A consciência do problema iniciou com a definição da competência a ser desenvolvida com os empreendedores individuais. A busca da competência teve origem a partir do entendimento de que deveria ser na área de gestão, pois com base no estudo de Silva (2012), foi possível detectar a falta de conhecimentos, por parte dos empreendedores individuais, em relação à administração de seu negócio.
Sendo assim, na ocasião do ensaio teórico do doutorado, a partir da literatura especializada, bem como artigos, pesquisas em sites, base de dados, surgiu a palavra-chave “competência empreendedora”, a qual foi explorada no momento da busca e aprofundada para o desenvolvimento do ensaio e, posteriormente, da tese.
As competências empreendedoras estabelecidas na literatura foram embasadas nos trabalhos de Bird (1995), Man e Lau (2002) e Mitchelmore e Rowley (2010). No entanto, os atributos das competências empreendedoras, que constituíram efetivamente alvo do método de capacitação, foram definidos pelos próprios participantes do processo, em coerência com as abordagens pedagógicas que fundamentam este estudo (aprendizagem situada e pedagogia da autonomia), como será explicado mais adiante.
As teorias de base para o desenvolvimento do trabalho são: aprendizagem situada e pedagogia da autonomia, em que o aprendizado compreende a pessoa em sua totalidade (social e histórico-cultural), na sua relação com a comunidade em que se situa (SENSE; BADHAM, 2008), onde o aprendiz se apresenta como um sujeito dependente de toda a sua história.
Para o desenvolvimento deste trabalho, o público escolhido foi um grupo de MEIs, proprietários de pequenos negócios que se formalizaram a partir da Lei n. 128/2009, sancionada pelo governo federal brasileiro para alcançar trabalhadores que estavam na informalidade ou que pretendiam iniciar um negócio.
Após a concepção da literatura dos assuntos que versam esta tese, cita-se: competências empreendedoras e m-learning, buscou-se compreender o contexto dos MEIs
pesquisados. Para isso, foi realizada uma pesquisa de campo, constituindo a segunda etapa de consciência do problema, tendo em vista que a primeira deu-se no levantamento da literatura. O estudo com os MEIs teve como característica a abordagem descritiva. A pesquisa descritiva “[...] é usada para identificar e obter informações sobre as características de um determinado problema ou questão”. (COLLIS; HUSSEY, 2005, p. 24). A pesquisa realizada visou compreender (1) quais são as principais necessidades de capacitação dos MEIs, no que se refere a competências empreendedoras (2) como atualmente os MEIs buscam (ou não) capacitar-se, e por quais meios e (3) a quais TICs (especialmente móveis) os MEIs têm acesso, e se há ou não utilização dessas TICs como meio para se qualificarem.
A pesquisa foi aplicada por meio de questionário estruturado de maneira que fosse possível obter as informações necessárias com perguntas fechadas e abertas. Elaborou-se um questionário com base em instrumentos previamente utilizados e validados, como o utilizado pelo SEBRAE (2016), nas questões relacionadas ao perfil sociodemográfico dos respondentes; e para as questões sobre o uso de TIC, com base no trabalho de Comin (2013). Para as alternativas acerca das necessidades de competências empreendedoras pelos MEIs, foram organizadas questões abertas, pois a intenção era compreender esses elementos a partir da visão dos próprios respondentes.
Em setembro/2015, realizou-se o pré-teste do questionário com 10 empreendedores individuais, via telefone, utilizando o mesmo meio de comunicação que seria usado para a realização da coleta dessa etapa. Após o pré-teste foram realizados alguns ajustes nas questões 14 e 18 (ver instrumento completo, versão final, no Apêndice A). Na ocasião do pré-teste, a pergunta 14 estava da seguinte maneira:
14 - Você participa/participou de algum treinamento, curso, capacitação com foco na sua atividade como empreendedor individual nos últimos 5 (cinco) anos?
Foi alterada para:
14 - Você participa/participou de algum treinamento, curso, capacitação com foco na administração do seu negócio como empreendedor individual nos últimos 5 (cinco) anos?
A alteração foi necessária em decorrência do entendimento dos entrevistados na ocasião do pré-teste, a compreensão dos respondentes estava no foco de sua atividade, pois (MEIs) entendiam que a resposta deveria ser em razão da atividade que desempenhavam como empreendedor (marceneiro, cyber, promotora de vendas). Entretanto, o objetivo era
saber se os MEIs já haviam participado de algum treinamento, curso, etc. com foco na “administração do seu negócio”.
A questão 18 estava elaborada da seguinte maneira na ocasião do pré-teste, como segue:
18 - Quais são os problemas mais frequentes que você encontra para desenvolver o seu negócio? Por favor, explique:
Foi alterada para:
18 - Quais são os problemas mais frequentes que você encontra como empreendedor individual para administrar o seu negócio? Por favor, explique:
Em razão da necessidade de desviar o foco da pergunta para os problemas encontrados na administração do negócio dos MEIs é que se alterou a questão 18, pois as respostas, no pré-teste, estavam focadas nas atividades em que os MEIs atuavam.
A população da pesquisa esteve concentrada nos MEIs formalizados até agosto/2015, pelo Centro de Atendimento Empresarial (CAE) do município de Cáceres-MT, totalizando 350 MEIs. Houve a tentativa de censo, ou seja, todos eles foram contatados, no entanto, após 796 ligações, foram coletadas 206 respostas, porque os demais MEIs acessados não se dispuseram a participar da pesquisa ou havia erro em suas informações de contato.
A coleta dos dados foi realizada entre outubro e novembro de 2015, por telefone. Todas as entrevistas realizadas para a aplicação do questionário foram gravadas, perfazendo um total de 25 horas e 51 minutos de gravação, pois o questionário não era extenso. Havia um total de 21 questões, sendo, 03 questões abertas e 18 questões fechadas.
Os dados foram tabulados e analisados utilizando-se o software Excel para os dados quantitativos (estatísticas descritivas). O conteúdo das respostas às questões abertas do questionário foram codificadas de forma indutiva em uma primeira etapa. E, posteriormente, essas codificações foram relacionadas com as categorias ligadas às competências empreendedoras e seus atributos (já apresentadas anteriormente no quadro 06), apresentadas por Mitchelmore e Rowley (2010), utilizando-se para isso o software N-VIVO.
Após o tratamento dos dados no N-VIVO, considerou-se os atributos da competência empreendedora que apresentavam maiores citações pelos MEIs participantes desta etapa, como sendo necessários para serem desenvolvidos. O foco recaiu sobre parte dos atributos de gestão (que são parte da competência empreendedora), que tornaram-se, então, o alvo de desenvolvimento.
A partir desse momento passou-se para a etapa seguinte da DSR, na qual foi elaborado o “método de capacitação” (artefato), que visava o desenvolvimento dos atributos da competência mapeados, conforme será descrito a seguir.