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Ikonoklasmar og negasjon i Ad Reinhardt sine svarte abstrakter

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5 Samanliknande analyse og diskusjon

5.2 Skilnader

5.2.1 Ikonoklasmar og negasjon i Ad Reinhardt sine svarte abstrakter

Até os meus exércitos sonhados sofreram derrota. Até os meus sonhos se sentiram falsos ao serem sonhados. Até a vida só desejada me farta - até essa vida. Fernando Pessoa

Este item refere-se à experiência e sentimentos das mães quanto ao papel materno. O quadro emocional descrito no item anterior denota o intenso sofrimento das mães participantes do estudo. No entanto, ele ainda se agrava pelos sentimentos de impotência e de culpa vivenciados por elas. Tais sentimentos são coerentes com os resultados de uma pesquisa realizada com mães (Amendola, 2004) que também identificou esses sentimentos nas mães e o desejo de reparar as filhas.

“Aí tem vez que eu fico me perguntando o que foi que eu errei... o que foi que eu deixei de fazer, você entendeu? Porque eu não sabia de nada, sabe? Eu sempre pensei assim que isso não poderia acontecer comigo, entendeu? Outro dia... eu levei ela no parque pra ver se ela... porque ela tá sempre com aquele olharzinho dela, de tristeza, essas coisas... aí eu peguei ela e levei no médico, no parque da cidade...é aquela história, naquele exato momento ela tá brincando, depois ela já dá aquela, entendeu? Principalmente quando ela vê ... aquele mundo velho de brinquedo, eu pensei que ela ia se divertir e tal, ela começou a brincar, mas a partir do momento que ela via pais brincando com os filhos, ela já começou a pensar no pai dela.... você sabe do que eu sinto falta? De uma família feliz. A única coisa que eu quero agora é proteger a minha filha e não ver ela sofrer. A única coisa que eu quero

121 entendeu? Não quero mais nada, só quero dar alegria pra ela... alegria. Ver ela feliz. (mãe de Yolanda).

A mãe de Giovana considerou a oferta de atendimento psicológico uma forma positiva de auxílio para lidar com o sofrimento e as dúvidas, mas dispensável, mostrando uma atitude de auto-anulação. A mesma atitude tiveram as mães de Beatriz e de Luíza.

“A mim? Tipo assim como é, tipo assim um psicólogo? Uma psicóloga? Pode ser. ... É podia ser uma psicóloga mesmo...mas fazendo pela minha filha prá mim já tá bom, já tá bom demais.” (mãe de Giovana)

“Então eu preciso de um é... é, é sarar a cabeça da minha filha. Longe de pessoas ruins, aqui tem demais. Ela sai da escola, tem alguém pra falar no ouvido dela, certo? Na ida eu não digo nem tanto porque eu sempre levo ela. Todo dia eu levo a minha filha pra escola. Pra buscar, a minha cunhada busca os pequenininho, coloca no ônibus da creche, né? E volta. (mãe de Beatriz)

“Bom, pra Luíza tá bom. Eu é que tô assim meio um pouco chocada, meio abalada ainda. Mas assim, foi como eu falei, eu não importa, o que importa é ela, ela tando bem, eu não é problema. Ela tá feliz, eu tenho que ficar feliz, nem que seja de fingimento, né? Eu tenho que ficar feliz.” (mãe de Luíza)

É importante situar os sentimentos expressos por essas mães em um contexto mais amplo do que o individual, pois ao mesmo tempo em que não podemos ignorar o conjunto de elementos biológicos e psicológicos que caracterizam uma pessoa no desempenho de seu papel materno, também não podemos ignorar a influência dos valores e expectativas sociais que se interpenetram com os aspectos individuais na construção da identidade materna. Nesse sentido, segundo Maldonado (1989), a mulher, ao formar sua identidade materna inclui nessa construção as regras e as diretrizes sociais estabelecidas, até evoluir, finalmente, para a interpretação própria do papel materno.

De acordo com DeSouza, Baldwin e Rosa (2000), em nossa sociedade a expectativa em relação à mulher envolve o modelo Maria, mulher mártir que se auto-sacrifica, submissa aos homens, e uma boa mãe e esposa. Para esses autores, a versão Brasileira do marianismo é parecida com a descrição da castidade e da dedicação materna da Virgem Maria e essa força social contribuiu para a concepção da mulher como responsável pela casa, pela família, pelo casamento. Avaliamos que somente ao considerarmos o impacto desses valores e dessas expectativas sobre a formação da identidade da mulher em seus vários papéis podemos compreender esse quadro emocional de culpa e responsabilidade diante da violência sexual que foi praticada pelo companheiro. Aspectos esses que devem ser levados

122 em conta em qualquer avaliação que se faça sobre as mães de crianças e adolescentes vítimas, pois são ideologias que também exercem sua influência sobre os atores da rede de proteção e garantia de direitos, cujas ações podem refletir a crença na mãe conivente ou que, no mínimo, falhou em proteger seus filhos. Essa influência pode converter uma ação de proteção em outra forma de vitimização e discriminação, conforme apontado na narrativa dos participantes desta pesquisa. Não corresponder a um papel determinado e construído socialmente pode gerar não apenas culpa, mas também discriminação e condenação social.

O quadro a seguir resume essa condição de inversão de responsabilidade, na qual a

mãe se sente responsável e culpada pela violência praticada por seus companheiros o que, por conseguinte, reforça o papel materno como único responsável pela proteção e cuidados, eximindo o homem dessa responsabilidade e, mais grave, diminuindo o impacto da responsabilidade por seus atos.

Quadro 12: O papel da mãe vivenciado com sentimento de culpa, de impotência e de confusão Medidas de proteção Significado conferido pelos sujeitos às medidas protetivas

Exemplos de narrativa Alcance da medida protetiva Limitações da medida protetiva / Efeitos contraditórios Intervenção legal: • Denúncia • Afastamento do autor da violência do lar Proteção

“Aí tem vez que eu fico me perguntando o que foi que eu errei... o que foi que eu deixei de fazer, você entendeu? Porque eu não sabia de nada, sabe? Eu sempre pensei assim que isso não poderia acontecer comigo, entendeu?” (mãe de Yolanda) “Ela tá feliz, eu tenho que ficar feliz, nem que seja de fingimento, né? Eu tenho que ficar feliz.” (mãe de Luíza)

“Mas fazendo pela minha filha prá mim já tá bom, já tá bom demais.” (mãe de Giovana)

“Mas assim, foi como eu falei, eu não importa, o que importa é ela, ela tando bem, eu não é

problema.” (mãe de Luíza)

Interrupção da violência sexual • Não elimina a culpa, o medo, a vergonha. • Coloca em questão o exercício do papel materno.

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