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Nos últimos 50 anos a fisionomia das propriedades rurais mudou consideravelmente, pois elas perderam sua característica de autossuficiência no abastecimento dos mercados, tornaram-se mais dependentes de insumos e serviços e enfrentam os desafios da internacionalização e globalização da economia (ARAÚJO, 2007). Dessa maneira, o conceito de agronegócio primário deixou de ser somente rural, agrícola, e passou a agregar muitos serviços, máquinas, insumos externos às propriedades, infraestruturas e mercados diversos, sendo melhor compreendido como:

O conjunto de todas as operações e transações envolvidas desde a fabricação dos insumos agropecuários, das operações de produção nas unidades agropecuárias, até o processamento e distribuição e consumo dos produtos agropecuários 'in natura' ou industrializados (RUFINO, 1999, p.16).

Corroborando com esta ideia, Pereira e Paula (2006) afirmam que as atuais empresas rurais não se limitam mais apenas à produção, mas sim, estão preocupadas com toda uma sequência de fatores e agentes de uma cadeia produtiva, a qual inicia-se na produção e passa pelo processamento, distribuição, venda e consumo. Na perspectiva de Araújo (2007) esta mudança se deu porque a produção agropecuária possui algumas especificidades que a diferencia da produção de outros bens manufaturados gerando a necessidade de enquadrar o agronegócio dentro de uma perspectiva sistêmica. Tais especificidades são:

A sazonalidade da produção: a produção é dependente de condições climáticas com períodos de safras e entres safras ou mesmo da falta de produção, esta dependência causa uma série de implicações, dentre elas, variações de preço, necessidade de estrutura para estocagem e conservação, períodos de maior utilização de insumos e fatores de produção, existência de características próprias de processamento e transformação de matérias-primas, além de uma logística mais exigente e bem definida;

A influência de fatores biológicos: a produção agropecuária sofre com doenças e pragas, existentes no campo e também na pós-colheita, exigindo que sejam combatidas utilizando insumos como inseticidas, fungicidas, etc., que resultam: na elevação dos custos de produção; em riscos de manipulação e para o meio ambiente e na possibilidade da produção alimentar conter resíduos tóxicos, emergindo a necessidade de elaboração de pesquisas

específicas e de desenvolvimento de produtos para controlá-las e combatê-las, além de máquinas e implementos apropriados para sua manipulação, e por fim;

A perecibilidade rápida: mesmo após a colheita, a atividade biológica dos produtos agropecuários continua em ação, de modo que a vida útil desses produtos declina aceleradamente, necessitando do desenvolvimento de novas tecnologias, colheita cuidadosa, classificação e tratamento dos produtos, estruturas apropriadas para armazenagem e conservação, embalagens mais adequadas e logística específica para distribuição, etc.

Dada as especificidades de produção mencionadas acima o agronegócio precisou abranger outros segmentos da economia, tornando-se mais complexo do que somente um segmento de produção agropecuária. Desse modo, compreender o agronegócio dentro de uma visão de sistema, é compreender todos seus componentes e inter-relações. Essa compreensão é indispensável a todos os tomadores de decisões desse setor da economia. Ainda de acordo com Araújo (2007), nesse contexto o, agronegócio engloba setores denominados “antes da porteira”, “dentro da porteira” e “pós porteira.

Os setores "antes da porteira" são compostos basicamente por fornecedores de insumos e serviços, máquinas, implementos, defensivos, fertilizantes, corretivos, sementes, etc. Nesse setor os insumos principais necessários à produção agropecuária de modo geral, são: máquinas, implementos, equipamentos e complementos, água, energia, corretivos de solos, fertilizantes, agroquímicos, compostos orgânicos, materiais genéticos, hormônios, inoculantes, rações, sais minerais e produtos veterinários.

O outro setor “dentro da porteira” é composto pelo conjunto de atividades desenvolvidas internamente às unidades produtivas agropecuárias como o manejo do solo, irrigação, colheita, criações de animais, entre outras. Já o setor “pós-porteira” envolve atividades de armazenamento, beneficiamento, industrialização, embalagem, distribuição, consumo de produtos alimentares, fibras e produtos energéticos provenientes de biomassa. Nessa perspectiva, o agronegócio envolve as seguintes funções:

a) Suprimentos à produção agropecuária; b) Produção agropecuária propriamente dita; c) Transformação; d) Acondicionamento; e) Armazenamento; f) Distribuição; g) Consumo; h) Serviços complementares

Para auxiliar a compreender o agronegócio sistemicamente existe o conceito de sistema agroindustrial (SAI), de acordo com Batalha e Silva (2009) esse sistema considera o agronegócio na perspectiva de um conjunto de atividades e atores que concorrem para a produção de produtos agroindustriais, que se estende desde a produção de insumos até a chegada do produto final aos consumidores. O SAI ilustrado na Figura 2 não está associado à nenhuma matéria prima agropecuária ou produto final específico e composto por seis conjuntos de atores, sendo eles relacionados à:

a) Agricultura, pecuária e pesca - responsáveis por fornecer insumos para a indústria agroalimentar;

b) Indústrias agroalimentares (IAA)- responsáveis por transformar e processar alimentos e industrializá-los antes de enviá-los aos canais de distribuição;

c) Distribuição agrícola e alimentar- responsáveis pelo atacado, varejo e distribuição dos produtos.

d) Comércio internacional- responsáveis pela importação e exportação de produtos (mercado externo)

e) Consumidor final- agente final e foco principal da produção.

f) Indústrias de serviços de apoio- responsáveis por fornecer insumos, produtos e serviços que subsidiam o sistema.

O SAI é subdividido em outros dois subsistemas: o "sistema agroalimentar" e o "sistema agroindustrial não alimentar” (Figura 3), os quais são compreendidos respectivamente da seguinte maneira: a) sistema agroalimentar: o conjunto das atividades que concorrem à formação e à distribuição dos produtos alimentares e, em consequência, o cumprimento da função de alimentação; b) sistema agroindustrial não alimentar: o conjunto das atividades que concorrem à obtenção de produtos provindos da agropecuária, florestas e pesca, não destinadas à alimentação mas aos sistemas energético, madeireiro, couro e calçados, papel, papelão e têxtil (ARAÚJO, 2007; BATALHA; SILVA, 2009).

4.2 COMPETITIVIDADE: INOVAÇÃO TECNOLÓGICA E INSTRUMENTAÇÃO