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I NTERAKSJONSTESTER

In document Forbrukervaner ved skokjøp (sider 41-44)

Para promotora de Justiça, a família é uma instituição que ainda vale a pena e deve ser respeitada porque é a primeira formação do cidadão

luciene santos

Da Editoria de Cidade

envolvendo casais, pais e filhos têm contribuído para que tais valores fiquem cada vez mais desgastados. Para fazer com que a imagem da instituição seja preservada dos conflitos familiares, a promotora de Justiça, Marilea Campos dos Santos Costa, transformou a sua rotina em uma verdadeira batalha. Titular da 1ª Vara da Família, há nove anos ela luta por uma sociedade mais justa e para isso aposta no equilíbrio familiar.

Todo esse anseio por mudanças na família brasileira não existe por acaso. De uma família de cinco irmãos, Marilea Campos, 42 anos, foi criada em um ambiente de convivência harmoniosa, pautada na disciplina e no respeito, valores repassados, sobretudo, pelo pai, o militar Leônidas Quaresma dos Santos Filho, que deixou a carreira para trabalhar na Petrobras e se aposentou na Cemar, como advogado. Da mãe, a contabilista Maria Luísa Campos dos Santos, a promotora de Justiça herdou a força e a dedicação pelo lar. “Minha mãe trabalhava na Petrobras, mas resolveu deixar o emprego para cuidar da família e nunca esboçou arrependimento”, destaca. Marilea Campos nasceu em 19 de novembro de 1961 em São Luís, mas afirma que suas origens são da Baixada Maranhense, mais precisamente dos municípios de Peri-Mirim, São Bento e Pinheiro, onde seus avós maternos moravam, antes de morrer, motivo de muita tristeza para a promotora. Embora estudasse na capital, boa parte de suas férias passou no interior do estado ou na cidade de Campo Maior, no Piauí, terra natal do seu pai.

Ainda na década de 60, começou a estudar no Colégio Dom Bosco, onde cumpriu todas as etapas da Educação Infantil. No São Vicente de Paula, ela cursou o ensino fundamental, e concluiu a vida escolar no Colégio Batista. Ao lado de Rosiléia Maria Sena e Silva e Rosário Castelo Branco, suas amigas de infância, passou muitos momentos bons.

Aplicada - “Uma característica muito marcante na minha personalidade é que eu sempre fui muito responsável e aplicada, mas sempre encontrava tempo para os esportes e para o lazer. No São Vicente de Paula, fazia ginástica olímpica e no Batista treinei natação. Ganhei até algumas medalhas. Gostava também de sair, ir para a boate. Embora a criação dos meus pais fosse rígida, naquele tempo tudo era mais tranqüilo, não tinha violência”, comenta a promotora.

No primeiro vestibular que prestou, em 1978, foi aprovada na 4ª colocação para o curso de Direito, tendo concluído a graduação em 1982. Como advogada, trabalhou no escritório de advocacia de Carlos Nina e em 86 prestou concurso para o Ministério Público. Até 1991, trabalhou em várias comarcas do interior e, depois de rápidas passagens pela varas de Entorpecentes e de Registros Públicos, assumiu a Vara da Família.

“O grande orgulho dos meus pais é que todos os filhos conquistaram o seu espaço à custa de muito esforço e suor, nada foi por favor. Três dos meus irmãos estão morando em outros estados e só eu e meu irmão Flávio Lúcio, que é médico, ficamos em São Luís”, revela.

Marilea Campos confessa, no entanto, que o seu sonho era seguir a carreira de delegada de polícia, mas encontrou resistência nos pais, que achavam a profissão

perigosa. Mas a “alma” observadora e investigadora de Marilea Campos pôde ser absorvida no Ministério Público e tem ajudado na elucidação de vários casos. “Acho muito interessante o trabalho na Vara de Família porque muitas vezes o que você vê em um casal não é o que existe de verdade. Consegui resolver muitos problemas usando o meu senso apurado, o sexto sentido”, explicou a promotora, que é membro do Instituto Brasileiro de Direito de Família.

A experiência na Vara de Família já foi tema de vários artigos de Marilea Campos publicados na Imprensa, com destaque para o incluído nos Anais de 30 anos da Justiça Federal do Maranhão, sob o título de “A família ainda vale a pena”. Para a promotora, os pais têm que tomar a responsabilidade dos seus filhos e não deixar para o Estado fazê-lo. E ainda desenvolver nas crianças o amor pelo trabalho, além de sua auto-estima.

Respeito - “A família tem que ser respeitada porque é a primeira formação do cidadão. Quando trabalhava no interior, proferi várias palestras sobre esse tema e acredito que a solução para os problemas de hoje está na união, cada um fazendo sua parte”, destaca Marilea Campos, que faz parte do Grupo Santo Antôncio, que congrega promotoras e juízas em prol de causas sociais.

Embora esteja feliz e realizada no trabalho, a promotora diz que o bom profissional é aquele que não se acomoda e está em constante transformação. Por esta razão, ela não desperdiça as oportunidades em que precisa substituir os colegas do Ministério Público em outras funções.

“Geralmente, eu gosto de responder pelas varas criminais. Passei um tempo agora com o juiz José Joaquim Figueiredo dos Anjos, a quem eu admiro bastante, na 2ª Vara Criminal,”, disse a promotora de Justiça, acrescentando que a parceria mantida com a 1ª Vara da Família tem sido um grande aprendizado. “Independente da classe a que você pertence, o importante é você ser uma pessoa que realmente busca o que há de melhor para si”.

A intenção de Marilea Campos é continuar se aprimorando para que daqui a alguns anos possa chegar ao topo de sua carreira, que é a Procuradoria de Justiça. “Tenho planos ainda de fazer um mestrado na área da Família”.

ANEXO 03 - (Rp3)

Perfil 14/03/2004

MARIA DOS REMÉDIOS BUNA

“Hoje, me sinto uma rainha”

Vinda de família humilde, a desembargadora Maria dos Remédios Buna chegou a trabalhar como babá e lavadeira

INARA RODRIGUES Da editoria de Cidade

Até alcançar um dos cargos mais almejados da carreira da magistratura estadual, a desembargadora Maria dos Remédios Buna Costa Magalhães, 59 anos, percorreu um longo e árduo caminho, de muita luta, estudo e trabalho.

Nascida em São Luís e criada no bairro do Anil, mais precisamente na rua das Flores, nº 38, onde até hoje residem seus pais, ela teve uma infância muito alegre. Integrante de uma família de sete irmãos – seis mulheres e um homem –, lembra com saudade da época em que aprendeu a nadar no rio Anil, que passava no fundo da sua casa. “Sempre digo que as crianças de hoje perderam muita coisa boa do Anil. Como não havia água encanada naquela época, todos os moradores do bairro consumiam a água do rio, que ainda era limpa. As crianças, e até os adultos, banhavam constantemente no rio, que era uma verdadeira área de lazer para nós”, lembra.

Por causa das dificuldades financeiras da sua família – seu pai era operário de indústria e sua mãe costureira – teve que começar a trabalhar muito cedo, aos 13 anos, mas isso não a impedia de brincar no quintal da sua casa, juntamente com as irmãs, de esconde-esconde e pega-pega, e de confeccionar seus próprios brinquedos. “Meus pais ganhavam muito pouco e nunca tive um brinquedo, porque eles não tinham como comprar. Então, eu mesma fazia meus brinquedos com caixas de fósforo, madeira, papelão, latas e outros materiais, que com muita criatividade, transformava em móveis, casinhas, radinhos, panelinhas e outros brinquedos. Essa foi a minha infância, que me traz muitas recordações boas”, conta. Assim que começou a trabalhar, fez serviços de babá e lavadeira e confessa não se envergonhar deste seu passado de luta. Estudou a vida toda em escola pública,

assim como seus outros irmãos. Cursou o primário no Grupo Escolar Jansen Muller, uma escola municipal localizada no Anil. O Ginásio e o Normal foram cursados no Instituto de Educação, que funcionava no Liceu Maranhense.

Ao concluir o curso Normal, em 1964, começou a lecionar em uma escola pública estadual localizada no Anil, chamada Viriato Corrêa. Por sinal, foi a primeira professora da escola, que tinha acabado de ser construída. À noite, ensinava no Ginásio Monte Castelo. “Quando já era promotora em Penalva, continuei lecionando em uma escola pública. Lecionar sempre foi uma segunda vocação, acho que por influência da família do meu pai, que é uma família de educadores”, justifica.

Em meio ao trabalho e aos estudos, pois era uma aluna muito aplicada, tinha como única diversão da adolescência o cinema. Sempre que sobrava algum dinheiro, ia assistir filmes no extinto Cine Anil. Também gostava muito de ler. A desembargadora revela que tomou gosto pela leitura através da literatura de cordel, sua grande mania de adolescência. Festas e demais badalações nunca fizeram o seu tipo. É por conta disso que ela diz nunca ter tido muitos namorados. Faltava tempo. “Meu dia-a-dia era muito corrido, pois, além de estudar, tinha que trabalhar para ajudar em casa. Sempre que arranjava um namoradinho, terminávamos, porque não lhe dava a atenção necessária e ele acabava interessando-se por outra garota”, revela.

Magistratura – A vontade de seguir a carreira jurídica vem desde a infância. Quando fazia o 2º ano do primário, hoje ensino fundamental, conheceu a já falecida advogada Helena Caldas, em visita à sua escola, quando a mesma era Secretária de Educação do Município. A diretora da escola apresentou a advogada para todos os alunos e, desde então, Maria dos Remédios colocou na cabeça que também iria ser advogada. Por coincidência, teve o prazer de ser aluna de Helena Caldas na Faculdade de Direito da UFMA. “Eu me inspirei nela para seguir a profissão. A professora Helena foi a grande referência da minha carreira e tenho boas recordações da época em que fui sua aluna. Aprendi muito com ela. Acho que foi por essa vontade de ser como ela que tive tanto empenho em concluir o curso superior, mesmo tendo que, muitas vezes, fazer serviços de babá e lavar roupa em casa de família para conseguir a passagem de ônibus ou o dinheiro para comprar livros”, lembra.

Em 1966, ingressou na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Maranhão, concluindo o curso em 1970. Após formada, passou um ano trabalhando em escritórios de advocacia, vindo a tornar-se auxiliar de ensino da faculdade em 1972. No início de 1973, atuando como promotora de justiça, mudou-se para o município de Penalva, onde permaneceu até o início de 1975, quando tornou-se juíza após aprovação em concurso público. No novo cargo, percorreu vários municípios maranhenses. O primeiro deles foi Presidente Dutra, onde ficou até 1977. Assim que chegou ao município, em 1975, conheceu o marido, o advogado Joaquim Elias Filho. Ele também trabalhava em Presidente Dutra e conseguiu „fisgar‟ rapidamente o coração de Maria dos Remédios. Entre namoro, noivado e casamento, foram apenas sete dias e a união do casal já dura 29 anos. “Ele é uma pessoa muito extrovertida, que vive sempre de bom humor e por quem sou muito apaixonada. A

loucura de casar tão rápido deu certo e estamos juntos até hoje. Como ele era viúvo, o ajudei a terminar de criar os seus quatro filhos, que, nessa época, tinham nove, 13, 14 e 15 anos. Hoje, vivemos só nós dois, pois todos os filhos dele já são independentes. Dois deles moram fora do estado”, conta.

filhos – Maria dos Remédios não teve filhos. Diz que não veio ao mundo para ser mãe biológica, mas não se entristece com isso. “Tenho muitos filhos do coração”, ressalta.

Ao sair de Presidente Dutra foi transferida para Humberto de Campos. Dois anos depois, fez um curso de pós-graduação em Direito Público, em Fortaleza. Assim que retornou, foi transferida para a cidade de Viana, onde permaneceu um ano e seis meses, indo em seguida para Pedreiras, local em que atuou como juíza por 10 anos e seis meses.

Já em São Luís, foi juíza da 7ª Vara Cível, por dois anos, e da 4ª Vara Criminal durante 10 anos. Na última quarta-feira, foi empossada desembargadora, em uma concorrida solenidade no Tribunal de Justiça do Maranhão. Muito emocionada, confessa quase ter „desabado‟ em lágrimas na cerimônia. Em seu rápido discurso, apenas agradeceu a Deus por estar viva e poder passar por momento tão especial em sua carreira. “Depois de ter passado por tantas dificuldades na vida e ter percorrido caminhos longos e árduos para conseguir ser alguém, é muito gratificante fechar o círculo da profissão que escolhi. É majestoso. Hoje, me sinto uma rainha”, comemora.

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