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Høy og lav selvvurdering i KOID 2010 – en analyse

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9 15-19 åringers selvvurdering

9.2 Høy og lav selvvurdering i KOID 2010 – en analyse

A presente investigação afirma que as noções teóricas não são independentes dos contextos nos quais são formuladas (Bandura, 1999b; Cronbach & Meehl, 1955; Faucheux, 1976; Poortinga, 1997; Sinha, 1997; Van Raaij, 1978). A aceitação da especificidade cultural portuguesa e lusófona conduziu a presente investigação de doutoramento às temáticas da falta equivalência e do viés do construto (Poortinga, 1997). Esta investigação deparou-se com uma perplexidade difusa porque o modelo de aculturação multicultural não é conforme à cultura portuguesa, tendo em conta o terceiro momento da presente investigação. Portanto, a presente investigação afirma que existe uma falta de equivalência entre a cultura norte americana anglo-saxónica e a cultura portuguesa, tendo em conta a aplicação dos construtos provenientes da cultura anglo- saxónica.

A técnica comparativa é inerente às ciências e não se constitui como uma caraterística exclusiva da Psicologia Intercultural, no entanto, nesta última as comparações são estabelecidas entre diferentes culturas, levantando questões metodológicas porque os construtos não dispõem dos mesmos significados nas diferentes culturas (Adair, 1999). Assim dispondo, a Psicologia Intercultural debate-se com os limites do seu próprio conhecimento (Ember & Ember, 2009). Na presente investigação a questão da equivalência e do viés do construto foram subdivididas em vários tipos. Num discurso pioneiro acerca da aculturação, Bartlett (1923) chama a atenção para os perigos do etnocentrismo (Marsella, Dubanoski, Hamada & Morse, 2000). Bartlett (1923) notou que as comparações estabelecidas entre o ocidente e as culturas ditas primitivas eram realizadas através do olhar ocidental e através da cultura académica (Bhatia, 2002b). Nas comparações interculturais, outra ameaça é a diversidade interna (Brislin, Lonner & Thorndike, 1973), pois uma determinada cultura não é monolítica (Bandura, 2002, 2006; Matsumoto, 2002b, 2006). Matsumoto (2002b) e Matsumoto, Kudoh e Takuchi (1996) revelaram vários estereótipos acerca da cultura japonesa (Bandura, 2002a, 2006; Matsumoto, 2006; Shaules 2007a), revelando a diversidade interna da mesma. Em 1961, Norbeck e De Vos (1961) afirmaram que os investigadores não tinham em consideração as subculturas e as diferenças regionais da cultura nipónica, e ainda as influências culturais provindas dos movimentos migratórios.

Uma solução para evitar a ameaça da diversidade interna é o não aplicar amostras constituídas por estudantes universitários (Bourhis, et al., 2009; Marsella, et al., 2000), o qual foi tentado, ainda que parcialmente, na presente investigação. Para além do etnocentrismo e da diversidade interna, a literatura dominante está assente numa ideologia, a qual favorece abertamente o modelo multicultural (Berry, 2001; Rudmin, 2006; Schalk- Soekar & Van de Vijver, 2008). O modelo multicultural clama pela diversidade e pela inclusão culturais (Segall, et al., 1998), contudo, o modelo falha na compreensão da diversidade cultural e na tentativa de compreender contextos distintos do seu (Bowskill, et

al., 2007; Kramer, 2011; Redding, 2001), estabelecendo a abordagem da aculturação como

uma ideologia (Schalk-Soekar & Van de Vijver, 2008). O principal problema do viés ideológico é semelhante ao problema que o etnocentrismo enfrenta, uma vez que a abordagem multicultural deve ser estendida a todas as culturas duma forma normativa, contudo, para a presente investigação: “. . . it is always possible that the bias lies in the accuser side rather than (or in addition to) the accused.” (MacCoun, 1998, p. 263). Em consequência, para além de se criticar o “outro”, é necessário justificar a presente investigação, tendo um ponto de vista crítico acerca da cultura do doutorando. Neste sentido, esta investigação de doutoramento tentou estabelecer um ponto de vista crítico acerca da teoria luso-tropical (Freyre, 1986). Na presente investigação o viés ideológico foi ainda reduzido ao se introduzir o ponto de vista dos imigrantes e dos emigrantes portugueses, e empregando trabalho de campo de carácter etnográfico de campo.

Para além das ameaças, anteriormente, expostas, existem diferentes tipos de viés. O viés de construto pode suceder quando o construto medido não é idêntico através das diferentes culturas (Van de Vijver & Tanaka-Matsumi, 2008). Para além do viés de construto, existe também o viés do método (Berry, et al., 1992; Berry, et al., 2002) e o viés do item. No entanto: “. . . A study of construct bias will require the collection of additional data to investigate the applicability of the construct and instrument.” (Leung & Van de Vijver, 1997, p. 13), ou seja, o problema não gira em torno dos instrumentos per

si, senão que nas inferências interculturais (Poortinga, 1997; Poortinga & Van de Vijver,

Nesta investigação, o problema chave assenta na equivalência do construto, isto é, no nível de comparabilidade dos resultados através das diferentes culturas. Van de Vijver e Tanzer (1997) definiram a equivalência como sendo a situação em que o mesmo construto é medido através de todos os grupos culturais, não tendo em consideração se o instrumento administrado é idêntico ou paralelo (He & Van de Vijver, 2012, p. 3). Assim sendo, o principal problema para a presente investigação assenta na equivalência do construto. Em consequência, a diferença entre as culturas norte americanas e a portuguesa refere-se à falta de equivalência. A questão fundamental poderá ser descrita da seguinte forma: podem os resultados de diferentes culturas (diferenças e semelhanças culturais) serem interpretados da mesma forma, ou seja, através do mesmo quadro de referência teórico? (Van de Vijver & Tanzer, 1997).

O viés de construto encontra-se bem compreendido nas investigações acerca do marketing intercultural. Dubois (1972) e Sheth e Sethi (1973) reportaram viés de construto e desenvolveram formulações teóricas acerca do comportamento do consumidor através de diferentes culturas. Na Psicologia o viés de construto foi reportado por Díaz-Guerrero (1995), pois a palavra respeito, na cultura mexicana (Diaz-Guerrero, 2002), adquiria mais complexidade do que na cultura dos Estados Unidos da América (Díaz-Guerrero, 1995; Díaz, & Díaz-Guerrero, 1997).

Após a perplexidade perante as diferenças dos significados dos construtos, a principal questão é a seguinte: como aumentar a equivalência do construto da presente investigação? A literatura oferece algumas soluções. A primeira é a decentralização dos indicadores culturais (Brislin, et al., 1973; He & van de Vijver, 2012; Leung & Van de Vijver, 1997). Uma outra solução é a abordagem convergente (Campbell, D. T., 1987). Contudo, a convergência e a descentralização não se aplicam na presente investigação porque o instrumento exploratório não foi aplicado fora dos contextos português e lusófono, assim como o trabalho etnográfico de campo apenas ocorreu nos referidos contextos.

Uma outra solução apresentada na literatura é a consiliência, a qual requer a convergência de resultados provenientes de diferentes contextos culturais (Shadish, et al., 2002), ou seja, requer a comparação com o modelo e cultura predominantes, no sentido de

explorar e de contextualizar a cultura portuguesa da aculturação. Tal como afirmaram Leung e Van de Vijver (1997), o estudo do viés do construto requer a recolha de informação adicional para verificar a aplicabilidade dos instrumentos e dos construtos numa determinada cultura. Assim dispondo, uma outra forma de diminuir e abordar a falta de equivalência foi levada a cabo na elaboração do questionário, na tentativa de melhor conhecer a cultura portuguesa da aculturação, elaborando uma investigação de características emic. O questionário (PEAQ) foi construído através das dimensões dos modelos da aculturação e de alguns construtos relacionados com a aculturação, na tentativa de definir o fenómeno da aculturação e de verificar como os construtos relacionados com o fenómeno, incluindo, o construto da aculturação, funcionavam na cultura portuguesa. Tratou-se, deste modo, de melhor compreender o fenómeno da aculturação, por exemplo, através da construção dos eixos pelas dimensões do construto da aculturação e como o construto se adequava à cultura portuguesa. A presente investigação é uma tentativa exploratória de cumprir com os dois objetivos principais, isto é, de explorar e de contextualizar a cultura portuguesa da aculturação e de deslocar o estudo da aculturação para a aprendizagem recíproca entre culturas diferentes. Para tal, torna-se necessário conhecer ambas as culturas (Lonner, Smith, Van de Vijver & Murdock, 2010) e explorar e desenvolver o contexto português de aculturação, ou seja: “Analysis of construct bias will usually start with a survey of the definitions of the concept in the cultural populations under study.” (Van de Vijver & Poortinga, 1997, p. 32). Assim dispondo, a presente investigação encontra-se próxima da abordagem dos diferenciais semânticos (Osgood, 1967), pois esta última abordagem aplica questionários para explicar as respostas em diferentes tópicos nas diferentes culturas, como Triandis (1972) propôs. A presente investigação pretendeu ser complementar face à cultura anglo-saxónica. Tal como já foi aflorado acima, a complementaridade é um dos motores fundamentais da investigação científica, pois a procura das singularidades completa a procura das caraterísticas universais (Morin, 2002).

O uso do método misto é também reportado como sendo útil para diminuir a falta de equivalência (Campbell & Fiske, 1959; Shadish, et al., 2002), o qual foi aplicado na presente investigação. O método misto tem também a potencialidade de reduzir o viés etnocêntrico e ainda o ideológico (Marsella, et al., 2000). Uma outra solução para reduzir a falta de equivalência e o viés de construto (Hui & Triandis, 1983, 1985) é aplicar uma abordagem complementar entre as perspetivas emic e a etic, o qual foi aplicado na

presente investigação. Segundo Kim e Park (2006), a necessidade da Psicologia Indígena está relacionado com a validade externa e a necessidade do método misto com a validade interna das investigações.

Por fim, na presente investigação, é necessário esclarecer uma ameaça de caracter ético, pois a procura pela equivalência implica algum etnocentrismo e um viés ideológico assente na cultura portuguesa ou luso-tropical (Freyre, 1986) porque a investigação de doutoramento está a procurar intencionalmente por diferenças culturais mais do que pelas semelhanças. Estas últimas são procuradas para estabelecer leis universais, contudo as diferenças têm o potencial de trazer mais informação e complexidade ao fenómeno da aculturação (Yang, 2000), alargando e complementando a literatura dominante.

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