5.4 Ideutviklinger preget av aksept
5.4.3 GLASS
5.4.3.1 Initieringssekvens GLASS
Esta classe, com palavras como lembrança, história, lugar, faz referência à aproximação das práticas de saúde/equipe/ambiência da unidade, da história e do cotidiano dos usuários, do território e da cultura. Foram apresentdas 68 palavras analisáveis, 39 UCE entre as selecionadas (10% do total). Em cinco posts, questões referentes à ambiência aparecem como estratégias de inovação na produção do cuidado.
Entre os problemas existentes ainda hoje na atenção básica à saúde, a infraestrutura é sem dúvida um dos principais e mais presentes em todo o território nacional. Casas que são adaptadas para acolher UBS, com dimensões aquém do necessário, são apenas um dos desafios a serem enfrentados, como podemos ler nos fragmentos dos posts a seguir.
É uma unidade de pequeno porte estrutural com estrutura física inadequada por ser uma casa de conjunto habitacional adaptada para uma unidade de saúde (FREITAS, 2009).
O que não dizer da infraestrutura física das nossas unidades de saúde, muitas delas verdadeiras casas de pombo, inadequadas em suas recepções e em suas salas de espera (HOULY, 2009).
Coloca-se, então, como desafio à prática diária dos profissionais de saúde da AB, pensar estratégias que tornem os espaços das UBS mais agradáveis e acolhedores. O compromisso com a ambiência é uma das características do processo de trabalho das equipes de atenção básica, destacadas na Portaria Nº 2.488, de 21 de outubro de 2011, que aprova a Política Nacional de Atenção Básica (BRASIL, 2011). Esse compromisso aparece na Rede HumanizaSUS como uma das preocupações e inovações no fazer das equipes de saúde.
Uma das estratégias apresentadas é a composição de cenários que trazem elementos e objetos da cultura da comunidade presentes no cotidiano das pessoas.
A toalha rendada é aberta sobre a mesa e os objetos vão aos poucos se pondo a várias mãos uma velha lamparina a querosene, um ferro de passar a carvão, uma chaleira, um rádio, um portaretratos. Na parede, um estandarte de retalhos coloridos exibe versos, mensagens, fragmentos afixados de antigas conversas. Completando a cena, uma cadeira de
Histórias de Inovação na Atenção Básica à Saúde presentes na Rede HumanizaSUS
balanço coberta por uma manta de algodão espera pelo próximo que irá sentar e contar sua história. Pode parecer estranho à primeira vista, mas o panorama descrito não faz parte da encenação de uma peça de teatro ou de alguma exposição de antiguidades os artefatos mencionados e a composição do cenário estão ali para produzir saúde (ARAGÃO, 2010).
Muitas vezes, objetos trazidos pelos próprios usuários produzem a sensação de pertencimento à unidade. É um pouco de cada um e da história de todos na composição de serviços de saúde mais próximos da comunidade e mais agradáveis para usuários e trabalhadores. Atua-se no campo simbólico, dos saberes, cultura, valores, história, artes, linguagem, que acessados pelos sujeitos tornam-se um “primeiro vetor de organização da ação do mesmo para a produção do cuidado” (FRANCO, 2006, p. 8).
Assim também são os objetos sobre a mesa. A caneca florida tem, para Rosa, o sabor do leite de vaca ordenhado e consumido na hora no sítio do avô. Para Margarida, outra lembrança, usava a caneca para comprar manteiga a granel na mercearia perto de casa. Fascinada por aviões, quando os avistava, acenava com a caneca esquecendo que, com o movimento, a manteiga derretia derramando-se pela areia da praia. O velho rádio toca Luiz Gonzaga, conta Seu Geraldo; mas para Dona Severina ele toca uma valsa. O lampião guiava os caminhos de Adélia, mas também iluminava Seu Olívio ao escrever seus versos. Lampiões, lamparinas, velas. Chamas acesas. Sopros de vida (GADELHA, 2012).
Entende-se que os usuários, ao “sentirem-se em casa”, serão mais capazes de expor suas necessidades, dúvidas, dificuldades e anseios.
O bom dia caloroso das muitas vozes e os objetos dispostos na mesa, inspirados no cenário vivo encontrado nos domicílios de tantos outros moradores da vizinhança, ajudam a se sentir em casa. Dona Cleide respira fundo e começa a compartilhar sua história (ARAGÃO, 2010).
Os equipamentos de saúde, por vezes, são associados pelos usuários a espaços onde prevalecem a doença, o sofrimento e a dor. A preocupação presente em alguns dos posts é a de possibilitar que as unidades de saúde sejam também vistas pela população como um espaço acolhedor e produtor de vínculo. É um cuidado presente tanto nos momentos reservados para os grupos, rodas e atividades coletivas, como uma estratégia para tornar o atendimento clínico um momento mais agradável. Um ambiente agradável “pode interferir na saúde do usuário, que muitas vezes procura a unidade de saúde em busca de reduzir o estresse presente em seu ambiente familiar ou meio social” (COELHO; JORGE; ARAÚJO, 2009, p. 446).
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a criação de um ambiente mais agradável às crianças, que se tornaram menos susceptíveis a chorar ou adquirir uma postura desconfortável diante da execução dos procedimentos de consulta; aos acompanhantes, que tiveram a oportunidade de interagir e discutir suas dúvidas e conhecimentos uns com os outros, além de poderem aguardar sua vez num ambiente mais calmo (RAQUEL, 2011).
Retratam-se ambientes que sejam também espaços onde os trabalhadores queiram estar e trabalhar, que acolham não só usuários como os profissionais de saúde. Ao compor o corpo-si desses trabalhadores, ao mobilizar e trazer parte da história daqueles que trabalham no serviço, os ambientes tornam-se capazes de tornar a atividade mais prazerosa e produtora de potência. Fatores relacionados ao ambiente contribuem para uma melhor satisfação de trabalhadores de saúde e, como consequência, para melhor atendimento aos usuários (MARTINEZ; PARAGUAY; LATORRE, 2004).
A ambiência para a PNH “se refere ao tratamento dado ao espaço físico entendido como espaço social, profissional e de relações interpessoais que deve proporcionar atenção acolhedora, resolutiva e humana” [..]. Esse conceito se coloca atento à saúde. A ambiência é construída e reconstruída em “determinados espaços e num determinado tempo, e vivenciadas por uma grupalidade, um grupo de pessoas com seus valores culturais e relações sociais” (BRASIL, 2010, p.5). Falar de ambiência, então, não se limita à discussão da quantidade e dimensões de cômodos na unidade, mas de que forma e com que finalidade o ambiente das UBS estão organizados para receber os usuários.
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Tocando Em Frente Almir Sater e Renato Teixeira*
Ando devagar porque já tive pressa E levo esse sorriso porque já chorei demais.. Hoje me sinto mais forte Mais feliz quem sabe? Eu só levo a certeza do que muito pouco sei.. Ou nada sei.. Conhecer as manhãs e as manhãs... O sabor das massas e das maçãs... É preciso amor pra poder pulsar.. É preciso paz pra poder sorrir.. É preciso a chuva para florir.. Penso que cumprir a vida seja simplesmente Compreender a marcha e ir tocando em frente.. Como um velho boiadeiro levando a boiada Eu vou tocando os dias pela longa estrada Eu vou...estrada eu sou... Conhecer as manhãs e as manhãs... O sabor das massas e das maçãs... É preciso amor pra poder pulsar.. É preciso paz pra poder sorrir.. É preciso a chuva para florir.. Todo o mundo ama um dia..todo o mundo chora.. Um dia agente chega..o outro vai embora.. Cada um de nos compõe a sua historia.. E cada ser em si carrega o dom de ser capaz de ser feliz.... Conhecer as manhas e as manhãs... O sabor das massas e das maçãs... É preciso amor pra poder pulsar.. É preciso paz pra poder sorrir.. É preciso a chuva para florir.. Ando devagar porque já tive pressa E levo esse sorriso porque já chorei demais.. Cada um de nos compõe a sua historia.. E cada ser em si carrega o dom de ser capaz...de ser feliz.. *Disponível em:http://letras.mus.br/almir-sater/44082/. Acesso em: 01 de março ** Disponível em:http://2.bp.blogspot.com/-9n- LAOhlVIE/TgilRwWHAWI/AAAAAAAAAOo/MGamIPnysWo/s1600/curso-gratuito-de-teatro-em-sp.gif.
Acesso em: 01 de março
Figura 7** - Máscaras
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5.2.2.2. A GENTE NÃO QUER SÓ