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Innledning

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Endringer i reindriftsloven

16.1 Innledning

O Panorama construído a partir de POF (Pesquisa de Orçamentos Familiares) é um banco de dados interativo que permite avaliar a despesa média com diferentes itens digitais, que incluem equipamentos e serviços, a partir do cruzamento simples das variáveis. .

Apresentamos estas informações nos níveis per capita e coletivo (familiar). Com as despesas expressas em termos mensais, o panorama permite avaliar também o perfil da população total. Todas as informações podem ser cruzadas por diferentes atributos socioeconômicos da população.

Região Geográfica

Abrindo a análise por região geográfica, fizemos um ranking das despesas totais em

2009 para cada unidade da federação brasileira. O estado líder no ranking de despesas é o Distrito Federal (média de R$51,82), seguido pelo Rio de Janeiro (R$51,12) e São Paulo (R$42,74). Os últimos colocados no ranking, por sua vez, são os estados nordestinos tradicionalmente excluídos de Alagoas (R$10,78), Maranhão (R$11,08) e Piauí (R$12,38). Olhando agora para as capitais, temos que os líderes no ranking são Vitória (R$79,23), Rio de Janeiro (R$77,63) e Belo Horizonte (R$62,06). Brasília, a capital do Distrito Federal, líder do ranking por UF, encontra-se em 6° lugar no ranking. As menores despesas, por sua vez, encontra-se em Palmas (R$17,76), Maceió (R$22,67) e Boa Vista (R$22,73). Apesar de o Maranhão ocupar o último lugar no ranking de despesas por UF, a sua capital São Luis aparece em 14° lugar no ranking de capitais, o que mostra a intensa desigualdade entre a capital e o interior desse estado, assim como em muitos outros.

Ranking UF Despesa total Ranking Capital Despesa total 1 Distrito Federal 51,82 1 Vitória - ES 79,23 2 Rio de Janeiro 51,12 2 Rio de Janeiro - RJ 77,63 3 São Paulo 42,74 3 Belo Horizonte - MG 62,06 4 Santa Catarina 39,16 4 Porto Alegre - RS 59,82 5 Rio Grande do Sul 36,17 5 Florianópolis - SC 57,1 6 Espírito Santo 31,16 6 Brasília - DF 53,15 7 Mato Grosso do Sul 31,15 7 São Paulo - SP 51,63

8 Minas Gerais 30,38 8 Goiânia - GO 51,21

9 Paraná 28,94 9 Curitiba - PR 45,73

10 Goiás 26,88 10 Salvador - BA 43,02

11 Mato Grosso 21,36 11 Campo Grande - MS 41,4

12 Rondônia 21,31 12 Recife - PE 38,81

13 Amapá 21,3 13 Aracaju - SE 38,73

14 Sergipe 19,59 14 São Luis - MA 37,14

15 Pernambuco 19,38 15 Cuiabá - MT 34,37

16 Bahia 19,18 16 Porto Velho - RO 30,71

17 Amazonas 17,61 17 Manaus - AM 28,89

18 Rio Grande do Norte 16,36 18 João Pessoa - PB 28,37

19 Roraima 16,32 19 Belém - PA 27,62

20 Acre 15,78 20 Teresina - PI 25,57

21 Paraíba 15,69 21 Macapá - AP 24,48

22 Pará 15,67 22 Rio Branco - AC 24,45

23 Tocantins 14,94 23 Fortaleza - CE 23,49

24 Ceará 13,01 24 Natal - RN 22,79

25 Piauí 12,38 25 Boa Vista - RR 22,73

26 Maranhão 11,08 26 Maceió - AL 22,67

97 Fonte: CPS/FGV a partir dos dados da POF/IBGE 2003/2009

Percepções e Análise Subjetiva

Uma das vantagens da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) é permitir uma análise de dados relativos às despesas digitais dos brasileiros sem comparação no universo de microdados representativos do contexto brasileiro. A novidade é a caracterização das despesas a partir de questões subjetivas para captar a percepção da qualidade de vida.

Renda Familiar

Dentre as variáveis subjetivas da POF, existe uma pergunta que é se “a renda familiar permite que você leve a vida até o final do mês com dificuldade ou facilidade”. Pelas respostas dadas pelos indivíduos, percebemos há aumento da despesa digital per capita total entre os que sofrem dificuldades de renda: aumento de 13,64% de 2003 a 2009, ante a estagnação dos que reportam facilidade. Na comparação entre os tipos de despesas, gastos com serviços de internet são superiores aos com telefonia, apesar do nível menor. Os dados indicam, portanto, que a variação nas despesas foi muito maior para as pessoas que reportam dificuldades.

Despesa per capita

Renda Familiar permite que você leve a vida até o fim do mês com: Categoria Ano Classe Despesa

total Serviços de telefonia Serviços de Internet Equipamentos de telefonia Equipamentos de informática Dificuldade 2009 Total 22,5 12,71 5,31 2,07 2,41 2003 19,8 15,64 1,22 1,51 1,42 Var 03- 09 13,64% -18,73% 335,25% 37,09% 69,72% Facilidade 2009 Total 57,44 28,5 18,16 3,63 7,15 2003 57,43 41,13 6,88 3,62 5,8 Var 03- 09 0,02% -30,71% 163,95% 0,28% 23,28%

Fonte: CPS/FGV a partir dos dados da POF/IBGE 2003/2009

Quantidade e tipo de alimentos consumidos

Se a percepção do nível total de renda indica que os gastos digitais totais aumentaram, a qualidade de vida, aqui representada pela quantidade, tipo de alimentos consumidos e razão de não se alimentar, mostra que os gastos dos mais pobres aumentaram bastante. Os níveis de gastos aumentam conforme a melhora na qualidade de vida, mas as variações seguem o padrão inverso. O ganho geral de renda observado no período, principalmente a partir da emergência da nova classe média, ajuda a entender esse movimento dos gastos. De 2003 para 2009, há um crescimento de 28,31% nas despesas totais de quem normalmente não tinha a quantidade suficiente de alimentos.

Quantidade de Alimentos Categoria Ano Classe Despesa

total Serviços de telefonia Serviços de Internet Equipamentos de telefonia Equipamentos de informática Normalmente não é Suficiente 2009 Total 11,83 6,96 2,51 1,25 1,11 2003 9,22 7,81 0,38 0,69 0,34 Var 03- 09 28,31% -10,88% 560,53% 81,16% 226,47% Às Vezes não é Suficiente 2009 Total 14,73 8,8 2,68 1,7 1,56 2003 13,19 10,78 0,55 1,17 0,69 Var 03- 09 11,68% -18,37% 387,27% 45,30% 126,09% É Sempre Suficiente 2009 Total 40,74 21,3 11,72 2,96 4,76 2003 37,51 28,14 3,41 2,55 3,41 Var 03- 09 8,61% -24,31% 243,70% 16,08% 39,59%

Fonte: CPS/FGV a partir dos dados da POF/IBGE 2003/2009

Despesa per capita Tipo de Alimento Consumido Categoria Ano Classe Despesa

total Serviços de telefonia Serviços de Internet Equipamentos de telefonia Equipamentos de informática Sempre do Tipo que

Quer 2009 Total 52,91 27,1 16,23 3,46 6,13 2003 51,18 37,56 5,36 3,42 4,85 Var 03- 09 3,38% -27,85% 202,80% 1,17% 26,39%

Nem Sempre do Tipo que Quer 2009 Total 21,82 12,26 5,01 2,09 2,46 2003 18,66 14,88 1,06 1,45 1,28 Var 03- 09 16,93% -17,61% 372,64% 44,14% 92,19% Raramente do Tipo que Quer 2009 Total 11,51 6,84 2,07 1,35 1,25 2003 9,35 7,76 0,33 0,75 0,51 Var 03- 09 23,10% -11,86% 527,27% 80,00% 145,10%

Fonte: CPS/FGV a partir dos dados da POF/IBGE 2003/2009

Despesa per capita Razão de não se Alimentar

Categoria Ano Classe Despesa total Serviços de telefonia Serviços de Internet Equipamentos de telefonia Equipamentos de informática

Porque a Renda não Permite 2009 Total 28,24 15,69 6,78 2,04 3,73 2003 14,25 11,67 0,57 1,12 0,9 Var 03-09 98,18% 34,45% 1089,47% 82,14% 314,44%

Porque os Alimentos não são Encontrados 2009 Total 45,9 20,83 14,97 3,72 6,38 2003 28,44 20,37 3,3 2,11 2,66 Var 03-09 61,39% 2,26% 353,64% 76,30% 139,85% Fonte: CPS/FGV a partir dos dados da POF/IBGE 2003/2009

Condições de moradia e acesso a serviços básicos

A análise das variáveis subjetivas referentes às condições de moradia sugere que quem tem boas moradias gasta mais com equipamentos e serviços digitais, principalmente serviços de telefonia. De modo geral, o total de despesas seguiu o padrão de moradia, com maiores gastos conforme a melhora de moradia.

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Despesa per capita Condição de Moradia Categoria Ano Classe Despesa

total Serviços de telefonia Serviços de Internet Equipamentos de telefonia Equipamentos de informática Boas 2009 Total 39,95 20,92 11,7 2,75 4,58 2003 33,23 25,11 3,08 2,11 2,93 Var 03- 09 20,22% -16,69% 279,87% 30,33% 56,31% Satisfatórias 2009 Total 23,6 13,05 5,53 2,22 2,8 2003 19,86 15,74 1,08 1,68 1,36 Var 03- 09 18,83% -17,09% 412,04% 32,14% 105,88% Ruins 2009 Total 8,68 5,51 1,05 1,56 0,55 2003 7,64 6,15 0,24 0,9 0,34 Var 03- 09 13,61% -10,41% 337,50% 73,33% 61,76%

Fonte: CPS/FGV a partir dos dados da POF/IBGE 2003/2009

Despesa per capita Energia Elétrica Categoria Ano Classe Despesa

total Serviços de telefonia Serviços de Internet Equipamentos de telefonia Equipamentos de informática Bom 2009 Total 31,42 16,77 8,52 2,5 3,62 2003 26,19 20,15 2,06 1,87 2,11 Var 03- 09 19,97% -16,77% 313,59% 33,69% 71,56% Ruim 2009 Total 24,29 13,63 6,12 2,05 2,48 2003 20,7 15,61 1,66 1,82 1,61 Var 03- 09 17,34% -12,68% 268,67% 12,64% 54,04% Não Tem 2009 Total 2,26 1,43 0,12 0,5 0,21 2003 0,91 0,75 0,01 0,14 0,02 Var 03- 09 148,35% 90,67% 1100,00% 257,14% 950,00%

Fonte: CPS/FGV a partir dos dados da POF/IBGE 2003/2009

Inadimplência

Entre os tipos de atrasos de pagamentos que a POF permite analisar – atraso de aluguel ou prestações da casa; atraso de luz, gás, água, e atraso no pagamento de bens e serviços – o último é uma boa aproximação para a capacidade da demanda por serviços de telefonia e internet. O ponto principal é que a oferta de bens e serviços digitais é fortemente ligada à capacidade de pagamento das contas, pois eles podem ser considerados supérfluos diante de uma crise financeira familiar. Assim, seriam os primeiros serviços descartados.

Atraso na Prestação de Bens/Serviços

Vamos olhar primeiramente para o atraso nas prestações de bens e serviços. Em 2003, os gastos entre inadimplentes e não inadimplentes eram próximos, mas em 2009, os primeiros passaram a ter gasto com telefonia menor e com internet, maior. No total, porém, não inadimplentes tiveram aumento três vezes maior que sua contraparte.

Despesa per capita

Atraso na Prestação de Bens / Serviços Categoria Ano Classe Despesa

total Serviços de telefonia Serviços de Internet Equipamentos de telefonia Equipamentos de informática Sim 2009 Total 22,87 12,25 5,46 2,44 2,72 2003 20,73 16,45 1,17 1,85 1,26 Var 03- 09 10,32% -25,53% 366,67% 31,89% 115,87% Não 2009 Total 34,95 18,64 9,83 2,52 3,96 2003 26,08 19,81 2,26 1,73 2,28 Var 03- 09 34,01% -5,91% 334,96% 45,66% 73,68%

Fonte: CPS/FGV a partir dos dados da POF/IBGE 2003/2009

Atraso na Água, Eletricidade, Gás, etc.

Para complementar a análise de inadimplência, olhamos para o atraso nas contas de serviços do domicílio como água, eletricidade, gás, etc. Assim como em relação ao atraso em bens e serviços, porém em menor grau, houve um aumento nos gastos totais de pessoas que reportaram ter atrasado o pagamento de bens essenciais.

Despesa per capita

Atraso na Água, Eletricidade, Gás, etc... Categoria Ano Classe Despesa

total Serviços de telefonia Serviços de Internet Equipamentos de telefonia Equipamentos de informática Sim 2009 Total 21,14 11,82 4,63 2,31 2,38 2003 19,67 15,73 0,91 1,76 1,28 Var 03- 09 7,47% -24,86% 408,79% 31,25% 85,94% Não 2009 Total 38,24 20,14 11,13 2,59 4,38 2003 28,43 21,33 2,77 1,78 2,54 Var 03- 09 34,51% -5,58% 301,81% 45,51% 72,44%

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Sitio da Pesquisa

O sítio www.fgv.br/cps/telefonica disponibiliza a pesquisa na íntegra, incluindo bancos de dados interativos que inclui simuladores. Apresenta um conjunto de informações sobre a conexão digital dos brasileiros, assim como de outros lugares no mundo. Analisa o índice de acesso e utilização efetiva à internet, assim como os motivos apontados por aqueles que não usam.

Mapas Digitais e Outras Ações da FGV

Há dez anos o Centro de Políticas Sociais (CPS) lançou o Mapa da Exclusão Digital. O estudo foi o primeiro estudo baseado nos microdados do Censo Demográfico 2000 sobre qualquer campo gerado fora do IBGE. O Censo 2000, por sua vez, foi a primeira pesquisa domiciliar ibgeana a captar o acesso à tecnologia digital sendo seguido pela PNAD 2001. Como resultado o Mapa da Exclusão Digital foi o primeiro estudo brasileiro em escala nacional a tratar sobre o acesso, uso e impactos das TICs do ponto de vista das pessoas.

A FGV dispõe de times qualificados em diferentes usos das TICs desde o CIA (Centro de Informática Aplicada) da EAESP coordenado por

Fernando Meirelles e suas pesquisas sobre utilização de hardware e software no âmbito das empresas, O CTS (Centro de Tecnologia Social) da Direito Rio onde Ronaldo Lemos lidera discussões internacionais sobre propriedade intelectual na rede até as pesquisas sobre regulação do IBRE sob a batuta de Luiz Schymura, ex-Presidente da Anatel.

Telefônica | Vivo

A Telefônica|Vivo é a maior empresa de telecomunicações do País, com 90 milhões de acessos, sendo 74,8 milhões apenas na operação móvel, na qual detém o maior market share do segmento (29,81%) em âmbito nacional.

A Telefônica|Vivo atua na prestação de serviços de telefonia fixa no Estado de São Paulo e telefonia móvel em todo o território nacional e conta com um portfólio de produtos completo e convergente (voz fixa e móvel, banda larga fixa e móvel, ultra banda larga (over fiber), TV, dados e TI). A empresa está presente em mais de 3,7 mil cidades, mais de 2,7 mil delas com acesso à rede 3G – mais do que o total dos municípios atendidos pelas demais operadoras.

O Brasil, onde atua desde 1998, é a maior operação mundial da Telefônica em número de clientes e empregados diretos (cerca de 100 mil). As principais empresas são Telefônica Brasil (Telefônica | Vivo), Atento (call center) e Terra (provedor e portal de internet). O Grupo Telefonica é um dos maiores conglomerados de comunicação do mundo, com presença em 25 países, 309 milhões de acessos, 289 mil empregados e receitas de 62,8 bilhões de euros (2011). Os investimentos previstos para o Brasil no período 2011-2014 totalizam R$ 24,3 bilhões.

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Conclusão (Principais Resultados)

Tal como a célebre música de Raul Seixas que virou título de filme biográfico, a ênfase da inclusão digital não está no início, ou mesmo no fim, mas está no meio. O inicio é o conteúdo a ser acessado nas tecnologias de informação e comunicação (TICs). O fim se refere as capacidades obtidas a partir do uso das TICs como educação, trabalho, lazer entre outros. Se cobertura está associada ao “o que?” e capacidades ao “para que?”, o meio se refere ao “como?”.

Os conceitos de conectividade e convergência são características do meio. Se convergência significa unificar dispositivos de acesso, conectividade multiplica lugares de acesso. A união harmoniosa dos vetores conectividade e convergência guarda a promessa de reduzir custos e ampliar possibilidades de realização de nossas atividades cotidianas. O meio envolve ainda questões práticas começando pelo tipo de dispositivo utilizado, como computador, ou telefone. Ou ainda, telefonia fixa ou móvel e assim por diante. Trata-se de uma espécie de corrida entre tecnologias na busca de cobertura e capilaridade como ponto de partida para condução de conteúdos rumo à conquista de capacidades. O estudo enfatiza a telefonia móvel pela sua cobertura na população carente.

Contrastamos o desempenho de áreas espaciais específicas, tratando níveis e unidades geográficas distintos com metodologias idênticas. O uso mesma métrica suaviza o fluxo do pensar global ao agir local. Dada à velocidade e assimetria da difusão tecnológica em curso, projetamos o uso das TICs em diferentes segmentos das sociedades como mulheres, jovens e etc. Usamos modelos multivariados traduzidos sob a forma de simuladores amigáveis para monitorar progressos e percalços de pessoas iguais em lugares diferentes. Ao fim e ao cabo criamos uma espécie de competição entre atributos pessoais e localidades das TICs pela inclusão social.

Este estudo acompanha a difusão de diferentes Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) na sociedade, tal como enxergadas pelas bases de dados disponíveis a começar pelo Censo 2000 até hoje. Mapeamos o uso das TICs em bases geograficamente desagregadas, tais como estados, municípios e dimensões inframunicipais, tirando partido dos microdados do Censo 2010, recém-disponibilizados. Ainda no campo espacial difundimos em primeira mão dados digitais de 2011 de mais de 150 países. Esta safra combinada de dados nos permite fazer um zoom do globo terrestre ao seu bairro de moradia sobre o uso das tecnologias que revolucionaram o nosso dia a dia.

Além disso, medimos os fins que as pessoas buscam na inclusão digital tais como educação, lazer, governo e comércio eletrônicos entre outros. Auferimos preferências subjetivas declaradas sobre os objetivos de uso da internet através de perguntas diretas aos usuários. Captamos também preferências reveladas da população através de pesquisas de orçamentos familiares sobre os gastos em serviços e infraestrutura de informática e de telefonia. A nossa estratégia é estudar os meios privados gastos para atingir finalidades desejadas.

Temos conferido ênfase exagerada no âmbito da inclusão digital seja nas medições, seja nas discussões de política ao acesso a computador com internet e pouco aos celulares, que é uma tecnologia mais intuitiva e difundida no Brasil e no Mundo. Aqui a taxa de cobertura de domicílios com celular é 87% contra 38% da telefonia fixa e 40% de computador com internet. Na média mundial, estes números são 79,96% contra 43,34% e 36,29%, respectivamente. Diversos estudos têm captado efeito positivo da telefonia e serviços associados em forte difusão através do celular sobre crescimento econômico.

Na hora de se traçar metas de telefonia, a forma fixa ou móvel não deveria importar. O acesso a telefonia fixa caiu, em 8 anos, 14,2%, enquanto a telefonia móvel aumentou 165%. O uso domiciliar dos dois tipos de telefonia subiu 66,9%. Agora, o uso de uma das duas tecnologias sobe 48,8%. Em números absolutos, a telefonia fixa e móvel atinge a cobertura de 38,7% enquanto a cobertura de tecnologia fixa ou móvel chega a 85,7%.

Outra questão relevante se refere à unidade de medição, domicílios ou indivíduos. Apesar de usarmos o termo computador pessoal (PC de Personal Computer), o que é realmente pessoal é o uso do celular. O telefone fixo e o computador em particular os desktops estão mais associados a ativos familiares. Outra clivagem relevante é aquela existente entre cobertura e uso efetivo das tecnologias. Nas estatísticas domiciliares se socializa um suposto uso pleno do ativo entre os vários membros de cada domicílio.

De maneira geral as bases de dados internacionais e domésticas têm enfatizado o acesso domiciliar e não o uso individual efetivo que seria mais relevante. Este ponto importa para questões ligadas a desigualdade digital como gênero e idade, por exemplo. No gênero o acesso domiciliar é 2,9% favorável a elas, mas no conceito de uso individual efetivo são 4,1% favorável a eles.

O uso individual de internet tem crescido a taxa de 8,8% ao ano. O objetivo da conexão a internet, independente do dispositivo de acesso são diversos indo desde atividades mais frequentes associadas à comunicação (37,3%), lazer (29,6%), leitura de jornais e revistas e busca de informações (28,7%), educação e aprendizado (28,1%). Além disso, há alguns usos

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mais específicos como comércio eletrônico (8,1%), governo eletrônico (8%) e transações financeiras (7%).

O último dos objetivos de desenvolvimento do milênio (MDGs) da ONU incorpora indicadores de conectividade. Entretanto, temos dado pouca importância aos mesmos. À medida que se aproxima 2015, data final do compromisso do milênio fixado pela ONU, volta à discussão sobre as novas metas a serem perseguidas. Participo de comissão internacional e de seminários em Paris, Seoul, Beijing, Pretoria, Mumbai e finalizando com um organizado e hospedado por nós no Rio de Janeiro em torno da fixação de novos objetivos do milênio (Post-

2015 Targets). A proposta hoje em discussão prevê a ampliação desses objetivos de 8 para 12

com um objetivo específico voltado a conectividade. A incorporação efetiva de indicadores no âmbito dos compromissos do milênio talvez seja a maneira mais efetiva de transmitir indicadores, é transformá-los numa meta de governos não só nacionais como locais, setor privado e sociedade. Buscando subsidiar este debate apresentamos alguns resultados a seguir:

ITIC Global –

Propomos e calculamos indicador sintético integrado de Telefonia, Internet e Celular, o ITIC, aplicado a 150 países, 5550 municípios brasileiros, estados, suas capitais e seus distritos e bairros.

O Brasil se situa na 72º posição com 51,25% de ITICC próximo da média global de 49,1%. O líder mundial de acesso a tecnologia pelo ITIC é a Suécia (95,8%) seguida da Islandia (95,5%) e Singapura (95,5%) empatadas. Lanterninhas do ranking são: República Centro Africana (5,5%), Burundi (5,75%) e Etiópia (5.5%).

Sem Celular - Ao excluir o celular do ITIC não afetamos a ordem do topo do ranking, mas

afetamos a base do mesmo passando a ser comportas por Madagascar (0,3%), Guinea (0,3%) e Togo (0,7%). Note que as taxas de inclusão são de 15 a 30 vezes menores.

Felicidade Digital - Há uma correlação forte entre na inclusão digital e felicidade entre países:

a cada 10% de ganho no ITIC a felicidade presente sobe 2,2%. Entretanto, não se pode dizer que inclusão digital traz a felicidade, ou vice-versa.

Em nível microeconométrico, tanto na felicidade presente, como na passada e na futura os coeficientes de telefonia fixa e de internet são positivos e maiores para os últimos.

Gênero - Apesar de uma correlação próxima de 1 em 28% dos países o ITIC delas supera o

deles. O ganho de felicidade das mulheres em relação aos homens é positivo no caso do acesso a telefonia (0.042) mas não é estatisticamente diferente de zero no caso da internet.

Nenhum país do mundo apresenta diferenças de correlação entre felicidade presente e acesso a telefonia menores que o Brasil (em 47 dos países a correlação é estatisticamente positiva; nos demais, é estatisticamente nula). Para mais detalhes, vide a tabela abaixo. Isto pode sinalizar uma baixo impacto de ativos de TICs, ou de sinais de riqueza em geral na felicidade do brasileiro

ITIC Local - Os extremos dos municípios em termos do ITIC são São Caetano em São Paulo

com 82,6% e Fernando Falcão no Maranhão com 3,7%.

A Capital da inclusão digital pelo ITIC é Florianópolis (77,1%).

Os distritos das capitais pesquisadas com maior ITIC são Moema (83%) e Jardim Paulista (92,3%) e mais 6 até Consolação (89%) em São Paulo, Bueno em Goiânia (91,7%), Lagoa (88,9%) no Rio, Vitória (78,4%) e Amaralina em Salvador

Os menores sub-distritos de ITIC no Rio são as favelas do Complexo do Alemão (50,8%), Jacarezinho (54,5%), Maré (55,9%) e Rocinha (57,5%)

Estados Digitais - Os extremos dos estados em termos ITIC são Distrito Federal (71,21%) e

Maranhão (26,87%). Os extremos do ranking do ITIC sem celular são os mesmos, mas com amplitude de variação maior Distrito Federal (63,14%) e Maranhão (14,81%).

Censos 2000 X 2010 - Ressaltamos o forte aumento da posse de computador e uma certa

estagnação na cobertura da telefonia fixa

Celular X Internet –

Os extremos dos municípios em termos do ranking com internet são São Caetano (74%) e Aroeiras (PI), com zero virtual. No celular os extremos são Chapadão do Céu em Goiás (97,9%) e Alvorada do Fernando Falcão/MA (9,42%)

Tal como entre países, entre cidades brasileiras os líderes do ranking de celular inclui localidades excluídas do ranking das demais TICs pesquisadas.

Damos ênfase exagerada ao computador com internet e pouco aos celulares, que é uma tecnologia mais intuitiva e difundida no Brasil e no Mundo. Diversos estudos têm captado efeito positivo da telefonia e serviços associados em forte difusão através do celular sobre crescimento econômico.

Aqui a taxa de cobertura de domicílios com celular é 87% contra 38% da telefonia fixa e 40% de computador com internet. Na média mundial, estes números são 79,96% contra 43,34% e 36,29%, respectivamente.

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No total das despesas, houve um aumento de 22,98% no período 2003 a 2009. As despesas relacionadas aos serviços de internet e equipamentos de informática foram as que mais cresceram, 319,69% e 73,23% respectivamente.

Pobreza Digital - A classe E, apesar de possuir os menores níveis de despesas digitais, foi a

que teve maior aumento de 47,51%. De 2003 para 2009, há um crescimento de 28,31% nas despesas totais de quem normalmente não consumiam quantidade suficiente de alimentos.

Desigualdade Digital - Dos serviços de telefonia, o cartão telefônico para celular é aquele com

menor nível de desigualdade dos gastos (Gini de 0,7593) - o mais difundido entre as famílias. Em termos de acesso, 44,08% das pessoas tiveram essa despesa familiar, cerca de R$ 9,74 por pessoa.

Contas domiciliares de internet (provedor, a cabo, via satélite, etc) gastos em média R$ 22,64 per capita ao mês com Gini de 0,9682 mostra que o acesso ainda é bastante desigual para a população como um todo.

Estados - O líder das despesas digitais é o Distrito Federal (média de R$51,82), seguido pelo

Rio de Janeiro (R$51,12) e São Paulo (R$42,74). Os últimos são Alagoas (R$10,78), Maranhão (R$11,08) e Piauí (R$12,38).

Capitais - As líderes são Vitória (R$79,23), Rio de Janeiro (R$77,63) e Belo Horizonte

(R$62,06). Brasília, líder do ranking por UF, encontra-se em 6° lugar no ranking. As menores

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