3. Teoretisk rammeverk
3.2 Et reguleringsregimes kontrollkomponenter
3.2.3 Hva er god regulering?
Os problemas com que se deparam as empresas não resultam de suas estruturas organizacionais, mas das estruturas de seus processos. Sobrepor uma nova organização a um processo antigo equivale a introduzir vinho azedo em novas garrafas (HAMMER e CHAMPY, 1994, p.34).
A Reengenharia apareceu na década de 90, como forma ajudar as indústrias a obterem altos índices de desempenho em um ambiente de muita competitividade e em que as melhorias incrementais, que até então já se faziam presentes, já não surtiam o efeito necessário (DAVENPORT, 1994, p.1-2).
Na visão de Hammer (1997, p.XI), o que motivou as empresas a investirem em uma metodologia mais agressiva foi a concorrência internacional e o nível de exigência dos clientes, atrelado a uma enorme ineficiência das técnicas e ferramentas gerenciais e motivacionais em conseguir resultados expressivos, capazes de gerar um diferencial competitivo.
Jóia (1994, p.19-20) explica a queda da melhoria contínua e a ênfase da melhoria radical, proporcionada pela Reengenharia, como conseqüência do foco equivocado nas tarefas e atividades, da divisão compartimentalizada de Taylor e Ford, em vez de nos processos. Araujo (2007, p.258) corrobora com essa justifica ao classificar a Reengenharia como um antídoto para a crise gerada por esse modelo ultrapassado.
Hammer e Champy (1994, p.22) conceituam a Rengenharia como “o repensar fundamental e a reestruturação radical dos processos empresariais que visam alcançar drásticas melhorias em indicadores críticos e contemporâneos de desempenho, tais como custos, qualidade, atendimento e velocidade”.
Para Hammer e Champy (1994, p.II), a Reengenharia não se trata de idéia importada do Japão ou outro modismo para melhorar a qualidade de produtos e serviços de uma empresa. Para os autores, a Reengenharia veio para refazer conceitos e a maneira como se trabalha, sem se preocupar com a forma de gerir, legada da era industrial. Isso porque as características dessa época, como o mercado de massa e sua demanda crescente, já não se encontram presentes no mundo atual em que a obtenção de uma vantagem competitiva pode significar a sobrevivência.
A Reengenharia não é o mesmo que automação, que downsizing, e não se trata de nenhum processo baseado em melhoria contínua. Com ela pretende-se obter resultados inovadores mediante a introdução de novos processos sem se basear na estrutura atual, rejeitando “as suposições inerentes ao paradigma industrial de Adam Smith: a divisão do trabalho, a economia de escala, o controle hierárquico”, dentre outros (HAMMER e CHAMPY, 1994, p.34-35).
Para Davenport (1994, p.19), “uma Reengenharia de Processos deve começar com um bom entendimento de quem são os clientes do processo e o que querem dele”.
Para o autor, as principais características da Reengenharia de Processos, que objetivam altos índices de retorno, são (DAVENPORT, 1994, p.12-18):
- As mudanças nos processos são radicais e acontecem de uma única vez;
- A Reengenharia não parte dos processos existentes e o tempo de implantação é bem superior aos de uma melhoria contínua;
- Pela profundidade das mudanças, a Reengenharia acontece de cima pra baixo, principalmente devido às restrições impostas pela estrutura hierárquica, inclusive de autoridade, e à necessidade de se ter uma visão sistêmica;
- Devido ao seu caráter radical, o risco de fracasso neste contexto é muito alto, e proporcional aos benefícios almejados. Por isso, esse tipo de implementação é mais indicado para ambientes dinâmicos nos quais o diferencial competitivo é questão de sobrevivência;
- As ferramentas da qualidade de outras metodologias de gestão de processos como o CEP não se adéquam à Reengenharia pelas grandes variações dos resultados obtidos;
- As mudanças sentidas vão além das culturais, afetando inclusive a própria estrutura organizacional, pelo seu caráter interfuncional e pelo impacto das mudanças drásticas nas relações de subordinação e controle;
Segundo Hammer e Champy (1994, p.51-65), as principais mudanças que ocorrem com a Reengenharia de Processos em uma empresa são:
- As unidades de trabalho mudam de departamentos funcionais para equipes de processos, reagrupando o trabalho decomposto por Adam Smith e Henry Ford;
- Os serviços mudam de tarefas simples para trabalhos multidimensionais, e a especialização dá lugar ao comprometimento com a execução do processo inteiro;
- Os membros das equipes de processos deixam de ser controlados e passam a ter autonomia sobre o processo, inclusive em se tratando de tomada de decisão;
- Os treinamentos que ensinavam o como se deve fazer as coisas foram substituídos pela educação dos empregados, aumentando a visão e a capacidade de tomar decisões;
- As medidas de desempenho passam a ser baseadas nos resultados em vez de nas atividades;
- Os critérios para promoção mudam do foco no bom desempenho para ser em função das habilidades adquiridas, por se tratar de uma mudança e não de um prêmio;
- Os valores mudam para se manterem sintonizados com a filosofia dos novos processos cujo foco passou para o cliente;
- Os gerentes passam a ser mais instrutores do que supervisores, já que os pontos de controle diminuem por conta da reformulação dos processos que os deixou mais abrangentes e com equipes multifuncionais;
- As estruturas organizacionais tendem a se horizontalizar; e
- Os executivos passam a ser líderes capazes de influenciar e reforçar os valores e as crenças dos empregados.
Os processos implantados por uma reengenharia são comprimidos horizontalmente, em que os empregados realizam mais tarefas seqüenciais, trabalhando em processos mais abrangentes, e verticalmente, em que passam a tomar decisões antes delegadas apenas aos gerentes. Os benefícios destas compressões são a redução de atrasos, menores custos de despesas gerais, melhor atendimento aos clientes e maior delegação de poderes aos trabalhadores (HAMMER e CHAMPY, 1994, p.44).
As etapas da estrutura para a Reengenharia de Processos estão descritas a seguir:
Tabela 9.3.5-1: Estrutura da Reengenharia de Processos.
Etapas Descrição Atividades
Identificação dos processos para Reengenharia A importância dessa etapa está na identificação dos processos críticos e abrangentes para que as mudanças a serem executadas realizem o salto desejado.
- Enumerar os principais processos; - Determinar os limites dos processos;
- Avaliar a relevância estratégica de cada processo; - Fazer julgamentos de alto nível sobre as condições
reais de cada processo; e
- Qualificar a cultura e a política de cada processo. Identificação
das alavancas de mudança
Aqui, definem-se os instrumentos que serão empregados para a realização das mudanças. São analisados a tecnologia da informação, a informação propriamente dita e os fatores humanos e organizacionais.
- Identificar oportunidades potenciais, tecnológicas e humanas, para a mudança de processo;
- Identificar fatores tecnológicos e humanos potencialmente limitadores;
- Pesquisar oportunidades em termos de aplicação a processos específicos; e
- Determinar quais as limitações que serão aceitas.
Desenvolvime nto de visões de processo
O principal produto dessa etapa é a visão de processo, que consiste em objetivos e atributos específicos baseados na estratégia da empresa.
- Avaliar as estratégias empresariais existentes para as direções de processos;
- Consultar clientes de processos sobre objetivos do desempenho;
- Benchmark para alvos de desempenho do processo e exemplos de reengenharia;
- Formular objetivos do desempenho do processo; e - Desenvolver atributos de processo específicos. Entendimento dos processos existentes A importância dessa etapa está no entendimento dos processos existentes pelos participantes de uma forma mais profunda nas mesmas bases em que serão desenvolvidos os novos processos, simplificando a análise daqueles.
- Descrever o atual fluxo do processo;
- Medir o processo em termos de objetivos do novo processo;
- Avaliar o processo em termos dos atributos do novo processo;
- Identificar problemas com, ou deficiências do, processo;
- Identificar melhorias a curto prazo no processo; e - Avaliar a atual tecnologia da informação e
organização. Projeto e
prototipação do novo processo
Fazem parte dessa etapa a implementação de novos projetos de processos e a
implementação de novas estruturas organizacionais e sistemas para suportar novas maneiras de trabalhar.
- Discutir alternativas de projeto;
- Avaliar possibilidades de execução, risco e vantagem das alternativas de projeto e selecionar o projeto de processo preferido;
- Prototipar o projeto do novo processo; - Desenvolver uma estratégia de migração; e - Implementar novas estruturas organizacionais e
sistemas. Fonte: Davenport (1994, p.31-192).
Em relação à Melhoria Contínua, os benefícios da Reengenharia de Processos são bem mais substanciais tanto em percentuais das mudanças obtidas e seus impactos na cultura organizacional quanto no tempo destinado à sua implementação.
Considerando as mudanças radicais advindas de um processo de reengenharia, Davenport (1994, p.200) adverte que a Reengenharia de Processos “só pode ser realizada quando os líderes de uma organização acreditarem e puderem demonstrar que os atuais modos de operação constituem uma ameaça à sobrevivência da empresa”.
Hammer e Champy (1994, p.168-178) alertam sobre os erros mais comuns de fracasso, em relação à Reengenharia:
- A Reengenharia deve ser praticada, isto é, não se deve tentar consertar o processo e sim mudá-lo. Não se deve confundi-la com outros programas de qualidade;
- É preciso definir corretamente os problemas e enfocar nos processos;
- A Reengenharia deve tratar de todos os aspectos organizacionais, incluindo a cultura organizacional com seus valores e crenças, pois mudanças profundas não são facilmente aceitas e a resistência a elas precisa ser prevista e gerenciada pelos gerentes;
- Em se tratando de Reengenharia, não se deve limitar o problema a ser resolvido ou o seu alcance, nem se contentar com resultados discretos;
- Não se deve parar um processo de reengenharia ao primeiro sinal de dificuldade, como a resistência da cultura organizacional, ou até mesmo de sucesso, deixando-se de usufruir de resultados mais significativos se as atividades fossem levadas adiante;
- A Reengenharia é um processo para ser tocado de cima para baixo, devido à falta de visão sistêmica das camadas mais baixas e à característica de atravessar as fronteiras organizacionais, nas quais nenhum gerente tem autoridade suficiente para mudar, além do fato de que tais mudanças podem significar perda de poder, autoridade e prestígio aumentando a resistência pelo novo;
- Não se deve designar pessoas sem conhecimento em Reengenharia para liderá-la e nem limitar seus recursos;
- A Reengenharia precisa de lugar de destaque na agenda da empresa além de não ser sensato iniciar vários projetos simultâneos; e
- Não se deve estender demais o prazo de implantação com o risco de gerar uma tensão desnecessária devido ao longo tempo de desconforto imposto pela Reengenharia.
Além desses erros comuns, a alteração dos valores de uma empresa é uma parte tão importante da Reengenharia como a mudança dos processos (HAMMER e CHAMPY, 1994, p.61) e precisa ser realizada para que o novo processo não trabalhe sobre bases não comprometidas com o que se propõe, a título de mudança. Davenport (1994, p.8-18) destaca alguns aspectos que precisam ser observados em uma abordagem de processos, utilizando-se da Reengenharia de Processos:
- É necessário adotar o ponto de vista do cliente. Para o autor, “os processos são a estrutura pela qual uma organização faz o necessário para produzir valor para os seus clientes”;
- É importante a definição dos donos dos processos. Principalmente porque os processos dificilmente seguem os limites impostos pela estrutura organizacional, podendo gerar conflitos de poder e autoridade;
- O impacto profundo das mudanças drásticas geradas na organização é o aspecto mais difícil da Reengenharia, podendo comprometer uma implantação se os demais aspectos da organização como o desenvolvimento humano e o organizacional não forem trabalhados em conjunto;
- As inovações nos aspectos humanos, como a delegação de poderes, autonomia para as equipes e estruturas organizacionais horizontais, são tão importantes na mudança dos processos quanto a TI; e
- No âmbito da organização, os empregados devem ser informados do tipo de mudança que está em curso, principalmente quando se tem iniciativas de Melhoria Contínua e de Reengenharia de Processos sendo executadas simultaneamente.
Em relação aos países em desenvolvimento e, em particular, às organizações públicas, Saxena (1996, p.706-707) apresenta os fatores que dificultam a reengenharia neste ambiente:
- Inexistência de um dos pré-requisitos da Reengenharia que são as estratégias e objetivos explícitos em muitas administrações públicas;
- Falta de definição dos usuários (clientes) devido ao monopólio em determinados serviços, e de atender seus requisitos devido à sua burocracia;
- Força de estrutura vertical que dificulta a administração pública perceber e definir os processos de negócio; e
- Dificuldade de definir o alcance dos processos por meio do uso de indicadores por ser um tema recente na administração pública.
Por conta dessas dificuldades, as organizações públicas implantam a reengenharia em estágios diferentes. O autor propõe três tipos de reengenharia (melhoria de processo, redesenho de processo e transformação organizacional) e afirma que devido ao alto custo da tecnologia em relação ao custo do trabalho humano, à não percepção da necessidade de implementar os três tipos, ao baixo nível de padronização da administração pública e à pobre infra-estrutura tecnológica, o tipo mais usado nestas organizações é a melhoria de processo.
Luz (2007, p.1) alerta que alterações radicais pressupõem um suporte humano, cultural e estrutural bem consolidado que nem sempre estão reunidos nas organizações públicas, mesmo sabendo que mudanças neste setor são essenciais mas que não devem ser implementadas de forma radical e abrupta. A autora apresenta alguns condicionantes (entraves) à aplicação de medidas radicais neste tipo de organização:
- Possui um enquadramento legislativo pouco flexível (burocracia);
- Possui uma hierarquia definida política e partidariamente;
- Não tem foco na competitividade, mas na melhor forma de satisfazer os cidadãos; e
- Sua cultura organizacional está sustentada em parâmetros diferentes do setor privado.