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No bairro Jardim Edilene, a maioria dos moradores labutam com dificuldade para satisfazer as necessidades humanas básicas. Como exemplo, a moradia foi-lhes possível pela ocupação de área pública de mangue. Em decorrência da situação de pobreza dos moradores da localidade, organizações não governamentais ligadas a empresas da cidade de Joinville passaram

a atuar no local. Entre elas, a associação Resgate121 e o instituto Consulado da Mulher.

No ano de 2004, a ITCP/FURB122 estabeleceu convênio com a Empresa Multibrás S.A. de

Joinville para o estabelecimento de assessoria em cooperativismo e economia solidária para os trabalhadores voluntários dos projetos desenvolvidos pelo instituto Consulado da mulher. O estabelecimento deste convênio foi mais um dos eventos propiciadores da presença da formação de uma cooperativa no bairro Jardim Edilene de Joinville.

Para as famílias atendidas pelos projetos da associação Resgate, era prevista contrapartida, através do desenvolvimento de alguma atividade, que trouxesse benefícios diretamente a eles e a outros moradores do bairro. A atividade escolhida pelas famílias do bairro Jardim Edilene foi o plantio de hortaliças orgânicas. A horta comunitária foi constituída no terreno ao lado da cozinha

comunitária organizada pela Fundação Pauli-Madi Pró Solidariedade e Vida123. Os produtos

121 Em final de 1994, a associação Resgate surge da ação de um grupo de pessoas voluntárias que atuavam nas

regiões empobrecidas de Jonville, objetivando desenvolver ações nas áreas de saúde, trabalho, urbanização, habitação, educação, qualificação profissional e formação pessoal. Na questão da educação, que atingiu diretamente os moradores do bairro Jardim Edilene, foi implementado o projeto “Ajuda-me a Aprender”, buscando auxiliar as crianças com dificuldades de aprendizagem e baixo desempenho escolar. O grupo de voluntários passou a dar assistência a tais crianças em suas tarefas escolares e a realizar atividades que propiciam uma melhoria no relacionamento com familiares e amigos. Mas tarde, o projeto foi ampliado em seus objetivos: passou a oferecer bolsas de estudo a jovens e crianças de famílias de baixa renda em instituições de ensino da rede privada de Joinville. A Associação Resgate tem patrocínio das empresas Embraco, Datasul, Microjuntas e Embrapla para o desenvolvimento de seus projetos.

122 A ITCP da FURB foi fundada em 27 de junho de 2000.

123 A Fundação Pauli-Madi Pró Solidariedade e Vida, pessoa jurídica de direito privado, aprovada como Entidade de

Utilidade Pública Federal, Estadual e Municipal, conforme respectivas Leis, é uma sociedade civil sem fins lucrativos e prestadora de serviços onde a vida se encontra ameaçada de qualquer forma, com especial atenção aos direitos da criança e do adolescente, tanto na questão alimentar quanto na preparação para o ingresso no mercado de trabalho. A Fundação Pauli-Madi conta com 4 projetos: cozinhas comunitárias, cidadão do futuro, regime de abrigo e comitê de solidariedade (ao desempregado). Padre Facchini é fundador da Fundação Pauli-

colhidos na horta eram, em parte, consumidos pelos produtores, parte era vendida para se obter renda para compra de novas sementes do próximo plantio e parte era doada à cozinha comunitária, servindo como contribuição do grupo para com a comunidade em que moravam. O projeto da horta comunitária tomará nova forma com os trabalhos desenvolvidos pelo Consulado da Mulher junto ao grupo de famílias do Jardim Edilene.

Com o estabelecimento do convênio entre FURB e Multibrás, a ITCP iniciou um curso de capacitação sobre trabalho cooperativado e autogestor na perspectiva da economia solidária aos voluntários atuantes no Consulado. Fazia parte da metodologia da formação a identificação de um grupo que constituísse uma cooperativa de trabalho. O grupo de voluntários e empregados da EMBRACO e coordenadores do projeto Resgate também participaram desta capacitação e, através deles, em decorrência dos vínculos estabelecidos com as comunidades empobrecidas de Joinville, foi possível a aproximação destes novos voluntários e funcionários do Consulado da Mulher que participavam da capacitação. Foi então que o Consulado da Mulher começou a se relacionar com os moradores do Jardim Edilene envolvidos nos projetos da associação Resgate e atuantes na horta comunitária.

Inicialmente, os integrantes do Consulado da Mulher procuraram conhecer o grupo de

pessoas que atuavam na horta e identificar as condições objetivas e subjetivas para organizar e desenvolver uma cooperativa de trabalho. Nas conversações mantidas através de reuniões, foi proposto ao grupo um curso de formação em economia solidária o qual foi aceito pelo grupo atuante na horta comunitária. E, com o término do curso aos voluntários atuantes no Instituto, é dado início à formação do grupo de moradores do Jardim Edilene e participantes das atividades da horta comunitária.

O curso de formação ministrado pela ITCP da FURB para pessoas moradoras do Jardim Edilene, com duração de dois anos, iniciou-se com 21 integrantes e, na constituição da cooperativa, em 21 de fevereiro de 2005 (data de fundação), eram 15. Hoje, a cooperativa conta com 09 associados. Dois anos de formação, com encontros quinzenais nos dias de sábado, é um período muito longo, e as pessoas se retiraram por não verem resultado imediato. É comum o anseio por resultados imediatos em termos financeiros, principalmente para quem já está com poucas condições de atender a suas necessidades humanas básicas. Os motivos daqueles que saíram após a constituição da cooperativa, segundo os atuais cooperados, são variados: por mudança de residência - uma cooperada foi morar em outro bairro distante dificultando o acesso

Madi (http://www.solidariosim.com), que conta com 26 cozinhas comunitárias espalhadas por Joinville. O programa de cozinhas comunitárias de Joinville atende crianças de zero a 14 anos de idade, e os alimentos são doados por pessoas físicas e jurídicas, além de contar com recursos da prefeitura. Os almoços são preparados por mulheres voluntárias em locais designados pelo bairro.

até a sede da cooperativa; outra cooperada arrumou trabalho que lhe possibilitava maior renda; outra, por problemas de saúde em decorrência da idade avançada e a última associada a se desligar da cooperativa foi devido a sérios problemas familiares que a impediam de se ausentar do ambiente doméstico mesmo durante o horário comercial.

4.3.2. OS OBSTÁCULOS NA DEFINIÇÃO DA FINALIDADE DO TRABALHO A SER