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Securato (2007) comenta que a metodologia, muito utilizada na prática, pela facilidade de análise, que tem sua validade para operações de crédito de curto prazo, traz consigo a hipótese de que o ocorrido, no passado recente, deverá continuar ocorrendo no futuro imediato; contudo, devido à grande volatilidade do mundo atual, as análises devem levar em consideração as possíveis situações futuras da conjuntura econômica, política e social do meio em que a empresa se desenvolve, bem como as ações e as reações da própria empresa. Assim, uma boa análise de crédito de uma empresa deve levar em conta a análise retrospectiva ou histórica da empresa, baseada no passado recente e também uma análise prospectiva, no sentido de examinar seu desenvolvimento em diferentes cenários possíveis, associados às factíveis ações e reações da empresa. Há várias formas de elaborar essa análise: a mais comum consiste no exame da situação da empresa, do comportamento da empresa em situações de variação da conjuntura passada. Em geral, utilizam-se metodologias voltadas à análise de sensibilidade das variáveis em estudo. Brighan e Houston (1999), a respeito do

teste de sensibilidade, dizem que é a projeção para estabelecer diferentes cenários, baseados nas diferentes premissas para mesma variável que será estabelecida.

Ainda, segundo Securato (2007, p.93), considerando-se que o investimento (ativo total) é suportado por recursos dos acionistas (patrimônio líquido) e de terceiros (empréstimos bancários e demais exigibilidades), que definem a estrutura de capitais da empresa e, sabendo- se que o caixa gerado terá como destino a reinversão nas atividades da empresa, o repagamento e a remuneração (quando remuneráveis) das exigibilidades, a remuneração dos acionistas e o pagamento de impostos, então, as projeções de longo prazo terão como objetivos:

• analisar a capacidade de pagamento do capital de terceiros, bem como seus encargos; • verificar quanto de caixa gerado permanecerá na empresa, garantindo sua continuidade; • verificar a remuneração dos acionistas.

A utilização de projeções dos demonstrativos financeiros na avaliação do crédito, sobretudo, nas concessões de financiamento de longo prazo, tem como foco a análise de um dos parâmetros fundamentais para o crédito, que é a capacidade de pagamento. Sendo assim, a projeção é direcionada à obtenção do fluxo de caixa mais realista possível, que demonstre de forma incontestável, que o devedor reunirá condições para liquidar as obrigações assumidas. (SECURATO, 2007, p. 94). O analista poderá orientar-se pelas projeções elaboradas pela própria empresa. No entanto, muitas empresas, de médio e pequeno porte, menos técnicas e mais suscetíveis ao risco do longo prazo, podem não representar da melhor maneira a realidade, portanto o analista deve estar preparado para elaborar por si só.

As projeções, elaborada pelo credor, é um instrumento utilizado por muitos bancos para verificar se a empresa cliente terá condições de pagar empréstimos de longo prazo, concedidos normalmente para investimento, alongamento do perfil das dívidas ou investimento operacional em giro de caráter permanente. As projeções são bem mais genéricas do que o orçamento empresarial, e levam em conta o comportamento retrospectivo (histórico) da empresa, premissas com relação às variáveis endógenas fornecidas pela própria empresa e, ainda, premissas de caráter geral, exógenas ou conjunturais, projetadas pelo departamento econômico da instituição que está efetuando as projeções ou por um banco de dados adotado por ela. (SECURATO, 2007, p. 94).

Algumas premissas são: vendas, CMV, Despesas administrativas e comerciais, Equivalência patrimonial, Despesas financeiras, outros itens, dividendos, etc.

Complementa Securato (2007) que, no curtíssimo prazo, a situação da empresa não muda fortemente, pois a análise retrospectiva conjugada com necessidade de giro acaba sendo suficiente; entretanto, mudanças profundas de mercado, fatores conjunturais, juros, câmbio, linha de produção pode deteriorar rapidamente a situação de econômico financeira, levando-a à insolvência. Desta forma, no crédito de longo prazo, as projeções assumem maior

importância para análise de geração de caixa, fundamental para o pagamento das obrigações, e para estabelecerem os acordos contratuais, muitas vezes, imprescindíveis para viabilizar a concessão de crédito.

As variáveis econômicas e setoriais, também chamadas de conjunturais, geram o risco não diversificável ou sistemático que, segundo Gitman (1997, p.221), “afetam todas as empresas e não pode ser eliminado por meio de diversificação”. Importante observar que as variáveis, também chamadas exógenas ou causais, e chamadas por Welsh (1983, p.27) de variáveis não controláveis, não devem ser desprezadas no processo orçamentário realizado pela empresa. Segundo Welsh (1983), as variáveis não controláveis “exigem um planejamento para que se possa tirar proveito integral de seus efeitos positivos e para minimizar as suas consequências adversas”. Ou seja, também analisar se a empresa tem um plano B, caso ocorra algumas dessas situações.

Não se deve deixar de lado as variáveis internas da empresa, também denominadas endógenas ou não causais, pois são aquelas que permitem a ação direta por parte dos administradores, tais como: política de venda, estocagem, compras, manutenção, ampliação da capacidade instalada, investimento em tecnologia, diversificação de clientes e produtos, respeitando-se as regras societárias.

Os elementos de riscos setoriais nas projeções econômicos/financeiras que afetam o crédito – Setor primário são:

• fatores climáticos, quebra de safra; • dependência político-governamental;

• atraso nas liberações de recursos oficiais para investimento e custeio, juros;

• comercialização de elevados volumes com estreita margem de lucro, além de problemas de paridades cambiais;

• excesso de safra em outros países, derrubada de preços internos, desequilíbrio oferta/demanda;

• problemas de armazenagem, distribuição, logística; • elevada carga tributária;

• substituição de produtos, por exemplo, ao invés de carne bovina mudar para peixes; • interferências governamental na formação de preços;

prática de Dumping por produtores no exterior; • barreiras protecionistas;

• baixo poder de competitividade, atraso tecnológico.

Elaborar ama projeção de fluxo caixa é uma parte essencial para um programa de crédito. Premissas são necessárias, como: crescimento de vendas anuais, se as vendas se manterão as mesmas, se os working asset vão continuar percentualmente constante em relação às vendas, o nível de investimento de capital necessário e se regras de impostos têm propensão a mudar. Serão necessários, pelo menos, três níveis de sensibilidade como melhor caso e, como pior caso e desejável, para uma projeção de qualidade (HALE, 1983, p. 160).