4.3 WHY A CONSERVATION PATH?
4.3.1 Initial discussions between conservation and resource extraction interests . 96
A pr eocupação com a degr adação ambient al j á f azia par t e da vida de nossos ant epassados, por ém o sur giment o da Educação Ambient al começa a ganhar f or ça no f inal dos anos 60.
Segundo Reigot a (1994), o lançament o das bombas at ômicas sobr e Hir oshima e Nagasaki em 1945, f oi um moment o impor t ant e par a a quest ão ambient al do planet a, pois essas bombas r epr esent ar am a possibilidade de ext er mínio, at r avés de um ar t ef at o const r uído pelos ser es humanos (pelo desenvolviment o cient íf ico e t ecnológico), de t odas as f or mas de vida, inclusive a pr ópr ia espécie humana.
A par t ir desse f at o, houve uma gr ande cor r ida ar mament ist a, pr incipalment e ent r e os Est ados Unidos e a ant iga União Soviét ica, que at r avessa os anos 50 e chega aos 60, ao mesmo t empo em que vai nascendo um moviment o cont r a esse poder io bélico. Sur ge uma consciência mais planet ár ia, dif undida cada vez mais pelo mundo quant o à necessidade de se r omper com a pr odução de ar mas nuclear es.
37 Por out r o lado, havia t ambém out r as inquiet ações de or dem polít ica e f ilosóf ica quant o ao cr esciment o da população, pr incipalment e nos países pobr es. Esses países, com maior es t axas de nat alidade, det ém a maior par t e dos r ecur sos nat ur ais não r enováveis. Sabe-se que esses recursos são o supor t e do modelo econômico de desenvolviment o indust r ial capit alist a e, por t ant o, est á aí, hist or icament e, um dos gr andes moment os de dúvida em r elação à possibilidade de sust ent abilidade do planet a. Há t ambém o out r o lado dessa quest ão, que economicament e se evidencia cada vez mais um f osso ent r e os países r icos e os países pobr es, r evelando um padr ão de vida cada vez mais elevado, de uma elit e cada vez menor , consumindo cada vez mais r ecur sos nat ur ais não r enováveis.
No ent ant o, a gr ande quest ão é: O que t udo isso t em a ver com a Educação Ambient al? No f undo é pr eciso ent ender que a Educação Ambient al t em uma hist ór ia, uma hist ór ia polít ica, social e ecológica que às vezes é desconsider ada por se desconhecer os seus f undament os.
As r aízes da Educação Ambient al começar am a ser lançadas, a nível mundial, na década de 60 com o apar eciment o de especialist as das mais dif er ent es ár eas do conheciment o, pr eocupados com a r elação pr ej udicial do homem com a nat ur eza. O livr o “Pr imaver a Silenciosa” de Rachel Car son, publicado no Br asil em 1964, chama a at enção par a a per da da qualidade de vida do homem moder no e os ef eit os desast r osos pr ovocados no ambient e pelo uso indiscr iminado dos pr odut os químicos agr o-indust r iais (Car son, 1964). O t r abalho ambient alist a desenvolvido por essa j or nalist a amer icana, consider ado pioneir o, f oi de gr ande r eper cussão, inclusive na elabor ação dos pr imeir os pr oj et os de Educação Ambient al empr egados no cur r ículo escolar (Dias, 2001).
38 Tanner (1978), explica que o “Pr oj et o Raquel Car son” t em como pr emissa básica à ét ica ambient al e est a deve ser dif undida nas escolas como t ema int egr ador na t ent at iva de divulgar os est udos ambient ais.
Dessa época em diant e muit os out r os pr oj et os dir ecionados par a a r ecuper ação, pr eser vação e conser vação dos r ecur sos nat ur ais sur gir am. Em Roma, no ano de 1968, f oi r ealizada uma r eunião com especialist as de vár ias ár eas com o obj et ivo de discut ir a cr ise at ual e f ut ur a da humanidade.
O ar cabouço t eór ico do pensament o do Clube de Roma r eside na idéia de que o planet a é um sist ema f init o de r ecur sos, submet ido às pr essões do cr esciment o exponencial da população e da pr odução econômica. As suas conclusões apont avam o hor izont e do colapso do sist ema. As suas pr opost as or ganizavam-se em t or no da noção de um ger enciament o global da demogr af ia e da economia, a f im de alcançar um est ado de equilíbr io dinâmico. Sever as medidas de cont r ole da nat alidade e mudanças r adicais nos modelos pr odut ivos, com ênf ase numa “economia de ser viços”, er am as r ecomendações cent r ais da nova escola de pensament o ecológico. De acor do com Reigot a (1994) o chamado Clube de Roma enf at izou em seus debat es os pr oblemas ambient ais planet ár ios, o que pr opor cionou a necessidade e a r ealização da Pr imeir a Conf er ência Mundial do Meio Ambient e Humano em Est ocolmo na Suécia pela Or ganização das Nações Unidas (ONU), em 1972. O t ema cent r al dest a r eunião f oi a poluição ocasionada pelas indúst r ias. O Br asil e a Í ndia, que viviam na época o chamado “milagr e econômico”, def ender am a idéia de que a poluição é o pr eço que se paga pelo “pr ogr esso”.
No ent ant o, sabemos que a manut enção de elevados índices de pobr eza t ambém é a f or ma de degr adação, bem como a explor ação pr edat ór ia e impensada que af et a o equilíbr io nat ur al. Não é
39 r esponsabilidade das pr át icas individuais ou colet ivas, mas sim dos at os de int er esse do capit al. Sendo assim a idéia de que o desenvolviment o j ust if ica a degr adação do meio ambient e, com o obj et ivo de er r adicar a pobr eza, é enganosa. I sso f ica clar o quando se obser va que a polít ica desenvolviment ist a do gover no milit ar não r esolveu o pr oblema da pobr eza no país, ao cont r ár io, f oi alt ament e desast r osa t ant o do pont o de vist a ambient al quant o social.
Nesse sent ido, a evolução dos ideais de pr ot eção da nat ur eza, com concepção conser vacionist a, par a uma gest ão ambient al onde a educação exer ce um papel decisivo, pode ser acompanhada pelo planej ament o de ações que mant enham o equilíbr io ecológico.
Segundo Br essan (1996), t ot alidade, r acionalidade e cont r ole público são element os decisivos par a a est r ut ur ação de um modelo de gest ão ambient al que sej a capaz de r econhecer o meio nat ur al em seu valor int r ínseco e, ao mesmo t empo, sem seu int er esse par a o pr ogr esso da sociedade humana. A mat er ialização dest a idéia depende da compr eensão da nat ur eza como um bem público e, por conseqüência, da capacidade do est ado e das or ganizações comunit ár ias em assumir seus papéis de gest or es do pat r imônio nat ur al num cont ext o de t r ansf or mações sociais. Depende, igualment e, da ident if icação ou ger ação de mecanismos cient íf icos e t ecnológicos que t enham como pr emissa o t r at ament o int egr al do espaço e seus ecossist emas, em consonância com a possibilidade de r egulação do equilíbr io ecológico t endo em vist a cada cont ext o hist ór ico.
Com est as af ir mações f ica evident e que a pr eocupação hoj e est á na busca de um modelo de gest ão ambient al que sej a capaz de apr eender o
40 valor do pat r imônio nat ur al sem esquecer o seu int er esse pelo pr ogr esso da humanidade.
Foi na Conf er ência de Est ocolmo que se r econheceu, at r avés de Recomendação númer o novent a e seis, o desenvolviment o da Educação Ambient al como element o cr ít ico par a o combat e à cr ise ambient al no mundo, enf at izando a necessidade de o homem r eor denar suas pr ior idades. Reconheceu t ambém a impor t ância de se divulgar os assunt os ambient ais par a o público ger al, at r avés do t r einament o de pr of essor es e do desenvolviment o de novos r ecur sos inst it ucionais, mét odos e pr ogr amas, obj et ivando-se educar o cidadão comum par a a compr eensão dos mecanismos de sust ent ação da vida na Ter r a, como um caminho par a o manej o e cont r ole do meio ambient e (Dias, 2001).
A par t ir das sugest ões apr esent adas pela Conf er ência das Nações Unidas, o Pr ogr ama das Nações Unidas par a o Meio Ambient e (PNUMA) ligado a UNESCO, passou a coor denar a polít ica mundial das Nações Unidas par a o meio ambient e.
Em 1975, a UNESCO pr omoveu na cidade de Belgr ado (I ugoslávia), um encont r o int er nacional r eunindo especialist as de sessent a e cinco dif er ent es países par a debat er em e f or mular em pr oposições r elat ivas à Educação Ambient al. Nesse encont r o f or am elabor ados os pr incípios par a or ient ar um pr ogr ama mundial de Educação Ambient al. Enf at izou-se a impor t ância de se r ef or mular as alt er ações nos sist emas educacionais, colocando-se a Educação Ambient al como um pr ocesso cont ínuo e mult idisciplinar que pr ior ize as dif er enças r egionais de cada país e busque f or mat ar um novo e pr odut ivo r elacionament o ent r e est udant es e
41 pr of essor es, ent r e a escola e a comunidade, ent r e o sist ema educacional e a sociedade, t udo isso publicado na car t a de Belgr ado.
Dias (2001) consider a o document o f inal da conf er ência um dos pr incipais, que r eúne impor t ant es conceit os e pr incípios par a o t r at ament o das quest ões per t inent es ao meio ambient e, par a que sej a possível o desenvolviment o de novos conheciment os e habilidades, valor es e at it udes, visando a melhor ia da qualidade ambient al e, ef et ivament e, a elevação da qualidade de vida par a as ger ações pr esent es e f ut ur as.
A Car t a de Belgr ado signif icou muit o par a a evolução da Educação Ambient al e expr essa a necessidade de uma nova ét ica global, que pr opor cione a er r adicação da pobr eza, da f ome, do analf abet ismo, da poluição e da dominação e explor ação humana. Pr econiza, ainda, que os r ecur sos do mundo devem ser ut ilizados de modo que benef iciem t oda a humanidade e pr opor cione a t odos a possibilidade de aument o da qualidade de vida: a necessidade de uma ét ica global.
Em 1977, na cidade de Tbilisi, Geór gia (ex-URSS), r ealizou-se a Pr imeir a Conf er ência I nt er gover nament al sobr e Educação Ambient al, conhecida como Conf er ência de Tbilisi pr omovida pela UNESCO em cooper ação com a PNUMA. Foi consider ado o event o mais impor t ant e par a a evolução da Educação Ambient al no mundo, um pr olongament o da Conf er ência de Est ocolmo par a onde conver giam os r esult ados e os inf or mes sobr e out r os event os dessa nat ur eza. A Conf er ência de Tbilisi t eve como obj et ivo elabor ar uma ident idade par a a Educação Ambient al, def inindo seus obj et ivos, suas car act er íst icas, assim como as est r at égias necessár ias par a o seu desenvolviment o a nível nacional e int er nacional. Ao mesmo t empo, t ambém f oi def inida a necessidade de implant ar a Educação Ambient al em
42 t odos os níveis do pr ocesso educat ivo, onde a mesma não deve se const it uir em uma disciplina suplement ar dos pr ogr amas exist ent es, mas par t ir da int er disciplinar idade, exigindo a cooper ação ent r e as disciplinas t r adicionais t ent ando compr eender a complexidade dos pr oblemas do meio ambient e e pr opor soluções par a os mesmos (Assunção, 1995).
A Conf er ência de Tbilisi deixou clar o seus obj et ivos, car act er íst icas, r ecomendações e est r at égias per t inent es t ant o no plano nacional quant o no int er nacional, iniciando assim o seu desenvolviment o e r econhecendo a adoção de alguns cr it ér ios: que ela sej a concebida como um pr ocesso cont ínuo, dir igido a t odos os gr upos de idades e cat egor ias pr of issionais; que deve const it uir par a a r eor ient ação e ar t iculação de out r as disciplinas e exper iências educat ivas que f acilit em a visão int egr ada do meio ambient e; que a comunidade e as pessoas nela inser idas possam compr eender o meio ambient e e at uar sobr e ele de f or ma equilibr ada; que cont r ibua de f or ma mais posit iva ent r e os pr ocessos educat ivos e a r ealidade concr et a da comunidade enf ocando os assunt os de f or ma globalizada e int er disciplinar .
Na Declar ação de Tbilisi, obser va-se que, ao adot ar um enf oque global ampar ado em bases int er disciplinar es, a Educação Ambient al cr ia uma per spect iva que r econhece a exist ência de uma pr of unda int er dependência ent r e o meio nat ur al e aquele elabor ado pelo t r abalho humano no meio social e cult ur al; f inalment e, a declar ação de Tbilisi r econheceu t ambém sua impor t ância no sent ido de cont r ibuir par a a r enovação do pr ocesso educat ivo e pr essupõe a r ealização de cer t as at ividades específ icas par a pr eencher algumas lacunas exist ent es em nosso sist ema de ensino; ent r e out r os, podemos cit ar a f alt a de int egr ação ent r e as disciplinas, a f alt a de int er câmbio ent r e a escola e a comunidade, o despr epar o dos pr of essor es e a ausência de um t r abalho colet ivo na escola (Dias, 2001).
43 Nessa conf er ência f oi elabor ada uma not a especial aos Est ados- Membr os par a que incluíssem em suas polít icas de educação medidas que at endessem à incor por ação dos cont eúdos, dir et r izes e at ividades ambient ais obj et ivando a inclusão dest es em seus sist emas de ensino. Também f oi f eit o um chamament o às aut or idades da educação par a que int ensif icassem seus t r abalhos de r ef lexão, pesquisa e inovação com r espeit o à Educação Ambient al.
As f inalidades da Educação Ambient al, segundo as r ecomendações da Conf er ência da Tbilisi aos países membr os, são:
Ø Aj udar a compr eender clar ament e a exist ência e a impor t ância da int er dependência econômica, social, polít ica e ecológica nas zonas ur banas e r ur ais; pr opor cionar a t odas as pessoas a possibilidade de adquir idos conheciment os, o sent ido de valor es, as at it udes, o int er esse at ivo e as apt idões necessár ias par a pr ot eger o meio ambient e;
Ø f or mat ar novas paut as de condut a aos indivíduos, aos gr upos sociais e a sociedade em seu conj unt o a r espeit o do meio ambient e.
Em 1979, f oi r ealizado na Cost a Rica, pr omovido pela UNESCO, o Encont r o de Educação Ambient al par a a Amér ica Lat ina. Essa r eunião pr omoveu uma sér ie de seminár ios e o r esult ado f oi um dos mais f ecundos em t er mos de implant ação de condut a f ilosóf ica par a o desenvolviment o da Educação Ambient al.
Reigot a (1994) abor da a quest ão f azendo um coment ár io sobr e a chegada de Colombo, há quinhent os anos, como um mar co inicial da moder nidade eur opéia. A viagem de Colombo, embor a sej a consider ada por
44 muit os como uma avent ur a, é vist a por out r os como uma apost a f eit a na t écnica, no conheciment o acumulado e sua possibilidade de domínio pelo homem. O encont r o dos eur opeus com os índios coloca-se diant e de dif er ent es per spect ivas humanas: uma car act er izada pela t écnica e a out r a pela mit ologia. Desse encont r o per cebe-se dif er ent es concepções da r elação do homem com a nat ur eza e de r eligiosidade baseada em cr enças e cult ur as complet ament e dif er ent es.
Ainda hoj e se ver if ica a dif iculdade de se compr eender esse moment o. Por que t ant a discussão em t or no dos quinhent os anos da Amér ica Lat ina? Tr at a-se de uma conquist a? Um descobr iment o? Uma invasão? Um encont r o? Um conf r ont o ent r e dois mundos? O aut or abor da essas quest ões par a aler t ar que o per íodo de colonização de dois cont inent es deixou uma f or t e her ança de desenvolviment o econômico baseado na monocult ur a agr ícola, na explor ação e no esgot ament o e ext inção dos r ecur sos nat ur ais. Sem cont ar a desconsider ação aplicada a t oda cult ur a e ao dir eit o à vida dos povos indígenas, iniciando um dos maior es genocídios da hist ór ia e conclui que isso ainda não t er minou.
O pensament o ambient alist a lat ino-amer icano t em analisado essas quest ões e vem buscando alt er nat ivas. No ent ant o a pr oblemát ica ambient al nos obr iga a pensar na nossa hist ór ia e cult ur a, assim como na nossa f or mação social, econômica e polít ica deixando de ser mos ingênuos ao acr edit ar que os pr oblemas ambient ais são pur ament e biológicos. Em 1983, a Assembléia Ger al da ONU decide cr iar a Comissão Mundial sobr e o Meio Ambient e e Desenvolviment o (CMMAD) conhecida como Comissão Br undt hand. De acor do com Bar bier i (1997) est a Comissão t eve como obj et ivos:
45 a. Pr opor est r at égias ambient ais de longo pr azo par a obt er um desenvolviment o sust ent ável por volt a do ano 2000 e daí par a f r ent e;
b. r ecomendar maneir as par a que a pr eocupação com o meio ambient e se t r aduza em maior cooper ação ent r e os países em desenvolviment o e ent r e países em est ágios dif er ent es de desenvolviment o econômico e social, e que leve à consecução de obj et ivos comuns e int er ligados que consider em as int er -r elações de pessoas, r ecur sos, meio ambient e e desenvolviment o;
c. consider ar meios e maneir as pelos quais a comunidade int er nacional possa lidar mais ef icient ement e com as pr eocupações de cunho ambient al;
d. aj udar a def inir noções comuns r elat ivas às quest ões ambient ais de longo pr azo, e os esf or ços necessár ios par a t r at ar com êxit o os pr oblemas da pr ot eção e da melhor ia do ambient e.
Assim, t or na-se t ambém r esponsabilidade da educação no seu pr ocesso de f or mação, cr iar condições par a as mudanças sociais e cult ur ais dos indivíduos, f or mando-os mais cr ít icos, conscient es e qualif icados par a lidar com os desaf ios impost os par a a pr eser vação do meio ambient e e da vida, numa per spect iva de desenvolviment o sust ent ável par a t odos os povos da t er r a.
Sabemos que t odos esses pr oblemas t êm suas r aízes na sit uação socioeconômica e nos padr ões de compor t ament o inadequados. A solução par a t ent ar modif icar t ais pr oblemas começa na pr é-escola, f or mando a