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Influence of dynamic conditions in the refining zone

2.3 Refining mechanisms

2.3.4 Influence of dynamic conditions in the refining zone

A unidade de análise é componente fundamental a se definir no estudo de casos, segundo Yin (2005). De fundamental importância é a questão sobre qual será o foco de nossa análise. Nosso estudo focalizará o processo psicoterápico à luz da redução de danos, a partir de três casos clínicos. Para quem não se encontrar familiarizado com essa metodologia, pode parecer óbvio. Preferimos, no entanto, melhor explicitá-la, revisitando-a constantemente para não nos perdermos desse foco. Por vezes, envolvemo-nos de tal forma no estudo que podemos correr o risco de terminar por desvirtuá-lo. Ao estudar sobre o rigor na exposição dos estudos de caso, Bufoni (1987) fala da importância de sermos coerentes com nossa unidade de análise durante todo o estudo. O autor, nesse ponto, lembra, ao definirmos nossa unidade de análise, da necessidade de não nos desviarmos das clássicas perguntas de pesquisa em torno das quais se organiza um estudo de casos, a saber: desde a elaboração de nossos objetivos – por que estudamos o caso? –, os caminhos que seguimos – como se desenvolveu o estudo? – até às conclusões que chegamos – o quê pudemos aprender com este estudo de casos?

A ideia de unidade de análise está ligada a um tipo de metodologia que investigue os fenômenos através de uma unidade que retenha todas as propriedades essenciais do todo. Deve ser holística, uma vez que os elementos só têm significado na totalidade em que estão integrados. A unidade de análise define, assim, um campo teórico-metodológico de análise, que nos permite relacionar determinada realidade com

uma determinada elaboração teórica, se tornando nada mais que uma expressão conceitual de uma determinada realidade.

Nossa unidade de análise foi traçada a partir de características comuns constitutivas dos três casos que participaram do processo. Essas características estão relacionadas às condições de natureza física, psíquica, familiar e social dos usuários de drogas, sujeitos das intervenções aqui investigadas, ao grau de envolvimento na relação estabelecida com a substância psicoativa e às peculiaridades inerentes ao trabalho interventivo da equipe de profissionais envolvida. Consideramos, além dessas, importantes aspectos de natureza metodológica, que garantiram melhor procedimento de sistematização de nosso estudo de casos.

Ao nos reportar aos preceitos de D’Allones (1989) e Minayo (2007) acerca do processo de construção do método, nossa escolha dos casos está intimamente ligada às características por eles apresentadas, detentoras de qualidades essenciais e representativas daquilo que pretendemos em nossa investigação.

Uma vez que, numa pesquisa, não podemos tudo entrever, nosso olhar de pesquisador selecionou aspectos-chave que trouxeram algumas dimensões possíveis de desenvolver e analisar com maior profundidade em nosso percurso investigativo. Foi assim que, dentro de nosso critério limitativo, buscamos a uniformidade de elementos. Entendemos a referida uniformidade como sendo os aspectos que constituíram nossa unidade de análise, alguns dos quais tomaram a forma de três complexas dimensões, que serão abordadas no cap.V, compreendidas como inerentes às intervenções psicoterápicas propostas ao contexto drogadito à luz da redução de danos.

Aspectos constitutivos de nossa unidade de análise, que contribuíram na construção das três dimensões a serem estudadas, tomados como critérios de inclusão e seleção dos casos:

i. Construção do processo psicoterápico dentro do contexto da continuidade do uso de drogas durante as intervenções;

ii. Universo da redução de danos circunscrito ao uso não injetável de drogas lícitas ou ilícitas;

iii. Grau de dependência na relação com a substância psicoativa, com graves complicações físicas e psíquicas, expressivos danos na vida familiar, social e profissional;

iv. Exposição a variadas situações de risco físico, psíquico, social e legal;

v. Pedido de ajuda quanto à diminuição do uso da substância psicoativa, motivado pelo desejo dos sujeitos de não-interrupção do uso ou por dificuldade(s) de manter-se no estado de abstinência;

vi. Demanda em caráter emergencial de algum tipo de melhoria da qualidade de vida;

vii. Presença da família, do trabalho e do esporte como redes de apoio, embora a primeira se apresente como rede primária frequentemente interrompida;

viii. Demanda implícita ou explícita de construção ou de fortalecimento das redes de apoio, importante fonte de continência e consistência para o processo psicoterápico;

ix. Presença nos usuários sujeitos das intervenções, de algum tipo de co- morbidade associada ao contexto do uso de drogas;

x. Intervenção psicofarmacológica, com acompanhamento psiquiátrico ambulatorial, em relação à dependência e à co-morbidade em questão;

xi. A interdisciplinaridade, com implicações subjetivas e coletivas da equipe, no contexto das intervenções, institucionais ou autônomas, públicas ou privadas18

xii. Período de duração mínimo de 10 meses de acompanhamento psicoterápico em todos os casos;

;

xiii. Procedimento metodológico de coleta e de análise das informações realizado a partir dos registros dos casos realizados pela

18 Conforme veremos, as intervenções do processo psicoterápico ocorreram no já mencionado

psicoterapeuta responsável, na forma de narrativa das sessões, na época das intervenções aqui em estudo;

xiv. Procedimento de análise realizado a partir da contextualização cronológica do processo psicoterápico.

Acreditamos ser necessário o esclarecimento sobre a inexistência de dificuldades para avaliarmos o real comprometimento na relação com as drogas por parte dos usuários de drogas, sujeitos das intervenções que investigamos. Os critérios adotados na escolha dos casos advêm de uma realidade muito conhecida e aqui descrita com muita clareza, o que nos isenta de qualquer indagação sobre possível equívoco na construção de nossa unidade de análise e do intuito de rotulação diagnóstica de nossa parte.

A participação da família foi um dos critérios de inclusão dos casos na definição de nossa unidade de análise, ainda que pela recusa (Minayo, 2007). Isso porque, seja na presença seja na ausência, podemos colocar em discussão a importância de tais atores nas intervenções com base nos princípios da Redução de Danos.

O projeto de pesquisa que iniciou este estudo foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Brasília, tendo parecer favorável (nº 070/08). Sendo os usuários, sujeitos dos casos, adultos, a pesquisadora limitou-se a sua concordância para participar do estudo e não da família, apesar de algumas terem desejado manifestar-se a favor. Foi solicitada assinatura do termo de consentimento livre esclarecido, embora dois deles não terem concordado de o mesmo conter seu registro de identificação. Para melhor uniformizar nossos procedimentos e reforçar a garantia do anonimato, por questões éticas, os nomes dos colaboradores foram alterados e os dados referentes ao registro de identificação foram omitidos nos casos aqui apresentados.

3. O contexto metodológico