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Validitet og reliabilitet

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DEL 2: Metodisk tilnærming

7 Validitet og reliabilitet

A curiosidade inicial do primeiro momento da investigação e a revisão da literatura do segundo momento da investigação, isto é, a exploração do modelo de Rudmin (2009) e da cultura portuguesa da aculturação conduziram a presente investigação para a diferença entre a abordagem emic e a etic, e ainda para a Psicologia Indígena. As abordagens emic e

etic têm em comum a busca de diferenças e de semelhanças culturais (Brislin, 1976)

através das comparações interculturais, fazendo com que as formulações teóricas duma determinada cultura se tornem mais precisas (Ember & Ember, 2009; Kim, et al., 2000).

A definição das abordagens emic e etic foi fornecida no primeiro capítulo, numa nota de rodapé. No entanto, torna-se, de novo, necessário delinear as principais caraterísticas das abordagens emic e etic. Na Psicologia Intercultural, a abordagem emic pretende estabelecer: “. . . valid principles that describe behavior in any one culture under study, taking in account what people themselves value as meaningful and important.” (Brislin, 1976, p. 217), ou seja, a nível metodológico, a abordagem emic presume que as culturas são peculiares (Van de Vijver & Tanaka-Matsumi, 2008), o que dificulta as comparações e as generalizações interculturais. A abordagem emic é também caracterizada pela sua prática metodológica heterodoxa (Allwood & Berry, 2006). Em contraste, a abordagem etic pretende fazer generalizações entre as culturas (Pike, 1954), empregando, usualmente, apenas métodos quantitativos.

Por seu turno, a Psicologia Indígena tem sido desenvolvida na China, nas Filipinas, na América Latina (Díaz-Guerrero, 1995) e na Índia (Bhatia, 2002b), procurando formulações culturais peculiares e distintivas face à anglo-saxónica. No entanto, a Psicologia Indígena também procura variações dentro das culturas ocidentais (Allwood & Berry, 2006; Kim, Yang & Hwang, 2006). Berry (1974) tentou, por exemplo, desenvolver uma Psicologia canadiana e, em França, Faucheux (1976) afirmou que era necessário formular uma Psicologia europeia. Na Alemanha, Trommsdorff (1986) tentou desenvolver uma psicologia alemã. No entanto, muitas vezes, a Psicologia Indígena é afigurada como estando apenas a estabelecer comparações entre o ocidente e o “resto” (Berry, et al., 2011). A Psicologia Indígena partilha algumas caraterísticas metodológicas com a teoria de McGuire (1973, 1983) e com a Grounded Theory (Asthana, 2002), uma vez que na

Psicologia Indígena o primeiro passo da presente investigação pretende fornecer uma compreensão descritiva dos fenómenos. O segundo passo envolve desenvolver construtos e teorias (Kim & Park, 2006). Yang (2000) situa a Psicologia Indígena entre as abordagens

emic e a etic, partilhando ainda caraterísticas da Psicologia Cultural e da Intercultural.

A aplicação de teorias e de instrumentos de investigação provenientes duma determinada cultura noutras culturas designa-se de abordagem etic imposta, a qual levanta problemas acerca da sua precisão (Sinha, 1996, 1997). Muitas das teorias e das problemáticas da aculturação provém da cultura anglo-saxónica e dificilmente poderão ser aplicadas e todas as culturas ocidentais. A revisão da literatura reportou a existência de problemas teóricos e empíricos, sendo que a presente investigação presume que alguns constructos básicos da temática da aculturação tenham diferentes significados entre as sociedades norte americanas e as europeias, nomeadamente, face à cultura portuguesa ou a lusófona. Presentemente, algumas culturas europeias estão a tentar contextualizar a abordagem anglo-saxónica de acordo com as suas culturas, deste modo, por exemplo, Brégent, et al. (2008) estão a elaborar instrumentos de medida no contexto francês (Pourtois & Desmet, 1988; Vallerand, 1989), e Navas, et al. (2005) estão a fazer o mesmo no contexto espanhol.

Segundo Berry (1999a, 1999b), Yang (2000) ou Ember e Ember (2009), as abordagens emic e etic são complementares (Matsudaira, 2006). A procura de caraterísticas universais pode ser alcançada através de sucessivos estudos comparativos e paralelos em diferentes países, na tentativa de explorar os significados dos construtos (Smith, Bond & Kagitçibasi, 2006). Na Europa existem diferentes contextos históricos, isto é, por exemplo, o francês, o alemão, o russo ou o português e a mera tradução dos construtos inerentes à temática da aculturação como a integração ou a assimilação não será a prática científica mais apropriada porque os construtos variam em função dos contextos históricos e culturais.

De resto, a consciência histórica das sociedades norte americanas é, supostamente, reduzida porque o Canadá ou os Estados Unidos da América se constituem como países relativamente recentes. Contudo, isso não ocorre na Europa (László, 2003) porque o contexto histórico detém um papel importante nas reações aos processos da aculturação

(Cabecinhas & Feijó, 2010; Vala, et al., 2008). Assim sendo, os contextos históricos e as reações aos fenómenos da aculturação serão diferentes consoante a cultura desses países (Paranjpe, 2002).

A Psicologia Indígena revela os problemas relacionados com o estudo da aculturação, ou seja, acerca das influências culturais na Psicologia porque a maioria das abordagens da aculturação foram formuladas nas culturas norte americanas (Yang, 2000). De resto, todos os modelos de aculturação são conceptualizados no continente americano, incluindo a teoria luso-tropical (Freyre, 1986). Na cultura portuguesa, para além da influência da cultura anglo-saxónica, a revisão da literatura tem notado a influência da cultura francesa num tema fundamental da aculturação, ou seja, na emigração portuguesa. A influência da cultura francesa levantou um outro problema nas comparações interculturais, uma vez que a literatura francesa funciona mediante o modelo da assimilação e a literatura anglo-saxónica através do modelo multicultural. A diferença entre ambas as culturas e as suas respetivas influências científicas revelaram uma lacuna de equivalência nos construtos aplicados na investigação acerca da aculturação, nomeadamente na temática da emigração portuguesa. A palavra multicultural poderá servir de exemplo para esclarecer a desordem no estudo do fenómeno da aculturação, pois, em Portugal, a palavra multicultural ganha um sentido de interação social entre culturas diferentes (Rocha-Trindade, 2010a), no entanto, muitas vezes, a palavra aparece associada com as variáveis típicas do modelo da assimilação e surge associada ainda ao estudo dos processos de discriminação, não significando manutenção da cultura e não tendo subjacente uma separação cultural, tal como ocorre na cultura anglo-saxónica. A influência da literatura francesa na portuguesa será abordada de seguida.

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