3 Economic analyses
3.4 Implications for Norway
Tal como foi referido, no ponto anterior, em 1964 foi criado o INP que iniciou a formação na área do turismo e das relações públicas. Paralelamente, a “Associação Industrial Portuguesa” (AIP) proporcionava alguns cursos básicos de relações públicas, tendo como convidado o especialista José Roberto Whitaker Penteado, pioneiro das relações públicas no Brasil (Fonseca, 2001).
A formação do INP ao contrário de ser de nível superior, como em França, Espanha e Estados Unidos, era de nível médio e, apesar de ser reconhecida pelo “Ministério”, havia na realidade «um problema de fundo, que era o INP ter planos de formação próprios, que
apesar de sancionados pelo Ministério, depois não lhes davam validade nenhuma», segundo Américo Ramalho. Isto traduzia-se no facto de, para todos os efeitos, os relações públicas terem apenas o nível de formação do 9º ano, da época. Só mais tarde, em 1971, o curso do INP foi reconhecido como de nível superior pelo “Ministério da Educação Nacional”. Mas, apesar de ter adquirido o estatuto de curso superior, também não conferia o grau de licenciatura. Em 1983, um artigo do Boletim da APREP louvava o facto de a “Direcção dos Serviços Judiciários do Ministério da Justiça” ter criado um “Serviço de Informação e Relações Públicas”. Mas questionava o facto de o Decreto-lei nº 99/82, de 7 de Abril, (onde se descreviam as competências do dito serviço), exigir que o mesmo viesse a ser coordenado por um técnico superior, «obrigatoriamente licenciado», quando se sabia que em Portugal os técnicos de relações públicas eram diplomados com um curso superior «que não conferia grau de licenciatura».28
Para além da peculiar situação deste curso superior, procurou-se perceber o que se ensinava nestas formações. Américo Ramalho, ligado ao INP desde a sua fundação, primeiro como aluno, depois como professor, salienta que inicialmente se «preparava para entrar na
vida pública. Inicialmente relações públicas eram “relação e contacto”, nesse sentido privilegiava-se a questão do protocolo. Isto porque muitos dos relações públicas eram admitidos para serem os homens do protocolo das empresas». Mais tarde, «o ensino evoluiu
e foi colher nacos de saber ministrados a outro nível que inicialmente não eram ministrados no liceu. Ao nível da filosofia, da história da arte, por causa dos mecenatos e dos patrocínios, com maior grau de especialização e com maior vocação de especialidade. O
objectivo foi que a profissão de RP através da evolução do ensino se tornasse numa profissão menos operacional e mais estratégica» segundo Américo Ramalho.29
A década de 1970 foi marcada por várias iniciativas neste domínio. Em 1971, o grupo financeiro “Borges & Irmão” obteve autorização para criar a “Escola Superior de Meios de Comunicação Social”, onde era leccionado o “Curso Superior de Publicidade e Relações Públicas”, depois rebaptizado de “Curso Superior de Relações Públicas e Publicidade”. Mas esta escola acabaria por ser extinta em 1982. Ainda na década de 1970, o “Instituto de Aperfeiçoamento Técnico Acelerado” (IATA) iniciou, também, a formação profissional na área.
A década seguinte inaugurou os cursos da área da comunicação social em contexto universitário, como os cursos superiores de “Comunicação Social” na “Universidade Nova de Lisboa” e no “Instituto Superior de Ciências Políticas e Sociais” e o curso de “Ciências da Informação” da “Universidade Católica”. Mas apesar de serem, por vezes, apontados como iniciativas de formação também para as relações públicas (Gonçalves, 2009a), estes claramente não foram pensados na perspectiva das relações públicas, onde estas apareciam como mera disciplina, «à qual não era cometida relevância particular» (Tavares, 1983,p. 4). Nas palavras de Tavares (1983), neste período havia a esperança de concretizar a formação universitária em relações públicas na “Universidade Livre”, que pretendia autonomizar o “Curso Superior de Relações Públicas”, com a atribuição do grau de licenciado, mas não se chegou a concretizar.
Ao nível do ensino secundário, o passo mais relevante neste período, no domínio da formação foi, no ano lectivo de 1979/80, a integração das disciplinas de relações públicas e de jornalismo nos planos de estudos da “Área Científica de Humanidades”, do 10º e 11º anos do ensino público, nos quais participaram quer Américo Ramalho, quer Martins Lampreia, quer Avelar Soeiro. Mas, no final desta década, em 1989, o Decreto-Lei 26/89, de 21 de Janeiro, criou as “Escolas Profissionais” e foi para este subsistema de ensino, com
29Em 1991, num artigo do Órgão Oficial da APREP, da autoria de José Rui Reis, descrevia-se o plano curricular
do curso superior do INP: 1º ano - Relações Públicas I - Comunicação Humana -Técnicas de Expressão Oral e Escrita - História das Teorias Políticas e Sociais – Sociologia (Geral do Trabalho) – Economia – Psicologia Aplicada – Matemáticas Gerais – Inglês (facultativo); 2º ano - Relações Públicas II – Psicologia Social – Direcção de Pessoal – Meios e Comunicação Social – Marketing – Publicidade I – Estatística – Inglês (facultativo); 3º ano - Relações Públicas III – Análise de Sistemas de Informação e Comunicação – Técnicas de Investigação Psico-Social – Introdução à Análise Multivariada – Direcção e Organização de Empresas - Introdução ao Direito – Artes Gráficas – Publicidade II - Inglês (facultativo); 4º ano - Estudo Psicológico das Organizações – Semiologia e Semiótica da Publicidade – Estudos de Mercado – Introdução à Informática – Redacção e Ilustração Publicitária (“Comunicando”, Órgão Oficial da APREP, Julho de 1991).
características particulares, que se deslocou a formação de profissionais intermédios de “Nível III, de Comunicação, Marketing, Publicidade e Relações Públicas”.
Como se verifica, ao nível da formação, é a partir do final da década de 1980 que se iniciou a formação académica de nível superior, primeiramente, ao nível de bacharelato e, posteriormente, de licenciatura, quer ao nível do ensino universitário, quer no subsistema dos politécnicos. É a partir deste período que se dá a explosão da formação no domínio das ciências da comunicação, com as mais variadas designações e nos diferentes níveis de ensino, desde o secundário, ensino profissional, politécnico, universitário, tanto público como privado.