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A análise discriminante é uma técnica que visa identificar quais variáveis distinguem os grupos observados e quantas dessas variáveis são importantes para conseguir a melhor classificação dos indivíduos de uma determinada população. Uma das principais diferenças da regressão múltipla, esta no fato da variável dependente ser de natureza não métrica (qualitativa), ou seja, categórica. Segundo Hair (2005) quando a variável dependente tem apenas dois grupos, a regressão logística pode ser preferida por várias razões, pois a análise discriminante pressupõe linearidade, ausência de outliers, ausência de multicolineariedade, normalidade multivariada e homogeneidade das matrizes de variância-co-variância, essas duas últimas premissas normalmente difíceis de serem respeitadas em boa parte das amostras estudadas.

A regressão logística não depende de suposições tão rígidas, e dentre algumas vantagens podemos destacar: quando a amostra tem problemas relacionados à homogeneidade da variância, trabalha com estimação de probabilidades (limite mínimo e máximo entre 0 e 1), requer menor número de observações se comparada com discriminante, facilidade na interpretação dos dados, etc. Portanto será utilizada como principal técnica do estudo, no entanto será feita uma comparação com a análise discriminante que, apesar da rigidez mencionada, tem grande valor e utilização na área de crédito, segundo Hair (2005) pode ser utilizada em conjunto com outras técnicas para que se tenha maior confiabilidade nos resultados alcançados.

A tabela a seguir demonstra os principais estudos que utilizaram as técnicas mencionadas e os indicadores contábeis financeiros significativos para identificação de falência e insolvência, no qual muitos desses indicadores são os mesmos observados nas variáveis independentes disponíveis nesse trabalho:

Tabela 7 – Revisão bibliográfica - estudos na área de crédito

Autores Indicadores contábeis financeiros significativos Patrick (1936) Patrimônio líquido/passivo

Lucro líquido/patrimônio líquido Geração de caixa/dívida total Beaver (1968) Lucro líquido/ativo total

Exigível total/ativo total

Capital de giro/ativo total

Liquidez corrente

Capital circulante líquido – estoques/desembolsos

Altman (1968) Ativo corrente – passivo corrente/ativo total Lucros retidos/ativo total

Lucros antes de juros e impostos/ativo total

Valor de mercado do equity3/exigível total

Vendas/ativo total

Matias (1978) Patrimônio líquido/ativo total

Financiamento e empréstimos bancários/ativo circulante Fornecedores/ativo total

Ativo circulante/passivo circulante

Lucro operacional/lucro bruto

Disponível/ativo total

Kanitz (1978) Lucro líquido/patrimônio líquido

Ativo circulante + realizável em longo prazo/exigível total Ativo circulante – estoque/passivo circulante

Ativo circulante/passivo circulante

Exigível total/patrimônio líquido

Beaver (1966) Índices para fluxo de caixa

Índices para resultado líquido

Índices de dívida em relação ao ativo total

Índices relacionando ativos líquidos em relação ao total de ativos Índices relacionando ativos líquidos e dívidas de curto prazo

Índices de giro

Altman Capital circulante líquido/ativo total (1968) Lucros acumulados/ativo total

Lucros antes dos juros e impostos/ativo total

Valor de mercado do PL/passivo exigível a valores contábeis

Vendas/ativo total

Altman, Retorno dos ativos (Ebit/ativo total) Haldeman e

Estabilidade dos lucros (erro padrão da estimativa de Ebit/ ativo total)

Narayanan Serviço da dívida (log Ebit/juros totais pagos) (1977) Lucros retidos/ativo total

Liquidez corrente

Capitalização (preço ações ordinárias/PL a valor de mercado)

Tamanho (log ativo total)

Ohlson Log ativo total/ PIB

(1974) Passivo/ativo total

Capital de giro/ativo total

Passivo circulante/ativo circulante

Lucro líquido/ativo total

Geração bruta de caixa/passivo

Dummy: 1 se ativo total excede o ativo, e zero, caso contrário Dummy: 1 se lucro líquido for negativo nos dois últimos anos Relações entre os lucros dos períodos mais recentes

Cole e Capital = razão entre o capital próprio e as provisões para Gunther perdas em relação ao ativo bruto

(1995) Inadimplência/ativo total

Receita líquida/ativo líquido médio

Certificado de depósito bancário superior a $ 100.000/ativo total Empréstimos comerciais e industriais/ativo total

Empréstimos para produção agrícola/ativo total

Empréstimos para construção/ativo total

Empréstimos para consumidores/ativo total

Empréstimos para membros internos da instituição/ativo total

Despesas fixas/ativo total

Tamanho do ativo

Crescimento do emprego não agrícola

Dummy com valor 1 para países “rurais”

Matias e Custo administrativo

Siqueira (1996) Comprometimento do patrimônio líquido com crédito em liquidação

Evolução da captação de recursos

Rocha (1999) Margem líquida

Wheelock e Total do equity/ativo total

Wilson (1994) Empréstimos comerciais e industriais/total dos empréstimos

Bens de imóveis próprios/ativo total

Inadimplência/total do ativo

Liquidez

Martins Empréstimos bancários/ativo circulante (2003) Retorno sobre o patrimônio líquido

Deyoung Proibição legal de novas aquisições, em anos

(2003) Ln do ativo total

Total dos empréstimos/ativo total

Inadimplência/ativo total

Lucro líquido/ativo total

Equity/ativo total

Carlson Número de empresas no país

(2004) Novos bancos

Log ativo total

Empréstimos/ativo total

Redesconto/ativo total

Bressan, Capitalização: patrimônio líquido/passivo real Braga e Lima Cobertura voluntária = disponibilidades/passivo real (2004) Crescimento da captação total

Brown e Dinç Total do equity /ativo total

(2005) Dummy – antes da eleição

Corrêa, Costa Custo de pessoal

e Matias Captação com moeda estrangeira

(2006) Spread

Braga et al. Liquidez

(2006) Despesas de pessoal

Volume de crédito concedido em relação ao patrimônio líquido Imai (2009) Capital/ativo

Retorno sobre os ativos

Dummy para cooperativa de crédito6

Bressan Proteção

(2009) Efetiva estrutura financeira

Qualidade dos ativos

Liquidez

Sinais de crescimento

Fonte: apud Bressan et al. (2011).

Comparativamente as técnicas previamente mencionadas, será utilizado um modelo de árvore de decisão (CART), segundo Novak e LaDue (1999) defini como uma técnica computadorizada, embasada em um método não paramétrico de classificação, que a priori não impõe nenhuma adoção de distribuição de probabilidades. Segundo Perera (2013) a essência é desenvolver uma árvore de classificação particionando as observações baseadas em divisões binárias de variáveis características. O processo de divisão ocorre repetidas vezes até que não seja possível mais nenhuma seleção, ou o processo seja interrompido por algum critério estabelecido. Para Breiman (1984) as variáveis são divididas em duas até quando identificada uma diferença de comportamento que aumente o poder preditivo. A escolha pela melhor árvore passa pelo esforço de processamento e quantidade de nós, no qual árvores com menos nós são mais simples de serem produzidas e entendidas, porém em teoria tem um menor poder preditivo. Analogamente árvores com mais nós são mais complexas e tendem a ter maior poder preditivo.