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Kapittel 7 Scenario 1 – Mer å lære

7.2 Hvordan kom vi dit?

A tecnificação promoveu a migração forçada de milhares de famílias que viviam do trabalho na terra para os centros urbanos, com destaque para Goiânia e Brasília. Os impactos sobre as populações tradicionais que viviam do trabalho na terra foram intensos, uma vez que, perderam o meio de produção - no caso os proprietários de terra - e a possibilidade de acesso a terra (arrendatários, agregados, etc.), que sofreram maiores conseqüências, na medida em que foram privados dos meios essenciais para a sobrevivência, amontoando-se na periferia das cidades sem qualquer alternativa de trabalho que não fosse o trabalho temporário do bóia-fria em algumas épocas do ano e/ou trabalhos domésticos e braçais na cidade.

Com a modernização conservadora ocorreu uma diminuição significativa da oferta de trabalho no campo na região Centro-Oeste e principalmente no Estado de Goiás.

De acordo com o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - entre 1985 e 1996 houve uma redução de 20% dos trabalhadores rurais no Centro-Oeste. Em 1985, existiam cerca 1,5 milhão de trabalhadores no campo, e em 1996, os trabalhadores rurais somavam aproximadamente 1,2 milhão.

Em Goiás, em 1985, os trabalhadores rurais somavam 616.000. Uma década depois (1996), existiam cerca de 472.000 trabalhadores rurais, ocorrendo uma redução de aproximadamente 23%, expressando as mudanças no trabalho após a adoção das inovações técnicas.

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Esses dados ilustram o impacto das medidas modernizantes nas áreas de cerrado no Centro-Oeste, no que diz respeito aos trabalhadores rurais. Todavia, quanto aos arrendatários e/ou agregados, não se dispõem de dados confiáveis, pois houve intensa migração para as áreas de fronteira, nesse momento com destaque para os Estados de Tocantins, Pará e Rondônia.

Diversos estudos realizados sobre Goiás demonstram a existência de dois modelos predominantes no uso da terra; o patronal, identificado com as fazendas empresas-comerciais com a produção de mercadorias voltadas para o mercado externo, altamente competitivas e tecnificadas; e o familiar voltado para atender às necessidades do mercado local/regional e absorvedor de trabalhadores (mão-de-obra intensiva).

Essa classificação parece não expressar a realidade existente na área investigada. Primeiro, a produção familiar pode ser altamente tecnificada e a produção destinada ao mercado externo, mesmo em pequenas propriedades, pois a especialização funcional é cada vez mais notada. Segundo, a mão-de-obra utilizada é assalariada em sua maioria também nas pequenas unidades familiares, resultando na produção de mercadorias, no sistema integrado, subordinados às necessidades das grandes transnacionais, como a Parmalat e outras, que controlam quase a totalidade da produção de leite da região.

O (re)ordenamento territorial resultante de diversos investimentos feitos na região propiciou novas configurações geográficas (novo conteúdo na relação cidade-campo) principalmente a partir do cultivo da soja e da instalação de agroindústrias que beneficiam parcela da produção do complexo grãos-carne, consolidado na região em meados dos anos 1990.

A soja atua como um grande potencializador das economias locais e regionais, envolvendo atividades complementares que vão desde o fornecimento de máquinas, insumos e assistência técnica, à logística de comercialização e transportes. A necessidade de rotação de culturas estimula outros produtos que também dinamizam setores mais diversos. É o caso do milho, num primeiro estágio, e da suinocultura, avicultura e bovinocultura, atividades que encontram na soja um setor complementar. Outro elo da cadeia são as agroindústrias que processam os produtos da pecuária e fabricam adubos para as lavouras de grãos. (EXPANSÃO, 2000, p.21).

Thomaz Júnior (2001), coloca que vivemos um dos momentos mais críticos de toda a história para o trabalho, e que isso se expressa nos novos rearranjos e novas funções para os trabalhadores, pois a divisão do trabalho resultante se expressa territorialmente, acarretando configurações de grande dimensão para a agropecuária brasileira.

As mutações do trabalho assumiram formas muito diferenciadas na agropecuária goiana. A requalificação das relações de produção e de trabalho promoveu o aparecimento de formas consorciadas de trabalho nas lavouras, onde temos:

- trabalhadores altamente qualificados ao lado de trabalhadores temporários (bóias-frias);

- trabalho familiar em grandes empreendimentos comerciais, combinado com variadas formas de trabalho precário – bóias-frias, produtores integrados, trabalho em tempo parcial, etc;

- pluriatividade em pequenas e médias propriedades rurais voltadas exclusivamente para o mercado;

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principalmente aqueles situados nas proximidades dos centros urbanos;

- o aparecimento de atividades não-agrícolas, como ecoturismo, hotéis fazendas, pesque e pague e outras;

- e, a subproletarização e fragilização cada vez maior dos pequenos produtores que ainda tentam sobreviver do trabalho agrícola tradicional;

Finalizando essas observações, cabe indagar acerca da natureza do trabalho na agropecuária brasileira e especificamente goiana, com o intuito de tentar mapear essa situação no Sul Goiano, como forma de colocar em evidência o conteúdo do “novo rural” e perceber através das contradições, as ações implementadas pelos trabalhadores em suas variadas formas, buscando compreender o movimento geral do capital e do trabalho e a relação capital-trabalho, bem como as diferentes leituras dos fenômenos no território e suas diferenciadas manifestações. Eis o desafio.

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