Kapittel 5 Drivkrefter: Holdninger og yrkesdeltakelse
5.3 Arbeidsønsker hos morgendagens seniorer
Com o objetivo de levantar características que diferenciam os grupos, vamos destacar as variáveis possíveis de analisar de forma comparativa. Não será possível comparar, nos três
grupos, todas as variáveis analisadas, porque uma das escolas (Escola E) não estava mais desenvolvendo as atividades do projeto no momento da pesquisa.
Na Escola P os componentes do grupo mudam anualmente, o que não ocorre com a mesma freqüência no grupo da Escola M. Este grupo tem os mesmos componentes desde o início das atividades há dois anos. Isso pode justificar a opinião da coordenadora destes dois grupos, que afirma que o grupo da Escola M demonstra maior interesse em participar das atividades, apesar de suas dificuldades de vida serem maiores, que o grupo da Escola P. Portanto, o tempo de duração do trabalho também pode influenciar nos resultados.
Alguns problemas identificados nos três locais pesquisados foram os mesmos, mas com uma diferença de percepção. Eles se apresentam de forma diferente de uma população para outra. Para exemplificar, vamos analisar alguns destes problemas. A questão do lixo foi citada por todos os grupos como um dos principais problemas enfrentados. Nos grupos das Escola E e Escola M, o lixo se apresenta como problema, enquanto objeto jogado nas ruas, já para o grupo da Escola P este problema encontra-se na falta de sensibilização por parte das pessoas da necessidade da seleção de lixo. Outro problema, citado pelos entrevistados, é a questão da infra-estrutura. Para as pessoas com menos recursos financeiros, este problema se apresenta pela sua falta, enquanto que para as pessoas possuidoras de mais recursos, este também pode significar um problema, mas apresenta-se de outra forma, isto é, não é a sua falta e sim que as pessoas pensam que têm à vontade e por isso, podem usufruir sem cuidar com o desperdício. Parece simples abrirmos a torneira ou ligar o interruptor e ter ao nosso alcance um recurso que parece indispensável. Portanto, não foram nem a falta de estrutura, nem a violência citados pelos grupos das Escola E e Escola M, e sim a falta de esclarecimentos quanto à utilização dos recursos naturais nas casas. A diferença encontra-se na maneira como os problemas se apresentam de uma população para outra.
No início do trabalho identificamos poucas diferenças marcantes entre os grupos, no processo de construção da aprendizagem. Com o convívio a partir das observações e da análise mais profunda, começamos a perceber aspectos que distinguem os grupos e representações sobre as variáveis estudadas. Um exemplo que pode ser citado é que os alunos percebem de forma distinta a importância do estudo em suas vidas, bem como o problema do lixo em seu contexto de vida. Para os alunos com melhores condições econômicas, o estudo é a forma de permanecer com este padrão de vida no futuro, e o problema do lixo situa-se na falta de conscientização das pessoas para o problema. Já para aqueles que têm menos condições econômicas, o estudo é a forma de ser alguém na vida, que pode ser interpretado como o desejo de mudar suas condições de existência e melhorar sua qualidade de vida. Para
este grupo, o problema do lixo reside, principalmente, na poluição e na sujeira quando é jogado ao chão. Portanto, podemos dizer que a percepção que cada um tem pode ser construída a partir das diferentes situações de acesso aos serviços de infra-estrutura urbana e das condições sócio-econômicas.
Como já notamos, a percepção ecológica pode ter significados distintos entre pessoas com diferentes condições sociais e nos diversos segmentos sociais. Isto também foi afirmado por Minc (1997), que diz que os mais pobres não têm interesse pela temática ambiental pela falta de conhecimentos dos problemas ambientais. O camponês ou o favelado pode não dominar a diversidade dos ecossistemas, mas tem uma vivência direta com as dramáticas manifestações de poluição e das agressões ambientais. Não é suficiente tratarmos cada caso específico, com suas demandas e preocupações, onde cada grupo representa diferentes problemas ambientais – os seringueiros defendem a Amazônia, os agricultores se preocupam com as queimadas e os agrotóxicos e assim por diante. Precisamos integrar estas diferentes percepções para criar uma consciência global.
Outro fato percebido no trabalho é que quando existem na família ações de preocupação ambiental, desenvolvidas com ajuda dos pais, na escola as crianças tem mais facilidade na construção de conhecimentos. Outra particularidade foi percebida na Escola P, onde alguns pais participaram junto com os alunos de atividades voluntárias, relacionadas ao meio ambiente. Não percebemos atividades deste tipo nas outras escolas, talvez seja pelo fato destas não terem pais com formação técnica especializada.
Quando falamos em repercussão do saber ambiental junto às famílias dos entrevistados, é possível destacar as seguintes diferenças entre os três grupos. Nos grupos da Escola E e M foi possível perceber uma pequena sensibilização dos membros da família para os problemas ambientais, desenvolvida a partir do que os alunos aprenderam na escola, uns com mais sucesso, outros menos. No grupo da Escola P encontrarmos uma expressiva incidência de respostas dizendo que todos já sabiam cuidar do meio ambiente, por isso não precisaram ensinar a ninguém. Esta é uma peculiaridade do grupo que não foi percebida nos demais grupos. Ninguém deste grupo comentou ter dificuldade de repassar para os familiares o que apreenderam na escola sobre o meio ambiente, como ocorreu nos grupos anteriores.
A partir destas constatações observamos que nos três grupos existem mais semelhanças do que divergências. O importante, no processo de construção do saber ambiental, é que as pessoas precisam reconhecer a sua importância para agir consciente. Talvez importe menos a origem social e mais a participação com prazer.