer normal quer patológica.
Assim, o teste projectivo de RCH destina-se à investigação da estrutura básica de personalidade (traços ou estilos de personalidade). Este teste favorece uma maior compreensão do comportamento humano, mediante o conhecimento dos mecanismos perceptuais nele implicados, através dos quais o indivíduo projecta o seu modo de perceber a realidade, a partir das suas vivências mais profundas, dos seus recursos de adaptação e da sua organização psicossocial. Partindo da concepção holística da personalidade,
definida em termos de unidade e integração, o RCH visa a compreensão do conjunto dinâmico da personalidade, sendo o objectivo da sua administração obter uma amostra do comportamento do sujeito numa situação-estímulo relativamente padronizada, mas ambígua, não estruturada e completamente nova para o sujeito, o que lhe permite projectar-se (bem como às suas problemáticas).
O material do teste compreende dez cartões com manchas de tinta, cinco das quais são acromáticas (pretas e cinza) e as restantes cromáticas (duas em vermelho e preto e três policromáticas em cores pastel). Em geral, as manchas são escassamente estruturadas embora simétricas relativamente ao eixo médio vertical.
A administração é individual e o tempo variável.
Os cartões são apresentados um a um ao examinado, pela respectiva ordem, dispondo o examinador de uma folha de registo adequada para respostas do sujeito. A instrução consiste em pedir ao sujeito que diga tudo aquilo em que o cartão o faz pensar e o que pode imaginar a partir dele ("O que é que isto poderia ser para si?"), esclarecendo, se necessário, que não há tempo limite e que não existem respostas certas ou erradas. Como tal, ao recebê-las, o indivíduo deve pronunciar-se sobre aquilo que a mancha poderia representar, numa associação livre de ideias, ou seja, manifestar a sua opinião relativamente à pergunta genérica que o entrevistador lhe coloca. As próprias instruções reenviam do perceptivo para o imaginário, pelo que ocorrem, durante a prova, interacções entre a actividade perceptiva e a actividade fantasmática. Por sua vez, o técnico deve registar todas as verbalizações do sujeito, os tempos de resposta, os comentários, os comportamentos e as manipulações da prancha feitas pelo sujeito. Em seguida, procede-se ao inquérito, pedindo ao sujeito que explique como, onde e porque viu determinados conteúdos. Finaliza-se com a prova complementar de escolhas, em que se pede ao sujeito que escolha os dois cartões que mais gostou e os dois de que menos gostou, justificando.
Cada resposta do sujeito é classificada quanto à localização (parte da mancha à qual o indivíduo associa a resposta), determinantes (que incluem forma, cor, esbatimento e movimento), conteúdos (onde se destacam os conteúdos animais e humanos) e originalidade versus banalidades.
Classificadas as respostas a todos estes níveis são calculadas as frequências e feitos vários cálculos para determinação dos índices. Tudo isto permite a construção do Psicograma, que por sua vez possibilita uma interpretação do protocolo em termos quantitativos. Estes aspectos quantitativos vão ser a base da análise qualitativa, que
engloba as várias áreas de funcionamento do sujeito - actividade intelectual, nível de socialização e dinâmica afectiva -e permite aceder à dinâmica total da personalidade
WAIS- Escala de Inteligência de Wechsler para Adultos)
Esta escala é utilizada no contexto de Psicologia Clínica como instrumento de psicodiagnóstico para adultos de ambos os sexos dos 16 aos 75 anos. Permite medir a capacidade intelectual Global, a par de um resultado Verbal e de Realização. Os resultados obtidos pelo sujeito fornecem-nos informações quantitativas (o QI), bem como informações qualitativas (muito importantes para a compreensão dos factores que influenciam as suas aptidões intelectuais). O tempo de administração da escala varia entre 60 e 90 minutos, sendo esta aplicada individualmente.
Esta escala é constituída por 11 sub-testes: 6 para a Escala Verbal (Informação, Compreensão, Aritmética, Semelhanças, Memória de Dígitos e Vocabulário) e 5 para a Escala de Realização (Código, Completamento de Gravuras, Cubos, Disposição de Gravuras e Composição de Objectos). Estas podem ser administradas separadamente ou intercaladas, dando-nos, respectivamente, um QI Verbal, um QI de Realização e um QI Total.
Resta acrescentar que esta escala nos permite ainda avaliar o índice Geral de Perturbação Emocional, o Perfil Potencial de Esquizofrenia e o Quociente de Deterioração.