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5. METODE OG FORSKNINGSDESIGN

5.4 I NTERVJUGUIDE

O papel da família é essencial para que seus membros, principalmente crianças e adolescentes, vislumbrem possibilidades de ócio, fato que investigaremos e será tratado posteriormente ao apresentarmos a metodologia da pesquisa.

Puig e Trilla (2004, p.126) afirmam que “os hábitos que a família construirá sobre essas atividades costumam ser de grande importância para os filhos e para satisfação futura

que encontrarão no tempo livre”; e citam o sociólogo Pierre Fougeyrollas33: “a família e a

escola são as duas instituições fundamentais para a custódia da infância. A família, além de unidade econômica, afetiva, social, etc., constitui uma comunidade de ócios”. (apud PUIG & TRILLA, 2004, p.56) Ainda: “A maior parte da atividade de tempo livre infantil transcorre no meio familiar. Tanto no que se refere aos ócios cotidianos como aos semanais e anuais (fins de semana, férias, etc.), a família era a instituição que determinava sua forma e conteúdo” (PUIG & TRILLA, 2004, p.57), mas os autores fazema ressalva de que isso estava vinculado às famílias nucleares e mudou com transformações sociais que atingiram as dinâmicas familiares, como a maior participação da mulher em:

[...] trabalho fora de casa, um grande relaxamento nas relações intrafamiliares, uma progressiva desvinculação da família (pais e filhos) com outros membros familiares (avós, etc.), a busca de níveis mais amplos de autonomia pessoal de cada membro do grupo foram mudando a imagem da família como comunidade de ócios. (PUIG & TRILLA, 2004, p.57)

Puig e Trilla (1974, p.19) afirmam que atualmente há a delegação parcial dessa responsabilidade a instituições como brinquedotecas, clubes infantis e colônias de férias, acreditamos que a ocorrência maior de agrupamentos familiares não nucleares não significa a descaracterização da importância da família na formação e educação de crianças e jovens. Discorreremos sobre esse fator em outro momento da pesquisa, mas adiantamos que a cientista social Cynthia Andersen Sarti (2009, p.85-86) aponta que em alguns grupos familiares o vínculo é estabelecido pela qualidade da relação entre seus membros e não pelo parentesco consanguíneo. Ou seja, a existência de diferentes arranjos familiares ressalta a importância de atividades de ócio de mais qualidade e o papel dessas atividades na promoção de integração dos novos agrupamentos.

33 FOUGEYROLLAS, P. La família, comunidad de ócios. In: DUMAZEDIER, I. e outros: Ocio y sociedad de classes. Barcelona, Fontanella, 1971, pp.167-182.

Puig e Trilla dividem as atividades de ócio em quatro grandes grupos. Um primeiro relacionado ao físico, com predominância de atividades corporais como esportes, excursões e passeios; um segundo onde predominam a produção pela prática de trabalhos manuais em que bricolagem e jardinagem são exemplos; um terceiro que inclui todas as práticas culturais, sejam de elite ou de massa, criativas ou passivas; e um quarto grupo que se caracteriza por atividades de caráter social ou coletivo, com predominância de relações interpessoais, como encontros e festas, ida a locais públicos como praças, clubes ou cafés e ainda a vida familiar. O terceiro grupo contempla as ações do programa Interar-te.

Considerando que atividades de ócio podem ter caráter de formação pessoal, acreditamos que o programa Interar-te do MAC USP cumpre esse papel em relação à opção das famílias que o frequentam. Desde o início das atividades desse programa educativo, não houve solicitação de inscrição prévia. Por se tratar de uma atividade em momento de lazer, a presença não deveria ser garantida por intermédio de compromisso assumido com a instituição, mas sim pela disponibilidade e motivação do próprio grupo familiar naquele dia.

Visando o convívio familiar, as atividades propiciam o contato com obras de arte que, mesmo partindo das memórias do grupo, promovem situações de conhecimento de procedimentos artísticos e da história da arte. Diante desse quadro, qual a contribuição da ação educativa de um museu à formação da população nos momentos de não trabalho e demanda não escolar?

Talvez um dos fenômenos mais críticos de que trata a educação, hoje, é o que promove o grande âmbito, cada dia mais amplo e intenso, das demandas educativas, escolares e não escolares, com relação à comunicação e à expansão da cultura. A educação não tem limites definidos por idade ou pela escola, pelos deveres profissionais ou pela relação circunstancial de cada um; estende-se e se aplica a todos sempre, sincrônica e diacronicamente. Os grandes meios de comunicação colocam ao alcance de todo o mundo os benefícios – e, às vezes, os malefícios – da cultura. O homem, os grupos, os coletivos humanos, as comunidades e a sociedade em geral podem participar mais intensamente do que nunca da socialização e da educação. Mas se torna clara a necessidade de sermos conscientes desse fenômeno e de conduzi-lo em nosso benefício e de todos. Por outro lado, é preciso que, da maneira correta, todos participem da aquisição da cultura e da formação, sem situações de privilégio promovidas pela posição territorial, econômica, social, religiosa, política, profissional ou de qualquer outra ordem. A educação é direito do homem, inalienável, sem exceção, individual, familiar, social... hoje e sempre. Se em alguma época houve discriminação, é hora de proclamar e defender esse direito tão importante, adotando todas as medidas para concretizá-lo, em nível pessoal e coletivo. (PUIG & TRILLA, 2004, p.12)

Pensamos ser esse o intuito dos adultos que buscam propiciar às suas famílias atividades em um museu de arte em seus momentos de lazer. Mas quais as motivações dessas pessoas? Uma hipótese, baseada nas ideias de Romanelli (1986) é a de que se trata de pessoas cujas representações simbólicas incluem aspectos de valorização da educação e da formação

de hábito de fruição da cultura, através das vivências em grupo. Estariam estes valores incluídos nos hábitos criados pelas famílias de origem desses adultos? Ou, ainda, estes valores seriam influenciados pelas experiências recentes dessas pessoas, atreladas ao trabalho? Qual o papel da família nas atividades de tempo livre?

Primeiro, a responsabilidade de organizar e ensinar os filhos a organizar o tempo recai em grande parte sobre as famílias. Não é possível o ócio, se não tiver ficado claro e disponível um espaço de tempo livre de qualquer tipo de obrigação. A família é responsável pelo tempo que o filho não ocupa indo à escola. Ela define quais obrigações ocuparão o tempo não-escolar e qual será também o tempo que ficará completamente para os filhos, o tempo que não é empregado para satisfazer necessidades ou cumprir obrigações impostas. Pensamos que uma boa educação para o ócio garantirá que todos disponham livremente de uma parte de seu tempo. Em conseqüência, os pais permitirão que os filhos tenham tempo livre. Tempo este em que deverão aprender e se organizar. Uma condição tão elementar da ação educativa da família é muitas vezes esquecida. Os pais temem o tempo livre dos filhos. Buscam de toda forma enchê-lo de obrigações mais ou menos interessantes e educativas. Pretendem que os garotos tenham todo o tempo ocupado, desde a saída da escola à hora de voltar para a sala de aula. Tais espaços de tempo são preenchidos com cursos complementares, televisão e outras atividades. Ocupações que nem sempre são intrinsicamente más, mas que muitas vezes têm apenas o objetivo de ocupar o tempo dos filhos. Tais atividades são positivas sempre que não requeiram um esforço físico e mental pouco recomendável depois do que se faz na escola, mas que respondam a uma necessidade dos filhos e, se possível, sejam livremente escolhidas por eles. Seja como for, uma boa pedagogia do ócio implica respeitar e ampliar o tempo livre disponível. Obviamente, não cremos que seja positivo o aborrecimento que poderia ocorrer no caso de se dispor de muito tempo livre desorganizado. Trata-se de aprender a organizar o próprio tempo livre e fazer dele um tempo de autodesenvolvimento. (PUIG & TRILLA, 2004, pp.125-126)

As propostas do Interar-te partem de obras em exposição no Museu. As atividades são orientadas pela equipe de educadores, embora haja o intuito de deixá-las abertas às referências e interpretações do público e a sua ressignificação. As memórias dos adultos, as experiências com a família, as interpretações, são favorecidas no conjunto das ações educativas.