9 15-19 åringers selvvurdering
10 Selvvurdering og bakgrunnsvariabler
10.2 Hvordan kan forskjellene forklares – en analyse
Cronbach e Meehl (1955) escreveram que para incrementar a validade interna, as dimensões dos construtos, as suas relações e os resultados esperados devem ser razoavelmente explicitados (Cronbach & Meehl, 1955). No início da presente investigação, tratou-se de elaborar um questionário exploratório para definir os principais modelos da aculturação (a assimilação, o multicultural, a fusão e o intercultural) pelas suas dimensões, tendo em conta os dois objetivos gerais da presente investigação. Esse trabalho está presente na descrição dos modelos da aculturação do terceiro capítulo, na tentativa de evitar repetições e para fomentar a compreensão dos modelos de aculturação, aquando da descrição dos mesmos no capítulo número três.
O primeiro objetivo geral (o explorar e o contextualizar a cultura portuguesa da aculturação) implica fazer uma elaboração teórica, tal como McGuire (1973) ou a
Grounded Theory estão a propor (Charmaz, 2006; Glaser & Strauss, 2009; Strauss &
Corbin, 1998), e o segundo objetivo implica fazer uma deslocação das apreensões relacionadas com a integração sociocultural para as psicológicas, colocando a ênfase na aprendizagem e nas motivações aculturativas (Rudmin, 2009). No entanto, o primeiro objetivo geral implica o segundo, uma vez que a cultura portuguesa avalia de modo positivo as dimensões do modelo de fusão e porque aprender uma segunda cultura se encontra reportado nos livros históricos portugueses. A investigação de doutoramento pretendeu contextualizar a cultura portuguesa da aculturação como uma nova estrutura conceptual. Assim sendo, explorar os modelos pelas suas dimensões era uma prioridade. Por outro lado, as dimensões dos modelos da aculturação facilitam estabelecer uma comparação entre os resultados esperados e os obtidos (Pasquali, 2009; Pasquali & Primi, 2003), não abordando o fenómeno da aculturação através das variáveis estranhas ao fenómeno como a discriminação ou o estatuto socioecónomico, senão que mediante as dimensões definidoras do construto e dos seus modelos. Na presente investigação, a tarefa não é apenas o de escolher e de organizar os dados, senão que antes de realizar um estudo culturalmente sensitivo (Pires, R., 2003) face à cultura portuguesa.
As dimensões dos modelos emergiram a partir da revisão da literatura, da análise de conteúdo e do trabalho de campo e ainda da reflexão do investigador. O modelo de
fusão mereceu uma especial atenção e o mesmo ocorreu com o modelo multicultural porque a cultura portuguesa, presumidamente, funciona de acordo com a teoria luso- tropical (Freyre, 1986), sendo que o modelo multicultural é o dominante. As dimensões dos modelos foram formuladas tendo em conta uma das dimensões fundamentais do modelo de fusão ou da cultura luso-tropical, isto é, a interação intercultural. O questionário foi concebido como sendo um instrumento exploratório, contendo oito questões (ver em anexo no ponto um do respetivo índice). A análise da literatura e os trabalhos de campo realizados (na comunidade portuguesa, em Metz, e ainda junto da comunidade cabo-verdiana do Porto) constataram a presença dum viés de construto e duma falta de equivalência, o qual assenta nas diferenças culturais entre o modelo multicultural da sociedade anglo-saxónica e a cultura portuguesa ou lusófona. Assim dispondo, algumas das questões do questionário abordam construtos básicos referentes à problemática da aculturação, tal como o construto da aculturação (questão número seis), o da identidade étnica (questão número sete) e do multiculturalismo (questão número cinco). As restantes questões referem-se diretamente às dimensões dos quatro modelos da aculturação, pretendendo verificar como os sujeitos das três amostras respondem e diferem consoante os quatro modelos da aculturação. As questões implicam uma comparação com a cultura anglo-saxónica, na tentativa de diferenciar a mesma da cultura portuguesa.
A questão número um (acerca da adaptação dos imigrantes), a questão número três (a qual compara os modelos multicultural e o de fusão) e a questão quatro (acerca da adaptação dos emigrantes portugueses) estão a tentar verificar qual é o modelo da aculturação preferido no contexto português, presumindo que as preferências ou atitudes culturais variam consoante o estatuto ou a posição social das amostras, isto é, da maioria portuguesa, dos imigrantes cabo-verdianos e dos emigrantes portugueses. A aculturação é um processo com dois sentidos de influências culturais e o emprego das três amostras visava incluir as avaliações dos imigrantes e dos emigrantes portugueses, para além da maioria portuguesa, ou seja, tentou-se, tanto quanto possível, aproximar a análise estatística da interação intercultural. A amostra de imigrantes cabo-verdianos não está apenas a responder à sua adaptação cultural, em Portugal (questão número um), senão que também acerca das mudanças culturais portuguesas, acerca da cultura luso-tropical (questão número dois) e ainda acerca como os emigrantes portugueses se devem adaptar (questão número quatro). A questão oito (acerca da perceção de ameaça) é a de controlo, pois, como o modelo de Rudmin (2009) propõe, a discriminação e a variável
socioeconómica são variáveis de controlo. A questão número oito aparece, sobretudo, junta com a questão acerca do luso-tropicalismo, isto é, a questão número dois. Contudo, outras questões foram colocadas de lado porque o questionário seria demasiado longo, por exemplo, o significado da palavra integração mereceria uma questão.
As três amostras foram recolhidas mediante a técnica de conveniência, durante os trabalhos de campo no Porto e em Metz, e ainda junto da maioria portuguesa, ou seja, portugueses sem experiência emigratória. Os sujeitos foram selecionados por conveniência devido à sua acessibilidade e vontade em responderem. Em consequência, a técnica amostral é não-probabilística (Gravetter & Forzano, 2012). A amostragem por conveniência é apropriada para as investigações exploratórias e também é aplicada para evitar custos elevados. Assim sendo, a representatividade da amostra é baixa (Gravetter & Forzano, 2012). Existem três amostras, uma designada de maioria portuguesa com cinquenta e seis sujeitos, uma outra composta por trinta e nove imigrantes cabo-verdianos e uma composta por trinta e sete emigrantes portugueses a residirem em Metz, França. O total da amostra contém centro e trinta e dois sujeitos. A descrição sociodemográfica da amostra aparece no capítulo dezassete, o qual é dedicado à obra de Freyre (1986). A descrição da amostra revela limitações da presente investigação, apesar da ênfase exploratória e a abordagem emic da investigação, pois as distribuições das amostras ao nível da educação e das idades são desequilibradas. Vala e Costa-Lopes (2010) reportaram que os sujeitos mais jovens têm maior abertura e tolerância face a outras culturas do que os sujeitos com mais idade. O questionário foi aplicado durante o verão de 2012 e a aplicação piloto decorreu durante a primavera do mesmo ano em estudantes universitários da Universidade Fernando Pessoa, na cidade do Porto. Na aplicação piloto as questões e as palavras sensíveis foram retiradas ou alteradas (Fowler, 1992; Tourangeau & Yan, 2007). As questões e os itens são expressos na escala likert e a derradeira opção de resposta corresponde à não resposta (Krosnick, 2002). A opção da não resposta foi introduzida, sobretudo, para evitar a escolha forçada, a qual, segundo Rudmin (2003a) é um dos principais problemas do estudo da aculturação, não permitindo pressupor que as culturas partilhem caraterísticas culturais. Todas as amostras pertencem ao contexto cultural português ou lusófono. Portanto, uma questão surgiu, isto é, seriam as amostras independentes ou relacionadas? No sentido de responder a esta questão foram realizados testes paramétricos e não paramétricos (ver das tabelas 13 até à tabela 20, em anexo). Contudo, para verificar as diferenças entre as amostras foram aplicados os testes ANOVA
e o teste Bonferroni Post-hoc multiple comparisons (ver as tabelas 21 até à tabela 28, em anexo). A questão acerca da relação entre as amostras é próxima do problema de Galton (Burton & White, 1987; Naroll, 1970) porque as amostras ou as culturas, presumivelmente, relacionadas reduzem a diversidade cultural e as diferenças entre elas. Contudo, a presente investigação encontrou diferenças por entre as amostras lusófonas e, inclusivamente, dentro da cultura portuguesa, pois a amostra de emigrantes portugueses é, muitas vezes, estatisticamente distinta da amostra da maioria portuguesa.
A investigação de doutoramento também vez análise estatística à base da dados do Observatório da Emigração, a qual contém referências bibliográficas acerca da emigração portuguesa. Assim sendo, a presente investigação emprega fontes secundárias (Ember & Ember, 2009; Ember & Levinson, 1991), para além das fontes primárias. A análise estatística à base de dados do Observatório da Emigração foi levada a cabo para compreender as presentes reações às mudanças provocadas pelo fenómeno da aculturação e para compreender as referências bibliográficas à luz das abordagens e dos modelos da aculturação. Em março de 2012, o Observatório da Emigração disponha de mil e vinte e cinco referências bibliográficas acerca da emigração. A base de dados foi computada através de quatro códigos: os temas das publicações, o ano da publicação dos trabalhos, a língua no qual os trabalhos estão escritos e, por fim, o país de “acolhimento” das referências. O código tema foi dividido em quinze opções: nenhum ou geral, pois, muitas vezes, o tema não aparece na referência bibliográfica. O tema político, o tema económico ou laboral e o tema sociodemográfico. As redes sociais, associações culturais e o casamento aparecem juntos num só tema. A identidade e a identidade étnica foram codificadas juntas, tal como a educação, a mobilidade social e a manutenção da cultura. Outros temas são a linguagem, a aculturação, a abordagem transnacional, o género, e o retorno ou o impacto da emigração em Portugal. E ainda a colonização, a saúde e, finalmente, a aculturação material. O resultado do código tema foi cruzado com o ano da publicação com os principais países de “acolhimento” dos trabalhos (ver tabelas 29, 30 e 32 em anexo, pp.). O ano da publicação foi dividido em: de zero até 1974, de 1975 a 1985, de 1986 a 1991, de 1992 a 2000 e, finalmente, de 2001 a 2012 (ver tabela 33, em anexo). O código língua envolve: a língua Portuguesa, a Inglesa, a Francesa e a Castelhana (ver tabela 34, em anexo). A presente investigação encontrou os seguintes países de “acolhimento”: a França, o Brasil, os Estados Unidos da América, o Canadá, a Argentina, a Espanha, entre outros. A presença de dois ou mais países nos trabalhos também foi
codificado (ver tabela 36, em anexo). A presente investigação começou com a análise de conteúdo, a qual se complementa com a análise quantitativa e com o trabalho etnográfico de campo. A análise de conteúdo começou com a obra de Fernão Mendes Pinto. Na presente investigação segue-se, pois, o trabalho empírico realizado, nomeadamente, a análise de conteúdo realizada à referida obra literária.