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Inference Network Model

Information Retrieval Models and trends

2.7 Probabilistic or network based models

2.7.2 Inference Network Model

Os temas de educação em sexualidade são muitas vezes questionados se devem ser tratados exclusivamente na esfera privada, no seio familiar, ou, também, em espaços públicos e em especial em espaços educativos. Considerando a reinvindicação e o avanço da religião como elemento constitutivo da vida pública e, sobretudo, a sua importância da esfera política (SANTOS, 2014), estes temas têm sido cada vez mais impulsionados para sair da agenda pública e restringir-se à esfera familiar. Neste contexto, procurou-se estabelecer quais os vínculos dos estudantes para o diálogo sobre os temas da ES, principalmente para observar se há um deslocamento destes temas exclusivamente para o ambiente da família, ou se espaços educativos ainda ocupam local privilegiado para diálogo e aprendizagens.

Adolescentes e jovens necessitam de vínculos pessoais, de um sustento emotivo que lhes permita manter uma confiança de vida. Daí o seu envolvimento em redes familiares e de amigos, pois a afirmação de identidade requer uma abertura emocional em relação ao demais (PAIS, 2012). Os jovens vão construindo suas vidas e vão incorporando influências e aprendizagens dos que lhes estão mais próximos: familiares e amigos.

Nesta perspectiva, além do questionário de pesquisa, utilizou-se nos grupos focais o instrumento Círculo dos Afetos, para hierarquizar as relações afetivas dos jovens frente a cada um dos seguintes temas:

 Amor, sentimentos, namoro;  Relações sexuais.

 Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis;  Gravidez e anticoncepção;

 Drogas;  Camisinha

O círculo dos afetos permite o mapeamento da intensidade das relações afetivas, a partir de vários círculos concêntricos, no centro dos quais se representa o entrevistado. Os indivíduos os grupos mais posicionados perto do centro estão numa relação de maior proximidade afetiva com o entrevistado (PAIS, 2012).

Figura 12.1 – Círculo dos Afetos

Fonte: PAIS, 2012.

Nesta perspectiva, não se pressupôs desenhar o círculo de afetos individuais entre os estudantes pesquisados. Procurou-se evidenciar as proximidades de grupos populacionais para os estudantes do Ced, considerando que seus relacionamentos estejam circunscritos à escola ou a família, de acordo o objeto deste estudo de caso.

Não surpreende que, pela sua proximidade afetiva, os amigos se constituam em referências fundamentais sobre sexualidade, frequentemente representada por palavras, silêncios, fantasias e experimentações.

Em outras décadas ressaltava-se o distanciamento entre as gerações, entre pais e filhos, principalmente nos diálogos sobre sexualidade Atualmente a distância entre estes grupos tem diminuído, no entanto, ainda se percebe, frequentemente, que crianças e jovens tendem a esconder de seus progenitores o que sabem sobre sexualidade e que não que lhes foi ensinado. (PAIS, 2012). Pais chama este fenômeno de silêncios cúmplices. Ou seja, eu finjo que te ensinei e você finge que sabe.

Não surpreende perceber que, pela sua proximidade afetiva, os amigos se constituem em referências fundamentais, para ambos os sexos, sobre amor, sentimentos, sexualidade, relações sexuais, frequentemente representadas por palavras, silêncios, fantasias e experimentações. Seguida pela mãe, que em vários temas, se apresenta como figura mais próxima dos adolescentes e jovens para falar sobre assuntos ligados à afetividade e

EU/Grupo de estudantes 1º Lugar

2º Lugar 3º lugar

sexualidade (Figuras e Tabelas 12.1 e 12.2). No entanto, vale destacar que a proximidade com a mãe é maior entre as mulheres ( 24,8%):

“É bom quando o jovem e o adolescente conversam com as pessoas mais velhas porque eles (os adultos) veem o nosso lado.” (grupo focal com estudantes protagonista)

“Eu falo tudo com a minha mãe. Tudo o que eu tenho dúvida eu falo com a minha mãe. Porque antes ela do que acontecer alguma bobeira.” (grupo focal com estudantes protagonista)

Destaca-se, todavia, que um projeto de educação em sexualidade na escola promove, entre outras ações, a aproximação entre pais e filhos para o diálogo sobre sexualidade. A pesquisa Juventude e Sexualidade (ABRAMOVAY; CASTRO, 2003) revelou uma tendência das famílias em conversar com os seus filhos sobre sexualidade, com divergências regionais. A mãe aparecia como a figura de maior proximidade com os filhos para dialogar sobre os temas da sexualidade.

observou-se, por outro lado, que a confiança na figura do pai está abalada. Em todos os temas pesquisados, o pai aparece entre a terceira e a quinta posição em termos de proximidade com os adolescentes e jovens. Certamente é uma manifestação da desagregação da sociedade patriarcal das recomposições familiares e do aumento de famílias monoparentais dirigidas por mulheres (RIBEIRO, 2010). O que se pode supor que uma aversão física ou psicológica pode estar afastando a figura paterna de seus filhos. Apesar dos avanços geracionais e das proximidades de comunicação entre pais e filhos, ainda se faz necessário investigar o tamanho, a forma e as expressões do abismo e do silêncio entre os progenitores e suas crias.

“O projeto (Educando para a Vida) também ajuda nas relações entre pais e filhos.” (grupo focal com estudantes protagonistas)

“Eu descobri o que era camisinha e o que era homossexual no meu primeiro ano (do ensino médio). Cheguei em casa com um negócio de preservativos, da primeira vez, meu pai quase me matou, uai! Hoje em dia, ele nem liga, ele diz: ‘minha filha pega um pouco de camisinha lá pra mim.’” (grupo focal com estudantes protagonistas)

Figura 12.2 - Círculo dos Afetos dos estudantes do Ced para amor, sentimentos, namoro, 2015.

Fonte: Pesquisa Educação em sexualidade: Perspectiva na vida de adolescentes e jovens?

Tabela 12.1 - Número e percentual de estudantes segundo as pessoas com quem tem mais facilidade para conversar sobre amor, sentimentos, namoro, por sexo, 2015.

Com quem você tem mais facilidade para conversar sobre amor,

sentimentos, namoro? Sexo Total Masculino Feminino Amigos/colegas Frequência 31 35 66 % do Total 23,3% 26,3% 49,6% Mãe Frequência 14 33 47 % do Total 10,5% 24,8% 35,3% Irmão/irmã Frequência 6 6 12 % do Total 4,5% 4,5% 9,0% Parentes Frequência 5 2 7 % do Total 3,8% 1,5% 5,3% Pai Frequência 1 0 1 % do Total 0,8% 0,0% 0,8% Total Frequência 57 76 133 % do Total 42,9% 57,1% 100,0%

Fonte: Pesquisa Educação em sexualidade: Perspectiva na vida de adolescentes e jovens?

Durante os grupos focais, os adolescentes e jovens manifestaram que, além dos personagens listados, conversam muito sobre este tema com seus namorados e namoradas. Ou seja, no primeiro lugar do círculo dos afetos relacionados a amor e sentimentos deve-se acrescentar os namorados aos amigos e colegas.

Estudantes do Ced Amigos/Colegas Mãe

Irmão/Irmã Outros parentes

O círculo dos afetos dos estudantes do Ced sobre relações sexuais é semelhante ao círculo sobre amor e namoro, onde se invertem os terceiros e quarto lugares. Quando o tema é namoro os irmãos e irmãs estão mais próximos dos jovens, enquanto em se tratando de relações sexuais irmãos e irmãs dão lugar a outros parentes, conforme demonstrado na Figura 12.3 e Tabela 12.2

Figura 12.3 – Círculo dos Afetos dos estudantes do Ced para relações sexuais, 2015.

Fonte: Pesquisa Educação em sexualidade: Perspectiva na vida de adolescentes e jovens? Estudantes do Ced Amigos/Colegas Mãe

Parentes Irmão/Irmã

Tabela 12.2 - Número e percentual de estudantes que afirmam com quem tem mais facilidade para conversar sobre relações sexuais, por sexo, 2015.

Com quem você tem mais facilidade para conversar sobre relações sexuais? Sexo Total Masculino Feminino Amigos/colegas Frequência 39 39 78 % do Total 27,1% 27,1% 54,2% Mãe Frequência 7 34 41 % do Total 4,9% 23,6% 28,5% Parentes Frequência 4 3 7 % do Total 2,8% 2,1% 4,9% Irmão/irmã Frequência 4 2 6 % do Total 2,8% 1,4% 4,2% Pai Frequência 3 3 6 % do Total 2,1% 2,1% 4,2% Professor/orientador Frequência 4 2 6 % do Total 2,8% 1,4% 4,2% Total Frequência 61 83 144 % do Total 42,4% 57,6% 100,0%

Fonte: Pesquisa Educação em sexualidade: Perspectiva na vida de adolescentes e jovens?

Quando o assunto é doença sexualmente transmissível os adolescentes e jovens sentem mais facilidade para conversar com professores (34,0%), ficando a mãe com 29,1% e amigos e colegas na terceira posição com 25,5% (Tabela 12.3). Considerando que a coordenadora da ação de educação em sexualidade na escola é professora de biologia e especialista em sexologia, talvez, proporcione mais conforto para que os adolescentes e jovens sintam-se mais a vontade com o professor da escola para tratar desse tema.

Outra característica da transformação entre a atual geração de jovens e a geração de seus pais, é o visível protagonismo das mulheres nos jogos de sedução. As formas de conquista dizem muito sobre a mudança ocorrida nas relações de gênero. Os temas ligados a sexualidade e aos afetos juvenis envolvem segredos, proibições, tabus, preconceitos, dificuldades, descobrimentos. As mulheres de hoje vivem a sua sexualidade de uma maneira mais livre do que aquela que suas mães viveram, e mais ainda a suas avós. Elas se permitem tomar a iniciativa na conquista de um rapaz (PAIS, 2012). Isso pode explicar a proximidade entre mães e filhas para a discussão dos temas da sexualidade. Uma vez que o tema foi inserido no contexto escolar e propiciou uma maior proximidade entre as famílias, isso pode ter contribuído com a proximidade entre mães e filhas, em especial para conversar sobre esses

temas. Mães e filhos também aparecem de forma mais próxima, apesar de não ser tão evidente com as filhas.

O círculo dos afetos dos estudantes do Centro Educacional sobre aids e doenças sexualmente transmissíveis aparece na figura 12.4:

Figura 12.4 - Círculo dos Afetos dos estudantes do Ced para Aids e doenças sexualmente transmissíveis, 2015.

Fonte: Pesquisa Educação em sexualidade: Perspectiva na vida de adolescentes e jovens? Foi o que um grupo focal reiterou:

“Ah, sobre DST ‘rola’ de conversar com o meu professor, meus amigos e meu namorado, também.” (grupo focal com estudantes protagonista)

Estudantes do Ced Professor

Mãe

Amigos/colegas Parentes

Tabela 12.3 – Número e percentual de estudantes que afirmam com quem tem mais facilidade para conversar sobre aids e outras doenças sexualmente transmissíveis, por sexo, 2015.

Com quem você tem mais facilidade para conversar sobre aids e outras doenças sexualmente transmissíveis? Sexo Total Masculino Feminino Professor/orientador Frequência 17 31 48 % do Total 12,1% 22,0% 34,0% Mãe Frequência 13 28 41 % do Total 9,2% 19,9% 29,1% Amigos/colegas Frequência 20 16 36 % do Total 14,2% 11,3% 25,5% Parentes Frequência 3 4 7 % do Total 2,1% 2,8% 5,0% Pai Frequência 3 3 6 % do Total 2,1% 2,1% 4,3% Irmão/irmã Frequência 2 1 3 % do Total 1,4% 0,7% 2,1% Total Frequência 58 83 141 % do Total 41,1% 58,9% 100,0%

Fonte: Pesquisa Educação em sexualidade: Perspectiva na vida de adolescentes e jovens?

Os pares – amigos e colegas – aparecem como aqueles com quem os adolescentes e jovens têm mais facilidade para conversar sobre camisinha, seguido pela mãe (Tabela 11.9). conforme a figura 12.5.

Figura 12.5 – Círculo dos Afetos dos estudantes do Ced para camisinha, 2015.

Fonte: Pesquisa Educação em sexualidade: Perspectiva na vida de adolescentes e jovens? Foi o que confirmaram os grupos focais, como no exemplo a seguir:

Estudantes do Ced Amigos/Colegas Mãe

Professor/Orientador Pai

“Camisinha só com meus amigos e alguns professores.” (grupo focal com estudantes protagonistas)

Como já vimos no capítulo anterior, a mãe é a principal responsável pela conversa sobre prevenção a gravidez e uso de anticoncepcional com os adolescentes e jovens que participaram da pesquisa. O círculo dos afetos dos estudantes do Ced sobre gravidez e anticoncepcional aparece na Figura 12.6:

Figura 12.6 – Círculo dos Afetos dos estudantes do Ced para gravidez e anticoncepcional, 2015.

Fonte: Pesquisa Educação em sexualidade: Perspectiva na vida de adolescentes e jovens?

Como na fala a seguir, os grupos focais também convergiam com os dados quantitativos:

“Gravidez, anticoncepcional... eu só falo com a minha mãe.” (grupo focal com estudantes protagonista)

Da mesma forma que acontece com o tema do preservativo, os jovens têm mais facilidade para conversar sobre drogas com os amigos ou colegas (44,4%), seguidos pela conversa com a mãe (26,6%), conforme no capítulo 10 (Tabela 11.5 6 e Figura 12.7).

Figura 12.7 – Círculo dos Afetos dos estudantes do Ced para drogas, 2015.

Estudantes do Ced Mãe

Amigos/Colegas Professor/Orientador Pai

Fonte: Pesquisa Educação em sexualidade: Perspectiva na vida de adolescentes e jovens? Os dados foram reafirmados pelos grupos focais, como na fala a seguir:

“Sobre drogas eu só falo com meus professores e meus amigos.” (grupo focal com estudantes protagonistas)

Estudantes do Ced Amigos/Colegas Mãe

Pai Professor

13. CONCLUSÕES

Será que as estratégias de educação em sexualidade nesse centro educacional tem sido uma mera expressão do corpo biológico, uma questão de glândulas e tecidos nervosos? Ou tem sido tratada como brincadeira, como afirmado na justificativa deste documento? Ou terá sido, ainda, encarada sobretudo como expressão do afeto e do amor? A sexualidade precisa estar a serviço de um projeto de vida (PAIS, 2012), neste sentido, terá o projeto Educando para a Vida contribuído, nos últimos anos, para que um grupo de escolares do Ced, tivessem concepções e comportamentos mais amplas sobre a sua sexualidade?

O Centro Educacional aqui pesquisado incorpora ações de educação em sexualidade no cotidiano da escola há mais de uma década, um projeto com identidade e apoios internos e externo. Apesar do projeto se mostrar exitoso na percepção adolescente e juvenil, e ter recebido o reconhecimento externo por agências da ONU, ainda caminha com dificuldades. Ou seja, o projeto Educando para a Vida conta com o apoio dos estudantes, principais interessados pela temática e com a liderança carismática e interessada de uma professora de biologia. Como outros projetos e ações em educação no Brasil este se acha estruturado com base na figura de uma só liderança, o que o fragiliza, seja pela ausência no PPP, seja pela perspectiva do encerramento quando a professora deixar a escola. A trajetória do projeto é, por si só, sinuosa, o apoio da direção é inconstante e, ao que parece, os professores preferem não se envolver com uma temática “polêmica”. Ou seja, o projeto não desenvolve toda a sua potencialidade porque faltam apoios internos, ou estes se apresentam de forma ambígua, com exceção dos estudantes, maiores interessados.

Estudantes

Durante o grupo focal e análise dos questionários, era evidente pelo comportamento e pelas perguntas aqueles alunos que já tinham sido participado de ações envolvendo os temas de ES. Entre aqueles já sensibilizados, há um claro interesse pelo tema, inclusive, na perspectiva de diálogo e conversa com os seus pares e familiares. Em alguns temas, conforme descrito no capítulo 11, os estudantes descreveram a importância do trato do tema na escola para aproximação familiar e abertura para o diálogo com as famílias. Os alunos do segundo e terceiros anos mostraram-se mais à vontade para conversar sobre diversidade sexual, gravidez e formas de concepção do que os alunos do ano inicial.

No âmbito deste estudo, em relação aos estudantes, no que se refere às prática sexuais, os adolescentes iniciam uma tendência ascendente a partir dos 12 anos de idade, assim como

os indicadores nacionais. Vale destacar que houve casos de atividade sexual antes dos 11 anos, o que sugere uma investigação maior, considerando os casos de abuso e violência sexual de crianças.

Em relação às práticas sexuais, os alunos, percentualmente, demonstraram tendências divergentes aos resultados obtidos pelas pesquisas nacionais de atitudes e práticas sexuais. Destaca-se o percentual de adolescentes e jovens sexualmente ativos deste estudo (50,8%), bem abaixo do resultado demonstrado pela PCAP/2008 (77,6%) (BRASIL, 2008). Neste sentido, percebeu-se que a inclusão dos temas de educação em sexualidade na escola não contribuiu para o “estimulo” às relações sexuais, conforme declarado por alguns professores.

Com relação ao acesso ao preservativo, 71,5% dos estudantes afirmaram que a disponibilização do insumo na escola é importante ou muito importante. Além disso, eles concordaram que há disponibilização do insumo nesse centro escolar e que 15,5% dos estudantes conseguiram camisinha na escola, enquanto os dados nacionais (PCAP/2008) indicam que 16,5% acessam o insumo na escola. Os dados nacionais e os dados da escola indicaram que nas escolas que fazem distribuição de preservativos, os alunos tenderam a acessar na própria instituição escolar. Ou seja, o acesso ao preservativo nesta escola foi uma relação direta do projeto Educando para a vida, considerando as parcerias e ações desenvolvidas pelo Educando para a vida. Todavia, apesar do acesso e das estratégias de educação em sexualidade, 20,6% nunca usaram preservativo nas suas relações sexuais, o que sugere mais investigação. A maioria dos discentes (42,3%) adquiriu os preservativos em farmácias e supermercados. Ou seja, apesar do acesso facilitado, os adolescentes têm barreiras para obter o preservativo, que podem ser de natureza individual (vergonha, por exemplo), ou institucionais (a escola controlando o acesso) e preferiram comprá-los em estabelecimentos comerciais. É importante investigar quais os entraves para esses jovens.

Entre aqueles que conseguiram gratuitamente o insumo de prevenção, 70,1% o fizeram na na escola. A camisinha feminina é conhecida por 95,0% dos estudantes, sendo a maioria mulheres (54,1%). 39,4% das alunas afirmaram que não usaram preservativos nas relações porque os parceiros não gostam. Pela análise isolada desses fatores, pode-se inferir que determinados objetivos do Projeto não estão sendo atingidos, sobretudo a sensibilização e o acesso do aluno ao preservativo na unidade escolar.

Em relação ao uso de preservativo, tanto nos subgrupos populacionais de “população sexualmente ativa na vida”, quanto “população sexualmente ativa nos últimos 12 meses”, os percentuais de uso de preservativo na primeira e na última relação sexual da amostra de alunos do Projeto, ficou acima dos resultados obtidos pela PCAP/2008, um provável resultado

do projeto.

Com relação à gravidez na adolescência, estudantes e professores participantes da pesquisa perceberam a redução significativa dos casos de gravidez na escola, antes relativamente numerosos. No centro educacional investigado e em outras instituições de ensino no Brasil percebeu-se que a gravidez adolescente ainda é uma realidade. No entanto, em níveis bastante reduzidos, uma vez que já foi considerada uma “epidemia” neste Ced. As meninas pesquisadas se dividiram em dois grupos: o primeiro que afirma que a gravidez na adolescente prejudica a vida da jovem e o segundo, que considera uma felicidade ter um filho nesta faixa etária. Os rapazes são mais contundentes e consideraram um prejuízo na vida do adolescente.

De acordo com o IBGE, a população de adolescentes e jovens vem caindo no Brasil, com uma taxa de 3,4% de diferença percentual entre a população do Censo Demográficos de 2000 e 2010. (IBGE, 2010). Para efeitos comparativos, a população brasileira de adolescentes e jovens representa 51.402.821 habitantes, segundo o Censo de 2010, supera a população total de países como a Argentina, com 41.118.986 habitantes; a África do Sul, com 50.738.255; o Canadá, com 34.674.708, e a Espanha, com 46.771.596 habitantes (todos os dados relativos ao ano de 2012) (BARRIENTOS, 2015).

Embora no Brasil a taxa de fecundidade (estimativa do número médio de filhos que uma mulher teria até o fim de seu período reprodutivo), tenha demonstrado uma queda de 2,38 no ano de 2000, para 1,90 no ano de 2010 (para efeitos comparativos, segundo a Organização das Nações Unidas (2011), a taxa de fecundidade no mundo aproxima-se de 2,5, sendo que nos países mais desenvolvidos estava em 1,7, enquanto para os países menos desenvolvidos em 2,8, nos minimamente desenvolvidos em 4,5, e na África Subsaariana em 5,1) (ONU, 2011). Assim, a população brasileira do sexo feminino em idade fértil de 10 a 24 anos também apresentou queda de 15,1% no ano de 2000, para 13,3% no ano de 2010. (IBGE, 2010.

Segundo o Relatório sobre a Situação da População Mundial 2013 (UNFPA, 2014), a porcentagem de mulheres com idade entre 20 e 24 anos que relataram um parto antes dos 18 anos para a América Latina e o Caribe foi de 18%, enquanto as que relataram um parto antes dos 15 anos, foi de 2%. A taxa de gravidez na adolescência para a América Latina e o Caribe foi de 79, ficando somente atrás do Sul e Leste da África com 109, e África Central e Oeste com 129.

Ainda segundo o UNFPA, o Brasil ocupava a segunda posição em taxa de gravidez entre adolescentes de 15 a 19 anos na América Latina, com 89 nascimentos para cada 1.000

mulheres.

No que se refere ao conhecimento das formas de transmissão e prevenção da infecção pelo HIV e outras DST, de seis indicadores analisados, o grupo de alunos pesquisados obteve resultado superiores aos dados nacionais8. Foram eles: sangue e secreções são formas de transmissão do HIV (92,7%); uma pessoa pode ser infectada com troca de seringas (88,4%); talheres não são formas de transmissão do HIV. 94,7% dos indivíduos afirmaram que o uso do preservativo é a melhor maneira de evitar a infecção pelo HIV.

No quadro referente à testagem para identificar a infecção pelo HIV, entre os estudantes desse Ced, 50,8% de adolescentes ou jovens declararam já terem tido relações sexuais na vida. Em relação à testagem para identificação de infecção pelo HIV, 9,3%, (17 indivíduos, em números absolutos, desse conjunto especifico declararam terem realizado o teste alguma vez na vida. Dos 17 adolescentes e jovens que realizaram a testagem, quatro a realizaram em decorrência do pré-natal, e seis por curiosidade, e a maioria, oito, preferiu não responder porque o fizeram. A maioria (61,5%) daqueles que fizeram o teste HIV eram do sexo feminino. Dentre os que responderam à questão relativa ao resultado do teste, dois estudantes apontaram o resultado como positivo.

Em relação ao uso de drogas, de modo geral os resultados obtidos nesse estudo, ficou acima dos resultados obtidos pela PeNSE/2012, destaca-se, todavia, que os dados da PeNSE refere-se a alunos do nono Ano do ensino fundamental. Desta forma, era esperado que a população do Ced pesquisado pudesse apresentar dados maiores, uma vez que se trata de alunos do ensino médio. O percentual de adolescentes e jovens que já experimentou cigarros foi de 34,6%, enquanto os dados nacionais indicam uma taxa de uso de 19,6%. Com bebidas