7 KOMMUNENE ETTER RUSREFORMEN
9.5 Vurderinger av kvalitet
9.1.1 Strukturell implementering
A utilização de bioensaios para o monitoramento da bioatividade de extratos, frações e substâncias isoladas de plantas tem sido frequentemente incorporada à pesquisa fitoquímica. Dentre estes ensaios biológicos destaca-se o ensaio de bioletalidade frente a Artemia salina Leach (NOLDIN et al., 2003).
Artemia salina Leach é um crustáceo da classe Anostracea, que vive em águas salinas e salobras de todo o mundo. Possui 4 estágios de desenvolvimento (ovo, náuplio, metanáuplio e adulto) e alguns mecanismos de adaptação que as tornam cosmopolitas, como a osmorregulação, a presença de pigmentos respiratórios como a hemoglobina e a disponibilidade de alternativas reprodutivas que facilitam a dispersão e a perpetuação dessa espécie. Essa espécie é amplamente conhecida como indicador de toxicidade de substâncias químicas, pesticidas, poluentes em um bioensaio (Brine Shrimp Test), utilizando-se a Concentração Letal Média (CL50) como parâmetro de avaliação da atividade biológica
(LOPES, 2007).
O extrato acetônico dos frutos imaturos de Capsicum baccatum L. não causaram letalidade em larvas de Artemia salina L. nas concentrações de 10 e 100µg/mL. Na concentração de 1000 µg/mL do extrato acetônico dos frutos imaturos de Capsicum baccatum L. houve uma letalidade de 20%.
Os resultados obtidos no ensaio de Artemia salina L. indicam uma baixa toxicidade do extrato testado nesta espécie, uma vez que o extrato acetônico mostrou toxicidade na concentração de 1000µg/mL.
A toxicidade com Artemia salina mostra boa correlação com atividades antitumoral, inseticida e anti-Trypanosoma cruzi para substâncias com Concentração letal média menores do que 1000 µg/mL (RUIZ et al., 2005). Por outro lado, uma baixa toxicidade pode ser interessante para a utilização de extratos vegetais no desenvolvimento de novas formulações terapêuticas, não deixando de levar em consideração a necessidade de maiores estudos para avaliar a toxicidade em humanos.
5.11. Teste antifúngico
As leveduras do gênero Candida têm grande importância pela alta frequência com que colonizam e infectam o hospedeiro humano. Espécies de Candida são encontradas no tubo gastrintestinal em 20% a 80% da população adulta saudável. Esses microorganismos comensais tornam-se patogênicos caso ocorram alterações nos mecanismos de defesa do hospedeiro ou o comprometimento de barreiras anatômicas secundariamente a queimaduras ou procedimentos médicos invasivos (COLOMBO & GUIMARÃES, 2003).
As espécies de Candida são as leveduras mais usualmente envolvidas na etiologia de infecções micóticas. A candidíase caracteriza-se como a infecção fúngica mais comum sendo Candida albicans seu agente etiológico mais freqüente. Outras espécies, tais como: Candida tropicallis, Candida krusei, Candida parapsilosis também podem estar relacionadas à incidência de candidíase (LIMA, 2006). Atualmente são conhecidas cerca de dezessete espécies de Candida causadoras de micoses superficiais ou invasivas em seres humanos (COLOMBO & GUIMARÃES, 2003).
Os quadros clínicos mais rotineiramente reportados à candidíase são a do tipo cutâneo- mucosa, sistêmica/visceral e alérgica (LIMA et al., 2006).
A infecção por Candida sp produz um quadro diverso de processos infecciosos e inflamatórios, podendo ser citados: glossite rombóide, lesões bucais (SPOLIDORIO, 2003),
inflamações vaginais (RIBEIRO, 2007), infecções de pele e mucosa (COLOMBO & GUIMARÃES, 2003). Portanto, é de grande interesse terapêutico uma formulação que possua atividade antiinflamatória e antifúngica frente a microorganismos do gênero Candida.
Os pacientes imunocomprometidos apresentam maior probabilidade de serem acometidos por infecções fúngicas, como os indivíduos portadores de leucemia, linfoma, diabetes mellitus e síndrome da imunodeficiência adquirida (LIMA et al., 2006). Trabalhos demonstram que a presença de Candida sp aumenta a severidade de displasias bucais (SPOLIDORIO et al., 2003).
Nos últimos anos, vem aumentando o número de infecções invasivas causadas por espécies de Candida não albicans (COLOMBO & GUIMARÃES, 2003).
Atualmente, no mercado farmacêutico existe uma vasta gama de medicamentos para o tratamento de infecções micóticas, dentre eles podem ser citados os antisépticos (tintura de iodo, violeta genciana, ácido salicílico e benzóico, quinonas, compostos azóis (cetoconazol, fluconazol, miconazol) e os compostos de selênio e anfotericina B. Entretanto, as infecções fúngicas são de difícil tratamento devido à resistência adquirida pelos microorganismos frente aos agentes antimicóticos (LIMA, 2006). Portanto, torna-se interessante o estudo de uma substância que possa auxiliar ou efetivamente tratar quadros de infecções fúngicas, principalmente aqueles causados por espécies do gênero Candida.
A avaliação quantitativa da atividade antifúngica (determinação da Concentração Inibitória Mínima – CIM) demonstrou que o extrato bruto em acetona dos frutos de pimenta- de-moça (Capsicum baccatum L.) verde tem atividade contra C. albicans, C. tropicalis na concentração média de 128µg/mL, não sendo efetivo para C. parapsilosis e C. krusei nas concentrações analisadas.
Os resultados obtidos in vitro mostraram que o extrato bruto acetônico de pimenta dedo- de-moça verde (Capsicum baccatum L.) demonstrou capacidade moderada de inibir o
crescimento de espécies Candida, podendo auxiliar ou promover o tratamento da candidíase provocada por Candida albicans e Candida tropicalis.
Candida albicans é espécie mais associada a diversos quadros patológicos relacionados a infecções superficiais e invasivas em diferentes sítios anatômicos. Esta espécie é naturalmente a sensível a uma gama grande de antifúngicos, entretanto casos de resistência têm sido associados ao uso prolongado de azólicos (COLOMBO & GUIMARÃES, 2003).
Candida tropicalis constitui um agente oportunista em casos de neoplasias, sendo sua freqüência maior em leucemias e menor em tumores sólidos. Em países da América Latina, principalmente o Brasil, está espécie é extremamente freqüente. Candidíase sistêmica com lesões de pele são principalmente devido à presença de Candida tropicalis (COLOMBO & GUIMARÃES, 2003).
Vários compostos químicos presentes em plantas medicinais são responsáveis pela atividade antimicrobiana das espécies com essas propriedades, tais como: saponinas (LÓPEZ, 2010), flavonoides, taninos, terpenos, sesquiterpenos (TAJKARIMI et al., 2010) e alcaloides (DOG, 2006).
O mecanismo de ação sugerido para a atividade antifúngica das saponinas é sua interação com os esteróis da membrana fúngica (LÓPEZ, 2010).
Segundo Kappel (2007) os capsaicinoides, compostos encontrados nas pimentas do gênero Capsicum, além de serem responsáveis pela pungência dessas espécies, apresentam atividades antimicrobiana, antioxidante, anticâncer e analgésica.
Portanto, a resposta biológica apresentada pelo extrato acetônico dos frutos imaturos de Capsicum baccatum L., provavelmente está associada à presença em sua composição química de um complexo de metabólitos secundários, tais como: taninos, flavonoides, capsaicinoides (capsaicina), saponinas e terpenos. Essas substâncias, presentes em associação no extrato estudado, apresentam um sinergismo de ação antifúngica frente às espécies de Candida
albicans e Candida tropicalis podendo abrir perspectivas no sentido de desenvolver um fitoterápico eficaz e de baixo custo.