DEL 2: Metodisk tilnærming
5 Forskningsdesign, utvalgsmetode og gjennomføring
4.2.1 Obter informação
O segundo estádio do modelo de Rudmin (2009) é a aprendizagem aculturativa (ver figura 16). A aculturação resulta do contato intercultural entre culturas distintas (Berry, 2006b) e a aprendizagem aculturativa encontra-se entre o mero contato intercultural, as motivações aculturativas e as mudanças aculturativas, isto é, o terceiro estádio do modelo de Rudmin (2009). A aculturação (aprendizagem aculturativa) é influenciada pelas motivações aculturativas (Arends-Tóth & Van de Vijver, 2006), tais como a decisão de utilidade, as atitudes culturais, o coping e a identidade étnica (Rudmin, 2009). A aprendizagem duma segunda cultura poderá ser pensada como a habilidade para juntar e para aplicar a informação, na tentativa de alcançar objetivos (Ward, et al., 2001). Contudo, juntar informação está apenas a evidenciar um tipo de aprendizagem aculturativa, ou seja, o obter informação. Outras formas descritas por Rudmin (2009) são a imitação, a instrução e o mentoring (Rudmin, 2009). Como se verá nos capítulos quinze e dezasseis referentes, respetivamente, às obras literárias de Fernão Mendes Pinto e de Luís de Fróis, a análise de conteúdo encontrou ainda outras duas formas de aprender uma segunda cultura, isto é, a curiosidade, a viagem e a argumentação ou a disputa racional, porém no presente capítulo apenas serão abordadas as formas propostas por Rudmin (2009).
4.2.2 Imitação
Na cultura ocidental, a imitação é relevante desde os antigos filósofos como Platão (Rudmin, 2003b) ou Aristóteles devido ao conceito de mimesis. No século XIX, a imitação era aplicada pela ideia da difusão para explicar a inovação cultural, as semelhanças entre as culturas e a redução da diversidade cultural. Quando a palavra aculturação foi cunhada por J. W. Powell (Powell, 1880; Rudmin, 2003b), a imitação foi apontada como sendo a forma fundamental de levar a cabo a aculturação, isto é, de aprender uma segunda cultura. A imitação é responsável pela transmissão cultural e pela mudança cultural (Boas, 1962). A imitação é também uma variável importante para reportar a evolução da espécie humana, nomeadamente, através da aculturação material (D’Errico, Zilhão, Le Julien, Baffier & Pelegrin, 1998). O comportamento da imitação encontra-se também presente nos animais (Boas, 1982a).
Na cultura francesa, segundo Tarde (1903), a sugestão e a imitação são os principais mecanismos para explicar a origem da cultura e a inovação cultural: “. . . Imitations are modified in passing from one race or nation to another, like vibrations or living types in passing from one environment to another.” (p. 22). Segundo Tarde, a imitação conduz à variação ou à diferença e não apenas à mera repetição. Tarde (1902, 1903) influenciou importantes trabalhos como os do psicólogo Bandura ou do filósofo Deleuze. O último escreveu que a imitação é: “. . . a process of repetition understood as the passage from a state of general differences to singular difference, from external differences to internal difference - in short, repetition as the differentiator of difference.” (Deleuze, 1994, p. 76). Portanto, a cultura é um processo de construção dinâmico, no qual a imitação desempenha um papel relevante.
Em Psicologia a imitação tem sido estudada por Miller e Dollard (Bandura, 1965; Hill, 1980). Hallowell (2002) também estudou a aculturação empregando o conceito da imitação. Contudo, a imitação tornou-se num construto robusto apenas com Bandura (1963, 1965, 2009a; Bandura, et al., 1961). Segundo o último autor, a imitação pode ocorrer através da observação direta ou através de modelos sociais, sendo que a aprendizagem através dos modelos sociais é a principal forma de aprendizagem desde a infância (Rudmin, 2005). De acordo com Bandura (2009), os indivíduos são mais
propensos a adotarem um comportamento se o mesmo obtiver resultados tidos de valor e se o modelo for similar ao observador, e ainda se o modelo detiver um estatuto social admirado (Bandura, 2009a). Na literatura da aculturação, a importância dum estatuto social admirado para se obter imitação e aculturação foi, previamente, enunciado por Simons: “There are two strongly marked methods of assimilation: first, the coercive method . . . and second, the attractive method, in which attack is made by influence . . . “. (Simons, 1901a, p. 808). Tarde (1902) também empregou a influência social e o estatuto social admirado para explicar a aculturação material feita através do comércio de bens entre culturas diferentes entre si.
No contexto português, a imitação aparece também por entre os discursos dos primeiros antropólogos (Leal, J., 2000b), aparecendo relacionada com a emigração portuguesa. Depois da independência do Brasil, em 1822, o império português tornou-se secundário, no cenário internacional. Assim dispondo, a palavra imitação aparece como um sinónimo para compreender as apreensões causadas pela emigração portuguesa. Nos discursos acerca da emigração portuguesa, a imitação está relacionada com as relações interculturais e pode ganhar um sentido positivo relacionada com as misturas e com a inovação (Braga, 1985), porém a imitação poderá também ganhar uma valência negativa, a qual está relacionada com a falta de inovação e renovação da sociedade portuguesa, a qual, por exemplo, é atribuída à emigração portuguesa (Coelho, 1993). Estas avaliações, quer sejam positivas, quer sejam negativas, estão relacionadas com as crises internas de Portugal (Leal, J., 2000b) face ao cenário internacional. Na literatura sobre a emigração do século XIX, a palavra imitação foi afigurada como um meio para aprender uma segunda cultura, tal como é expressado por Martins (1956, 1978), por Herculano (1838, 1879) ou por Queirós E. (1979). A palavra imitação obtém uma avaliação positiva se estiver relacionada com um estatuto social elevado e com o domínio português a nível internacional. Assim sendo, melhorar, manter e até alargar a cultura portuguesa, obtém um sentido positivo, e um negativo, quando sucede o contrário, isto é, quando a influência da cultura portuguesa se reduz a nível internacional. Nestas avaliações a imitação não é concebida como no trabalho de Tarde (1903), no qual a repetição era fonte de inovação, senão que como repetição e falta de controlo sobre o próprio destino grupal. Para a presente investigação, estas valências positivas ou negativas estão relacionadas com o estatuto social, com as avaliações intergrupais e ainda com o etnocentrismo.
4.2.3 Instrução
A instrução como transmissão cultural está relacionada com a socialização e com o processo de aculturação entre as diferentes culturas. Como Malinowski (1958) escreveu, a cultura é uma “realidade” instrumental, e a instrução é abordada no discurso colonial como uma forma de socializar os indivíduos de diferentes culturas (Almeida, J. C. P., 2003; Araújo & Maeso, 2010; Smith, L. T., 1999), uma vez que os poderes ocidentais estavam conscientes acerca do papel da instrução nos processos de colonização (Malinowski, 1958; Powell, 1895). Foucault (1972) reportou a relação entre o poder e o conhecimento. A aculturação, como a presente investigação irá mostrar mais adiante, no capítulo dedicado à obra de Gilberto Freyre, isto é, no capítulo dezassete, ganha um sentido ambíguo relacionado com os processos de colonização. Para além dos processos de colonização, a “importação” de práticas pedagógicas “estranhas” é um fenómeno ancestral (Compayré, 1889), o qual levanta apreensões acerca das mudanças culturais, pois os conteúdos e práticas deverão ser constextualizados (Correa, 2011; Trommsdorff & Dasen, 2001). A instrução é também aplicada nos processos imigratórios, pois no trabalho etnográfico de campo realizado em Metz, França, verificou-se que a instrução é aplicada para manter a língua Portuguesa. A instrução é ainda aplicada na aprendizagem duma segunda língua e na formação intercultural. A instrução é também visível na comunidade cabo-verdiana da cidade do Porto, pois muitos dos sujeitos da amostra de imigrantes cabo- verdianos são estudantes, reforçando a relação intercultural entre Portugal e Cabo Verde, fazendo com que Portugal exerça soft power (Nye, 2011), isto é, o Estado português difunde a cultura portuguesa de forma pacífica.
4.2.4 Mentoring
O mentoring é um processo dinâmico e é definido através do tipo de suporte fornecido pelo mentor ao protégé. O mentoring está alicerçado numa relação única entre dois indivíduos e é uma relação de aprendizagem recíproca, uma vez que envolve a aquisição de conhecimentos, sendo ainda, no entanto, uma relação assimétrica de poder entre o mentor e o protégé (Eby, Rhodes & Allen, 2007). O mentoring é aplicado junto
dos mais jovens, em estudantes universitários e nos locais de trabalho. Na literatura da aculturação, o mentoring é descrito como ajudando as minorias a alcançarem níveis mais elevados de educação e de adaptação sociocultural (Bandura, 2003; Berry, 1997), participação na sociedade alargada e, ao mesmo tempo, manutenção do legado cultural (Campbell, C. D., 2007). O mentoring ajuda ainda, supostamente, a diminuir a perceção da discriminação (Liang & Grossman, 2007). Porém, no contexto português, a cultura do
mentoring não está suficientemente estabelecida. Assim sendo, no presente trabalho, o mentoring foi abordado como sendo próximo do suporte social e das redes sociais de
suporte, as quais são fatores para começar um processo imigratório (Chirkov, et al., 2007). O segundo estádio do modelo de Rudmin, isto é, a aprendizagem aculturativa, dá lugar às mudanças nos indivíduos, sendo este o terceiro estádio do referido modelo, o qual se apresenta de seguida.